domingo, 8 de novembro de 2009

CAPITULO 01 = NOSSOS ASCENTRAIS

CAPITULO 1

NOSSOS ANCENTRAIS

Nossos ancestrais abrigaram-se em cavernas por muito mais tempo do que o fizeram em casas.
Os desenhos nas paredes das cavernas na aurora dos tempos são testemunhas silenciosas de que os primeiros humanos especulavam acerca dos mais profundos recessos da Terra.
Entende-se porque a ideia de vida subterrânea persistiu tão longamente no imaginário dos homens.
À medida que a mente humana se desenvolveu e encetou infinitas especulações sobre o Universo, o subterrâneo pareceu tão atraente quanto as estrelas.
Alguns mitos povoavam os céus e os cumes mais remotos com deuses, outros falavam de um Mundo das Profundezas, num reino de divindades igualmente poderosas – embora na maioria das vezes menos benevolentes.
Quando o globo terrestre foi desvendando seus segredos a ousados exploradores, os viajantes que declaravam ter encontrado portões para Reinos Subterrâneos eram ouvidos com a mesma credibilidade dedicada àqueles que se referiam a novas terras além dos mares.
Houve relatos assombrosos sobre uma região misteriosa localizada no centro da Terra e povoada por bons gigantes ou esquimós, gnomos ou répteis pré-históricos
Mesmo hoje, que todo o planeta já foi explorado, fotografado e sondado por sofisticados instrumentos, mantém-se uma certa dose de incerteza (mesmo que romantizada).
O escuro fundo da caverna ainda não foi inteiramente iluminado.
Nas crenças antigas, os mundos ocultos sob a superfície da Terra ocupavam uma posição de destaque.
Os budistas da Ásia central referiam-se ao reino de Agartha, formado por uma labirinto de passagens subterrâneas do tamanho do mundo.
Agartha abrigava as populações de continentes extintos e era um centro de progresso intelectual e de desenvolvimento da razão.
O legendário rei assírio-babilônico Gilgamés, acreditava-se, teve uma longa conversa sobre o mundo interior com o fantasma de um companheiro morto.
Os gregos passavam o tempo especulando sobre as profundezas da Terra; um de seus mitos conta como o músico Orfeu tentou, em vão, salvar sua mulher Eurídice do deus Hades.
O poeta Homero imaginou um mundo subterrâneo aguardando explorações e o filósofo Platão escreveu que havia "túneis ao mesmo tempo amplos e estreitos no interior", e no centro um deus que se assenta sobre "o umbigo do Mundo".
Os egípcios acreditavam num reino subterrâneo infernal e os cristãos, mais tarde, tiveram seu Inferno.De acordo com algumas histórias, os incas ocultaram seus tesouros do conquistador espanhol em profundos túneis cuja localização é até hoje desconhecida.
Mesmo quando a ciência substituiu a lenda para as explicações do planeta, o mundo subterrâneo não foi esquecido.
Um dos pioneiros foi o astrónomo inglês Edmund Halley, descobridor do cometa que leva seu nome. Ele percebeu que o norte magnético nem sempre estava no mesmo lugar. Ao estudar as posições indicadas por bússolas e anotadas por ele ou por outros, em toda parte, ele identificou diversos padrões de erro.
Para explicar o fenómeno, ele imaginou a existência de mais de um campo magnético.
Considerou a hipótese de que a Terra tivesse uma casca externa, com um núcleo interno separado. Cada um desses globos teria seu próprio eixo, e eles estariam levemente inclinados um para o outro com velocidades de rotação diferentes.
Como muitos outros desbrava dores da ciência, Halley sentia que devia adaptar essa engenhosa teoria a suas crenças religiosas. O mundo interior também seria rico em vida.
Mas isso dava origem a outro problema, pois parecia evidente que a vida exige luz.
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Halley aventou a possibilidade de a própria atmosfera interior ser luminosa e a aurora boreal ser causada pelo escoamento dessa essência resplandecente através da fina crosta do planeta no Pólo Norte. Durante o século XVIII, as ideias de Halley foram modificadas, mas não refutadas.
O Matemático suíço Leonhard Euler, substituiu a ideia da atmosfera luminosa por um sol interior.
Mais tarde o matemático escocês Sir John Leslie concluiu que existiam de fato dois sóis interiores, baptizando-os com os nomes de Plutão e Proserpina.
Dezenas de lendas e relatos vindos dos quatro cantos do Mundo alimentaram a crença de um Mundo Interior.
Um dos maiores escritores dos Estados Unidos, Edgar Allan Poe foi influenciado por essas lendas. No conto "manuscrito encontrado numa garrafa" e em seu romance "As Aventuras de Arthur Gordon Pym", Poe escreve viagens trágicas que acabam com navios sendo sugados para dentro de uma abismo aquático no Pólo Sul - ideias baseadas nos escritos de Jeremiah N. Reynolds sobre a Terra oca.
Provavelmente os dois jamais de encontraram, mas ao morrer num hospital de Baltimore, em 1949, Poe chamava o nome de Reynolds.
O efeito estimulante das especulações científicas sobre os escritores de ficção era uma marca registrada do século XIX, e muitas excursões ficcionais eram apresentadas de forma tão plausível que os leitores tinham dificuldade em separar o real do imaginário.
Os voos de fantasia literária alcançaram sua máxima credibilidade - inclusive na previsão do futuro - na obra de Júlio Verne. Uma de suas primeiras incursões nesse mundo fantástico, onde fato e fantasia se confundem, foi "Viagem ao Centro da Terra".
Sua história era tão convincente, que na época cientistas e leigos se perguntavam se era verdade. A mesma pergunta foi formulada muitas vezes a respeito do romance "A Raça Invasora" de Lord Lytton em 1873.
Sua história, como a de Júlio Verne, começa com a descoberta casual de uma abertura para um mundo subterrâneo. Mas o que o narrador de Lytton encontra, é muito mais terrível do que as fantasias de Júlio Verne.
Mais ou menos ao mesmo tempo em que Lytton escreveu seu estranho livro - que seria a dotado pelos ocultistas -, um herborista americano elaborava uma teoria completa da Terra Oca.
