domingo, 8 de novembro de 2009

CAPITULO 06 = ERA PRÉ HISTÓRIA OU SEXTO MILLÉNIUM = INICIO DAS CIVILIZAÇÕES

ERA PRÉ HISTÓRIA OU SEXTO MILÉNIUM


CAPITULO 06

INICIO DAS CIVILIZAÇÔES
A não ser que especificado de outra forma, todas as datas apresentadas nesta cronologia referem-se a período
anteriores à Era Cristã, aqui referidos como Antes da Nossa Era, ou ANE.
A região emerge pouco a pouco, de norte a sul como terras baixas entre os rios Tigre e Eufrates. A região começou a ser povoada por grupos étnicos desconhecidos que tinham vindo do norte e do leste. Estes grupos incluíam sem dúvida semitas do Nordeste do deserto da Síria e da Arábia.
Quarto Milénio (no máximo) – Depois da chegada dos Sumérios provavelmente do Sudeste, o processo de inteiração e trocas começa a tomar forma, transformando-se na primeira grande civilização da área. Uma sociedade urbana logo tomou forma e espaço através da unificação de vilas mais ou menos primitivas.
CRONOLOGIA
3200 Antes da Nossa Era, ou seja, Antes da Era Cristã - Evidências arqueológicas mostram que os Sumérios estão fazendo uso de veículos sobre rodas para transporte.
3100 ANE - A escrita cuneiforme aparece na Mesopotâmia, sendo os primeiros registros escritos da humanidade.
Esta forma de escrita envolvia a escrita de caracteres em forma de cunha e foi usada para registrar os primeiros épicos da história, incluindo Enmerkar e o Senhor de Arata, e as primeiras histórias a respeito do rei heróico de Uruk, Gilgamesh.
2700 ANE - O rei sumério Gilgamesh governa a cidade de Uruk, que agora tem uma população de cerca de mais de 50.000 habitantes.
Gilgamesh figura em muitos épicos, incluindo o mito sumério Gilgamesh, Enkidu e o Mundo Subterrâneo e o babilónico Mito de Gilgamesh.
2340-2315 ANE - Sargão I funda e governa a cidade de Ácade (Acádia), após ter deixado a cidade de Kish, onde detinha importante cargo militar. Sargão I é o primeiro monarca da história a manter um exército de prontidão.
Mesmo assim, seu império durou menos do que 200 anos.
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2320 ANE - Sargão I conquista as cidades-estado independentes sumérias e institui um governo centralizado.
Mas por 2130 a Suméria readquire sua independência do domínio acádio, apesar de não mais reverter para a condição de cidades independentes. Nesta época, a cidade mais importante dos sumérios é a cidade de Ur.
2100 ANE - A Lista de Reis Sumérios é escrita, registrando todos os reis e dinastias sumérias desde os tempos mais remotos.De acordo com esta lista, Eridu é a povoação mais antiga, fato que parece ser confirmado por evidências arqueológicas.
2000-1600 ANE – Começa o Antigo Período Babilónico na Mesopotâmia, após o colapso da Suméria, provavelmente devido a um aumento do teor de salinidade do solo, tornando o cultivo da terra muito difícil. Enfraquecidos consideravelmente por safras de pouca produção, os SUMÉRIOS são conquistados pelos amoritas, que estavam estabelecidos na Babilónia.
Consequentemente, o centro da civilização muda para o Norte.
Apesar deles terem preservado a maior parte da cultura suméria, os amoritas introduziram seu idioma semítico, um ancestral do HEBREU na região.
1900 ANE - O Épico de Gilgamesh é redigido a partir de fontes sumérias e escrito no idioma semítico. Portanto, apesar de Gilgamesh ser sumério, o épico de seu nome é babilónico.
1900- 1500 ANE - Num ponto entre estas datas, um grupo semítico de nómadas migra da Suméria para Canaã, e Egipto. Eles são levados por um comerciante de caravanas, o patriarca Abraão, que irá se transformar no pai da nação de Israel.
1800 ANE - Os habitantes do Antigo Período Babilónico (ou Babilónico Anterior) estão empregando avançadas operações matemáticas, tais como multiplicação, divisão e raiz quadrada. Além disso, eles usam um sistema duodecimal (baseado no 12 e no 6) para medir o tempo. Até hoje usamos este sistema para contar as horas.
1763 ANE - O rei amorita Hamurabi conquista toda a Suméria.
Nesta mesma época, ele também escreve seu famoso código de leis, o Código de Hamurabi, contendo 282 regras, incluindo o princípio de " olho por olho, dente por dente" .
Este é um dos primeiros códigos de lei da história da humanidade, sendo anterior ao código de Leis de Lipit-Ishtar.
1750 ANE - Hamurabi morre, mas seu império dura por mais 150 anos, até 1600 ANE, quando os cassitas, um povo não semítico conquista a maior parte da Mesopotâmia, com a ajuda de carruagens leves como material bélico.
1595 ANE - Os hititas, outro grupo não semítico que falam um idioma Indo-Europeu, capturam a Babilónia e se retiram, deixando a cidade aberta ao domínio cassita. Os cassitas permanecem no poder por 300 anos, mantendo a cultura suméria e babilónica sem introduzir grandes m
1450-1300 ANE – A cultura hitita alcança seu apogeu, dominando do Norte ao Leste da Babilónia, incluindo a Turquia e o Norte da Palestina. Nesta época, os hititas já tinham uma rica mitologia, com panteon de deuses e deusas já estabelecido.
1300-612 ANE - Os Assírios, um povo semítico, estabelecem um império que se estende de Assur, ao Norte da Mesopotâmia.
Em 1,250 ANE eles já tinham se comprometido a conquistar o Império Cassita ao sul
1286 ANE - Os hititas lutam contra os invasores egípcios, demonstrando a força de seu poder. Tal poder está provavelmente fundamentado nas vantagens económicas que tinham com o comércio de metais que são abundantes na região da Turquia.
Mesmo assim, o império hitita cai 1185 para os Povos do Mar, um grupo invasor que veio do Oeste, e cuja identidade precisa é desconhecida.
1250-1200 ANE - Os hebreus migram de Canaã para o Egipto por alguns séculos, após vaguearem por muitos anos no deserto do Sinal. Esta conquista é lenta e dolorosa, e irá levar cerca de cem anos. Quando as lutas acabam, os hebreus emergem como vitoriosos.
