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• CAPITULO 47
• HISTÓRIA DE ERIK O VERMELHO
Erik nasceu por volta de 940, na Noruega.
Cresceu lá, e por volta de 970, numa discussão na Althing, matou um outro notável Norueguês.
Ele foi julgado, mas sua pena não foi a morte, e sim o banimento para a Islândia.
Chegando na Islândia, como era muito rico, Erik logo se tornou o proprietário de um fazenda, e junto com sua família estava reconstruindo sua vida.
Entretanto, por razões desconhecidas, em 980 ele matou outro homem, agora um notável da Islândia. Sua pena foi novamente o banimento, mas não para um lugar definido.
Agora ele já não mais podia pisar nem na Noruega, nem na Islândia.
Restavam-lhe poucas opções de onde ir, então, por dois anos ele navegou com um grupo de seguidores seus, deixando sua família na Islândia.
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Em 982, ele encontrou uma terra cheia de rochedos a noroeste da Islândia.
Desembarcou lá e viu alguns campos verdes (era verão), na hora ele percebeu que havia descoberto novas terras. Erik viu nisso a chance de criar seu próprio Reino, independente da Noruega, que tanto o perseguia. Ele retornou para a Islândia dizendo que havia descoberto a Gröenland (que em inglês ficou Greenland, ou Terra Verde).
Ele sabia que com esse nome atrairia para seu empreendimento muitas pessoas em busca da tão sonhada terra fértil. Quatro anos mais tarde, em 986, ele finalmente conduziu uma esquadra de vinte e cinco knorrs até a Groenlândia. Lá, ele se radicou na região sul, que ficou conhecida como Colônia Oriental (por ser mais perto da Europa).
Fundaram a cidade de Gardar e a vila, ou fazenda de Brattahlid, da qual Erik se tornou o chefe. Aos poucos foram chegando mais pessoas e a Groenlândia foi sendo povoada.
A cidade de Gardar chegou a ter uma Catedral, um Mosteiro Beneditino, um Convento de monjas e doze Paróquias. Mais tarde, mas ainda no século X, foi edificada mais a noroeste a chamada Colônia Ocidental, mas nela só havia o pequeno povoado de Gothabfjord a Groenlândia sempre foi Católica, desde seus primórdios. Há indícios que mostram que a conversão da Groenlândia ao Catolicismo ocorreu entre 990 e 1000.
No ano 1000, Erik, o Vermelho (também dito Erik, o Ruivo) morreu e foi sucedido no governo de Brattahlid por seu filho Leif Eriksson (Eriksson = Erik + son (filho de Erik)), que teve que desistir de seu empreendimento marítimo – Vinland) para suceder o pai.
OS DINAMARQUESES NO PERIODO DE 950 a 1066:
Como já mencionado, Haroldo Dente Azul conquistou a Noruega em 960, mas vejamos como ocorreram os fatos.
Haroldo atacou o Reino de Haakon I, em 950, mas não se saiu bem, foi repelido.
Em 960, Haroldo atacou novamente a Noruega, e desta vez a conquistou.
A Noruega já estava infiltrada pelo Catolicismo, apesar de a maioria de sua população ser ainda pagã (adepta do Ásatrú), e lá, Haroldo Dente Azul tomou contato direto com os sacerdotes Católicos, uma vez que Haakon I era Católico, ele havia se cercado de uma elite clerical Cristã. Diz a lenda que, depois de tomar o poder na Noruega, Haroldo submeteu os sacerdotes leais a Haakon I a uma sessão de tortura, porém sua fé era tão grande que eles não sentiam dor.
Vendo aquilo, Haroldo se convenceu de que o Deus dos Católicos era de fato poderoso e se converteu ao Catolicismo, deixando-se batizar logo em seguida.
NOROEGA
A conversão de Haroldo Dente Azul iniciou a propagação da fé Cristã também na Dinamarca.
O Rei esforçou-se para converter tanto Dinamarqueses quanto Noruegueses ao Catolicismo, e incentivou a construção de igrejas por todo o seu Reino.
As igrejas que os Vikings construíam eram de um estilo particular, muito diferentes das igrejas tradicionais da Europa. Eram as chamadas Igrejas de Aduelas, feitas inteiramente de madeira trabalhada com imagens da História Viking (muitas dessas imagens eram pagãs).
O mais belo nessas igrejas era o estilo da construção.
Elas eram pequenas, mas muito altas, com vários telhados escalonados e sobrepostos o que produzia um efeito muito bonito tanto externa quanto internamente.
Em 974, o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Oto II atacou a Jutlândia e conquistou-a, deixando a Dinamarca reduzida às suas ilhas e ao sudoeste da Suécia.
Doze anos depois, em 986, Haroldo Dente Azul foi destronado por seu filho Swein Barba Bifurcada, e morreu no exílio, pouco depois.
O primeiro objetivo de Swein foi o de retomar a Jutlândia ao Sacro Império Romano-Germânico. Para isso, ele desfechou diversos ataques contra seus inimigos, até que em 990 ele conseguiu expulsá-los, durante o governo do Imperador Oto III. Porém, os mais de quinze anos de dominação pelo Sacro Império concluíram na Jutlândia o que Haroldo Dente Azul havia começado, ou seja, a conversão do povo a fé Cristã.Em 994, Swein Barba Bifurcada junto com seu amigo Olaf Tryggvesson, um membro do karl Norueguês, desfechou um grande ataque contra Londres, visando retomá-la de Wessex.
Mas o ataque fracassou. Quando retornaram da Inglaterra, Swein resolveu entregar a coroa da Noruega para Olaf Tryggvesson.
Ele queria reconstruir a Dinamarca, que julgava estar em frangalhos após a saída Germânica.
• No entanto, no ano 1000, Olaf e Swein se desentenderam e este declarou guerra àquele.
