sexta-feira, 6 de novembro de 2009

CAPITULO 62 = CALENDÁRIOS

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• CALENDÁRIOS

CAPITULO 62
ORIGEM E EVOLUÇÃO DO NOSSO CALENDÁRIO
Desde a pré-história que o Homem ficou deslumbrado pela sucessão dos dias e das noites e pelo desenrolar das fases da Lua: estes fenómenos conduziram às noções de dia e de mês.
A noção de ano é menos evidente e foi só com o desenvolvimento da agricultura que os povos primitivos se aperceberam do ciclo das estações.
São, portanto, o dia, o mês lunar ou lunação e o ano os períodos astronómicos naturais utilizados em qualquer calendário. Vamos precisar melhor cada um deles.
CONCEITOS
O dia solar verdadeiro, intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do Sol pelo meridiano dum lugar, varia entre 23 h 59 m 39 s e 24 h 00 m 30 s.
Estas variações, devidas às desigualdades que afectam a ascensão recta do Sol, obrigam-nos a utilizar um dia civil, com a duração de 24 horas.
Este dia, definido em função do dia solar médio, começa à meia-noite e termina à meia-noite seguinte.
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A lunação, intervalo de tempo entro duas conjunções consecutivas da Lua com o Sol, também não é um valor constante, mas varia entre 29 dias e 6 horas e 29 dias e 20 horas.
O seu valor médio, conhecido com grande precisão, é de 29 d 12 h 44 m 02,8 s.
A revolução sinódica da Lua está na origem dos calendários lunares, em que os meses têm alternadamente 29 dias e 30 dias.
O seu valor médio é, portanto, de 29,5 dias, diferindo 44 m do mês sinódico.
Em Astronomia consideram-se várias espécies de ano. Iremos referir-nos apenas ao ano sideral e ao ano trópico.
O ano sideral, duração da revolução da Terra em torno do Sol, é igual a 365 d 06 h 09 m 09,8 s.
É este ano que intervém na terceira lei de Kepler da mecânica celeste, ao ligar as durações das revoluções dos planetas com os eixos maiores das órbitas.
O ano trópico, tempo decorrido entre duas passagens consecutivas do Sol médio pelo ponto vernal, é actualmente de 365 d 05 h 48 m 45,3 s
É mais curto do que o ano sideral, devido à precessão dos equinócios, que faz retrogradar o ponto vernal de 50,24 segundos de arco por ano.
É o ano trópico que regula o retorno das estações e que intervém nos calendários solares.
Há ainda os calendários luni-solares, que procuram harmonizar as lunações com a revolução trópica do Sol.
O protótipo actual de calendário lunar é o calendário islâmico; do calendário solar é o calendário gregoriano; do calendário luni-solar é o calendário israelita.
Mas também o calendário gregoriano conserva, de certo modo, uma base luni-solar no que diz respeito às regras para a determinação da data da Páscoa, a que procuraremos mais adiante fazer referência.Um outro período de tempo utilizado nos calendários é a semana de sete dias, cuja origem se desconhece.
É provável que estivesse relacionada com o mês lunar, visto que sete dias são aproximadamente um quarto de lunação, o intervalo aproximado entre a Lua cheia e o quarto minguante, ou talvez com o número dos sete astros principais do firmamento (os cinco planetas conhecidos na Antiguidade mais o Sol e a Lua).
Mas é provável que a escolha de um intervalo de sete dias se deva ao carácter sagrado do número sete entre os judeus.
Seja como for, o ciclo semanal de sete dias propagou-se inicialmente para oriente e só bastante mais tarde chegou ao ocidente, encontrando-se hoje praticamente incorporado em todos os calendários, como ciclo regulador das actividades laborais.
CALENDÁRIOS ANTIGOS
Os mais primitivos calendários do velho Continente, de que a História nos proporciona uma informação concreta, são o hebreu e o egípcio. Ambos tinham um ano civil de 360 dias:
curto para representar o ciclo das estações, mas grande para corresponder ao chamado "ano lunar" , que se define como um período de tempo igual a 12 lunações completas existentes no ano trópico, ainda desconhecido.
Ignora-se como os hebreus dividiam o ano, mas depreende-se que já utilizavam a semana, visto que seguiam o mesmo princípio para contar os anos, agrupando-os em septanas ou semanas de "sete anos".
Pelo contrário, os egípcios dividiam o ano em 12 meses de 30 dias e cada mês em três décadas.
Os egípcios também dividiam o ano em três estações, de acordo com as suas actividades agrícolas dependentes das cheias do Nilo:
a estação das inundações; a estação das sementeiras e a estação das colheitas.
Não satisfeitos com o ano de 360 dias, estes povos procuraram aperfeiçoar o seu calendário, embora seguindo caminhos diferentes.
Os hebreus voltaram-se para o sistema luni-solar, ajustando os meses com o movimento sinódico da Lua e coordenando o ano com o ciclo das estações.
Por sua vez, os egípcios abandonaram por completo o sistema lunar para seguir unicamente o ciclo das estações, tal como as observavam no Egipto, visto desconhecerem ainda a duração do ano trópico.
Depois de muitas reformas, por volta do ano 5000 a. C., os egípcios estabeleceram um ano civil invariável de 365 dias, conservando a tradicional divisão em 12 meses de 30 dias e 5 dias adicionais no fim de cada ano.
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O atraso aproximado de 6 horas por ano em relação ao ano trópico motivou que, lentamente, as estações egípcias se fossem atrasando, originando uma rotação destas por todos os meses do ano. Por esse motivo, os egípcios começaram uma cuidadosa observação no ano 2783 a. C., comprovando que em 1323, também a. C., as estações voltavam a coincidir nas mesmas datas do calendário.
A este período de 1461 anos egípcios e que corresponde a 1460 anos julianos, deu-se o nome de período sotíaco, de Sothis ou Sirius, em cujo nascimento helíaco se basearam as observações.
Apesar desta comprovação, os egípcios não fizeram qualquer correcção no seu ano vago e um segundo período sotíaco seria iniciado em 1323 a. C. Porém, no ano 238 a. C., houve uma tentativa para reformar o calendário egípcio por forma a pô-lo de acordo com o ciclo das estações mas sem êxito, devido à oposição de determinadas classes sacerdotais. Só no ano 25 a. C. foi adoptada a reforma juliana, introduzindo, de 4 em 4 anos, 6 dias adicionais em vez de 5.
Os gregos estabeleceram um ano lunar de 354 dias, que dividiram em 12 meses de 30 e 29 dias, alternadamente.
Por conseguinte, tinha menos 11 dias e 6 horas do que a ano trópico, sendo necessário fazer intercalações para estabelecer a devida correspondência.
Estas intercalações tinham o nome de dietérida, ¾ ciclo de dois anos ¾ ; trietérida, ¾ ciclo de três anos ¾ , etc.
Os meses, como no calendário egípcio, eram dedicados aos deuses e neles se celebravam festas, não só em honra do deus correspondente, mas também muitas outras dedicados aos astros, às estações, etc.
No primitivo calendário romano, o ano tinha 304 dias distribuídos por 10 meses.
Os 4 primeiros tinham nomes próprios dedicados aos deuses da mitologia romana e provinham de tempos mais remotos, em que, provavelmente, se aplicaram às 4 estações;
os 6 restantes eram designados por números ordinais, indicativos da ordem que ocupavam no calendário, segundo




ordem MÊS DIAS DEDICADO
1 º. ºMartius 31 A MARTE
2 º. Aprilis 30 A APOLO
3 º . Maius 31 A JUPITER
4 º. Junius 30 A JUNO
5 º. Quintilis 31
6 º. Sextilis 30
7 º. September 30
8 º. October 31
9 º. November 30
10 º. December 30



Como se depreende, tratava-se dum calendário sem qualquer base astronómica, pois os períodos nele definidos não tinham qualquer relação com os movimentos do Sol ou da Lua.
Por isso, no tempo de Rómulo já foram introduzidas algumas intercalações por forma a harmonizar o calendário vigente com os citados períodos astronómicos.
O calendário de Rómulo foi reformulado por Numa Pompílio, o qual, seguindo o exemplo dos gregos, estabeleceu o ano de 12 meses, mas introduzindo em primeiro lugar o mês de Januarius, dedicado a Jano, e em último lugar o mês de Februarius, dedicado a Februa, ao qual os romanos ofereciam sacrifícios para expiar as suas faltas de todo o ano.
Este foi o motivo por que o mês de Februarius foi colocado no fim.