Eles dividem a terra de Canaã em tribos, criando um sistema de governo conhecido como anfictionia.
1020 ANE - Os hebreus são governados pelos Juízes num período de relativa estabilidade que será abalado pela invasão dos filisteus em 1050 ANE.

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1225 ANE - O governante assírio Tukulti-Ninurta captura a Babilónia e a região sul da Mesopotâmia, mas o controle assírio não dura muito longe.
1114- 1076 ANE - Tiglath-Pileser I governa os Assírios.
1050 ANE - Os filisteus invadem Israel, vindos do Norte. Ao enfrentar a ameaça de aniquilação, os hebreus instituem uma reforma governamental. Samuel, o último dos juízes, é chamado para escolher o futuro rei.
1020 ANE - Samuel seccional Saul para rei de Israel, portanto unificando todas as tribos numa só nação. Saul eventualmente comete suicídio, ao enfrentar outras tantas perdas frente aos filisteus. Davi, ao fazer campanha contra os filisteus, obtém a vitória.
1004 ANE - Davi torna-se rei de Israel. Como tal, ele começa a construir um governo centralizado baseado em Jerusalém.Ele implementa trabalhos forçados, o censo e um mecanismo para a colecta de impostos.
O Período do Primeiro Templo da história hebraica começa sob o governo de Davi.
965 ANE - Salomão torna-se rei de Israel, com a intenção de continuar a obra de Davi e fazer de Jerusalém uma grande cidade. Salomão, portanto, abraça grandes projectos de construção, sendo um deles o Templo de Jerusalém.
Ao enfrentar dificuldades financeiras, ele eleva os impostos e emprega trabalho forçado.
928 ANE - Morre Salomão. Os habitantes do Norte, não querendo pagar impostos para ajudar as dificuldades financeiras de Jerusalém, separam-se do Sul.São criadas duas nações: Israel, ao Norte, com sua capital em Samaria, e Judá, ao Sul, com a capital em Jerusalém.
Os filhos de Salomão governam os dois reinos, Jeroboam ao Norte e Rehoboam ao Sul.
900 ANE - Os assírios expandem seu império para o Oeste. Ao redor de 840 ANE, eles tinham conquistado a Síria e a Turquia, territórios que haviam pertencido aos hititas.
810-805 ANE - Reinado da rainha assíria Samuramat.
Ela é uma das poucas mulheres a adquirir proeminência na Antiguidade.
722 ANE - Os assírios conquistam Israel, deixando nada para traz.
O reino hebreu de Judá consegue sobreviver.
705-681 ANE - Senaqueribe governa os assírios e constrói uma nova capital em Nínive, onde começa a formar uma grande biblioteca de tábuas sumérias e babilónicas. Senaqueribe é um monarca poderoso que consegue ter sob seu poder toda a região do Oeste da Ásia.
689 ANE - Senaqueribe destrói a Babilónia, mas seu filho a reconstrói.
Em 650 ANE, Babilónia é novamente um centro de prosperidade.
668-627 ANE - Assurbanipal sucede Senaqueribe como governante da Assíria.
Ele continua a desenvolver uma grande biblioteca, e, ao final, coleccionou mais de 22.000 tábuas de argila.
Em 648 ANE destrói a recém reconstruída cidade da Babilónia numa campanha feroz.
614 ANE - Os babilónicos (em particular, os caldeus), com a ajuda de Medes, que ocupa a região ora conhecida como o Irã, começam campanha para destruir os assírios.
Em 612 ANE eles obtém sucesso, e a capital assíria é destruída.
Sem os Assírios, os caldeus, um povo semítico, governa toda a região, fazendo surgir um novo período de apogeu da Babilónia, que durou até 539 ANE.
562 ANE – Nabucodonosor II governa a Babilónia, onde começa vários projectos grandiosos de construção, incluindo os Jardins Suspensos da Babilónia.
Este renascer do poder da Babilónia usa tijolos esmaltados em suas construções, portanto criando uma cidade colorida.
600 ANE - O profeta persa Zaratustra (Zoroastro) funda a religião chamada de Zoroastrianism.
586 ANE – Jerusalém cai ante as forças de Nabucodonosor II.
Muitos hebreus são levados em cativeiro para a Babilónia, começando a passagem chamada de O Cativeiro da Babilónia. O Livro de Ezequiel é escrito nesta época.
539 ANE - Ciro, o persa, captura a Babilónia depois que Baltazar, o novo líder babilónico, fracassa em "ler a caligrafia escrita na muralha". Ciro funda o Império Persa, que dura até 331, quando é conquistado por Alexandre, o Grande.

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Ciro permite que alguns judeus exilados na Babilónia voltem à Palestina, mas muitos hebreus preferem ficar na Babilónia, onde estabelece-se o segundo grande centro hebraico, sendo superado apenas por Jerusalém.
529 ANE- Ciro morre, deixando o maior império construído pelo homem até aquela data.
Seu filho, Cambises, sobre ao trono e conquista o Egipto.
521 ANE- Dário I (o Grande) torna-se imperador da Pérsia, sucedendo Cambises.
Ele começa grandes programas de governo, incluindo um sistema de estradas.
Ele também institui o primeiro sistema postal.
520-516 ANE - Os hebreus reconstroem o templo de Salomão que havia sido destruído e saqueado em 586 ANE. Começa o Período do Segundo Templo da história hebraica.
486-465 ANE - Xerxes I é o imperador do Império Persa.
331 ANE - Alexandre, o Grande, conquista o Imério Persa. Ele avança na direcção da Índia, e conquista parte dela, antes de morrer na Babilónia, aos 33 anos em 323 ANE.
168 ANE - Antióquio Epifânio governa Israel e tenta acabar com a prática do Judaismo.
Os hebreus resistem, começando a revolta dos macabeus.
Os macabeus são bem sucedidos, até discussões internas tê-los destruído.Eles apelam para o romano Pompeu, que intervém, começando daí a ocupação romana da Palestina..
66 da Nossa Era –
Ao tentarem se libertar do controle do Império Romano, os hebreus se revoltam, mas perdem. No tempo do imperador romano Tito, os hebreus são derrotados, sendo destruído o templo de Jerusalém, que jamais foi reconstruído.