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A Dinamarca era muito mais poderosa do que a Noruega (pois Swein tinha dividido o poder, mas não o poderio econômico e militar) e, portanto, a guerra se resolveu logo, com a derrota e morte de Olaf Tryggvesson na Batalha de Svolder. Swein retomou a coroa da Noruega e a manteve até sua morte, em 1014.
Mas as atenções dele estavam voltadas para a Inglaterra, que desde a expansão de Wessex (iniciada por Alfred em 878), estava engolindo o território Dinamarquês de Danelaw.
Aproveitando-se do que restara desse território, Swein invadiu a Inglaterra em 1001 e, em 1002, conseguiu uma grande vitória sobre o Rei Inglês (nesta época a Inglaterra já era um país, 6.2.2), denominada o Massacre do dia de São Brice, quando conseguiu um bom fortalecimento de Danelaw. Onze anos depois, agora ajudado por seu filho Canuto, Swein derrotou o Rei Etelred, o Irresoluto, e só não conquistou a Inglaterra porque este conseguiu fugir da batalha.
Entretanto, Swein Barba Bifurcada morreu em 1014, deixando seu trono na Noruega e na Dinamarca vagos, enquanto seu filho, Canuto, se embrenhava na luta contra os Ingleses.
Devido a esta situação, na Noruega Olaf Haraldsson (ou Olaf II) começou a governar interinamente, escolhido por uma Althing, enquanto que na Dinamarca, a fragmentação política ressurgiu. Canuto não era Rei de nada, mas os exércitos de seu pai continuavam seguindo-o, pois em última instância ele seria, pelo menos, o governante de Danelaw.
Em 1016, finalmente Etelred, o Irresoluto tombou em combate.
O caminho para o trono Inglês estava aberto. Edmund Ironside (um Duque Inglês) ainda tentou conter Canuto, mas seus homens (os de Canuto) o derrotaram e ele foi coroado Rei da Inglaterra. Edmund Ironside só conseguiu preservar Eduardo, filho de Etelred, enviando-o para a Normandia, onde seria criado por Guilherme, o Duque da Normandia.
Finalmente os Vikings conquistavam a Inglaterra. Mas o preço foi alto, Canuto havia perdido tudo o que seu pai conquistara na Escandinávia.
Os primeiros atos de Canuto como Rei da Inglaterra foram punir severamente todos os Ingleses que se opusessem a ele, mas com seu casamento, em 1017, com a viúva do Rei Etelred, o Irresoluto, ele mudou sua política e passou o resto de seu Reinado se esforçando para que Vikings e Ingleses convivessem em paz.
Depois que já havia assegurado sua posição na Inglaterra, Canuto embarcou para a Dinamarca, em 1019, e rapidamente (com pouca resistência) reunificou o país e no mesmo ano tomou para si a coroa Dinamarquesa.
Na Noruega porém, as coisas estavam mais difíceis, Olaf Haraldsson, que governava interinamente desde a morte de Swein Barba Bifurcada, em 1014, reivindicou o trono Norueguês em 1015 e, em 1016, foi coroado Rei da Noruega.
Olaf Haraldsson era descendente de Haraldo, o Louro, e aceitou ser batizado, em 1013, em Rouen, na Normandia, para poder ser candidato ao trono, ou pelo menos ao governo interino da Noruega. Quando foi coroado dedicou-se a enraizar ainda mais o Catolicismo na Noruega, pois percebeu que a Igreja proporcionava uma excelente máquina de dominação popular.
Entretanto, Olaf II exagerou e suas medidas provocaram grande hostilidade por parte das Althings Norueguesas. Canuto não havia desistido do ideal de reconquistar para si o que fora de seu pai, por isso, em 1028, invadiu a Noruega tomando Trondheim, onde se proclamou Rei. Olaf Haraldsson estava extremamente impopular (desde os ricos até o povo) e sua única opção foi fugir para a Rússia, buscando refúgio no Principado de Kiev (fundado pelos Varegues e considerado por muitos como o primeiro Reino da Rússia), onde reuniu um exército mercenário (composto por pagãos) e retornou à Noruega para enfrentar Canuto, em 1030.
Porém, seus exércitos eram inferiores aos experientes soldados de Canuto e ele foi derrotado e morto na Batalha de Stiklestad.
Após a morte de Olaf Haraldsson, começaram a surgir rumores de milagres operados por ele (apesar de sua extrema impopularidade), rumores estes que levaram à sua canonização como Santo Olavo, o padroeiro da Noruega, em 1164.
Canuto enfim unificara sob seu poder a Inglaterra, a Dinamarca e a Noruega, além de ter influência na Islândia e nos territórios de presença Viking da Irlanda.
Porém o Condado das Órcadas estava cada vez mais distante dos acontecimentos políticos Escandinavos e já era muito mais influenciado pelo Reino da Escócia do que pelos Vikings em si. O único homem que pode ser chamado de “Imperador Viking”, ou seja, Canuto, morreu em 1035 e o Império, que ele havia conquistado com tanto esforço, se esfacelou.
Na Noruega, assumiu o trono Magnus, filho mais velho de Olaf Haraldsson.
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Já na Inglaterra, os filhos de Canuto Reinaram, mas Haroldo, o Pé-de-Lebre (1035 a 1040) Reinou apenas cinco anos e foi morto por conspiradores e Harthecnut (1040 a 1042) conseguiu reinar apenas dois anos antes de também ser morto por conspiradores Ingleses que aspiravam devolver o trono Inglês a um Inglês. Por isso, trouxeram de volta da Normandia Eduardo, o Confessor, filho de Etelred, o Irresoluto. Sob o pretexto de ser meio-irmão de Harthecnut (uma vez que este era filho de Canuto com a viúva de Etelred), Eduardo assumiu o trono da Inglaterra, em 1042.