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Mas Numa modificou também a duração dos meses, deixando o calendário do seguinte modo:

ORDEM MÊS DIAS
1 º. Januarius 29
2 º. Martius 31
3 º. Aprilis 29
4 º. Maius 31
5 º. Junius 29
6 º- Quintilis 31
7 º. Sextilis 29
8 º. September 29
9 º. October 31
10 º. November 29
11 º. December 29
12 º. Februarius 27
TOTAL 354 dias

Consequentemente, o ano tinha 354 dias (ano lunar dos gregos).
Mas esta estranha distribuição dos dias pelos meses era devida à superstição dos romanos que tomavam por nefastos os números pares. Pela mesma razão, consideraram nefasto o ano de 354 dias e aumentaram-no para 355 dias, atribuindo o dia excedente a Februarius, que passou a ter 28 dias.
Entretanto, os romanos sentiram também a necessidade de coordenar o seu ano lunar com o ciclo das estações e seguindo, de certo modo, o exemplo dos gregos, estabeleceram um rudimentar sistema luni-solar, introduzindo no seu calendário, de dois em dois anos, um novo mês:
Mercedonius, assim chamado por estas intercalações serem feitas na época em que os senhores outorgavam as suas mercês aos escravos (uma espécie de gratificações voluntárias pelos serviços prestados).
O Mercedonius, cuja duração alternava de 22 ou 23 dias, intercalava-se entre 23 e 24 de Februarius, que se interrompia, completando-se depois da mesma.
O ano assim formado tinha, em média, 366,25 dias, portanto mais um dia do que o ciclo das estações. Foram estabelecidos várias normas para atender a esse aspecto que na prática não resultaram, pois as intercalações passaram a ser feitas de acordo com interesses particulares ou políticos:
os pontífices alongavam ou encurtavam o ano conforme os seus amigos estavam ou não no poder. A desordem atingiu tal ponto que o começo do ano já estava adiantado de três meses em relação ao ciclo das estações.
CALENDÁRIO JULIANO
Foi esta desordem que Júlio César encontrou ao chegar ao poder.
Decidido a acabar com os abusos dos pontífices, chamou a Roma o astrónomo grego Sosígenes, da escola de Alexandria, para que examinasse a situação e o aconselhasse nas medidas que deveriam ser adoptadas.
Estudado o problema, Sosígenes observou que o calendário romano estava adiantado de 67 dias em relação ao ano natural ou ciclo das estações,
Para desfazer essa diferença, Júlio César ordenou que naquele ano (708 de Roma, ou 46 a.C.), além do Mercedonius de 23 dias que correspondia intercalar naquele ano, fossem adicionados mais dois meses, um de 33 dias, outro de 34 dias, entre os meses de November e December.
Resultou assim um ano civil de 445 dias, o maior de todos os tempos, único na história do calendário e conhecido pelo nome de Ano da confusão, pois, devido à grande extensão dos domínios de Roma e à lentidão dos meios de comunicação de então, nalgumas regiões a ordem foi recebida com tal atraso que já havia começado um novo ano.
Foi então abolido o calendário lunar dos decênviros e adoptou-se o calendário solar, conhecido por Juliano, de Júlio César, que começou a vigorar no ano 709 de Roma (45 a.C.), mediante um sistema que devia desenrolar-se por ciclos de quatro anos,

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com três comuns de 365 dias e um bissexto de 366 dias, a fim de compensar as quase seis horas que havia de diferença para o ano trópico. Suprimiu-se o Mercedonius e Februarius passou a ser o segundo mês do ano.
Consequentemente, os restantes meses atrasaram uma posição, além da que já haviam atrasado na primeira reforma de Numa, com a consequente falta de sentido dos meses com designação ordinal.
O valor médio do ano passou a ser de 365,25 dias e o equinócio da primavera deveria ocorrer por volta de 25 de Março.
Era a seguinte a ordenação e duração dos meses no primitivo calendário juliano:




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ORDEM MÊS DIAS
1 º. Januarius 31
2 º. Februarius 29 ou 30
3 º. Martius 31
4 º. Aprilis 30
5 º. Maius 31
6 º- Junius 30
7 º. Quintilis 31
8 º. Sextilis 30
9 º. September 31
10 º. October 30
11 º. November 31
12 º. December 30






Como se pode observar, a distribuição dos dias do ano fez-se alternando os meses de 30 e 31 dias, consoante fosse par ou ímpar a sua ordem no calendário nos anos bissextos, ficando Februarius com 29 dias nos anos comuns.
Assim, por disposição de Júlio César, os romanos tiveram de abolir a sua prevenção contra os meses de dias pares, que sempre haviam considerado nefastos ou de mau agoiro.
• EVOLUÇÃO DO CALENDÁRIO JULIANO
Durante o consulado de Marco António, reconhecendo-se a importância da reforma introduzida no calendário romano por Júlio César, foi decidido prestar-lhe justa homenagem, perpetuando o seu nome no calendário, de maneira que o sétimo mês, Quintilis, passou a chamar-se Julius.
Também no ano 730 de Roma, o Senado romano decretou que o oitavo mês, Sextilis, passasse a chamar-se Augustus, porque durante este mês começou o imperador César Augusto o seu primeiro consulado e pôs fim à guerra civil que desolava o povo romano.
E para que o mês dedicado a César Augusto não tivesse menos dias do que o dedicado a Júlio César, o mês de Augustus passou a ter 31 dias.
Este dia saiu do mês de Februarius, que ficou com 28 dias nos anos comuns e 29 nos bissextos.
Também para que não houvesse tantos meses seguidos com 31 dias, reduziram-se para 30 dias os meses de September e November, passando a ter 31 dias os de October e December.
Assim se chegou à distribuição sem lógica alguma dos dias pelos meses, que ainda hoje perdura e que transcrevemos a seguir com os nomes actuais em língua portuguesa:




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ORDEM MÊS DIAS
1 º. Janeiro 31
2 º. Fevereiro 28 ou 29
3 º. Março 31
4 º. Abrl 30
5 º. Maio 31
6 º- Junho 30
7 º. Julho 31
8 º. Agosto 31
9 º. Setembro 30
10 º. Outubro 31
11 º. Novembro 30
12 º. Dezembro 31