A não ser que especificado de outra forma, todas as datas apresentadas nesta cronologia referem-se a períodos anteriores à Era Cristã, aqui referidos como Antes da Nossa Era, ou ANE.
MESOPOTÂMIA
DAS CAVERNAS PARA AGRICULTURA IRRIGADA
1. COLONIZAÇÃO E OS PRIMEIROS POVOADOS
A pré-história na Mesopotâmia para fins deste estudo começa no sexto milénio, ou a sete mil anos atrás, ao aos 5.000 anos Antes da Nossa Era, onde pouco a pouco, de norte a sul, as terras baixas situadas entre os rios Tigre e Eufrates começa a ser povoada.
Não se sabe ao certo quantos grupos étnicos chegaram à região a partir do leste e do norte.
Entretanto, sabe-se com certeza que estes grupos incluíam semitas que vinham da região norte do deserto da Arábia e da Síria. Em arqueologia, a Pré-História ou Idade da Pedra, divide-se tradicionalmente em três períodos distintos, chamados
De Paleolítico, Mesolítico E Neolítico (Idade do Bronze),
Sendo que o período Paleolítico teve maior duração.
Estamos falando, portanto de tempos bem anteriores à urbanização (que começa a cerca de 3200 Antes da Nossa Era), quando as primeiras grandes civilizações tiveram sua origem nas bacias dos grandes rios da Mesopotâmia, Ou seja, ao longo das bacias dos grandes rios da Mesopotâmia, ao longo do Nilo no Egipto e do Ganges na Índia.
Neste relato, veremos de forma breve como estas civilizações começaram. Civilização aqui deve ser entendido no seu sentido literal, do latim civitas ou cidade: dentro do desenvolvimento de cidades-estado, que pode ser chamado de revolução urbana.
Primeiramente, em termos geológicos, a Mesopotâmia não é uma terra antiquíssima.
Ela começou a emergir apenas depois de alguns milénios depois do período glacial europeu, ocorrido a cerca de 12,000 anos Antes da Nossa Era.
À medida em que ocorreu redução na precipitação (chuvas) e a quantidade de humidade do ar, a Era Glacial começou a apresentar efeitos na região do antigo oriente. A vasta extensão de terras aluviais até então formava um imenso rio, e aos poucos foi deixando entrever terras e elevações. O que permanece deste grande rio inicial ainda está convosco como os rios Tigre e Eufrates.
Os primeiros habitantes da região foram gradualmente se revelando no sexto milénio o mais tardar, provavelmente vindos das montanhas do nordeste, norte e leste, sendo sem dúvida de etnias variadas.
Não sabemos quase nada a respeito deles, a não ser por esparsos vestígios de suas vidas, que arqueólogos tiveram a sorte de descobrir aqui e ali.
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Estes fragmentos não são capazes de nos dar uma ideia precisa ou mesmo revelar aspectos sociais importantes, como a religião de nossos antepassados mesopotâmicos, o que os inspirava em termos de pensamentos e dação, etc. De fato, apenas com a ajuda de nossa imaginação podemos fazer conjecturas a respeito de tempos tão antigos.
Podemos, entretanto, dizer que à medida em que estes colonizadores se estabeleceram na região, eles trouxeram consigo seus instrumentos rudimentares, plantas, animais domésticos e forma de viver a vida. Lentamente, podemos também conjecturar que à medida com que o tempo passava, alguns grupos prosperaram e cresceram, enquanto que outros desapareceram.
No momento, entretanto, não temos conhecimento de como tais grupos possam ter interagido no passado, ou se por acaso ocorreu ou não tal inteiração.
MESOLÍTICO
É o período de transição entre o Paleolítico e o Neolítico, ou Nova Idade da Pedra.
No período Mesolítico, os povos da região em termos de alimentos, juntavam/colectavam alimentos, caçavam e tinham uma pequena produção de ferramentas, feitas de pedra.
Remanescentes de Tell Mureybet (8,600-7,300 Antes da Nossa Era), excavado por arqueólogo franceses, localizado numa curva do Eufrates, mostra uma ocupação contínua por 1,300 anos da área datando dos tempos mesolíticos.
A fase 1 desta colónia era provavelmente um acampamento de caçadores e pescadores, usando um tipo de pedra, Natufian, na manufactura de suas ferramentas, bastante comum em toda Síria e Palestina.
Na fase II, Tell Mureybet já se transformou numa vila com casas de forma arredondada, de areia comprimida.
Na fase III, estas casas tinham sido parcialmente substituídas por casas maiores, de várias peças, construídas de pedras calcárias.
Foram encontrados restos de cabras e ovelhas, e toda caça vinha de animais velozes das redondezas. Estes acampamentos ou povoações estavam isolados uns dos outros antes de 9000 anos Antes da Nossa Era.
O período Neolítico (Nova Idade da Pedra) coincide com uma nova era geológica.
Nesta fase, temos os períodos culturais da Idade do Bronze e Idade do Ferro.
Estas eras são caracterizadas pelo uso de certos implementos e minerais.
2. A REVOLUÇÃO NEOLÍTICA ou o COMEÇO da AGRICULTURA
Depois de séculos de estagnação, começam a ser discernidas mudanças no início do quarto milénio, ou a cerca de 5.000 anos
Antes da Nossa Era, ou 7.000 anos atrás.Devido a falta de detalhes disponíveis, especialmente para esta fase, devemos sempre optar por uma faixa de tempo bastante ampla.
Dois eventos maiores, cujos detalhes são inacessíveis para nós, marcam entretanto de forma indelével a história desta região: a revolução agrícola com o surgimento da irrigação, e a chegada dos Sumérios ao sul da Mesopotâmia.
Em primeiro lugar, começa uma lenta, mas irreversível mudança nos métodos de colecta de alimentos pela caça, pesca e colecta de plantas/frutas.
Estes foram gradualmente sendo substituídos pela criação de animais domésticos e pela agricultura.Esta mudança ocorre juntamente com a alteração do modo de vida numas para uma vida sedentária. O Neolítico é visto como uma época relativamente pacífica, pois não existem fortificações ao redor das vilas e habitações.
Os primeiros povoamentos isolados (5000-3000 anos Antes da Nossa Era) são encontrados nos vales de pequenos rios nas montanhas de Zagros e nas pequenas planícies também de vales. Novas povoações parecem-se com comunidades de vilarejos, próximas umas às outras, em locais onde os rios correm para vales maiores e onde os rios são mais fáceis de serem controlados.