Eduardo havia sido mandado por Edmund Ironside para a Normandia, em 1016, quando seu pai morreu, com o objetivo de preservar a linhagem dinástica Inglesa.
Ele cresceu sob a tutela de Guilherme, Duque da Normandia.
Quando assumiu o trono, fez um pacto com Guilherme segundo o qual, o que morresse primeiro deixaria seu trono para o outro. Eduardo governou até 1066, e foi um dos mais Cristãos dentre todos os Reis da Inglaterra, tanto assim que em 1161 foi canonizado como Santo Eduardo.
Uma de suas principais contribuições culturais foi a construção da Abadia de Westmister.
Após a Batalha de Stiklestad, Haraldo Hardrada, irmão de Olaf Haraldsson, fugiu de volta para Kiev, onde ingressou no exército Varegue.
Foi servir como mercenário Varegue no exército do Império Bizantino, mas em 1045, a notícia da morte de Magnus (filho de Olaf Haraldsson, que havia recebido o trono Norueguês após a morte de Canuto), o fez regressar à Noruega, em 1046, e reclamar o trono para si.
Acabou sendo coroado Rei da Noruega, em 1047.
Em seu Reinado, teve pulso de ferro, o que lhe rendeu o apelido de Hardrada , que quer dizer “Conselheiro Duro”. Em 1066, quando Eduardo, o Confessor, Rei da Inglaterra, morreu, havia três pretendentes à sua sucessão: o Duque Guilherme (ou William), da Normandia (de acordo com o pacto que citei acima); seu filho (filho de Eduardo) Haroldo Godwinson; e Haraldo Hardrada (Haraldo III), Rei da Noruega. Como os Ingleses queria ser governados por um Inglês, nomearam Haroldo Godwinson como Rei Haroldo II, o que causou insatisfação nas duas outras partes.
• Haraldo Hardrada foi o primeiro a se manifestar.
Tão logo Haroldo Godwinson foi coroado, em janeiro de 1066, ele atacou a Inglaterra.
Os Noruegueses tiveram grandes sucessos.
Penetrando pela antiga Nortúmbria, eles venceram o Duque de York e tomaram a cidade.
Entretanto, não conseguiram avançar mais e, em 25 de setembro do mesmo ano, foram surpreendidos por um ataque Inglês e derrotados na Batalha de Stamford Bridge, na qual o próprio Haraldo Hardrada morreu. A derrota de Haraldo Hardrada na Batalha de Stamford Bridge (nos arredores de York) marca o fim da Era Viking.
Quando a coroa Inglesa parecia assegurada para Haroldo Godwinson, o Duque Guilherme da Normandia desembarcou na Inglaterra e reclamou o trono para si, alegando ser seu direito devido ao pacto que fizera com Eduardo, o Confessor. Como foi hostilizado, preparou-se para a guerra e, no dia 14 de outubro do mesmo 1066, na Batalha de Hastings, na antiga região do Sussex, as tropas de arqueiros e cavaleiros dos Normandos derrotaram as tropas de espadachins e guerreiros com machado de batalha dos Ingleses, pois as tropas Inglesas não estavam acostumadas a enfrentar cavaleiros, nem tão pouco arqueiros.
Haroldo Godwinson foi morto e Guilherme, dito Guilherme, o Conquistador, conquistou a Inglaterra, pondo um fim definitivo às linhagens de Reis Ingleses descendentes dos Teutões e ligando profundamente o Ducado da Normandia à Inglaterra, ligação essa que bem mais tarde, no século XIV, deu origem à chamada Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra.
Os Normandos, apesar de terem descendência Viking, não eram Vikings (eram muito mais Francos), e sua ascensão marca o declínio dos Vikings.
Haraldo Hardrada é considerado o último Rei ou chefe Escandinavo com características Vikings.
7 – VINLAND:
No ano de ocupação da Groenlândia por Erik, o Vermelho, e seus seguidores, ou seja, 986, um navegador Norueguês chamado Bjarni chegou à Islândia dizendo que havia avistado terras além da Groenlândia. Ninguém acreditou nele.
Todos achavam que ele estava mentindo, ou que havia visto alguma parte da Groenlândia que não era habitada. Mesmo assim, o boato se espalhou pelos povos da Islândia e, sendo assim (pois estes povos povoaram-na), chegou à Groenlândia.
No início, todos achavam não passar de uma bobagem e não davam muita importância para isso. Mas o filho mais velho de Erik, o Vermelho: Leif Eriksson, começou a se interessar pela história de Bjarni.
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DESCOBRIDOR DA AMÉRICA
Ele reuniu um grupo de aventureiros, em 999, e partiu rumo ao desconhecido, para ver se encontrava a tal terra de que Bjarni falara. Por volta do começo do ano 1000, ele e seus homens avistaram terras. Eram muito frias, cobertas de gelo, por isso ele as batizou de Helluland (em alusão a Hel, o inferno gelado de Ásatrú). Tratava-se da atual ilha de Baffin, no Canadá.
Leif Eriksson tinha boas noções de navegação e sabia que não existem terras sem fim, por isso, se havia terras naquele ponto, com certeza haveria também mais abaixo, onde o frio era menos intenso. Sendo assim ele resolveu costear a terra encontrada, rumando para o sul.
Alguns meses depois ele encontrou mais terras, desta vez, terras cheias de árvores, mas sem nenhum sinal de povoamento. Ele chamou o lugar de Markland (em alusão ao fato de aquele lugar ser um marco para sua expedição), e o tal lugar consistia na atual península do Labrador.
Leif não quis voltar ainda para a Groenlândia, pois quis ir mais para o sul.
Nesta viagem, ele encontrou terras mais quentes e com sinal de povoamento.
Resolveu então desembarcar e fazer contato com os habitantes do lugar.