De princípio, o calendário juliano conservou as letras nundinais para determinar a data dos mercados públicos, a divisão dos meses pelas calendas, nonas e idus e a nomenclatura ordinal dos dias. O dia excedente de Februarius, nos anos bissextos, era intercalado ¾ como o fora anteriormente o mês Mercedonius ¾ entre os dias 23 e 24.
Quando Februarius passou a ter 28 dias nos anos comuns, o seu 23.º dia era o 6.º antes das calendas de Março.
Portanto, o dia seguinte, que era intercalado de 4 em 4 anos, passou a designar-se por bissextocalendas (ou bissextus dies ante calendas Martii).
Daí o nome de dia bissexto e, por arrastamento, de ano bissexto que hoje se dá aos anos em que o mês de Fevereiro tem 29 dias.
Mas o ciclo de 4 anos de Sosígenes começou por ser mal aplicado, pois em vez de se contarem 3 anos comuns e um bissexto, como, de facto, recomendava aquele astrónomo, os pontífices romanos falsearam a contagem ¾ ou a interpretaram mal, ainda que isso não pareça muito provável dada a sua simplicidade ¾ e intercalaram um ano bissexto de 3 em 3 anos.
Assim, durante os primeiros 36 anos de vigência do calendário juliano foram intercalados 12 bissextos em vez de 9.
Para remediar este erro, e como 12 bissextos correspondiam a 48 anos, César Augusto suspendeu as intercalações durante 12 anos, começando então a ser feita de 4 em 4 anos, como era correcto.
Em geral, a cronologia não refere este facto e admite-se que o calendário juliano seguiu correctamente desde o princípio.
Por aquela época tiveram lugar na Terra Santa os mistérios da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o advento do cristianismo e a difusão desta doutrina.
Tal ocorrência acabaria por ter bastante influência na evolução do calendário juliano: a fixação das regras para a determinação da data da Páscoa e a adopção oficial da semana no calendário romano. Os cristãos da Ásia Menor celebravam a Páscoa cristã no dia 14 da primeira Lua que começasse em Março, qualquer que fosse o dia da semana em que ocorresse essa data.
Pelo contrário, os cristãos do Ocidente celebravam-na no domingo seguinte a esse dia.
Esta discrepância entre os cristãos do Oriente e do Ocidente na comemoração de tão importante acontecimento, deu origem a sérias polémicas entre os altos dignatários das duas Igrejas.
A questão foi resolvida no concílio de Niceia (ano 325 da nossa era): Jesus Cristo ressuscitou num domingo, 16 Nissan do calendário judeu, coincidente com o plenilúnio do começo da primavera.
O concílio decidiu manter estes três símbolos e acordou que a Páscoa passaria a ser celebrada universalmente, no domingo seguinte ao plenilúnio que tivesse lugar no equinócio da primavera ou imediatamente a seguir.
Os cristãos, que entretanto iam ganhando posições em toda a parte, precisavam da semana hebraica para o seu culto, visto que tinham de guardar o preceito do descanso ao sétimo dia e, assim, a semana acabou por ser adoptada no calendário romano, abolindo-se, pouco a pouco, as letras nundinais e o uso das calendas, nonas e idus.

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Convém salientar que o ano de 365,25 dias do calendário juliano é cerca de 11 m 14 s mais longo do que o ano trópico.
A acumulação desta diferença ao longo dos anos representa um dia em 128 anos e cerca de três dias em 400 anos.
Assim, o equinócio da primavera que no tempo de Sosígenes ocorria por volta de 25 de Março, ao realizar-se o concílio de Niceia, quase quatro séculos depois, teve lugar a 21 de Março.
PROBLEMAS COM O CALENDÁRIO JULIANO
Este deslocamento do equinócio no calendário, que não foi tomado em consideração pelos padres conciliares de Niceia, continuou a produzir-se à razão de um dia em cada 128 anos, causando várias preocupações à Igreja durante toda a Idade Média, visto que esse atraso poderia dar origem a novas discrepâncias sobre a data da Páscoa.
O problema foi tratado nos concílios de Constança (1414) e Basileia (1436 e 1439), mas não foi possível chegar a qualquer acordo.
Em 1474, o Papa Sixto IV encarregou Juan Muller de estudar o meio de reformar o calendário, mas este sábio alemão, conhecido pelo nome de Regiomontano, morreu dois anos depois sem ter apresentado as conclusões do seu trabalho.
No concílio de S. João de Latrão (1511 a 1515) foi novamente abordado o problema e no de Trento (1545 a 1563) chegou a ser discutido um projecto de reforma que não pôde ser concretizado, apesar dos esforços do Papa Pio IV, dada a escassa preparação científica de então para reconhecer as vantagens.
Foi necessária a autoridade de um Papa com a cultura e a tenacidade de Gregório XIII para conseguir impor a reforma. Entretanto, o equinócio da primavera ocorria já por volta de 11 de Março. Depois de várias consultas a instituições científicas, em 1576 foi criada uma comissão encarregada de estudar o problema e as várias propostas existentes para o resolver.
Nesta comissão, constituída pelos melhores astrónomos e matemáticos da época, teve papel preponderante o célebre padre jesuíta Clavius, que estudara matemática em Coimbra com Pedro Nunes.
Foi preferido o projecto de reforma apresentado pelo astrónomo Luís Lílio e comunicado em 1577 e 1578 a numerosos príncipes, bispos e universidades para darem a sua opinião.
Só depois de analisadas pela comissão todas essas respostas, se resolveu adoptar finalmente o projecto de Lílio e em 24 de Fevereiro de 1582 Gregório XIII expediu a bula Inter Gravíssimas, que estabelecia os pontos essenciais do novo calendário.

• CALENDÁRIO GREGORIANO
A reforma gregoriana tinha por finalidade fazer regressar o equinócio da primavera a 21 de Março e desfazer o erro de 10 dias já existente.
Para isso, a bula mandava que o dia imediato à quinta-feira 4 de Outubro fosse designado por sexta-feira 15 de Outubro.
Como se vê, embora houvesse um salto nos dias, manteve-se intacto o ciclo semanal.
Para evitar, no futuro, a repetição da diferença foi estabelecido que os anos seculares só seriam bissextos se fossem divisíveis por 400.
Suprimir-se-iam, assim, 3 dias em cada 400 anos, razão pela qual o ano 1600 foi bissexto, mas não o foram os anos 1700, 1800 e 1900, que teriam sido segundo a regra juliana, por serem divisíveis por 4.
A duração do ano gregoriano é, em média, de 365d 05h 49 m 12 s, isto é, tem actualmente mais 27s do que o ano trópico.
A acumulação desta diferença ao longo do tempo representará um dia em cada 3000 anos.
É evidente que não valia a pena aos astrónomos de Gregório XIII atender a tão pequena e longínqua diferença, nem na actualidade ela tem ainda qualquer importância.
Talvez lá para o ano 5000 da nossa era, se ainda continuarmos com o mesmo calendário, seja necessário ter isso em consideração.
Portugal, Espanha e Itália foram os únicos países que aceitaram de imediato a reforma do calendário. Em França e nos Estados católicos dos Países Baixos a supressão dos 10 dias fez-se ainda em 1582, durante o mês de Dezembro (9 para 20 em França, 14 para 25 nos Países Baixos). Os Estados católicos da Alemanha e da Suíça acolheram a reforma em 1584; a Polónia, após alguma resistência, em 1586 e a Hungria em 1587.
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A repugnância foi grande mesmo nos países católicos, pois isso significava sacrificar 10 dias e romper aparentemente com a continuidade do tempo. Estas reacções mostram que o calendário toca o coração das pessoas e que convém tratar a questão com prudência.
Nos países protestantes a recusa foi mais longa.
O erudito francês Joseph Scaliger, pelas suas críticas, contribuiu para organizar a resistência.
"Os protestantes, dizia Kepler, preferem antes estar em desacordo com o Sol do que de acordo com o Papa". Os protestantes dos Países Baixos, da Alemanha e da Suíça só por volta de 1700 aceitaram o novo calendário.
Mas nalgumas aldeias suíças foi preciso recorrer à força para obrigar o povo a fazê-lo.
A Inglaterra e a Suécia só o fizeram em 1752; foi preciso então sacrificar 11 dias, visto que tinham considerado 1700 como bissexto.
O problema na Inglaterra agravou-se mais porque também nesse ano fora decidido que o início do ano seria transferido para o dia 1 de Janeiro (até então o ano começava a 25 de Março).
Deste modo, em Inglaterra haviam-se suprimido quase três meses no início do ano e em Setembro, com a adopção do calendário gregoriano, eram suprimidos mais 11 dias.
Era demais para um povo fiel às tradições.
Os russos, gregos, turcos e, duma maneira geral, os povos de religião ortodoxa, conservaram o calendário juliano até ao princípio deste século.
Como tinham considerado bissextos os anos de 1700, 1800 e 1900, a diferença era já de 13 dias.
A URSS adoptou o calendário gregoriano em 1918, a Grécia em 1923 e a Turquia em 1926.
Em conclusão, actualmente o calendário gregoriano pode ser considerado de uso universal.
Mesmo aqueles povos que, por motivos religiosos, culturais ou outros, continuam agarrados aos seus calendários tradicionais, utilizam o calendário gregoriano nas suas relações internacionais.
A seguir à implantação da reforma gregoriana, os cristãos suprimiram o descanso ao sábado, transferindo-o para o domingo em comemoração perpétua da Ressurreição de Cristo.
Assim se quebrou a unidade de descanso no sétimo dia, estabelecido por Moisés há mais de 5700 anos.
Seguindo o exemplo dos cristãos, também os muçulmanos renunciaram ao preceito mosaico de descanso ao sábado e transferiram-no para sexta-feira, em cujo dia da semana, dez séculos antes, o Alcorão foi revelado a Maomé e se deu a fuga deste de Meca para Medina (15 de Julho do ano 622 da era cristã).