O clima mais seco (começando em cerca 3500 ANTES DA NOSSA ERA) faz com a irrigação comece a desempenhar seu papel na agricultura.
2.1 O PRINCÍPIO DA AGRICULTURA IRRIGADA
Plantar e colher passa a ocorrer em muitos lugares e em vários períodos, sendo que os primeiros tipos de grãos foram provavelmente a cevada e uma variedade do trigo (espelta).
A selecção de grãos também deve Ter sido descoberta de início, de forma quase automática, pois grãos soltos caem na terra quando da colheita. Apesar do desperdício, aqueles grãos que eram levados para casa e que eram plantados novamente davam origem a grãos mais fortes do que os perdidos, e este fato não deve Ter passado desapercebido pelos mesopotâmicos.
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Plantar também em terra fértil estimula novas e melhores variedades, e todos estes fatos passaram a ser levados em conta pelos primeiros agricultores.
O problema principal da agricultura na Mesopotâmia era a falta de precipitação ou chuvas, a estação das chuvas sendo a de Inverno.
Além do mais, os afluentes do Tigre e do Eufrates não eram muito caudalosos.
As terras, eram devotadas à criação de ovelhas e à plantação em larga escala de grãos.
Para melhor aproveitar então suas terras férteis, os mesopotâmicos então inventaram métodos para irrigar artificialmente seus campos, tendo se dado conta de que poderiam expandir o território irrigado pelos rios e portanto aumentar a produtividade, através da escavação de canais, ramificano-os a partiir de fontes de água já existentes. Melhor controle sobre a colheita e a criação de animais domésticos, bem como o uso intensivo da agricultura aumentou a produção de alimentos, fazendo com que maiores comunidades passassem a existir. A proximidade dos vilarejos tornava mais fácil a comunicação e a inteiração entre as mesmas. Isto estimulou o intercâmbio cultural e económico, mas também trouxe a possibilidade de conflitos.
O surgimento de regras e acordos para evitar ou resolver conflitos surge como um fautor importante no processo da civilização, sendo considerados mais importantes do que a necessidade administrativa de maior cooperação nos trabalhos de irrigação.
Ou seja, fundamentalmente, o sucesso da agricultura irrigada com maior produção de cereais e alimentos criou uma população melhor alimentada, tornando indispensável a manutenção de uma organização acima de tudo centralizada, energética e disciplinada, administração esta que
teria de ser mantida pelo menos para os trabalhos de irrigação das terras, sob a forma de vilas e
povoações que até então tinham sido independentes e tinham sobrevivido isolada umas das outras. Dependendo de como foi ocupada, sem dúvida, em geral por pequenos grupos espalhados, a terra se adaptou gradualmente àquele tipo de regime, formando as primeiras cidades, sob as ordens de uma administração forte, com grande concentração de força.
Em mitologia, é citado que "as cestas [de estacarem de alimentos] criaram as cidades" (The Creation of the Pickax). Da administração forte das primeiras cidades, temos a origem, provavelmente, do sistema monárquico.O povoamento das planícies do extremo sul da Mesopotâmia ocorre mais tarde. A irrigação destas planícies, como o sabemos segundo textos babilónicos posteriores, com seus longos canis e falta de água suficiente, exige um sistema de administração de recursos eficiente, o que ocorreu em épocas mais avançadas no tempo.
O problema de estocar alimentos foi reduzido com o uso da cerâmica, pois apesar de seguir princípios simples, uma boa colheita exige a solução de muitos problemas de ordem prática. Um dos grandes problemas com relação ao sedentarismo refere-se a onde estocar os alimentos para preservá-los.A torração de grãos era algo feito com frequência de acordo com achados em escavações, pois impede a germinação prematura e facilita o processo de peneirarem dos grãos.
Uma inovação técnica, o uso da cerâmica, surgiu, para proteger os alimentos de ratos e outros animais. Da cerâmica, eram feitos recipientes para guardar alimentos.
Temos evidência deste fato, porque as primeiras construções que podem ser descritas como celeiros eram pequenas ou baixas demais para serem classificadas como moradias.
. 2.2 A CHEGADA DOS SUMÉRIOS
O segundo fautor extremamente importante para determinar o sucesso da Mesopotâmia antiga acredita-se ter ocorrido na mesma época em que se deu a chegada dos Sumérios na região. Não somos capazes, e talvez nunca o seremos, de identificar de forma satisfatória esta população, cujas origens são nebulosas, ou ligá-la a qualquer grupo étnico, cultural ou linguístico.
Alguns estudiosos vêem os Sumérios como descendentes de grupos que já habitavam a terra por muitos anos. Esta hipótese parece colidir, entretanto, com a lendária tradição dos Sete Sábios segundo a população do Sul, que havia sido iniciada nas artes da civilização por seres estranhos vindos do mar.
Podemos inferir daí, uma vez que todo mito contém uma semente de verdade, que o mito dos Sete Sábios descreve um certo tipo de imigração pacífica, que deve ter introduzido uma população culturalmente superior, e que esta elevou o nível cultural daqueles habitantes locais que aderiram a esta nova cultura.
Parece-nos mais fácil crer que estas pessoas chegaram à Mesopotâmia por via marítima, seguindo talvez as costas do Golfo Pérsico, onde teriam se estabelecido na Baixa Mesopotâmia. Só podemos, entretanto conjecturar a respeito de onde, na realidade vieram os sumérios, mas sua chegada mudou a região para melhor.
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3. CERÂMICA
Não se sabe ao certo quando foram feitas as primeiras cerâmicas, mas provavelmente isto se deu ao redor de 6000 ANTES DA NOSSA ERA.
Por cerca de 5000 ANTES DA NOSSA ERA o uso da cerâmica era bastante difundido.
O tipo de argila ou lama, o uso de elementos decorativos e acabamento são sinais usados por arqueólogos para datar estes arte fatos e identificar suas distribuições geográficas.
A distribuição também indica sinais de comércio por distâncias maiores, mesmo nos tempos iniciais. Cerâmica de Halaf : Encontrada em Tell Halaf, ou Tell Halif, no Norte da Síria é uma das primeiras a ser identificada. O período de Halaf ocorre a cerca de 4000 ANTES DA NOSSA ERA. É uma cerâmica delicada e indica o começo da especialização dos artesãos.