Ela não está abaixo de nós, mas acima, afirmava Cyrus Read Teed. Não estamos sobre o globo terrestre, mas dentro dele!!!
Com o início do século XX, seria de se esperar que a ideia de uma Terra Oca ficasse cada vez mais difícil de defender. Afinal, havia exploradores vasculhando toda a superfície do mundo. Os dados que eles iam colectado, porém, não puseram fim às especulações em torno da ideia de uma Terra Oca. Surgiram mesmo dois novos defensores da teoria: William Reed e Marshall B. Gardner, que apresentavam argumentos de peso.
Ambos foram estimulados por certas descobertas anomalias feitas por exploradores polares.
Uma delas era que, de acordo com diversos relatos, a água e o ar iam se aquecendo com a proximidade do Pólo Norte. Frijo Nanei, o explorador e estadista norueguês, relatou que no âmago do Círculo Polar chegava a ser difícil dormir devido ao calor.
Observou que aparentemente e temperatura se elevava com ventos vindos do norte, enquanto os que vinham do sul faziam-na baixar. Outros viajantes referiam-se a correntes quentes desse tipo e descreveram uma abundante vida silvestre – aves, mamíferos e nuvens de mosquitos – encontrada em alta latitudes. Muitos desses animais pareciam estar migrando para o norte, não para o sul, e foram vistos voltando de temporadas em regiões supostamente desoladas com aspecto lustroso e bem alimentados.
Alguns viajantes disseram ter visto neve multicor: vermelha, verde, amarela e preta.
Um mistério ainda mais notável criara-se em 1846 com a descoberta de um mamute peludo, extinto há muito tempo, congelado na Sibéria.
O animal estava tão bem conservado no frio árctico que seu estômago ainda continha sinais identificáveis de sua última refeição.
Os cientistas tentaram deduzir como o enorme animal poderia ter se congelado tão depressa, a ponto de interromper seus processos digestivos, que normalmente continuaria depois da morte.
Para Marshall Gardner os mamutes não estavam extintos em absoluto e que viviam no interior quente da Terra. Em seu livro "O Fantasma dos Pólos", William Reed apresentou uma explicação para a neve colorida mencionada pelos viajantes.
O vermelho, o verde e o amarelo devem ser pólen, disse; o preto deve ser fuligem dos vulcões.

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E tudo deve ter vindo do interior da Terra, a mais próxima fonte possível. Explicar o aquecimento polar já era mais difícil, mas Gardner e Reed atribuíram o fato a aberturas para o mundo interior.
Reed afirmou que a crosta terrestre teria 1300 quilómetros de espessura, com a gravidade agindo em sentido à parte mais profunda da "casca".
Em outras palavras, a mesma gravidade que atraia os objectos no exterior da esfera, dentro dela impelia os objectos do centro pra fora. Assim, os viajantes podiam navegar sobre a borda das aberturas polares sem se darem conta de que haviam trocado de um mundo pelo outro.
Gardner acreditava que havia um sol central, com um diâmetro provável de mil quilómetros, remanescentes da nebulosa giratória que dera origem à Terra.
Esta era a explicação para a aurora boreal no Pólo Norte e da aurora austral no Pólo Sul.
Nesse aspecto, Gardner divergia de Reed, que afirmava que a luz do mundo interior fornecida pelo sol exterior que iluminava os Pólos.
Quando às auroras, Reed oferecia uma explicação engenhosa.
As luzes do norte, dizia, são as imagens de incêndios ou vulcões internos.
Reed estava ansioso para que a Terra interior, com seus "vastos continentes, oceanos, montanhas e rios, vida vegetal e animal", começasse a ser utilizada.
De seu lado, Gardner achava que pelo menos parte do interior estaria ocupado por esquimós, que deviam ser originários de lá.
Corroborava essa afirmação com os mitos esquimós acerca de uma pátria cálida ao norte do Árctico. Para Gardner, os esquimós deviam ter migrado para a região gelada onde vivem actualmente porque era mais fácil caçar baleias e focas ali do que no mar aberto.
Enquanto Reed e Gardner contentavam-se com a teoria sobre o mundo interior, Olaf Jansen simplesmente afirmava ter estado lá. Jansen era um navegador norueguês.
Pouco antes de morrer, contou ao escritor Willis George Emerson, um de seus raros amigos, uma história incrível, que Emerson publicou em 1908 sob o título de "O Deus Brumoso, ou Viagem ao Mundo Interior". Jansen esperara para revelar a verdade, explicou, porque quando tentara contar a história pela primeira vez fora internado num hospício durante 28 anos.
Antes que exames aéreos detalhados pudessem reunir mais informações sobre as regiões polares, houve uma espécie de era obscurantista, em que a guerra e a tirania interromperam as explorações e o progresso científico.
Em 1933, Adolf Hitler proclamou-se líder de um Reich Milenar, civilização de super-homens que governaria o Mundo.
Peter Bender, aviador alemão gravemente ferido na Primeira Guerra Mundial, atraiu a simpatia popular na Alemanha da década de 30 com suas especulações sobre o Mundo Interior.
Parece que os principais líderes nazistas, inclusive Hitler, viam com seriedade o conceito de mundo côncavo.
Em Abril de 1942, em plena Guerra, o doutor Heinz Fisher, especialista em radiação infravermelha, supostamente conduziu uma equipe de cientistas numa expedição secreta à ilha báltica de Rügen.
Lá, apontaram para o céu, num ângulo de 45 graus, uma câmara de grande potência, carregada com filme infravermelho, e deixaram-na nessa posição durante diversos dias.
O objectivo, que não foi bem sucedido, era fotografar a frota britânica através do interior oco da Terra côncava.
Outras teorias sobre mundos interiores foram ganhando força entre nazistas ferrenhos.
Houve uma "Sociedade Viril", também conhecida como "Loja Luminosa" que acreditavam que o livro de Lord Lytton era verdadeiro e que era uma antevisão do futuro: "uma raça de super-homens vindas do Interior governaria a Terra".
A Loja Luminosa queria entrar em contanto com tal raça de seres "internos" para juntos conquistarem o mundo.