• DEFEITOS DO CALENDÁRIO GREGORIANO
O calendário gregoriano apresenta alguns defeitos, tanto sob o ponto de vista astronómico (estrutura interna), como no seu aspecto prático (estrutura externa).
Por isso, vários investigadores pertencentes a várias igrejas ou organismos internacionais e mesmo privados se têm ocupado activamente da reforma do calendário.
Sob o ponto de vista astronómico, o seu principal defeito é ser ligeiramente mais longo do que o ano trópico, o que se traduz por uma diferença de um dia em cerca de 3000 anos.
Porém, esta pequena diferença não tem qualquer inconveniente imediato e uma reforma do calendário destinada a corrigi-la traria sérios problemas, porque iria criar uma descontinuidade com as consequentes complicações cronológicas.
O mesmo não acontece sob o ponto de vista prático, em que, de facto, se justifica uma modificação. Com efeito, o número de dias de cada mês é muito irregular (28 a 31 dias).
O mesmo acontece com a semana, adoptada quase universalmente como unidade laboral de tempo, que não se encontra integrada nos meses e muitas vezes repartida por dois meses diferentes.
Estas duas anomalias têm sérios inconvenientes numa distribuição racional do trabalho e dos salários, que são maiores do que à primeira vista se pode pensar.
Até a própria economia doméstica se recente, visto que um salário mensal fixo tem de ser distribuído por um número diferente de dias.
Mais grave ainda é a mobilidade da data da Páscoa, que oscila entre 22 de Março e 25 de Abril, com as consequentes perturbações da duração dos trimestres escolares e de numerosas outras actividades (judiciais, económicas, turísticas, etc.) particularmente nos países cristãos em que as festas da Semana Santa têm uma grande importância.
Há ainda um outro ponto que julgo ser de interesse salientar.
Diz respeito ao tratamento desigual que foi dado à Lua e ao Sol.
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Com efeito, os padres do concílio de Niceia e o Papa Gregório XIII ligaram o calendário ao Sol verdadeiro, mas tomaram para Lua pascal uma Lua média que, por vezes, se afasta bastante da Lua astronómica. Por esse motivo, podem dar-se desvios de uma semana ou mesmo de um mês na data da Páscoa.
Dada a importância do ciclo semanal no relacionamento entre os diferentes calendários e, inclusive, na resolução de algumas dúvidas, julgamos de interesse dizer mais alguma coisa sobra o assunto.
No quadro junto estão indicados os respectivos nomes em latim e a sua correspondência com as línguas latinas. Só o português é que se afasta um pouco da tradição.
Domingo: dia do Senhor. Dedicado ao Sol.
O astro-rei era tudo para o homem primitivo: espantava as trevas, aquecia os corpos, amadurecia as colheitas. Enfim, o Sol era Deus; daí a designação de Dia do Senhor entre os latinos.
Segunda-feira: dia da Lua.
Depois do Sol e sempre no céu, a Lua era a impressão mais forte recebida pelo homem. Influía nas marés, no plantio, no corte das madeiras, talvez mesmo no nascimento das crianças.
Daí a atribuir-lhe um dia da semana.
Terça-feira: dia de Marte.
Na escala dos poderes que governavam os céus, as trevas e os seres humanos, Marte pontificava. Era o senhor da guerra e, portanto, dos destinos das nações e dos povos.
A sua influência era tão grande que, inclusive, no calendário romano lhe foi destinado um mês (Março).
Quarta-feira: dia de Mercúrio. Era o deus do comércio, dos viajantes e dos ... ladrões!
Mensageiro e arauto de Júpiter, protegia os comerciantes e os seus negócios; dada a importância que estas criaturas tiveram em todos os tempos e em todos os lugares, alcançaram para o seu deus a consagração de um dia da semana.
Quinta-feira: dia de Júpiter.
Honraria conferida ao pai dos deuses pagãos, comandante dos ventos e das tempestades.
Daí a ideia de lhe atribuir um dia da semana, talvez para aplacar a sua fúria.
Sexta-feira: dia de Vénus.
Nascida da espuma do mar para distribuir belezas pelo mundo,
Vénus representava para os pagãos os ideais da formosura, da harmonia e do amor.
Daí a razão de merecer a homenagem de um dia da semana.
Sábado: dia de Saturno.
Saturno, deus especialmente querido dos Romanos, foi despojado, pelo uso e pelo tempo, da homenagem consistente em dar nome a um dia da semana.
Em Roma eram celebrados grandes festejos em sua honra
as Saturnais ¾ realizadas em Dezembro e que se prolongavam por vários dias.
Mas a homenagem a Saturno, correspondente a um dia da semana, perdeu-se nas línguas latinas, em que se deu preferência ao termo hebraico Shabbath, que significa repouso, indicado na velha lei judaica como sendo o dia dedicado ao descanso e às orações.
Mas a língua inglesa permaneceu fiei ao velho Saturno, chamando ainda ao seu sábado Saturday
•
(Dia do Senhor) Domingo
• (Dia da Lua) Segunda-feira
• (Dia de Marte) Terça-feira
• (Dia de Mercúrio) Quarta-feira
• (Dia de Júpiter) Quinta-feira
• (Dia de Vénus) Sexta-feira
• (Dia de Saturno) Sábado
•
• AS ERAS
Ao longo desta exposição referimo-nos várias vezes à era de Roma e à era cristã.
Talvez seja vantajoso dizer mais alguma coisa sobre o assunto.
Os romanos datavam os seus anos a partir da fundação de Roma, "ab urbe condita" que, de acordo com a opinião de Varrão, remonta a 753 antes da era cristã.