Os Nórdicos eram muito claros (loiros ou até ruivos), e Leif Eriksson havia acabado de encontrar índios norte-americanos, era natural que ele os achasse diferentes, por isso os batizou de Skraelings, que quer dizer feios.
Naturalmente, a viagem havia sido desgastante e Leif Eriksson e seus homens resolveram montar acampamento para passar alguns meses antes de voltar para a Groenlândia.
Neste tempo, eles conviveram com os nativos, e sua convivência foi pacífica.
Eles trocaram tecidos vermelhos por peles e couros de animais e, quando retornaram a Groenlândia, contaram a História dizendo que o lugar era maravilhoso.
Batizaram-no de Vinland (terra das vinhas), para atrair pessoas para o novo povoamento.
Ainda no ano 1000, Leif Eriksson retornou a Vinland e fundou a cidadezinha de L’Anse-aux-Meadows, com cerca de trinta pessoas entre homens, mulheres e crianças.
Depois retornou à Groenlândia (ainda no ano 1000) para buscar mais pessoas, mas soube que seu pai havia morrido e que ele precisava assumir a vila de Brattahlid em seu lugar.
Devido a este imprevisto, Leif Eriksson abandonou o projeto de povoar Vinland, e nunca mais foi para L’Anse-aux-Meadows. Mesmo assim, continuaram a ir knorrs carregados de pessoas para lá, até o ano 1003, mas depois pararam, pois a própria população da Groenlândia já era escassa. Por volta de 1009, a população de L’Anse-aux-Meadows beirava as duzentas ou trezentas pessoas, mas começaram a ocorrer duas crises no local. A primeira era de ordem econômica, pois como não iam mais knorrs para lá há seis anos, estavam começando a faltar coisas como tecidos, gado e produtos que a região não tinha condições de produzir.
Além disso, os indígenas, antes amigáveis, estarem agora exercendo muita pressão sobre os Vikings para que estes trocassem com eles suas armas por peles de animais, coisa que os Vikings não queriam fazer, para não armar os possíveis inimigos de amanhã.
O clima entre os Vikings e os Skraelings ficou cada vez mais tenso nos três anos subseqüentes, até que, em 1012, os índios atacaram L’Anse-aux-Meadows, mataram todos (ou pelo menos a grande maioria) de seus habitantes, queimaram ou destruíram a maioria das casas (algumas sobreviveram e foram encontradas, junto com resquícios de cerâmicas Vikings, em escavações realizadas em 1962, o que provou de fato a existência de Vinland) e assim puseram um fim às pretensões dos Vikings de colonizar aquilo que viria a ser a América.
A Groenlândia continuou a enviar knorrs a Markland para pegar madeira até 1035.
Depois, as terras descobertas no ocidente começaram a se tornar inviáveis economicamente e, por isso, foram abandonadas até caírem no esquecimento inclusive do próprio povo da Groenlândia.
• UMA ÚNICA QUESTÁO :
Será que devemos reverenciar a Cristóvão Colombo por descobrir a América, ou aos Vikings, que afinal o fizeram quase quinhentos anos antes e com recursos muito menos avançados, pois não conheciam nem a bússola, nem o astrolábio, nem mesmo desenhavam mapas dos oceanos, ou seja, realizaram uma empreitada muito mais difícil e, por quê não, corajosa.
É uma coisa que devemos pensar.
Se na realidade é tão importante para nós fixarmos datas, marcos e reverenciarmos heróis (e não os processos que ocorreram para que os fatos se desenvolvessem, o que seria mais correto), e, neste caso, é Leif Eriksson.
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A União de Calmar, o Fim da Groenlândia e o Legado Viking:
Os marcos só nos servem para facilitar a contextualização dos fatos no tempo, e não para que criemos a falsa idéia de que certa coisa existia, e de um dia para o outro passou a não existir mais.Portanto, é errado pensarmos que Roma caiu, pois apesar de ter sido capturada por Godos, Roma já estava em decadência a vários anos, e sua captura só foi possível graças a isso.
O mesmo ocorre com os Vikings, uma vez que sua Era só chegou ao fim devido aos erros (como a adoção do Catolicismo) de seus governantes, já que isso descaracterizou o povo.
OS LEGADOS VIKINGS :
os Vikings: “foram um povo à frente de seu tempo”.
É a mais pura verdade, talvez por isso tenham nos deixado tantos legados, que no mais das vezes, nem sabemos que se tratam de legados Vikings.
Durante os primeiros séculos da Idade Média, ou seja, durante a chamada Alta Idade Média, quando o que chamamos de Feudalismo ainda não existia, vários povos ditos Germânicos entraram no cenário Europeu e, os Vikings (juntamente como os Varegues) foram os últimos.
O Feudalismo foi um fenômeno que ocorreu propriamente dito na chamada Idade Média Central e, como é estudado, apenas na chamada Ilha de França, região do Reino Franco.
Suas bases foram lançadas pelos Romanos, com leis como o Colonato acrescidas da moral Cristã. As invasões dos Godos (Ostrogodos (na Itália) e Visigodos (na Espanha)) trouxeram ao cenário Europeu Ocidental a tradição da Vassalagem, que somada às tradições romanas, embasaram Carlos Magno na divisão interna de seu Império, uma vez que ele, ao conquistar novas terras, submetia o Rei delas à sua suserania, sendo assim, a evolução dessa situação, que ocorreu após a morte de Carlos Magno, deu origem ao feudalismo de fato, que digamos, só principiou no século XI. Devido a isso, podemos concluir que os Vikings existiram (no esplendor de sua Era) no período imediatamente posterior à chegada Árabe a Europa, e anterior ao estabelecimento do Feudalismo, como nós conhecemos.