Impulsos semelhantes moveram outras organizações.
A "Sociedade Thule da Bavária", anti-semita, que incluía entre seus membros o filósofo nazista Alfred Rauschning e o representante do führer Rudolf Hess, acreditava que eram descendentes directos de Atlântida que viveram nos Himalaias – os lendários chefes secretos do Tibete.
Dizem que Hitler enviou várias expedições até o Himalaias e Mongólia para tentar descobrir indícios dessa civilização subterrânea.
Ainda em busca desse conhecimento, parece que algumas unidades especiais do exército alemão vasculharam várias minas e cavernas na Europa ocupada em busca de alguma passagem. Além disso, há uma insistente lenda de que nazistas proeminentes refugiaram-se nas entranhas da Terra quando a Alemanha se desfez em ruínas.
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Nessa época, as explorações aéreas dos pólos iam bem avançadas.
Em 1926, o americano Richard E. Byrd, tornara-se o primeiro sobrevoar o Pólo Norte; três anos depois, realizou o primeiro voo sobre o Pólo Sul.
Mas segundo seus relatos, "nada de estranho havia lá em baixo".
As descobertas de Byrd pouco contribuíram para acabar com as especulações acerca da Terra Oca. Em 1952, um escritor chamado F. Amadeo Giannini, insistia, num livro intitulado "Mundo Além dos Pólos". Diziam que Byrd na realidade voara para dentro da Terra Interior - 2700 quilómetros além do Pólo Norte e 3700 quilómetros além do Pólo Sul.
Outros acreditavam numa conspiração dos governos para manterem em segredo a descoberta.
O editor de uma revista "Amazing Stories" Ray Palmer e o escritor Raymond Bernard estavam certos de tais conspirações.
Afirmavam haver descoberto mensagens transmitidas pelos rádios de aviões que falavam de terras e lagos sem gelo, montanhas cobertas de árvores e mesmo um animal monstruoso.
Ray Palmer, aproveitando a polémica sobre o Mundo Interior, publicou em sua revista uma série de histórias e relatos de pessoas que haviam conhecido e visto o secreto mundo além dos Pólos. Sua revista, já bastante popular na época, foi invadida por cartas de milhares de leitores oferecendo suas "experiência" para serem publicadas na revista.
Outros, além de Palmer e Bernard, achavam que nem tudo fora revelado no caso Byrd.
Vários políticos americanos de oposição alimentaram a crença de que os "OVNIS" - também em moda - haviam feito bases no Mundo Interior com ajuda dos Comunista.
Houve provas mais conclusivas contra a existência do Mundo Interior a partir de 1959, quando o submarino nuclear norte-americano "Skate", depois de navegar por baixo da Calota polar, emergiu exactamente na superfície do Pólo Norte.
Sua tripulação calculou a velocidade de rotação terrestre através da navegação inércia e assim confirmou a chegada ao Pólo, onde a rotação se concentrava num único ponto.
Palmer não soube o que dizer sobre a expedição "Skate", mas retomou a disputa triunfante em 1970. "O Buraco!! (...)
Agora Temos Uma Foto!", anunciava na Revista "Flying Saucers", que vinha publicando desde 1957. De fato, tinha uma fotografia.
Era uma de uma cerca de 40 mil fotografias da Terra feitas por um satélite, onde se via uma espécie de mancha negra em forma de círculo ao redor do Pólo Norte.
"Quantas fotografias mais será preciso para provar um fato?", perguntava Palmer, argumentando que a suposta abertura estava escondida por nuvens em toda as outras fotografias de satélite.
Para azar de Palmer, descobriu-se que a fotografia não era o que parecia ser.
Na realidade, não era uma foto convencional, mas um mosaico de imagens televisivas transmitidas por um satélite orbital.
As imagens, tomadas durante um período de 24 horas de vários pontos ao longo da órbita do satélite, foram processadas por um computador e reunidas para formar uma vista conjunta da Terra como se esta fosse observada de um único ponto, directamente acima do Pólo Norte.
No período, as regiões próximas ao pólo estavam toldadas pela escuridão ininterrupta do Inverno árctico. Por isso, o centro da imagem era formado por uma área não-iluminada
Mesmo com isso tudo, a tese de que há um outro mundo dentro do globo terrestre ainda tem seus defensores. Com efeito, os cientistas continuam encontrando o inesperado.
As sondagens das profundezas do planeta, realizadas com instrumentos que analisam os abalos produzidos por terramotos e explosões provocadas pelo homem, ainda apresentam surpresas consideradas.
E até os cientistas admitem que ainda tem muito que descobrir sobre as profundezas da Terra
"O fundo da caverna ainda é escuro e o homem ainda sente necessidade de saber com certeza o que há nele". Por trás disso está a compulsão de imaginar mundos melhores, onde problemas insolúveis do homem foram resolvidos.
Existe um desejo humano quase instintivo, de perseguir todo indício, mesmo frágil, que possa levar a um lugar iluminado ou secreto, seja ele Agartha, sob a superfície da Terra, Atlântida, sob a superfície do Mar ou até fora do nosso pequeno Planeta.
Não basta provar que tais lugares ou coisas não existem. Isso não é importante.
Enquanto houver homens para pensá-los, os mistérios sobreviverão.
A CRIAÇÃO DE DEUS
Desejo, necessidade, carência, emoções, sentimento, prazer e dor.
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Essas são as forças que comandam o ser humano.
Elas originaram todas as criações humanas.
Não importa os quão importantes ou insignificantes tenham sido essas realizações.
Que necessidades e sentimentos deram origem às religiões?
Várias emoções deram origem às crenças religiosas.
Sem dúvida, o medo foi a emoção que mais provocou esses sentimentos no homem primitivo.
Medo da fome,
De animais,
De doenças,
Da morte
E mais uma infinidade.
Como o conceito de causa e efeito era mal desenvolvido nesses seres primitivos, eles atribuíam causas sobrenaturais a todos os fenómenos naturais. Como o ser humano era capaz de manipular a matéria e criar artefactos, ele calculou que o mundo era uma espécie de artefacto criado por um outro ser ou seres maiores que ele, mas análogo a si próprio.