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Mas os romanos contavam a sua era a partir de 21 de Abril. Assim, o ano 1 da era cristã corresponde cerca de 4 meses ao ano 753 de Roma e o resto ao ano 754.
Por comodidade, recua-se muitas vezes de alguns meses a era de Roma e faz-se coincidir o ano 1 da nossa era com o ano 754 de Roma.
Só alguns séculos após o nascimento de Cristo é que se pôs a questão de ligar este acontecimento a uma origem de contagem do tempo.
A proposta foi apresentada pelo monge cita Dionísío o Exíguo por volta do ano 532 da nossa era. Imediatamente adoptada pela Igreja, ela foi-se generalizando a todos os países católicos.
Em Portugal utilizou-se a era de César ou hispânica até ao ano 1422.
Esta era havia sido introduzido na Península Ibérica no século V para recordar a conquista da península por Caio Júlio César Augusto no ano 38 a. C. (ano 716 de Roma).
Por determinação de D. João I, foi abolida a era de César e o ano 1460 desta era passou a ser o ano 1422 da era cristã.
Dionísio o Exíguo supunha, de acordo com as suas investigações, que Jesus Cristo tinha vindo ao mundo em 25 de Dezembro (VIII das calendas de Janeiro) do ano 753 de Roma e fixara nessa data o início da era cristã.
Mas os cronologistas introduziram um atraso de sete dias, de maneira que o início da era cristã foi transferido para o dia 1 de Janeiro do ano 754 de Roma.
Actualmente parece provado que os cálculos não estavam correctos e que Cristo deveria ter nascido 5 a 7 anos antes da data em que se celebra o seu nascimento.
Com efeito, essa data é posterior ao édito do recenseamento do mundo romano (ano 747 de Roma ou mais cedo) e anterior à morte de Herodes (ano 750 de Roma).
Para alguns cronologistas, é sugerida a data de 747 de Roma, porque nesse ano Júpiter e Saturno estiveram em conjunção na constelação dos Peixes em Setembro e em Novembro e eles vêem neste fenómeno a "estrela de Belém".
Mas, para não perturbar a cronologia já estabelecida, foi mantida a data inicialmente proposta, embora tivesse deixado de corresponder ao significado inicial.
É importante notar que na era cristã os anos são referidos a uma escala sem zero, isto é, a contagem inicia-se no ano 1 depois de Cristo,
designando-se o ano anterior como ano 1 antes de Cristo.
Por conseguinte, qualquer acontecimento ocorrido durante o primeiro ano da era cristã, embora seja apenas de um dia ou de um mês, conta-se como tendo ocorrido no ano 1 depois de Cristo.
Por esta razão, o primeiro século, ou intervalo de 100 anos, da era cristã, terminou no dia 31 de Dezembro do ano 100 d. C., quando haviam decorrido os primeiros 100 anos após o início da era.
O século II começou no dia 1 de Janeiro do ano 101 d. C. e assim sucessivamente.
Consequentemente, o século XX começou no dia 1 de Janeiro do ano 1901 e terminará no dia 31 de Dezembro do ano 2000.
Esta forma pouco lógica de numerar os anos do calendário é particularmente inconveniente quando se trata de determinar intervalos de tempo que começam antes da origem da era cristã e terminam depois. Assim, por exemplo, o intervalo entre os anos 50 a.C. e 50 d.C. não é de 100 anos, mas apenas de 99.
Em geral, estes intervalos de tempo obtêm-se diminuindo um ano, o que é necessário ter em conta ao investigar acontecimentos históricos ou fenómenos astronómicos da Antiguidade datados segundo a era cristã. Este inconveniente é facilmente resolvido com a introdução dos números negativos, como aliás o fazem os astrónomos.
Assim, o ano 1 a.C. corresponde ao ano 0, o ano 2 a.C. ao ano -1 e assim sucessivamente.
As datas depois de Cristo exprimem-se da mesma maneira.
Para evitar estas dificuldades cronológicas do calendário, o erudito francês Joseph Scaliger propôs em 1582, no mesmo ano da reforma gregoriana do calendário, contar ininterruptamente os dias correspondentes a um período que fosse múltiplo dos períodos lunares e solares normalmente utilizados no calendário e suficientemente extenso para abarcar acontecimentos históricos desde a mais remota Antiguidade.
Obteve assim um período de 7980 anos julianos, a que deu o nome de período juliano.
Tomando como unidade prática o dia solar médio, começou a contar os dias numa sucessão contínua a partir do meio-dia do dia 1 de Janeiro do ano 4713 a.C.
A escolha desta data, que à primeira vista pode parecer arbitrária, foi também determinada em função dos períodos utilizados.

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Convém esclarecer que até 1925 o tempo solar médio era contado em astronomia a partir do meio-dia, para que as observações nocturnas caíssem sempre dentro do mesmo dia e não a partir da meia-noite, como é usual no tempo civil.
O dia solar médio era então chamado dia astronómico.
A partir de 1925, por acordo internacional, os dias solares médios passaram a contar-se com início à meia-noite tanto em astronomia como na vida civil e a designação de dia astronómico caiu em desuso. Mas os dias do período juliano, que começaram a contar-se de meio-dia a meio-dia segundo o uso astronómico da época, continuam a contar-se da mesma maneira, por razões óbvias de continuidade da escala.
A SEMANA
Pouco se sabe da origem dos dias da semana.
Há quem sustente que trata-se de uma absoluta irracionalidade pois o ciclo de 7 dias não satisfaz qualquer condição astronômica, nem quanto ao período sinódico.
Há quem diga o contrário, que o ciclo de 29.53/47,3... é uma conseqüência direta do ciclo sinódico. A semana, tal como a conhecemos hoje vem de Roma, adotada no século II ou I a C.
Não se sabe se essa divisão vem da tradição judaica seguindo a história da criação bíblica.
Os judeus numeram seus dias de 1 a 6 e descansam no ``Sabbath'', dia do descanso na Criação.
O ``descanso'' semanal não era adotado pelos romanos, que preferiam interromper o trabalho em várias épocas do ano consagradas a festivais e festas religiosas.
A maioria dos países de língua latina, adota os nomes dados pelos romanos segundo os planetas-deuses: sol, lua, marte, mercúrio, júpiter, vênus e saturno.
Com efeito, em francês adota-se: dimanche, lundi, mardi, mercredi, jeudi, vendredi, samedi, donde apenas o ``domingo'' se exceptua.
No entanto, essa convenção é moderna, pois a tradição francesa atribui a este dia o nome de die soleil. Em espanhol encontra-se uma nomenglatura semelhante. Nos países de língua inglesa adotou-se os nomes ``teutônicos'' dos deuses correspondentes em latim.
Exceptuando ``saturno'' (saturday), ``sol'' (sunday) e ``lua'' (monday), de resto, temos: Tiu (Marte), Woden (Mercúrio), Thor (Júpiter) e Freya (Vênus).
A adoção ocidental para o ``domingo'' como dia do descanso deve-se à tradição cristã de atribuir a ressurreição a este dia da semana.
A língua portuguesa é a única latina que contém excessões.
Os dias numerados são de origem obscura.
É possível que os portugueses adotaram a numeração dos dias como os judeus.
Tanto é que a palavra ``sábado'' deriva diretamente do nome ``sabbath''.
O termo ``domingo'' seria a licença cristã nesta denominação.
A hipótese de origens cristãs aos nomes dos dias em português também é aventada.
A iniciativa teria partido do Papa Gregório XIII que estabeleceu a numeração dos dias para suplantar as denominações de origens pagãs. Porém, não existe confirmação para tal hipótese.
OUTROS CALENDÁRIOS
Não é freqüente nos perguntarmos o que vem a ser ``calendário''.
Mais comum são perguntas `como foi determinado o primeiro dia do ano''?,
ou ``como se calcula a data do carnaval''?,
ou ainda ``como se definiu os dias dos meses''?
Mas, para mim, a pergunta ``o que é e como apareceu o calendário''? precede a essas todas pois é respondendo a ela que poderemos, talvez, respondê-las todas e perceber o quanto um calendário é importante em nossas vidas e a tudo aquilo que nos precedeu.
Os manuais nos dizem que calendário é um sistema de ordenamento do tempo com propósitos de organização da vida civil, observância das obrigações religiosas e marcação de eventos científicos. De origem astronômica o calendário possui unidades de dias, meses e anos, além das semanas, de origem arbitrária.
Anos se agrupam em décadas e séculos, e séculos se agrupam em milênios.
Os calendários todos são de inspiração religiosa. Todos se referem a uma cosmologia.
O primeiro dia de um calendário geralmente recai sobre a origem do universo ou o nascimento de um agente divino. É mais do que normal que o calendário tenha relação íntima com a religião.
Sua elaboração, desde sempre, foi uma tarefa religiosa.
Os sacerdotes sempre foram os guardiões do tempo.
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Se existe algo que garante a crença em deuses é a promessa de boas safras no futuro.
Acidentes agrícolas garantiam a fome e provavelmente a morte por inanição.
O homem, a partir do momento que assume sua condição sedentária, conhece essa lei muito bem. A possibilidade de dialogar e mesmo controlar o desejo dos deuses que governam os elementos da natureza marcou as relações do homem com o cosmos.
E a religião foi o meio óbvio para isso. A origem dos dias é evidente.
Descobrir que o sol desaparece em um ponto e reaparece no ponto oposto parece-me o primeiro grande avanço intelectual da humanidade.
É interessante verificar como essa percepção se manifestou em nossos ancestrais.
Os egípcios, um dos povos mais prósperos da antigüidade, acreditavam que o deus Aton se encarregava de transportar o sol da ``terra dos mortos'' para o ``renascer'', na terra da reencarnação.
Com isso era muito fácil deduzir que uma boa bajulada no deus Aton trazia a garantia que o sujeito também seria contemplado com o mesmo feliz destino do sol no renascimento.
A orientação era muito fácil. O rio Nilo corre do sul para o norte.
Logo, as terras do renascimento se situava na margem direita.
Não havia margem para discussão.
A situação ficou esquisita quando eles foram conquistar a Pérsia.
O rio Tigre corre para o sul. Houve problemas até com a linguagem dos pobres egípcios.
A origem dos meses está nas lunações.
A importância das luas nas marés, suas relações com as cheias, ressacas, etc marcam a determinação dos meses. A lua tem importância vital na navegação, seja por mar, seja por terra.
Além de determinar as marés, sua luz auxiliava na iluminação noturna o que é determinante na segurança das caravanas em viagem.
Os anos são determinados através da alternância das estações.
A complexidade dos calendários se dá porque os períodos dos calendários são incomensuráveis entre si. Afora a hora, 1/24 de um dia e a semana, 7 dias cujas definições são arbitrárias, não há como obter relação inteira entre os mes lunar e o dia, do ano com o mes lunar e com o dia.
O mes lunar, também chamado mes sinódico possui 29,530589 dias e o ano trópico possui 365,242199 dias ou 12,368267 lunações na época de 1900.~
Todos esses números são dados dentro da precisão das medidas o que indica que em se aumentando as casas decimais, mais termos aparecerão.
Além das dificuldades inerentes na determinação do calendário, na antigüidade o que se via era a vontade de poderosos que se fazia valer ou a ocorrência de eventos astronômicos, como no calendário Maia, que definia a marcação dos dias e referências.
• CALENDÁRIO EGÍPCIO
Esse calendário foi o primeiro a ser determinado por regras fixas. Consistia de 12 meses de 30 dias seguidos por 5 dias adicionais ao final do ano. Não havia correção para o ano trópico.
Como conseqüência, o ano egípcio retrocedia em um ciclo de 1460 anos com respeito ao ano trópico. Esse período era conhecido como ``ciclo sótico''.
Havia três estações determinadas pelo fluxo do Nilo:
Cheias;
Semeio
e Colheita.
A relação entre as estações definidas pelo Nilo e as estações naturais era feita pelo nascer heliacal da estrela Sirius, conhecida dos egípcios pelo nome de Sothis.
A primeira aparição da estrela no céu da manhã, depois da sua conjunção com o sol determinava o início da contagem das estação das Cheias.
Hoje a conjunção de Sirius com o sol se dá em 2 de julho e a primeira aparição subseqüente no céu da cidade do Cairo é em 10 de dezembro. A origem deste calendário foi lunar.
Ele regulava os festivais em função das fases da lua.
Aparentemente ``ajustes'' foram feitos, a posteriori, para conformar tal calendário a uma relação fixa com o calendário civil.
O calendário egípcio foi reconhecido pelos astrônomos gregos e tornou-se o calendário de referência da astronomia por muito tempo.
Copérnico usou-o para construir suas tábuas da lua e planetas.