O número pequeno destas cerâmicas indica que eram também consideradas artigos de luxo.
O Período de Ubaid-(4000-3500 ANTES DA NOSSA ERA):
Período chamado assim pela cerâmica encontrada no local chamado de Tell el-Ubaid no sul do Iraque. As características desta cerâmica são formas concêntricas e onduladas.
O uso deste modelo por outras regiões indica uma economia semelhante e alto grau de profissionalismo. A roda do oleiro (introduzida na transição do Período de Uruk) passa a ser encontrada apenas nas regiões mais desenvolvidas. A roda do oleiro exigia uma argila melhor de ser trabalhada, que é obtida com a adição de elementos especiais, ou seja, como por exemplo, óxido de ferro, que confere uma cor marrom-avermelhada típica ao produto.
3.1 CIDADES NEOLÍTICAS DE EXCEÇÃO DO 6º e 5º QUINTO MILÊNIO
Há excepções ao modelo padrão recém descrito para a Mesopotâmia. Houveram excepcionais cidades neolíticas datadas do sexto e do quinto milênio antes da nossa era, como Jericó (vale da Jordânia) e Catal Höyük na Turquia, que mostram grande diversidade nas formas de habitação.
Mas estas cidades não são a regra para o desenvolvimento da região, tendo em vista o grande período de tempo transcorrido entre o desenvolvimento das construções e a época áurea de desenvolvimento das cidades-estado mesopotâmicas, que deu-se por volta de 3000 ANTES DA NOSSA ERA.
4. CALCOLÍTICO
A primeira metade do quarto milénio (4000-3500 ANTES DA NOSSA ERA) é algumas vezes chamada de Calcolítico (Idade da Pedra e do Bronze).
4.1. USO DE METAIS
Metais e minérios de metais já são usados e coleccionados no período Neolítico, principalmente como uma curiosidade, por ser esteticamente simples e atraente: eles são raros e bonitos.
Como outras pedras preciosas, têm sido encontrados metais no período Neolítico em locais bem afastados dos ambientes no qual ocorrem normalmente, também como presentes funerários. Eles eram objectos atraentes, conferindo status ao seu possuidor.
Apreciados em especial eram a prata e o ouro. A Indústria de mineração: É conhecida desde o final do Paleolítico e uma indústria bem desenvolvida no período Neolítico.
O cobre, fácil de ser trabalhado, começa a ser usado, e se descobre que o calor pode recuperar as propriedades do metal, em caso de quebras ou lascas. Simples artefactos de cobre foram encontrados em vilas da Turquia, trabalhados com o uso do martelo, a cerca de 7000 Antes da Nossa Era.
Metalurgia: Os principais metais trabalhados são o cobre, o chumbo, a prata e o bronze.
• ANTES DA AURORA DA HISTÓRIA NA MESOPOTÂMIA
• Lishtar
A história começa, por definição, com a invenção da escrita (a cerca de 3200 Antes da Nossa Era), mais precisamente ao Sul da Mesopotâmia.
Entretanto, os primeiros documentos escritos são raros, de difícil leitura, económicos ou contáveis por natureza, portanto revelando pouco sobre o contexto político e social que os originaram. As maiorias dos primeiros registros ainda são indecifráveis.
O período histórico mais antigo é chamado de PROTO-HISTÓRIA.
Para efeitos deste ensaio, situaremos os tempos de antes do começo da História na Mesopotâmia no Quarto milénio. Alguns estudiosos enfatizam o componente literário destas sociedades e falam a respeito de sociedades protoliteratas, classificação esta dividida em quatro estágios,

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respectivamente A,B,C e D. A pequena quantidade de documentos disponíveis é suplementa da por textos escritos muitos séculos depois, mas que se referem a estes tempos mais antigos.
Quando combinados com dados arqueológicos, tais textos devem ser levados a sério.
Um rei legendário transforma-se num ser real quando, por exemplo, são encontradas inscrições votivas com seu nome. O aspecto mais importante da sociedade na proto-história é o começo da construção de prédios monumentais (templos, palácios, fortificações), a acumulação de capital, o uso económico de metais e a escrita, que levam ao aparecimento das primeiras cidades-
estado. Como no período Neolítico falamos de uma revolução agrícola, este período traz consigo uma revolução urbana. A proto-história suméria está dividida no Período de Jemdet Nasr, que é o período da fundação das primeiras cidades-estado, para as quais não temos registros contemporâneos disponíveis, e o Período Sumério Anterior.
O Período Sumério Anterior ou Antigo Sumério dura até a tomada do poder pelo rei semita Sargão, o Acádio em cerca de 2350 Antes da Nossa Era. Este período está dividido em dinastias determinadas pela hegemonia de uma determinada cidade.
1. O DESENVOLVIMENTO DA VIDA SEDENTÁRIA - A CULTURA DE UBAID
A "cultura" mais antiga (reflectindo um conjunto de artefactos diferenciado) relativa ao Sul da Mesopotâmia é a de Samarra no sexto milénio, identificada em locais situados principalmente a leste do Iraque, perto da fronteira com o Irâ, e um pouco ao norte de Bagdad.
As chuvas nesta região são raras e não o suficiente para possibilitar a agricultura, e em dois locais, (Choga Mami e Tell es-Sawwan) foram encontradas evidências de irrigação artificial.
A irrigação artificial, conjectura-se, deve Ter sido organizada pela comunidade ou em base familiar, pois as localidades são muito pequenas e não se expandiram de forma significativa.
Um desenvolvimento análogo também estava tomando impulso mais ao sul, mostrando por escavadores franceses, chamado de Tell- Oueili ou Halaf (a cerca de 5.500 Antes da Nossa Era), que representa um precursor de comprovada cultura de Ubaid, que possuía uma forte estrutura em termos de agricultura irrigada a cerca de 5.000-4.000 anos
Antes da Nossa Era. A cultura de Ubaid tem este nome por estar situada próxima à cidade de Ur, que foi descoberta por sir Leonard Wolleey na década de 1920.
A sequência cultural do período de Ubaid segue quatro fases principais. O elemento que distingue, por exemplo, o período de Ubaid 3 foi encontrado bem além dos confins do sul do Iraque, ao Norte, na Síria, no Irã, em mais de 40 lugares na Arábia Saudita, representando portanto presença nos Golfo Pérsico e Arábico.