E atribuiu as desgraças e felicidades que lhes aconteciam a esses seres.
Assim, explicavam os acontecimentos recorrendo a causas sobrenaturais.
Tudo era explicado através de lendas e mitos. Pois tudo era causado por deuses ou demónios.
Não existiam causas naturais em suas concepções.
Se tinham um ferimento ou uma moléstia qualquer, não procuravam uma causa natural para os mesmos, já sabiam as causas.
Os deuses ou demónios tinham sido contrariados de algum modo.
A única maneira de acabar com o sofrimento era através de súplicas a esses seres sobrenaturais. Às vezes, esses deuses ou demónios exigiam sacrifícios.
E os primitivos não hesitavam em obedecer.
O conceito de deuses e demónios evoluiu com o tempo, mas, no entanto, a ideia central foi passada de geração em geração. Tanto que ninguém nunca questionou ou questiona até hoje essas ideias. Ideias desenvolvidas pelo homem primitivo.
Geradas principalmente pelo medo.
Logo alguns perceberam que esses deuses e demónios podiam ser usados de modo lucrativo.
Através deles o povo podia ser levado à obediência. Mães e pais começaram a propagar esse tipo de crença e a gerar demónios aos montes, afinal, é mais fácil controlar uma criança pelo medo do que pela razão. Tanto que, até hoje, existem mais demónios que deuses.
A criança ficava mais fácil de ser manipulada se tivesse medo do bicho papão e de todos os tipos de monstros que pudessem imaginar.
Cedo surgiu uma classe de pessoas que se diziam mediadoras entre demónios e deuses e o povo. Diziam que tinham poderes especiais para aplacar a ira desses seres terríveis.
Deu-se início aos rituais.
Assim surgiu provavelmente a mágica, pois o povo precisa de um espectáculo para acreditar que alguém tem poderes especiais.
E o que era uma simples mágica se tornava milagres incríveis para o cidadão comum, e dado o desejo de impressionar que motiva a maioria dos humanos, esses truques se tornavam milagres cada vez maiores de geração em geração. Nunca subestime o poder de exagerar do ser humano.
Lógico que toda tribo, todo povo, tinha um líder ou líderes.
E esses líderes logo perceberam que o poder que os mediadores entre o natural e o sobrenatural tinham sobre o povo podia lhes ser muito útil. Os líderes tinham o poder da força.
Podiam obrigar o povo a fazer o que quisessem.
No entanto, nenhum líder quer um cidadão rebelde.
Quanto mais mansos, melhores.
Ao menos, mansos em relação ao líder.
Seria muito mais fácil para eles que os cidadãos aceitassem obedecer de livre e espontânea vontade, e se possíveis ainda deveriam ficar felizes em fazer a vontade do líder.
Daí surgiu um outro uso para a religião.
Quando um líder administrava mal sua tribo, logo achava um demónio ou deus que “estava” atrapalhando seus planos. E pedia aos sacerdotes que aplacassem a ira do mesmo.
Afinal, eles não podiam admitir que eram incompetentes.
Tudo deveria ser causado por deuses ou demónios. Não existiam causas naturais.

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O povo também às vezes se rebelava por achar que o líder tinha atraído a ira de um deus ou demónio. Convinha ao líder respeitar os mediadores, pois os mesmos podiam levar o povo a crer que o único modo de melhorar as circunstâncias era eliminando o líder que tinha atraído a ira dos deuses ou demónios.
Daí surgir o respeito dos líderes às autoridades eclesiásticas.
O líder tinha a força como poder, mas os mediadores tinham deuses e demónios como ferramentas. E que forças terríveis elas são
. E assim o poder secular e o poder eclesiástico começaram o seu reino.
E religião e política sempre andaram ligadas desde então. Um casamento duradouro.
Outros fautores contribuíram para o advento da religião, é claro.
Nos baseamos nas qualidades de nossos pais e líderes para explicarmos as qualidades e defeitos de Deus. Todos os atributos, bons e ruins, vieram desse tipo de comparação.
Queremos o apoio e o carinho de nossos pais, e é claro, queremos o mesmo de Deus.
Agradamos nossos pais e líderes, e sendo Deus uma super autoridade, queremos agrada-lo mais ainda. Tememos nossos pais e líderes e o mesmo acontece com Deus.
Esse Deus social pune e recompensa.
Apoia e auxilia. Nos conforta em tempos difíceis.
Nos protege quando estamos em perigo.
Esse Deus tanto pode ser pessoal, como tribal ou pode incluir até mesmo toda a raça humana.
Mas ele veio de uma comparação com as autoridades em nossa vida.
Daí muitas religiões pregarem que a rebeldia contra uma autoridade qualquer seja uma rebeldia contra Deus. Desobedecer ao pai seria semelhante a desobedecer a Deus.
Desobedecer ao rei é desobediência à Divindade.
O medo da morte é uma outra grande motivação para as religiões.
Todos morrem.
Nossos pais morrem.
Nossos filhos morrem.
A morte está em toda parte.
Para que você viva, algo tem que morrer.
A morte é o preço da vida. Afinal, ninguém pode viver comendo pedras.
Só seres vivos podem nos dar a energia para continuarmos vivendo.
Problema é que ninguém quer morrer.
Todos se agarram à vida.
É um instinto natural em todos os animais.
Mesmo quando a vida é insuportável, os seres se agarram a ela.
Seres humanos não poderiam escapar a esse apego ferrenho.
Todos tentam preserva-la a todo custo.
Como os seres humanos são provavelmente os únicos animais a saberem que vão morrer, como essa ideia nunca os abandona, como esse medo é mórbido, a criação de um Deus não poderia ficar de fora.
Um único Deus não poderia explicar todos os fenómenos, daí todas as religiões terem demónios para explicar as coisas ruins, e daí também a ideia de um Grande Diabo.
O chefão de todos os demónios. Pelo que eu saiba, nenhuma religião conseguiu escapar da criação desse ser. De algum modo, ele sempre existe.
Com o passar dos tempos, os seres humanos não se contentaram mais em simplesmente ter uma vida boa. Precisavam de algo mais.