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Ptolomeu Euergetes tentou, em 238 aC introduzir o sexto dia para cada quatro anos, sugerindo algo como o ano bissexto moderno. No entanto sua proposta não teve eco.
Seus argumentos foram considerados apenas sob o império romano na mão de Augusto (26-23 aC) que introduziu tal modificação no calendário.
Assim, no sentido de corrigir deslocamentos já mensurados, o ano egípcio correspondente a 23-22 aC em 29 de agosto do chamado calendário juliano, foi introduzido um dia a mais.
O ano egípcio correspondendo 23-22 aC possui o mes correspondente a agosto com 30 dias.
A partir de então, este mesmo mes voltou a possuir 29 dias salvo nos anos bissextos, quando tinha um dia a mais. Esse novo calendário passou a se chamar Alexandrino.
Esta reforma não foi aceita integralmente e os dois calendários permaneceram paralelos até pelo menos 238 dC. Os astrônomos e astrólogos mantiveram a notação antiga.
Ptolomeu usava-o, salvo no tratado de fenômenos anuais em que o novo calendário tinha mais conveniência. Os persas adotaram o antigo calendário egípcio em 500 aC.
Não é bem certo se foi adotado exatamente ou com modificações.
Os armênios ainda o adotam.
Os três últimos meses do calendário armênio correspondem exatamente aos três primeiros do antigo calendário egípcio. Em seguida vêm os cinco dias finais, característicos deste.
O calendário alexandrino é ainda usado na Etiópia, na igreja Cóptica e para fins de agricultura no moderno Egito e vizinhos do norte da África.
O CALENDÁRIO BABILÓNICO, GREGO E ROMANO
O calendário na Babilônia era constituido de 12 meses lunares. O primeiro dia do mes era declarado quando aparecia a primeira lua no crepúsculo após a lua nova (que para eles era ``sem lua''). Para ajustar este sistema ao período definido pelas estações, um mes adicional era, casualmente, introduzido. O ano iniciava na primavera com o mes ``Nisannu''.
Os gregos, que adotaram o calendário babilônico fizeram uma modificação importante no ano de 432 aC através do matemático ateniense Meton.
Este introduziu um critério de correção do ano lunar, através de 7 intercalações num período de 19 anos, conhecido por ciclo metônico.
O astrônomo Callippus de Cizicus, em 330 aC, modificou este período, com uma correção a cada 4 desses ciclos, perfazendo um período de 76 anos, conhecido como período calípco, fazendo o ano médio, neste ciclo, valer 365,25 dias, muito mais próximo ao ano trópico verdadeiro.
Os babilônios adotaram essas correções 50 anos depois.
Apesar das modificações tornarem a contagem dos anos lunares ajustados ao ano trópico, o calendário greco-babilônico não foi adotado em todas as regiões, visto que os países eram constituido por cidades-estados independentes.
O resultado é que a datação de eventos na contagem do tempo juliano, por exemplo, é bastante difícil.
A exemplo dos gregos, os romanos também adotaram o calendário babilônico. É dito que o Rômulo, o fundador de Roma, proclamou o calendário baseado no grego nos anos de 700 aC. Contudo, contava-se apenas 10 meses, perfazendo 304 dias no ano: Martius, Aprilis, Maius, Junius, Quintilis, Sextilis, September, October, November e December.
Os últimos seis meses se referiam ao número do mes no ano: quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono e décimo. Os 61 dias restantes caiam no inverno.
Aparentemente os romanos não faziam muita questão de considerá-los, pelo menos no início.
O Pontífice observava a lua após a lua nova e proclamava o início do mes.
Tal ato se denominava CALARE e dizia-se do KALEND como o primeiro dia do mes (o dia da proclamação). Ao mesmo tempo em que marcava o KALEND o Pontífice também marcava o nones (quarto crescente) e o ides (lua cheia).
A tradição manteve o termo ides (em português, idos) como o dia 15 do mes.
Na peça Júlio César, de Shakespeare, um advinho disse a César: ``Cuidado com os idos de março''. No dia 15 de março, César teria se encontrado com o advinho e comentou:
``Então, os idos de março chegaram'', ao que o advinho respondeu: ``Mas não se foram''.
Segundo a literatura, o biógrafo grego Plutarco, que viveu no final do século I d C, confirma esta passagem como verdadeira. O diálogo teria sido travado entre César e o astrólogo Spurinna.
A expressão ``Cuidado com os idos de março'' teria sido dito pelo astrólogo. Impressionado,
César resolveu não sair da cama, naquele dia.