A época era de muitas transformações, pois , vários povos novos haviam entrado no contexto europeu recentemente, a Igreja Católica tentava se afirmar (e estava começando a conseguir) em meio a tantos povos não Cristãos, o ideal de restauração do Império Romano permanecia vivo na mente dos grandes Reis do período (primeiro com Justiniano, depois Carlos Magno e por fim Oto I), além de o comércio marítimo europeu estar, senão morto, adormecido depois da entrada dos Árabes na Espanha. Foi nesse contexto que os Vikings existiram.
Eles, com suas drakkars punham medo em todas as populações Européias, desde Árabes até Italianos, passando por Francos, Germânicos e principalmente Ingleses. Seus reides, inicialmente apenas com o objetivo de realizar saques, acabaram por criar colônias e bases militares, fundando e ampliando dezenas de cidades e vilas em todo o ocidente Europeu (no oriente do continente o fenômeno foi semelhante (mas em menor escala) em relação aos Varegues).
Os Vikings eram exímios artesãos, sabiam trabalhar muito bem a madeira, o marfim e o ferro.
Criaram uma religião com preceitos tão avançados que só foram de novo pensados (ou copiados) no século XVI, por Lutero e Calvino.
Suas técnicas de navegação eram tão avançadas que só foram, de fato, superadas pelos Portugueses no século XV, ou seja, mais de quatrocentos anos depois. Eles proporcionaram um renascimento, ainda que temporário, do comércio marítimo Europeu, com rotas através dos mares Báltico e do Norte, além de rios Europeus como o Ródano, o Reno, o Sena e o Tâmisa. Além disso, algumas palavras e jogos (como os RPGs), de hoje são baseados em palavras, atitudes e crenças Vikings. Apesar de todos esses feitos serem impressionantes, eles não constituem os principais legados Vikings
Digamos que, por causa dos Vikings, a Inglaterra se unificou, ou passou a reconhecer um único Rei como sendo o Rei de toda a Inglaterra (ainda que em períodos posteriores, este domínio não tenha sido tão forte, devido ao Feudalismo, que apesar de não ter existido como o estudamos na Inglaterra, também a atingiu) muito mais cedo do que o faria se não tivesse recebido a pressão externa que recebeu.
Os descobrimentos Vikings, como a Islândia, a Groenlândia e a América (com Vinland, Markland e Helluland) foram também tão impressionantes que podemos chamar sua época de Primeira Era dos Descobrimentos, sendo a chamada Era dos Descobrimentos, então, a Segunda Era dos Descobrimentos. Podemos também dizer que os Vikings auxiliaram na formação de um povo: os Normandos. Inclusive, os Normandos tiveram sua Época de Ouro imediatamente após o fim da Era Viking,
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uma vez que a conquista da Inglaterra por Guilherme, o Conquistador, Duque da Normandia, o marco (outra vez essa palavra) inicial da Era Normanda, ocorreu um mês depois da derrota de Haraldo Hardrada na Batalha de Stamford Bridge, o marco final da Era Viking.
Sendo assim, podemos realmente dizer (apesar de os Normandos já na época de Guilherme terem mais características Francas do que Vikings), que os Normandos são os herdeiros dos Vikings.
• A UNIÃO DE CALMAR :
Após a morte de Haraldo Hardrada, os povos Escandinavos que já haviam reduzido suas incursões consideravelmente desde o início da conversão ao Catolicismo, praticamente as pararam e Noruega, Dinamarca e Suécia limitaram-se a manterem vivas as relações comercias com as regiões que colonizaram ou dominaram no passado.
Entretanto, a Dinamarca começou a exercer certa preponderância sobre as outra duas, passando a influir diretamente sobre a Suécia (e consequentemente sobre a Finlândia que, na época, não passava de um Ducado da Suécia), mas não tão efetivamente sobre a Noruega, que mantivera suas relações com Islândia e Groenlândia (que aceitou a soberania Norueguesa em 1261, antes porém, a Noruega já exercia influência cada vez mais forte na região), apesar de ter perdido em definitivo qualquer poder sobre o Ducado das Órcadas, que agora obedecia à Escócia e também sobre a sua porção da Irlanda, que em 1170 foi derrotada e em 1171 tomada pelos Ingleses, governados pelos Rei Henrique II.
O glorioso passado Viking e Varegue já era muito mais distante nas conseqüências do que no tempo, ou seja, os Reinos Escandinavos estavam resumidos a uma pobreza muito grande, salvo pela Dinamarca que aumentava cada vez mais seu domínio comercial no Báltico. Entretanto, em 1370, Lübeck venceu Valdemar IV, Rei da Dinamarca, após uma guerra de nove anos, e estabeleceu o domínio do comércio no mar Báltico, pela Liga Hanseática (Federação Comercial de cidades do norte da Alemanha).
Valdemar IV era pai de Alberto, Rei da Suécia, e de Margaret, Rainha Consorte (esposa do Rei, quando quem governa é o Rei) da Noruega. Pois bem, após sua derrota (a de Valdemar IV). Margaret começou a pensar numa maneira de restabelecer o poder dos países Escandinavos frente ao crescente poderio da Liga Hanseática. Nessa mesma época, Alberto, da Suécia, morreu e quem herdaria seu trono seria Érico, seu neto, uma vez que seu filho havia morrido.
Porém Érico era apenas uma criança, e sua parente mais próxima era a tia-avó Margaret, agora também Rainha da Dinamarca, depois da morte do pai Valdemar IV.
Aproveitando-se de toda esta confusão nas sucessões dinásticas dos países Escandinavos, Margaret resolveu convencer todas as três nobrezas a jurarem lealdade a seu sobrinho-neto Érico. As nobrezas se reuniram e assinaram, em 1397, o que ficou conhecido como União de Calmar. À partir dessa data, Suécia (e Finlândia), Dinamarca e Noruega (Islândia e Groenlândia) estariam unidas sob uma só Monarquia, porém, as leis de cada país continuariam a ser diferentes. Margaret utilizou os pretextos de que Érico era uma criança e de que ela era sua parente mais próxima, para governar em seu lugar (por toda sua vida (vida de Margaret)).