E também não suportavam a vida que levavam, pois a mesma sempre foi cheia de problemas.
Tinham que defender seu conceito de Deus diante de tantas desventuras, daí o Diabo.
Mas achavam que tinha que haver um plano de existência em que o Diabo não participasse, um plano perfeito, pois ninguém conseguia acreditar que essa nossa vida imperfeita fosse a única.
O ser humano começou a imaginar como seria uma vida sem a necessidade da morte.
A morte, a grande destruidora.
A morte, que torna todos os esforços inúteis.
A morte, que sempre interrompe os planos dos mais prudentes.
A omnipresente morte.
O ser humano tem uma imaginação estupenda.
Quando concebe algo, tem o poder de criar as formas mais incríveis de realidade.

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E como a vaidade nos leva a nos agarrarmos a nossas ideias, e dado o fato de a ciência não existir num passado muito remoto, chegamos a acreditar veementemente em nossas ideias e imaginações. Não importando o quão sublimes ou ridículas elas fossem.
Do fato de não nos conformarmos com a morte, de desejarmos viver, não importando em que condições, surgiram todas as ideias sobre vida depois da morte.
Afinal, como justificar um Deus todo bondade, se não inventarmos uma realidade em que o mal não existe?
E para que Deus seja bondoso, como queremos que seja, precisamos inventar um céu.
O céu é aquilo que o mundo deveria ser segundo expectativas humanas.
As escrituras judaicas exemplificam bem tanto a religião do medo como a religião da moral, pois contêm ambos os fautores em seus dogmas.
Deus está sempre ali tanto para punir como para recompensar, e é um moralista em todas as áreas da existência humana.
Todas as religiões tratam da moral e da ética e dos bons costumes.
Mas, muitas vezes, o fato de fixarem pensamentos em forma escrita dificulta a evolução moral.
Muitos acham que o que está escrito foi escrito por Deus e, portanto, é imutável.
Mas o que deu origem à moral foi um fato passado que muitas vezes não existe mais.
A religião moral é superior à do medo. No entanto, quase nenhuma religião contém somente um elemento, mas elementos tanto de medo como de moral.
Geralmente os elementos mais avançados da sociedade seguem mais a religião da moral, e os mais atrasados a do medo. Deus sempre é antropomórfico.
Deus é sempre um homem gigantesco na maioria das religiões.
Com todas as qualidades e defeitos do homem.
Defeitos e qualidades ampliadas a proporções gigantescas, é claro. Isso acontece porque o homem não consegue conceber algo além daquilo que é. Ou daquilo que seus sentidos mostram. Outros acreditam que Deus é algo inconcebível.
Daí termos que acreditar pela fé ou não acreditar, pois não temos como provar a existência de tal ser. Ele está além de nossos sentidos, além do natural. Ou seja, ele é sobrenatural.
Mas é impossível ao homem falar de algo que não conhece pelos sentidos.
Daí usarem um palavreado incompreensível aos não iniciados.
Poucos indivíduos passam desse nível de Deus antropomórfico.
Só as camadas mais avançadas da população chegam a conceber um Deus como uma força, algo totalmente diverso do ser humano. Algo transcendente.
As religiões do Oriente chegaram a transferir esse pensamento para muitos dos membros da população.
Mesmo assim, o povo, na sua maioria, não consegue conceber Deus como uma força.
As religiões do Oriente não conseguiram passar esse pensamento nem para as camadas mais avançadas, muitos tem esse pensamento, mas a maioria ainda ora para um Deus pessoal.
Parecido com ele mesmo, e a ideia de que o homem é a imagem de Deus ainda torna esse pensamento mais difícil de mudar. Existe uma outra forma de conceber Deus.
Podemos concebe-lo como o Cosmo.
O Universo.
Tudo que existe.
Essa forma se chama Panteísmo.
Que é uma forma de adorar o Universo chamando-o de Deus
Essa forma de adoração esta presente em todos os níveis.
Muitas tribos primitivas adoram a natureza e a chama de Deus, e muitas pessoas avançadas são atéias, mas veneram tanto o Universo que o mesmo se torna Deus.
Alguns indivíduos adoram a ordem que permeia o Universo como a um Deus. Sentem um sentimento de encanto ante a imensidão do cosmo, a ordem e as leis que o regulamentam.
Sentem grande prazer em descobrir tudo sobre esse cosmo.
Esses são, em geral, cientistas que se contentam em deixar seus desejos mundanos (ligados ao mundo) de lado, e se concentram em descobrir os mistérios que os permeiam.
Esse mistério e seu desvendamento se tornam uma religião para eles.
Einstein é um exemplo desse tipo de pensamento, assim como Espinosa
.Eles procuram experimentar o Universo como um todo harmónico E para isso, têm que se desconciliar dos pensamentos voltados para si próprios, dos desejos e problemas individuais –

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E se concentram no cosmo e seus mistérios como missão de vida, e não em dinheiro e problemas pessoais. É claro que esse tipo de religião nunca agradou a maioria.
Essa maioria está mais interessada nos problemas do dia-a-dia e precisam de um Deus mais mundano que possa lhes ajudar a superá-los.
Precisam de um Deus pessoal que lhes entenda e lhes ajude nas horas mais difíceis.
E o Universo ou cosmo é indiferente às suas criaturas. O Universo não é nem bom nem ruim.
Ele simplesmente é neutro. Não se preocupa com as criaturas que nascem dele.
O ser humano quer ser visto, de algum modo, quer se sentir importante, importante para alguém, sua vaidade não vai deixar essa ideia morrer facilmente.
Dessa forma percebemos qual é a grande diferença entre religião e ciência.
A ciência se baseia nas leis da Causa e Efeito e, portanto, não pode conceber que exista um ser mudando as leis segundo caprichos de sua vontade. Para a ciência, tudo tem uma explicação natural, não sobrenatural. As causas de todos os males ou bens do ser humano são naturais e não sobrenaturais. Um cientista não acredita nem na religião do medo e nem na da moralidade.
Moralidade concerne somente aos seres humanos e não ao Cosmo.
Um Deus que pune e recompensa é inconcebível para ele.
Todas as ideias dos homens vêm de fora de algum modo.