Devemos interpretar esta evidência , segundo estudiosos como Oates, que esta dispersão pode indicar a tentativa destas pessoas do sul da Mesopotâmia de controlar e explorar rotas de comércio a fim de adquirir recursos que não estavam disponíveis em suas redondezas.
Suporte para esta hipótese pode ser encontrado no fato de que alguns locais ubaidianos situados ao norte estão distribuídos ao longo das rotas que levam a minas de cobre de Ergani Maden situadas ao Sul da Turquia. Mas como tal controle era exercido, ainda não sabemos. .
Em Eridu, um dos mais importantes e antigos locais para exploração arqueológica, uma sequência de templos e santuários foi encontrada, e esta descoberta mostra uma continuidade de ocupação abrangendo 2.100-2.000 anos de ocupação, ou seja, desde o período de Ubaid 1 até os tempos históricos. Esta importante evidência cultural manteve-se apesar das mudanças políticas ocorridas ao longo de 3.000 anos.
A fase cultural que se sucede a de Ubaid, a fase de Uruk (cerca de 4.000 a 2.900 Antes da Nossa Era) é marcada por uma mudança na produção de cerâmica: cerâmicas feitas por torno de desenhos simples substituíram os materiais produzidos na época de Ubaid.
A cultura tem o nome de Uruk/Warka segundo o nome da localidade em que foi encontrada, apesar das sequências mais anteriores ainda serem pouco conhecidas, pois só nas últimas fases da cultura de Uruk é que surge a escrita, representando um grande salto cultural.
As mudanças que marcam esta fase e cultura reflectem uma mudança na população.
Este ponto importante tenta associar a fase de Uruk com a chegada dos Sumérios.
No presente, não podemos identificar com certeza como os Sumérios chegaram à Mesopotâmia.
Mas tanto quanto nossas parcas evidências o apontam, os sumérios ou devem
Ter habitado a região por algum tempo, depois de lá terem chegado por migração pacífica.
• 2. O PERÍODO DE URUK 4 OU URUK POSTERIOR
Ao final da fase de Uruk (ou Uruk 4, a cerca de 3500-3200 Antes da Nossa Era) aparecem os primeiros documentos escritos, usando pictogramas, mas não somente estes.
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O sistema cuneiforme de escrita, que pode ser lido como Sumério desenvolveu-se destes pictogramas durante o período posterior (3200-2900 Antes da Nossa Era), também conhecido como Jemdet Nasr. Ao mesmo tempo, aparecem imensos complexos cerimoniais, como nos santuários de Eana em Uruk. Tais santuários repousam sobre grandes plataformas, com projecto elaborado, alguns levando pedras em sua construção. As paredes são decoradas com nichos e os prédios contém colunas de até 2m de diâmetro, ligadas ao teto ou não.Estas construções não são fenómeno exclusivo de Uruk, havendo desenvolvimentos semelhantes no Elam e em Susa.
Associados com estas estruturas há também uma série de objectos com decoração característica, como vasos de pedra, trabalhados ou não com relevos dentro ou fora, ou cuidadosamente esculpidos.
Destas evidências, podemos apreender que o surgimento da escrita, a construção de prédios elaborados, o uso de materiais importados, a presença de trabalhos de arte elaborados e o acréscimo da população, tudo sinaliza para a emergência de comunidades urbanas que desenvolveram tais estruturas. Nenhuma outra razão pode explicar a contento os materiais, as técnicas e escala das construções. A origem exacta e o carácter específico destas mesmas actividades e resultados ainda continua não totalmente explicada, mas a evidência aponta para a existência de um forte sistema político actuando nas cidades.
A figura do governador local começa a aparecer na iconografia, em funções tanto seculares quanto religiosas. Da mesma forma, os itens raros (pedra em quantidades consideráveis, ouro para acabamento de interiores) usados nas construções destes prédios imponentes vinham de longe, importados de regiões distantes. Pode-se depreender daí que deveria haver uma bem sucedida actividade comercial, bem como alto grau de capacidade técnica.
Isto, por seu turno, reflecte-se nas imagens frequentes de cereais em grão que se alternam com imagens de rebanhos, encontrados em selos cilíndricos, vasos de pedra, e no famoso Vaso de Uruk. Atribui-se a grupos rivais de famílias que competiam pelo poder a construção de todas estas obras, sendo os templos elaborados e os objectos delicados uma forma de atingir o prestígio, controle e admiração de todos.
3. AS PRIMEIRAS CIDADES (2900-2340 ANTES DA NOSSA ERA)
Há bem maior disponibilidade de registros disponíveis para o período que sucede o de Uruk Posterior, em geral chamado de Dinástico Anterior (DA), pré-Sargônico ou Antigo Sumério.
Há uma grande quantidade de remanescentes de construções, grandes placas esculpidas, figuras de pedra encantadoras em atitude de prece e adoração, inscrições em pedra, selos cilíndricos, cerâmica e documentos em argila. Talvez o legado existente mais fabuloso desta época são as Tumbas Mortuárias de Ur, que datam do período Dinástico Anterior III (cerca de 2600-2340 Antes da Nossa Era), onde os tesouros descobertos compreendiam uma série de objectos cuidadosamente elaborados em ouro, lápis-lazuli, prata e outros materiais preciosos.
O material escrito não está distribuído de forma uniforme através de todo este período, portanto estão disponíveis em tábuas de argila de tamanho e localizações variadas.
Os maiores arquivos estão em Ur para o Dinástico Anterior II, (2700-2600); Shurupak (moderna Fara) e Abu Salabikh para o período Dinástico Anterior III (2600-2500), e Girsu (Tello moderna, e um dos centros de poder do estado de Lagash), cujos ricos arquivos datam do final do período.
Fora da região, os grandes artigos de Ebla, que datam de 2450-2350
Antes da Nossa Era, fornecem informações preciosas sobre esta cidade, que pode ser considerada um dos berços da civilização, ao Sul do Iraque.
Dois tipos diferentes de material textual tem tido sua utilidade para cobrir o período: a Lista dos Reis Sumérios e os épicos e mitos que se situam "antes do Dilúvio" em termos de linha do tempo. Vejamos agora estes dois tipos de material:
A HISTÓRIA DO DILÚVIO
O tema do dilúvio, uma catástrofe de monta, é bastante comum em toda antiguidade.