Sendo assim, a Noruega assumiu a preponderância na União de Calmar, com Margaret reinando na Suécia e Dinamarca e seu marido reinando na Noruega.
Porém, após a morte de Margaret, em 1412, Érico assumiu o trono Escandinavo de fato, mas o Rei da Noruega não quis abdicar de seus privilégios, uma vez que por ser o marido de Margaret, ele além de continuar governando seu país, ainda governava os outros.
Sendo assim, a Noruega passou a integrar a União apenas no papel, pois de fato não fazia mais parte dela.
O fato de a Noruega não participar efetivamente da União de Calmar, estimulou a Liga Hanseática, contra a qual a União de Calmar havia sido criada, a se infiltrar no país, fazendo de Bergen um de seus principais centros administrativos e assim, sob a proteção Norueguesa, podendo exercer o comércio no Báltico com muita facilidade.
A influência da Liga Hanseática sobre a Noruega e a recusa desta em integrar de fato a União de Calmar, aceleraram seu desmantelamento (da União de Calmar), que ocorreu finalmente em 1523.
Da extinção da União de Calmar, surgiram os países Escandinavos da forma que os conhecemos hoje, exceto a Finlândia, que só conseguiu sua independência total bem depois, em 1917 (devido a Revolução Russa, pois a Rússia dominava o país desde 1713, quando o Czar Pedro, o Grande o tomou da Suécia).
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• O FIM DA GROENLÂNDIA:
A Groenlândia nunca foi densamente povoada devido às suas condições climáticas horríveis.
Mesmo assim, havia pelo menos duas cidades Gardar e Godthaab, além de vilas (ou fazendas), como Brattahlid. Os Esquimós que habitavam as regiões central e do norte sempre foram hostis aos Noruegueses, pois os consideravam inimigos. No entanto, os contatos entre eles eram muito esporádicos devido a distância de suas povoações.
Uma catástrofe da natureza porém, começou a colocar fim às povoações da Groenlândia, por volta da metade do século XIV. Na realidade, neste período ocorreu aquilo que os estudiosos chamam de Pequena Glaciação, ou seja, um período como o Período Glacial, só que com conseqüências bem mais brandas, talvez devido a um pequeno afastamento da Terra em relação ao Sol.
Essa Pequena Glaciação levou a uma diminuição brutal das temperaturas em toda a região Ártica, e também nas proximidades dela. Sendo assim, a vida se tornou quase impraticável no norte de países como a Groenlândia e os países Escandinavos.
O que causou a morte de muitas pessoas e a migração para o sul, de outras.
a chamada Colônia Ocidental da Groenlândia, cuja capital era Godthaab, localizava-se muito mais ao norte do que a Colônia Oriental, por isso, a vida lá se tornou muito difícil, devido ao congelamento da água potável, e até de áreas da água do mar, próximas a terra.
Além disso, a agricultura se tornou impraticável na região.
Como se não bastassem essas duas catástrofes para destruírem a Colônia Ocidental, a Noruega começou a fazer contatos cada vez mais esporádicos com a região, em virtude de suas relações com a Liga Hanseática estarem sendo mais lucrativas do que o pobre comércio que desenvolvia com a Groenlândia.
Os contatos foram se tornando cada vez mais raros, até que se enceraram por volta de 1370, com a Colônia Ocidental e por volta de 1450, com a Colônia Oriental, mais próxima da Noruega. centro e para o norte da ilha, começaram a procurar o sul e o litoral, por serem menos frios. O que os levou por volta de 1390, a destruir com suas incursões a cidade de Godthaab. Na verdade, eles não destruíram a cidade, apenas mataram todos os seus habitantes (os poucos que haviam resistido ao frio) e ocuparam suas casa, que eles consideravam mais quentes do que seus iglus.
As ameaças do frio, do fim do interesse Norueguês e dos ataques (cada vez mais freqüentes) dos Esquimós, estavam também atormentando as populações de Gardar e Brattahlid, mas por essa região se situar mais ao sul e também mais perto da Noruega, ela não só era menos fria como também mais populosa do que a Colônia Ocidental, sedo assim, é provável que seus habitantes tenham conseguido sobreviver até por volta de 1510, mas depois disso, os Esquimós conquistaram totalmente a região, terminando com aquele que havia sido o mais brilhante esforço colonizador da Era Viking e de toda a Europa na Idade Média: a Groenlândia.
Mas a Groenlândia é conhecida e ocupada (mesmo que pouco) ainda hoje, então como pode dizer que sua povoação foi destruída e extinta em 1510? é simples, mais tarde, em 1721, um missionário Dinamarquês chamado Hans Egede, acreditando no que diziam as Sagas Vikings, escritas por autores Islandeses no século XIV, navegou rumo a Groenlândia e qual não foi sua surpresa quando constatou que as Histórias eram verdadeiras, ou seja, que existia de fato a ilha mencionada nas Sagas.
Sendo assim, ele tomou posse do território em nome da Dinamarca e ele pertence a esta até hoje. A cidade de Godthaab foi encontrada e reconstruída, sendo hoje a capital da província da Groenlândia, que é também a maior ilha do mundo.
. POLÍTICA:
Os povos conhecidos como Vikings manifestavam uma forma política semelhante.
Não se sabe se esta forma de governo era própria de todos os Escandinavos e depois se difundiu também para os Danos, ou se ela era própria da cidade de Oslo e difundiu-se segundo sua expansão. Porém, a primeira hipótese é mais aceitável, visto que Oslo não chegou a formar um verdadeiro Império, pois não dominou a Escandinávia.
A característica mais marcante dos povos Vikings no que diz respeito a sua política é que todos eles adotavam a Monarquia, mas na grande maioria dos casos, uma Monarquia em moldes atuais, ou seja, semelhante às Monarquias Parlamentares de hoje em dia.