Da sociedade que o cerca, dos livros que lê, das influencias da sua vida.
Além de influencias de sua própria natureza.
Pois cada um tem um modo de ser que é determinado pelos seus próprios genes.
Alguns nascem calmos, outros agitados.
Uns com propensão à violência, outros não.
Uns são tigres, outros coelhos assustados.
Uns têm corpos altos e fortes, outros são baixos e fracos. E assim por diante.
Como pode Deus castigar ou punir alguém quando pelo menos 90% da personalidade de uma pessoa são determinados por causas acima de seu controle?
Além do mais, existem várias religiões na Terra.
Cada uma com regras específicas para se entrar no céu.
Sendo assim, como pode uma pessoa ser salva simplesmente por ter tido a sorte de nascer no local adequado?
Sabemos muito bem que 90% das pessoas adoptam a religião de seu local de origem ou uma variante da mesma. E mesmo quando mudam de religião radicalmente nunca conseguem deixar por completo as crenças adquiridas na infância.
Mudam de religião, mas seu comportamento contínua compatível com as crenças anteriores.
Cercado como está de influências tanto internas como externas acima de seu controle, que critério usaria Deus para julgar o homem?
O comportamento ético de um ser humano deve se basear em suas necessidades sociais e individuais, a religião não precisa entrar nessas questões.
O melhor guia para o comportamento social é a razão.
Tudo gera consequências. Toda causa gera um efeito.
Regras fixas de comportamento não são compatíveis com o ser humano, pois fatos sociais mudam o tempo todo. O exemplo do sexo que dei acima é um deles.
Quando a religião tenta engessar um tipo de comportamento, está indo contra o próprio progresso humano, pois tenta fixar aquilo o que não deve ser fixado.
O ambiente muda o comportamento. E um comportamento mal adaptado leva ao sofrimento.
Todo organismo deve fazer tudo para sobreviver da melhor maneira possível, e a maneira pela qual um ser humano sobrevive é usando sua mente para seu benefício e para o benefício da sociedade como um todo. Se cuidar de progredir, acabará ajudando a todos.
A educação tem um papel fundamental como meio de influenciar o comportamento dos indivíduos. Convém ensinar as pessoas a pensar e a agir em sociedade.
As escolas deveriam se voltar para formar um bom cidadão e não somente fazer com que pessoas acumulem conhecimentos que nunca serão utilizados.
A escola deveria ensinar lógica, matemática e línguas desde o começo.
A lógica serve para evitar que as pessoas sejam presas fáceis de qualquer aproveitador que apareça pela frente. A religião mantém as pessoas na infância eterna.
Sempre se entregando a alguém para resolver seus problemas pessoais.


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A falta de consciência em suas faculdades mentais e o complexo de inferioridade faz com que muitos parem de pensar logicamente e se entreguem a todo tipo de pensamento, por mais absurdo que seja. As pessoas raramente analisam as tradições de seu povo.
Simplesmente aceitam tudo. Será que isso é bom para a raça como um todo?
Será que não precisamos de mais rebeldes ao invés de mais conformistas?
Todo avanço foi uma rebeldia. Uma rebeldia contra os padrões vigentes.
Rebeldia não significa ser do contra, significa ser verdadeiro consigo próprio. Fazer as coisas em que se acredita, e não fazê-las simplesmente por que todos fazem.
Rebeldia também não é ir contra tudo só para ser diferente.
Rebeldia é fidelidade à nossa natureza íntima. Não é ser do contra ou a favor.
É ser íntegro com o que se acredita.
LIVROS SAGRADOS
• INTRODUÇÃO
Livros Sagrados são textos que estão intimamente associados a uma religião, de tal modo que se tornam parte integrante dessa religião, definindo regras que os fiéis, ou determinados grupos na comunidade de fiéis, devem seguir.
Qualquer pessoa se lembrará imediatamente da Bíblia dos cristãos e do Alcorão dos muçulmanos como os dois grandes exemplos de Livros Sagrados.
Mas muitos esquecerão a Bíblia dos judeus e, mais grave ainda, muitos esquecerão os vários textos sagrados de outras religiões, os quais, por serem menos conhecidos, passam por ser inexistentes. Ora, é verdade que a história consagrou os judeus, os cristãos e os muçulmanos como "Povos do Livro", precisamente por se guiarem totalmente pelas regras explicitadas num livro. Mas o facto de estes três grupos religiosos darem maior importância aos seus textos sagrados não implica que outras religiões não tenham textos e livros igualmente sagrados, apenas com uma menor influência no quotidiano civil e/ou religioso da comunidade em geral.
Portanto, Livros Sagrados são textos, ou compilações de textos, directamente relacionados com a religião de uma comunidade. No entanto, nem todos os textos directamente relacionados com a religião de uma comunidade poderão ser considerados sagrados.
Então, o que é que define a sua sacralidade?
Existem vários níveis de sacralidade que se podem atribuir a estes textos, os quais estão dependentes da existência de uma ou mais características gerais:
ORIGEM DO TEXTO ::
– Deus ou outra divindade
– Personalidade fundadora inspirada divinamente
– Sacerdotes de elevada posição e/ou profetas
– Escribas (geralmente pertencentes à classe social dos sacerdotes) que fixam tradições (filosofias, histórias, lendas, mitos, rituais, preces, etc.)
– Consideradas sagradas pela sua antiguidade e pela prática religiosa
RECEPTORES DO TEXTO :
– Elementos no topo da hierarquia na classe social dos sacerdotes
– Toda a classe social dos sacerdotes
– Apenas os iniciados nos segredos, sejam sacerdotes ou elementos de outros grupos sociais
– Determinados elementos da comunidade de fiéis
– Toda a comunidade de fiéis
– Toda a comunidade, incluindo infiéis
– A própria divindade (preces, promessas, odes, etc.)
ELEMENTOS QUE COMPÕEM O TEXTO :
– Relato da origem da divindade e das suas acções (lendas e mitos)
– Relato da vida do fundador e dos seus ensinamentos
– Relato da história da comunidade de fiéis
– Descrição (mais ou menos pormenorizada) de rituais
– Fixação de cânticos, preces, fórmulas rituais, salmos, provérbios...