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Diz-se, então, que seu amigo Decimus Albinus Brutus (o filho adotivo de César era Marcus) convenceu-o que um homem de seu porte não podia se submeter a previsões supersticiosas de um astrólogo.
No caminho do Senado, que naquele dia se reunia no templo a Vênus, encontrou-se com Spurinna e lançou-lhe a frase com desdém . A verdadeira resposta do astrólogo foi:
`Os idos de março chegaram, mas ainda não passaram''.
César foi assasssinado ao chegar, diante da estátua de Pompeu, no dia 15 de março de 44 aC.
O termo nones para designar a lua em quarto crescente se deve ao fato que, sob certas condições entre a lua nova (``sem lua'' para os romanos) e o quarto crescente decorrem 8 dias.
Vide, por exemplo o mes de julho de 1998. No primeiro dia se dá a lua crescente e no dia nove foi a lua cheia.
Procurando-se um pouco, verifica-se o mesmo entre as luas nova e quarto crescente.
O termo Março vem de Marte, o deus romano da guerra.
Tirando esse termo e os que denotam o número do mes, os nomes dos outros meses são objeto de uma certa polêmica.
Abril: Enquanto existem aqueles que associam o termo a uma corruptela de Aphrodite, aphrilis, outros dizem ter o nome relação com um herói mitologico ou deus chamado Aper ou Aprus.
Maio: Homenagem à deusa Maia, filha de Atlas. Junho: referência à deusa Juno.
Contudo há referências a alusões que maio e junho vêm de ``velho'' e ``jovem''.
Julho: Em uma revisão do calendário, em 8 a C, o imperador Augusto ofereceu a mudança de nome do mes ``quintilis'' para julius em homenagem a grande imperador
Júlio César, e de quebra, aproveitou e mudou o mes ``sextilis'' para Agosto ou augustus.
O segundo rei de Roma, Numa Pompilius adicionou os dois meses que faltavam no ano.
Não há consenso se os meses de janeiro e fevereiro tenham sido adicionado ao final do ano ou se janeiro tenha sido acrescentado no início e fevereiro no fim. Sabe-se que já em 425 a C, janeiro se encontrava no início do ano e o mes de fevereiro foi levado a intercalar entre janeiro e março.
Uma corrente defende que, para os romanos o ano iniciava em março e terminava em fevereiro.
A reforma do calendário promovida por Júlio César, criando o calendário juliano, acrescentou o ano bissexto. Fevereiro, que possuia, inicialmente, 23 dias, passou, mais tarde a ter 28 dias, ganhou um dia a mais, de quatro em quatro anos.
Janeiro é um nome que deriva da homenagem ao velho deus Janus, associado à origem do universo, regendo o caos.
O nome fevereiro parece derivar de februa, chicote de pele de carneiro com o que se procurava ``purificar'' ou ``penitenciar-se''.
Nos ``idos'' deste mes, os romanos observavam o festival da Lupercalia, quando mulheres estéries eram chicoteadas na esperança de se tornarem férteis.
Tal associação, contudo, dizem os historiadores ser improvável.
De qualquer forma o verbo februare, parece se relacionar com penitência.
Antes da reforma juliana, os meses chegaram a possuir, alguns, 22 ou 23 dias. O ano chegava a ter, no máximo 355 dias. Para corrigir para o ano trópico, um mes era acrescentado. Chamava-se Mercedinus, em referência a merces, ou salário, pois se dava na época do pagamento de empregados. Podia também se chamar ``intercalaris'', de onde a palavra moderna deriva.
Após a marcação de ``Ides'', a metade do mes, a contagem se dava regressivamente.
O período de ``kalendas'' era, portanto, o mais longo de todos.
Cobrindo, logo após a proclamação da lua cheia até logo depois da lua nova.
A duração do mes, as intercalações, etc, eram de atribuição dos Pontífices que a usavam, muitas vezes, para suas conveniências, para alongar ou encurtar o período de um cargo eletivo, sendo objeto de muita corrupção.
A reforma juliana veio para colocar um fim a essas ações arbitrárias.
Essa reforma, também, fixou as datas, a contagem dos dias e a relação entre os meses, fazendo o calendário se parecer bastante com o que se tem hoje.
• O CALENDÁRIO ISRAELITA
O moderno calendário judeu foi adotado a partir de 359 d C pelo presidente do Sanhedrin, uma espécie de conselho, Hillel II. É um calendário luni-solar e tem propostas puramente religiosas.
É adotado como oficial no Estado de Israel.
O ano israelita é constituido de 12 meses salvo o ano ``bissexto'', que possui 13.
Um ciclo, aparentemente metônico, rege a adoção do ano bissexto.
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O número de dias do mes varia de mes a mes e no mesmo mes, de acordo com o ano.
Três tipos de ano são possíveis: o ano deficiente,
o ano normal
e ano completo.
A Páscoa é sempre festejada no dia 15 Nisan.
Este dia é calculado de tal forma que caia na primeira lua cheia depois do equinócio.
Os critérios para escolher o tipo de ano é regido segundo critérios que ajuste o ano lunar ao ano trópico. A contagem dos anos é de acordo com o mito da Criação, segundo a convenção, em 7 de outubro de 3761 a C.
A REFORMA ANGLICANA
À época da reforma gregoriana a Igreja Anglicana já havia sido posta fora da autoridade do Vaticano e por isso não a aceitou imediatamente. Foram necessários mais de dois séculos para que os domínios dos bretões aceitassem o novo calendário,
finalmente ele foi adotado em 3 de setembro de 1752, que foi sucessido pela supressão de 10 dias e assim os dois calendários passaram a se equivaler.
A defasagem que vigorou por dois séculos foi palco de um desencontro protagonizado por personagens do romance "O Pêndulo de Foucault" do genial escritor italiano Umberto Eco.
Nessa trapalhada a cadeia dos pretensos encontros seculares entre os sucessores da outrora temida e poderosa Ordem dos Templários foi quebrada e provocou toda sorte de desencontros que Eco explora muito bem.
Verdade ou invenção, sabe-se que os remanescentes dos Templários refugiaram-se em vários pontos da Europa, como Eco descreve. Sul da França, Escócia e Portugal foram alguns dos "portos seguros" que os Templários se alojaram.
Sob os auspícios do Infante Dom Henrique, esses remanescentes fundaram a Ordem dos Cavaleiros de Cristo em Sagres onde criaram as sementes para a bem sucedida aventura das Grandes Navegações do povo lusitano que marcaram definitivamente a história universal (e do Brasil), desde então.
O CALENDÁRIO MUÇULMANO
O calendário muçulmano é integralmente lunar.
Os números de dias nos meses são intercalados entre 30 e 29 dias a menos do último, o 12o que pode possuir 29 ou 30 dependendo de uma série que se alterna entre 19 e 11 anos.
O cálculo do calendário é feito de tal forma que completa 360 lunações em 10631 dias.
A contagem dos anos se dá a partir do ``Hégira'', subida de Maomé aos céus, tida em 16 de julho de 622 dC.
O início do dia é considerado no poente da véspera do calendário civil. Duas datas são marcadas no calendário muçulmano, o Ano Novo, 1o Muharram e o mes sagrado do Ramadan, em geral, iniciando no 237o do ano.
• O CALENDÁRIO INDIANO
Originalmente vigoravam cerca de 30 calendários na Índia, em função da região e da religião.
Os mulçumanos adotam o calendário mulçumano e o calendário gregoriano é contado para fins oficiais.
A Reforma Nacional do Calendário, formalizado em 1957 da era moderna fez os anos serem contados segundo os mesmos critérios do calendário gregoriano salvo que a contagem dos anos, meses e dias esté defasada.
Foi estabelecido que o dia 1 Chaitra de 1879 da era Saka seria a de 22 de março de 1957 d C.
Os critérios dos anos bissextos são os mesmos adotados no calendário gregoriano salvo que deve somar 78 ao ano Saka.
As festas religiosas e datas regulando o comércio são definidas astronomicamente segundo condições lunares e solares.
• A CHINA
A República Popular da China adotou o calendário gregoriano, introduzido pelos jesuitas em 1582, para fins oficiais após a revolução de 1911.
No entanto, para festividades é adotado o antigo calendário chinês que parece ter sido introduzido em 2637 a C pelo Imperador Huangdi.