Todos os tipos de versões de tal cataclismo eram passados de geração a geração e de país para país. Há versões sumérias, acádias, ugaríticas, hititas, etc.
Quando os primeiros textos sobre o dilúvio foram descobertos em 1872 por George Smith, tal fato fez as manchetes de jornais da época, tendo em vista as semelhanças com a narrativa da Bíblia. Basicamente, todas as planícies aluviais e deltas de rios no mundo sofreram grandes enchentes. Uma série delas no século XV da nossa era, chamadas de As Enchentes de Santa Elizabeth, deram forma à parte de Holanda no delta do Reno.

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Ainda hoje, muitas pessoas estão em constante perigo de terem suas casas destruídas pelas águas, e portanto também na Mesopotâmia o impacto das águas devia ser muito forte nas pessoas. Não há dúvidas que enchentes causaram impacto na Mesopotâmia, e algumas delas ocorreram a cerca de 2900 Antes da Nossa Era.As várias versões e fragmentos encontrados apontam para várias diferentes tradições sobre o dilúvio.
O herói sumério do Dilúvio (o primeiro Noé) chama-se Ubar-Tutu em certos textos, Ziusudra.
Em outro texto, ele é chamado Atrahasis.
Todos estes são nomes que atestam uma qualidade: Ziusudra quer dizer Vida de Longos Dias, Utnapshtin - aquele que encontrou a vida eterna, e Atrahasis (extremamente sábio).
O épico de Atrahasis é muito famoso e em seu formato de Antigo Babilónico é datado de 1635 Antes da Nossa Era.
4. PERÍODO DE JEMDET NASR OU URUK 4
Ao seguirmos na direcção do final da fase de Uruk, aparecem os primeiros documentos escritos, usando pictogramas, representando algum sistema de contabilidade.
O cuneiforme que pode ser lido como sumério se desenvolveu destes primeiros pictogramas durante o período subsequente, também chamado de Jemdet Nasr. Ao mesmo tempo, aparecem grandes complexos cerimoniais, como os santuários de Eanna in Uruk.
Estes complexos eram construídos sobre largas plataformas, com design elaborado e muitos construídos sobre pedra. As paredes destes prédios tem niches, e os prédios são monumentais, com colunas de 2m diâmetro, ligadas ou não ao teto. A evidência para construções de tal porte aponta para um sistema político avançado: a figura dominante em figuras provavelmente é a do líder desta sociedade, provavelmente o legislador/administrador.
Esta pessoa também aparece praticando rituais religiosos, o que sugere que actividades tanto de carácter religioso como secular estavam sob sua responsabilidade.
O fato de que material ausente na Mesopotâmia, como pedras, estavam presentes na construção destes prédios indica habilidade de mobilizar força de trabalho de forma bem sucedida e a existência de uma base agrícola saudável.
A revolução urbana, a construção das primeiras cidades, começou a Ter lugar a cerca de 3100-2900 ANTES DA NOSSA ERA na transição da pré-história para história.
A mudança no padrão de assentamentos humanos, de isolados para comunidades, continuou.
O clima quente ao final do quarto milénio permitia que as grandes planícies fossem habitadas no extremo sul da Mesopotâmia, a área que mais tarde será chamada de Suméria.
A escassez de chuvas estimulou o desenvolvimento de trabalhos de irrigação.
A produção do bronze, uma liga de cobre e outros metais, principalmente o latão, permitiu a manufactura ade armas novas, e fortificações foram também construídas ao redor dos vilarejos.
Ou seja, em cerca de 2.900 Antes da Nossa Era, as técnicas de irrigação, agricultura e a exploração alimentos suplementares (tâmaras, peixe, caça) tinha sido bem sucedida, sendo gerida por grupos de poder emergente numa série de cidades.
Isto resultou num desenvolvimento articulado, onde o administrador de cada cidade poderia assegurar uma grande produção de alimentos para a população.
Este notável desenvolvimento resultou numa estrutura social bem articulada, com o administrador de cada cidade também controlando a maior parte dos recursos, como a terra, a produção de bens especializados, exóticos e materiais preciosos obtidos através do comércio.
O administrador das cidades também tinha importante presença religiosa e ideológica, tomando parte em actividades seculares e religiosas da comunidade.
Muitos fautores importantes destas sociedades continuam ainda obscuros, mas eles nos levam ao período seguinte, o Período Sumério Anterior.
• 5. PERÍODO SUMÉRIO ANTERIOR
O desabrochar e o desenvolvimento das cidades-estado é chamado de Período Dinástico Anterior (2900-2400 ANTES DA NOSSA ERA), Período Sumério Anterior ou Sumério Antigo.
Este se divide em três estágios, nos quais houve o domínio de diferentes cidades.
O Período Sumério Anterior é caracterizado por forte rivalidade entre as cidades-
estado e uma divisão crescente entre estado e religião.
Construções monumentais que seriam chamadas de palácios ao invés de templos aparecem pela primeira vez. Apesar da rivalidade, há muitas semelhanças na arquitectura, materiais de construção, temas e ornamentos de cidades diferentes.

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As pessoas também tinham a mesma religião e falavam a mesma língua. Portanto, em geral pode-se falar de uma arte e cultura suméria. Antigo Sumério é o idioma desta época.
Uma grande parte de textos em Antigo Sumério e a maior parte do conhecimento que temos desta língua originou-se de textos encontrados no século XIX em Nippur, uma cidade sacra, a capital religiosa da Suméria, cujo patrono é o poderoso Enlil, o deus do ar, e um dos mais importantes no panteon mesopotâmico. Mais de 30.000 tábuas de argila inscritas lá encontradas estão em vários museus, como o de Istambul, Jena e Filadélfia.
Estas tábuas incluem versões de obras literárias como o Épico de Gilgamesh, o mito da criação, bem como textos administrativos, legais, médicos e registros de transacções de negócios, bem como textos escolares.
5.1. KISH E O PERÍODO DINÁSTICO ANTERIOR - A IDADE DO OURO (2900 A 2700 ANTES DA NOSSA ERA)
Kish, cidade ao norte da Babilónia, próxima à moderna Tel el-ehêmir, é a primeira cidade pós-diluviana mencionada nas Listas de Reis Sumérios.