– Apresentação de regras de conduta para os fiéis a nível religioso, a nível civil, ou ambos e respectivas punições

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Existe ainda um outro aspecto que não foi englobado acima: a importância e função da escrita para as primeiras civilizações.
De facto, enquanto algumas comunidades encaravam a escrita como uma habilidade importante do ponto de vista económico e político, como um instrumento de organização, outras
Comunidades encaravam a escrita como um instrumento mágico e, portanto, associado ao sagrado, à religião
Entre os Maias, por exemplo, era o sumo-sacerdote quem estava encarregue do ensino da escrita hieróglifa maia; o alfabeto nórdico das runas, tinha igualmente um papel mágico; e em quase todas as civilizações se inscreveram, quer fosse em pedra, argila ou papiro, maldições ou preces e promessas.
Por outro lado, a escrita micénica - o Linear B - estava fundamentalmente restrita à manutenção da organização socio-política, sendo utilizada para inventariar e registar os bens produzidos ou comercializados.
Assim, o modo como a comunidade encara o poder da escrita é outra característica a ter em mente quando se procura compreender a relação entre a religião, a existência (ou não) de textos que lhe são sagrados e a comunidade de fiéis.
No próximo capítulo, apresentaremos algumas religiões que possuem Livros Sagrados para depois vermos em como esses Livros se diferenciam dos três grandes Livros Sagrados –
O Tanakh (ou Bíblia hebraica),
A Bíblia E o Alcorão.
Começaremos por ver, em diversas regiões, as religiões predominantes e a existência de uma literatura oral ou escrita; verificando-se a existência de uma literatura escrita associada à prática religiosa, analisaremos então, muito sucintamente, a sua constituição e função.
As literaturas orais, que são extraordinariamente ricas em várias culturas, serão aqui basicamente ignoradas, muito embora sejam abordadas nos capítulos que lhes estão reservados na secção de mitologia.
Deixo no entanto o aviso a todos os construtores: a literatura religioso oral tem uma importância tão grande quanto a literatura religiosa escrita No desenrolar da vida comunitária!
RELIGIÕES DO MUNDO
O Médio Oriente é uma das regiões do mundo que viu surgir maior número de crenças religiosas, entre as quais as três grandes religiões monoteístas.
Outras regiões do globo, porém, assistiram ao nascimento e desenvolvimento de apenas uma ou duas crenças religiosas.
Neste capítulo, vamos espreitar as religiões mais representativas de cada região, procurando começar pelos locais com menor número de religiões com textos escritos, para avançarmos depois para os pontos de concertação como o Médio Oriente.
As Américas Os povos da América do Norte possuíam um reportório de textos sagrados muito rico mas que, infelizmente, foi muito reduzido pela ignorância e desrespeito dos invasores europeus, numa primeira fase, e dos invasores americanos à conquista das Planícies e do ouro, numa segunda fase.
Estes textos, porém, não eram escritos, mas sobreviviam unicamente através das enraizadas tradições orais, que o homem branco tanto lutou por apagar.
Na América Central, encontramos um berço de civilizações semelhante ao Médio Oriente.
Estas civilizações conquistaram o imaginário da civilização ocidental pelas suas construções imponentes e pelos muito mistérios que ainda não foram desvendados.
Entre elas podemos destacar os Maias e os Astecas.
Embora com diferenças importantes nas suas religiões, ambas apresentam uma mesma noção: a da escrita associada ao sagrado. De facto, os sacerdotes Maias escreveram livros, que os missionários espanhóis procuraram destruir, sobrevivendo, actualmente, apenas dois exemplares. Os hieróglifos maias ainda não foram totalmente decifrados, mas sabe-se que os livros continham a mitologia maia e, provavelmente, fórmulas e rituais utilizados na prática religiosa.
Na América do Sul, encontramos, por um lado, uma miríade de pequenas ou grandes tribos também elas com uma rica tradição oral e, por outro lado, uma grande civilização: os Incas.
Embora com algumas semelhanças com as religiões dos Maias e dos Astecas, os Incas tinham uma prática religiosa menos sangrenta.
No entanto, não possuíam qualquer forma de escrita: recorriam somente a um conjunto de cordas com nós coloridos para fazer inventários e registos

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A sua literatura oral sofreu muito com os esforços missionários de cristianização dos povos locais.
A Oceânia Por Oceânia entenda-se o continente australiano e as inúmeras ilhas do Oceano Pacífico, tradicionalmente divididas em:
Micronésia Inclui os arquipélagos das Marianas, das Carolinas, de Marshal e de Gilbert.
- População falante de línguas malaio-polinésias.
Melanésia Inclui a Nova Guiné, as ilhas Salomão, as ilhas do Almirantado,
Trobriand,
Fiji,
A Nova Caledónia,
Santa Cruz,
Tikopia,
Vanuatu-Novas
Hébridas,
A região mais povoada e com uma grande riqueza cultural.
Polinésia Inclui os arquipélagos da Nova Zelândia,
De Samoa,
De Tonga,
Do Taiti,
Das Marquesas,
Do Havai,
A ilha da Páscoa...
- A região mais extensa, composta por milhares de ilhas.
- População falante de, na sua maioria, línguas não-austronésias, ou seja, são falantes de línguas aparentadas com as dos aborígenes australianos.
Na Oceânia, destacam-se, pela sua resistência às influências "civilizadoras" ocidentais, os aborígenes australianos que, não possuindo escrita, mantêm uma rica tradição oral.
As religiões dos diversos povos que habitam as ilhas têm vários aspectos em comuns, apesar das diferenças inevitáveis, com a manutenção e transmissão dos seus rituais e lendas religiosas a apoiarem-se unicamente na tradição oral. De todos esses povos, o mais misterioso talvez seja o que habitava a ilha da Páscoa: possuidores de uma civilização complexa e tendo estabelecido contactos com os Incas antes da chegada dos descobridores, tinham desenvolvido uma escrita - o rongorongo - que ainda não foi totalmente decifrada.
A África Em África, as religiões das diversas tribos recorrem unicamente às tradições orais, não existindo, portanto, qualquer forma de textos sagrados.