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É possível recuperar o traço deste calendário até remotas épocas do século 14 a C.
Ao contrário dos outros calendários, a contagem dos anos do calendário chinês se renova a cada 60 anos. Anteriormente, a contagem dos anos se fixava na vigência do reinado de cada imperador. Tal prática foi abolida em 1911.
Uma contagem é feita pela combinação de duas palavras, a primeira advinda de um conjunto de 10 palavras de ``origem celestial'' e outras 12 do ramo terrestre.
As palavras de origem celestial não possuem similar em língua ocidental e são:
jia, yi, bing, ding, wu, ji, geng, xin, ren, gui.
As palavras do ramo terrestre são nomes de animais
: zi (rato),
chou (boi),
yin (tigre),
mao (coelho),
chen (dragão),
si (serpente),
wu (cavalo),
wei (carneiro),
shen (macaco),
you (galo),
xu (cachorro),
hai (porco).
As palavras celestes se combinam às do ramo terrestre em sequência
Ao terminar a seqüência de uma delas, retoma-se do início.
Assim em 12/02/2002 inicia-se um novo ano denominado yi-wu, para os ocidentais, simplesmente o ano do cavalo.
O calendário chinês é luni-solar, a exemplo do israelita.
Não por coincidência, portanto, os dois se assemelham deveras.
Como no israelita, há o período metônico.
Os anos ``normais'' podem possuir 353, 354 ou 355 dias, enquanto que os ``bissextos'' podem ter 383, 384 ou 385 dias.
Um roteiro especial na China pode mostrar as maravilhas de mecanismos inventados pelos chineses na esperança de ``automatizar'' o cálculo do calendário.
LENDAS : A ORIGEM DO ANO NOVO CHINÊS
A origem do Ano Novo Chinês é tão longínqua que se tornou impossível determinar a data exacta do início da sua celebração.
As brumas que envolvem o Ano Novo Chinês, aliadas à diversidade cultural existente no país, deram azo a que inúmeras lendas surgissem quanto à origem das suas celebrações.
O consenso existe, no entanto, relativamente a certos elementos:
A palavra Nian (que em chinês moderno significa Ano), começou por ser o nome de um monstro que, nas várias lendas, se alimentava de pessoas antes do início de cada ano;
O encarnado e o dourado, cores que são tradicionalmente associadas às celebrações do Ano Novo, foram as cores usadas pelo Deus Imortal que venceu o monstro;
Os bilhetes e decorações festivas encarnados ainda hoje usados nas celebrações, assim como o fogo de artifício, constituíam a forma das pessoas afugentarem os monstros (principalmente Nian), conseguindo, desta forma, a paz, tal como tinha sido sugerido pelo Deus.
• AS TRADIÇÕES
Apesar do ponto alto das celebrações durar apenas 2 ou 3 dias, contando com a véspera de ano novo, a época de Ano Novo começa mais ou menos duas semanas antes e estende-se até duas semanas depois do dia exacto da celebração. Durante este período os chineses: compram prendas, material decorativo, comida e roupas novas, numa espécie de ritual considerado indispensável para qualquer chinês; reúnem-se com as suas famílias, em casas totalmente limpas e decoradas para o efeito, e panos e papéis recortados com cores (vermelho - felicidade; dourado - riqueza) e motivos da ocasião são colocados um pouco por todo o lado; preparam os Hui Chun, frases de 4 caracteres escritas em rectângulos de papel encarnado, expressando votos de felicidade, riqueza, saúde, etc., que penduram nas paredes para afastarem os maus espíritos e o infortúnio; fazem oferendas de comida junto dos altares dos antepassados, também eles decorados e iluminados para a ocasião.
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NA DATA DA CEEBRAÇÃO PROPRIAMENTE DITA :
Na véspera de Ano Novo tem lugar um jantar familiar com receitas muito próprias para a ocasião, como é o caso do Jiaozi (bolinhos cozidos). Depois do jantar, têm lugar os jogos em família. À meia-noite todos vêem os fogos de artifício que tornam os céus luminosos durante algum tempo; Por serem bastante supersticiosos, nestes dias os chineses escondem todas as facas e vassouras, que consideram trazem infelicidade e má sorte.
Além do mais, caso alguém parta acidentalmente um prato, deve dizer imediatamente "sui sui ping an", senão terá um ano de infortúnio; No dia de Ano Novo propriamente dito, as crianças recebem dos pais envelopes encarnados que contém dinheiro, chamados Hongbao.
Depois, as famílias vão de porta em porta saudar os parentes e vizinhos, o que torna todo o ambiente muito familiar e amigável. É a época da amizade e, se for o caso, da reconciliação.
Nos últimos dias do período de Ano Novo:
Começa o Festival das Lanternas, e por todo o lado há música e danças folclóricas subordinadas ao signo chinês relativo ao Novo Ano que começou. Nesta altura são muito comuns os Tang Yuan, outro tipo de bolinhos de arroz com recheios doces e salgados. O Festival das lanternas marca o fim da época de Ano Novo.
O CALENDÁRIO REVOLUCIONÁRIO FRANCÊS
A França Revolucionária adotou um Calendário Republicano ao mesmo tempo que adotou o sistema métrico de medidas.
A ``objetividade'' tanto do sistema métrico quanto do calendário deveria dar o mesmo fim para ambos. No entanto apenas o sistema métrico vingou e se impõe mais a cada dia que passa.
O calendário republicano era dividido em 12 meses de 30 dias mais 5 ou 6 dias restantes para completar 1 ano.
O ano era suposto iniciar no equinócio outonal (da primavera no hemisfério sul).
Os anos seriam contados a partir do primeiro ano da primeira República Francesa: 1792.
Os meses eram divididos em 3 décadas de 10 dias.
Seus nomes seriam: Vendémiaire, Brumaire, Frimaire, Nivôse, Pluviôse, Ventôse, Germinal, Floréal, Prairial, Messidor, Thermidor, Fructidor.
Os poetas Chénier e Fabre d'Eglantine e o pintor David se encarregaram de dar os nomes aos meses e aos dias.
Os matemáticos Romme e Monge estabeleceram que a data gregoriana de 22 Set 1792 equivaleria a 1 Vendémiaire da ano 1 da República. Os nomes dos meses foram reunidos de forma a rimarem ``ao sabor da estação''.
Os três primeiros indicariam o estado do ``outono'', os três seguintes, classificariam o estado climático do inverno, em seguida viriam os três meses primaveris e finalmente os três últimos sugerindo o calor ambiente.
Os nomes dos dias em uma década eram de origem latina: primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi, decadi.
Era suposto se descansar no decadi.
Os últimos 5 ou 6 dias do ano eram apelidados de: jour de la vertu, jour de génie, jour du travail, jour de l'opinion, jour dés récompenses, jour de la révolution, este último existente se o ano era bissexto.
Um calendário assim definido trazia os mesmo problemas do calendário juliano.
Medidas foram tomadas para se corrigir que se assemelham às da reforma gregoriana.
Porém não houve tempo de implantá-las, uma vez que Napoleão I aboliu o calendário Republicano em 1806.
Ele foi reassumido, porém, durante a Comuna de Paris em 1871, para ser novamente abolido com a queda da Comuna.
As causas mais prováveis da não aceitação do calendário republicano francês são:
a desaprovação do clero, que mesmo descartado do poder na revolução ainda exercia forte influência na população;
e o fato da instituição da ``semana'' de 10 dias, o que suprimia um dia de descanso por mes.
Com o tempo a população sentiu-se ludibriada em seus direitos.
O CALENDÁRIO MAIA
O calendário Maia é tido como um dos mais precisos e intrincados.
Era composto de três partes:



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o da Contagem Longa,
o calendário divino (Tzolkin)
e o civil (Haab).
Uma datação maia poderia se apresentar da seguinte maneira: 12.18.16.2.6, 3 Cimi, 4 Zotz.
O primeiro termo é o da Contagem longa e é composto por 5 partes.
É uma contagem de dias e equivaleria ao chamado ``dia juliano'', adotado nos catálogos astronômicos.
Da direita para a esquerda, teríamos:
• 6 kin (dias);
• 2 uinal (1 uinal = 20 kin);
• 16 tun (1 tun = 18 uinal);
• 18 katun (1 katun = 20 tun);
• 12 baktun (1 baktun = 20 katun)
Unidades extra-oficiais também eram adotadas, particularmente o alautun correspondendo a 63 milhões de anos é a maior unidade de tempo que se conhece entre povos antigos.

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