Os Reis tinham poder absoluto no que dizia respeito às guerras, regiões dominadas e tudo que tivesse ligação com os domínios de seu Reino.
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Porém, ele não podia criar leis, ou mesmo julgar pessoas, estas tarefas eram delegadas às Althings, ou simplesmente Things. As Althings eram uma reunião de todos os homens (mulheres não participavam) livres (escravos não participavam) e adultos (crianças não participavam) do Reino. Em cada localidade do Reino existia uma Althing, o que significa que mesmo no caso de domínios pequenos, as leis e o sistema judicial poderia variar de uma cidade ou região, para outra, dentro de um mesmo Reino.
O Rei só poderia tratar da economia e de assuntos militares das regiões dominadas.
Na realidade, as sociedades Vikings tinham um sistema político semelhante às Democracias Gregas, pois salvo a exceção da existência de um Rei, cada região se autogovernava através de seus cidadãos (como na Grécia antiga, o termo cidadão não tem o mesmo significado que hoje, pois nem todos os habitantes eram cidadãos). A sucessão Real era sempre conturbada, os homens mais poderosos do Reino travavam guerras de influência e, às vezes de fato, para ver quem iria suceder o Rei morto, já que a sucessão hereditária só foi instituída no século XIV.
Entretanto, o fato de os poderosos escolherem o novo Rei não implicava, como veremos a seguir, na exclusão dos filhos do Rei da sua linha de sucessão.
Pelo contrário, muitas vezes o filho do Rei morto herdava seu trono, ou por se acreditar que ele teria os mesmos valores admirados no pai, ou então porque este (o Rei) deixara homens de confiança que assegurariam ao filho o trono após sua morte.
Essa situação era mais comum quando o Rei morria em campo de batalha, pois devido a necessidade de se coroar outro Rei rapidamente (para não desorganizar as tropas), escolhia-se o filho do Rei como seu sucessor.
AS SOCIEDADES VIKINGS:
Os povos Vikings, assim como tinham uma mesma organização política, também compartilhavam uma mesma composição sociocultural. A língua falada pelos Vikings era a mesma, seu alfabeto também era o mesmo: o Alfabeto Rúnico. As sociedades estavam divididas, de um modo geral, da seguinte maneira:
O Rei estava no ápice da Pirâmide; abaixo dele estavam os karls, homens ricos e grandes proprietários de terras (os karls não eram nobres, pois nas sociedades Vikings não havia nobres);
abaixo dos karls havia os jarls, ou seja, o povo, livres, mas sem posses ou com poucas propriedades, geralmente pequenos comerciantes ou lavradores.
Os jarls compunham o grosso dos exércitos Vikings e tinham participação nas Althings;
abaixo dos jarls, havia os thralls, escravos. Eles geralmente eram prisioneiros de batalhas, mas podiam ser (dependendo da decisão da Althing da região) escravos por dívidas ou por crimes, seus proprietários tinham direito de vida e morte sobre eles.
FIORDE TÍPICO DA NORUEGA E JUTLÂNDIA ..
A maior parte dos povoados Vikings eram fazendas pequenas, com entre cinqüenta e quinhentos habitantesNessas fazendas, a vida era comunitária, ou seja, todos deviam se ajudar mutuamente.
O trabalho era dividido de acordo com as especialidades de cada um.
Uns eram ferreiros, outros pescadores (os povoados sempre se desenvolviam nas proximidades de rios, lagos ou na borda de um fiorde), outros cuidavam dos rebanhos, uns eram artesãos, outros eram soldados profissionais, mas a maioria era agricultora.
As semeaduras ocorriam tão logo a primavera começava, pois os grãos precisavam ser colhidos no final do verão para que pudessem ser armazenados para o outono e inverno.
Durante o inverno, as principais fontes de alimentos eram a carne de gado e das caças que eles obtinham. No verão o gado era transportado para as montanhas para pastar longe das plantações.
Nas fazendas, as pessoas moravam geralmente em grandes casarões comunitários.
Geralmente esses casarões eram habitados pelas famílias.
Por exemplo: três irmãos, com suas respectivas esposas, filhos e netos.
As mulheres tinham a função de ajudar os maridos, além de cozinharem e fazerem as roupas para toda a família. Quando os maridos se ausentavam caçando ou guerreando (não só os soldados profissionais lutavam nas guerras, o grosso dos contingentes era de homens do povo), as mulheres se tornavam as chefes do lar, não só defendendo-o contra invasores e bandidos, mas também comerciando com os mercadores.
As sociedades Vikings eram monogâmicas e o núcleo familiar era como o das sociedades Cristãs, com o homem ocupando o lugar de chefe da casa, tendo inclusive um assento diferenciado (aonde somente ele podia sentar).
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Reconstruções de casas da época Viking.
O telhado era recoberto de turfa (tipo de grama) para proteger os moradores contra o frio.
Elas eram compostas de um único cômodo onde todos dormiam, comiam, as mulheres costuravam... Havia uma lareira no centro do cômodo, cuja saída era no meio do telhado, como não havia chaminé, a casa devia ser enfumaçada e os incêndios freqüentes.
As campanhas militares eram geralmente no inverno, pois assim os homens do povo podiam integrar os exércitos sem terem prejuízos maiores, pois teriam feito as colheitas em suas fazendas. A arquitetura variava de acordo com a região ocupada, ou seja, dependendo do frio e dos recursos naturais disponíveis as casas e outras construções eram feitas com um ou outro tipo de madeira. Aliás, a madeira era a principal matéria prima para as construções Vikings (o que dificultou as chances de achados arqueológicos, pois a madeira se decompõe), por ser extremamente abundante, principalmente na Noruega, mas também nas regiões colonizadas posteriormente, como Islândia, Groenlândia e ilhas Britânicas.