Depois do Grande Dilúvio, "o reino desceu novamente dos céus".
Os primeiros reis tinham nomes semitas. Nesta época, os quatro quadrantes do mundo vivem em harmonia.Escavações arqueológicas provam que Kish foi uma cidade importante, tendo sido o centro da primeira dinastia suméria, chamada de Período Dinástico Anterior I.
Havia especialização no trabalho e alta qualidade artesanal, ambas resultado de uma tradição mais antiga. Adagas douradas trabalhadas foram encontradas em túmulos.
Foi em Kish que foi encontrado o primeiro palácio monumental que não era também um templo. O rei parece estar no poder, ao invés do alto sacerdote en.
O título de Rei de Kish: A importância de Kish também é atestada pelo título Rei de Kish.
Este título era usado por reis mesmo muitos séculos depois para mostrar prestígio, pois o significado de tal epíteto poderia ser "Rei de Todo Mundo".
O título era usado mesmo quando outro rei era na realidade o rei da cidade, e também muito depois de Kish Ter cessado de ser a pedra fundamental da monarquia.
É possível que o título significava mais do que prestígio. Kish está situada ao Norte das planícies da Mesopotâmia Sul, num ponto estratégico do Eufrates.
É possível que a localização de Kish fosse fundamental para o controle de todo sistema de canais de irrigação, pois um problema na área, bloquearia o fluxo das águas na direcção sudoeste. O controle do rio Eufrates nas proximidades de Kit portanto era de grande importância para os governantes do sul da Mesopotâmia.
O título de Rei de Kit pode ser um indicativo de que o rei possuía este poder.
5.2. URUK - PERÍODO DINÁSTICO ANTERIOR II - IDADE HERÓICA (2700-2500 ANTES DA NOSSA ERA)
Uruk bíblica Erech, situada perto da moderna Warka.
O período sob a liderança de Uruk é chamado de Idade Heróica.
As dinastias ficaram conhecidas a partir de épicos escritos tempos depois. Uruk é a cidade da deusa Inana e de Anu, o deus supremo do firmamento.
Os reis de Uruk são chamados de Senhor. Uma reconstrução da história a partir da mitologia mostra que este período foi uma democracia primitiva.
As decisões mais eram tomadas após consulta a um conselho de anciões.
Enmerkar, rei de Uruk e Kullab, tendo o epíteto de "aquele que constuiu Uruk" e personagem de dois épicos. Não existem inscrições ou placas para atestar sua existência.
Os textos referem-se aos contratos comerciais e militares com a cidade de Arata, ainda não localizada, mas provavelmente no Irã, onde Inana/Ishtar e Dumuzi também eram adorados.
Estes épicos mostram que havia contratos comerciais, ex; pedras preciosas, como lápis lazuli. Enmerkar foi o primeiro, de acordo com o mito, a escrever em tábuas de argila.
Lugalbanda foi o terceiro rei da primeira dinastia de Uruk, também sendo personagem de poemas e mitos sumérios, como o épico de Lugalbanda (em duas partes, com 900 linhas)
Gilgamesh é o neto de Enmerkar.
Sua fama espalhou-se por uma grande área devido ao Épico de Gilgamesh.
Uma versão assíria foi encontrada na Biblioteca de Assurbanipal (cerca de 650 Antes da Nossa Era), e provavelmente data de 1700 Antes da Nossa Era.


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Fragmentos sumérios menores com apenas umas centenas de linhas são datados de cerca de 2000 Antes da Nossa Era. A medida do tempo e localização geográfica indicam a grande predilecção por esta obra-prima mesopotâmica.
Gilgamesh foi responsável pela construção das muralhas de Uruk. Parece realmente que a arqueologia prova que estas muralhas foram expandidas a cerca de 2700 Antes da Nossa Era.
5.3 UR e LAGASH – PERÍODO DINÁSTICO ANTERIOR III (2500-2350 ANE
O Período Dinástico Anterior-III está fora da protohistória, sendo geralmente considerado parte da história. Muitas fontes e arquivos desta época são conhecidos.
A maioria destes textos têm carácter económico/administrativo.
Ur: Oficialmente, de acordo com a Lista de Reis Sumérios, Ur tem a hegemonia desta era, conhecida como Terceira Dinastia de Ur. Na prática, hegemonia era um termo muito amplo, pois Ur era um porto no Golfo Pérsico. Lagash e Girsu são cidades no extremo Sul da Mesopotâmia.
Muitos textos em Sumério Antigo foram encontrados lá, a maior parte deles impressos em materiais duros como cobre e ouro, ex. as Inscrições Reais de Lagash e textos sobre o incessante conflito de fronteiras entre Lagash e a cidade vizinha de Uma.Os conflitos em geral envolviam direitos de irrigação e água, e eram algumas vezes resolvidos com a mediação do rei de Kish. O padroeiro da cidade de Lagash é Ningursu, mais tarde associado com Ninurta, um deus guerreiro e fundamental para a eliminação de demônios. Alguns dos reis de Lagash são:
Eannatum: (E-ana-tum) o primeiro a se entitular Rei de Kish, aquele que governa os países.
Ele se gabava que seu território se estendia de Kish no Norte a Mari, no Oeste, Uruk no Sul e Elam no Leste, mas não está claro o que significa o governo destas cidades.
Ele teve um longo reinado, mas após sua morte, seu território foi reduzido ao tamanho original.
Famosa é sua vitória mostrada na Estela de Eannatum, mostrando um dos primeiros registros do poder militar e político possuído pelo rei.
O texto, do qual 1/3 está preservado, anuncia as novas fronteiras e a vitória de Eannatum de Lagash sobre o governante de Uma. Fala de pontos altos da campanha, do aprisionamento de inimigos, o enterro dos mortos e os corvos que escaparam com os ossos dos mortos.
Esta figura pode ser a impressão de um artista a respeito de uma batalha histórica, e também uma expressão da intenção de tal batalha.
Urukagina, o último dos reis piedosos da dinastia de Lagash, introduziu muitas reformas sociais e editou pareceres sobre o problema da escravatura sofrida por aqueles que incorriam em dívidas.
Altas taxas de juro sobre o capital (em geral 33.3%) tinham de ser pagas pela escravização de uma criança até que os débitos fossem pagos. Ele acaba com este tipo de acção por decreto.

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