Porém, nem só em fazendas viviam os Vikings.
Existiam também grandes cidades em seus domínios, e eles fundaram outras também.
As principais cidades da Noruega e Dinamarca na Era Viking eram:
Oslo, Kaupang, Gokstad, Bergen e Trondheim, na Noruega;
e Jelling e Hedeby, na Dinamarca. Estas cidade eram na maioria das vezes localizadas ao redor de fiordes e protegidas com altas e largas muralhas de terra batida. Nelas as casas eram bem menores, morando apenas o núcleo familiar em si (homem, mulher e filhos).
As obrigações eram semelhantes, mas as cidades não dependiam da agricultura local para sobreviverem, elas podiam fazer isso através do comércio que era a sua principal fonte de lucros.
Talvez a mais importante cidade Viking tenha sido Hedeby, na Dinamarca.
O comércio na região era tão intenso que chegava a atrair até mesmo os Árabes da Espanha.
Os Vikings vendiam e compravam de tudo, mas um de seus principais produtos de venda eram os escravos, no mais das vezes prisioneiros feitos em reides às ilhas Britânicas.
Sabe-se que para um Viking, o dia do nascimento era muito importante, sendo nele definido o nome que o bebê teria . O nome da pessoa, segundo a crença, determinava seu caráter.
Os Vikings também se preocupavam com a educação de seus filhos.
Geralmente, nas fazendas um homem velho reunia as crianças para contar a História dos antepassados, explicar o funcionamento das Althings, dizer que devem louvar o Rei e os Deuses, além de iniciá-las na Religião e, algumas vezes, no conhecimento das Runas.
Nas cidades não se sabe como era realizada a educação das crianças.
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• OS VERDADEIROS ELMOS DE GUERREIROS
Sempre que imaginamos os Vikings, lembramos de homens bárbaros, muito maus, trajando roupas peludas e elmos com chifres. Pois bem, esta visão está no mínimo equivocada.
• Comecemos por desmistificar os elmos com chifres ou asas.
Muitos dizem que os Vikings os usavam pois tinham medo de que o céu lhes viesse a cair nas cabeças. Na realidade, os Vikings nunca utilizaram tais elmos, eles não passam de uma invenção artística das óperas do século XIX, que visavam resgatar a imagem dos Vikings, sem saber ao certo com eles eram. Os verdadeiros capacetes Vikings eram cônicos e sem chifres,
Quanto às roupas peludas, é certo que no seu cotidiano eles realmente utilizavam roupas bem grossas, devido ao frio das regiões que habitavam, mas apenas uma minoria dos guerreiros as utilizavam, nas batalhas, pois preferiam (por razões óbvias) as malhas de aço e ferro, uma vez que estas protegiam-nos dos golpes. Já o fato de serem maus e bárbaros é de fácil explicação.
Os primeiros ataques Vikings foram reides a mosteiros na costas e ilhas Britânicas (no final do século VIII), mesmo depois, os Vikings continuaram gostando muito de realizar ataques a mosteiros devido ao fato de estes não serem tão bem protegidos quanto as cidades e guardarem tesouros da Igreja Católica, além de vinho, bebida muito apreciada por habitantes de regiões frias.
Esse costume de atacar mosteiros fez com que a Igreja rapidamente condenasse os Vikings e os visse como verdadeiros enviados do inferno. Uma oração comum em finais do século IX dizia o seguinte: “Da fúria dos Nórdicos livrai-nos, ó Senhor”.
REPRESENTAÇÃO DE UM ATAQUE VIKING
Talvez a grande vantagem que os Vikings tenham tido sobre os demais povos da Europa que lhes foram contemporâneos tenha sido sua alta tecnologia de construção naval.
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Os Noruegueses e Dinamarqueses desenvolveram no início da Idade Média um tipo de embarcação que só veio a ser superada cerca de seiscentos anos mais tarde pelos Portugueses, com a invenção das Caravelas e Naus (que na época funcionavam, não eram como as de hoje).
As embarcações Vikings eram de dois tipos básicos:
as de transporte e comércio;
e as de guerra.
Ambas tinham em comum o fato de serem longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do navio) que penetravam muito pouco na água. Sendo assim, elas podiam navegar com estabilidade tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia para que os guerreiros descessem e atacassem o lugar. A supremacia das embarcações Vikings não estava somente na estabilidade, mas também na utilização combinada de remos e velas.
Os navios geralmente navegavam com o vento através de velas (foram os primeiros navios da História a usarem o vento como principal fonte de movimento), só utilizavam os remos quando não havia vento. , a diferença entre elas era que as mercantes e de transporte, as chamadas knorrs, eram maiores e mais largas que as destinadas a guerra, as chamadas drakkars.
Uma knorr precisava ser maior do que uma drakkar pelo fato de que transportava produtos, algumas vezes elas levavam até gado, era também nelas que as pessoas comuns se mudavam para colônias recém estabelecidas. Tantos as drakkars quanto as knorrs eram enfeitadas com cabeças de dragões ou serpentes em suas proas e com velas listradas (ou xadrezes) em misturas de verde, vermelho ou azul com branco.
Nas drakkars, cada homem ia sentado em cima de um pacote que continha suas armas e armadura, este pacote servia-lhe de banco, cada um também tinha um remo, e o último homem era o encarregado do leme, que dava direção ao navio.
Quando o navio estava para chegar ao local do ataque, os homens desfaziam seus pacotes e se preparavam para o ataque. Cada drakkar transportava em média quarenta guerreiros, uma knorr transportava muito mais pessoas ainda.
Foi graças as drakkars e as knorrs que os Vikings conseguiram colonizaram grande parte das ilhas Britânicas, assaltar a Europa e descobrir a Islândia, a Groenlândia e a América.
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sábado, 7 de novembro de 2009
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