O Norte de África Uma das civilizações mais famosas em todo o mundo nasceu no Norte de África - falamos do Egipto. Igualmente famosa era a sua escrita - os hieróglifos que cobriam as paredes dos túmulos reais. Os egípcios granjearam a admiração e respeito de outros povos desde a própria Antiguidade graças às suas construções impressionantes, nomeadamente, as pirâmides. Mas as pirâmides mais não eram do que túmulos e demonstram como uma civilização tão rica e que durou milénios pode organizar a sua existência tendo por base a vida pós-morte dos faraós (num primeiro momento) e de todo o povo egípcio (num segundo momento).
Não é, pois, de estranhar que os Livros Sagrados da religião egípcia fossem compostos por textos funerários.
Os Textos das Pirâmides,
• Os Textos dos Sarcófagos
• E o Livro dos Mortos
Foram compilados ao longo de séculos e eram compostos por: uma descrição de todas as peripécias que a alma do defunto tinha de superar para chegar ao Reino dos Mortos
Instruções, para que a alma pudesse evitar todos os perigos
Fórmulas mágicas e preces, para que a alma pudesse ultrapassarem todos os obstáculos
O Médio Oriente As primeiras civilizações, localizadas no conhecido Crescente Fértil, foram as primeiras a desenvolver uma escrita.

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A Mesopotâmia, ponto de embate de Sumérios, Babilónios, Assírios e tantos outros, desenvolveu então uma religião com um rico panteão de deuses que sofria adaptações sempre que a balança do poder pendia mais para este ou aquele povo.
Também aqui encontraremos Textos Sagrados, mas estes são basicamente compostos por:
• Lendas e mitos sobre:
– As origens do mundo e da civilização
– As relações entre os deuses
As aventuras de heróis míticos
O Médio Oriente assistiu também à emergência das três religiões com mais fiéis na actualidade: o Judaísmo, o Cristianismo e o Islão.
Estas religiões apresentam uma relação única com os respectivos Livros Sagrados,
O Mediterrâneo O Mar Mediterrâneo assistiu à emergência de algumas das civilizações mais famosas e com maior influência no nosso mundo ocidental, incluindo o Egipto, o Império Hitita, a Palestina hebraica...
No entanto, quando se fala das civilizações do Mediterrâneo ou das religiões do Mediterrâneo, tem-se em mente apenas a costa norte do Mar Mediterrâneo; ou seja, tem-se em mente a Europa Mediterrânea. Assim sendo, temos a apontar as duas civilizações fundamentais à cultura ocidental: Grécia e Roma. E, naturalmente, pensamos na religião greco-romana.
Ora, é verdade que ambas as civilizações eram muito semelhantes, e é verdade que Roma adoptou as religiões dos povos conquistados (incluindo a grega), mas, no fundo, a religião primitiva dos romanos tinha diferenças fundamentais da religião da Grécia clássica.
Quanto à existência de Livros Sagrados, podemos apontar em ambas a existência de epopeias, ou poemas épicos, onde surgiam:
Lendas e mitos:
– As aventuras de heróis míticos
– As relações entre os deuses
– A origem de um ou mais povos
Rituais: descritos na narrativa
As epopeias gregas incluem A Ilíada e A Odisseia, enquanto os romanos têm uma única epopeia, A Eneida. Estes poemas funcionam como uma compilação de mitos; no entanto, com o passar dos séculos, perderam qualquer carácter sagrado que haviam tido e passaram a ser encaradas apenas como entretenimento.
O historiador grego Hesíodo compilou vários mitos respeitantes aos deuses, semi-deuses e heróis gregos, tendo o cuidado de harmonizar quaisquer contradições que
Pudessem existir e construindo, assim, uma cosmogonia grega homogénea: a Teogonia.
A Europa A Europa Central e do Norte é o território por excelência dos celtas e dos germanos, povos indo-europeus com uma tradição oral muito forte.
Os sacerdotes celtas, os druidas, estavam interditos de fixarem os seus conhecimentos através da escrita; por isso, as suas tradições religiosas, na forma de lendas e mitos, foram escritas pelos monges cristãos entre os séculos X e XIV, incorporando, naturalmente, os preconceitos e noções erradas sobre a religião celta.
Os germanos vão eles próprios escrever as suas tradições religiosas a partir do século X no tempo dos Vikings.
Produzem duas obras que reúnem as suas lendas e mitos:
Eda poético:
– 10 Poemas sobre as relações entre os deuses
– 18 Poemas sobre as aventuras de heróis míticos
Eda em prosa:
– O prefácio (Gylfaginning) apresenta uma introdução à mitologia norueguesa
– Manual de poesia escáldica dividido em 3 partes
A Índia A Índia é o berço da civilização do Indo. Esta civilização, ainda mal conhecida, surgiu por volta de 4 000 a.C. e desvaneceu-se, por razões ainda mal definidas, por volta de 1 800 a.C. Poucos séculos depois, c. 1 500 A.C., chega um povo de invasores Indo-Europeus, os arianos.
A sua religião vai misturar-se então com a religião das populações locais, que mantinham a religião da antiga civilização, e originar o actual hinduísmo.

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O hinduísmo possui vários Livros Sagrados, divididos em duas categorias:
• Sruti - textos revelados divinamente; escritos sempre em sânscrito; apenas podem ser lidos por brâmanes.
• Veda ("Sabedoria") - composto entre 1 500 A -900 a
PURANA ("HISTÓRIAS ANTIGAS")
Uma breve análise dos quatro sutri permite-nos, muito rapidamente, compreender como uma religião evolui: os Vedas originais conduzem à produção dos Brahmanas, que funcionam como um complemento.
Os Aranyakas e os Upanishads testemunham já uma reacção à mecanização que a religião estava a sofrer, limitando-se cada vez mais à simples mecânica da realização dos rituais e ignorando os aspectos espirituais.
Na tentativa de resolver mais satisfatoriamente este problema, surgem "mestres" que propõem uma nova religião, mantendo apenas uma pequena parte da essência do hinduísmo.
Entre estas tentativas contam-se o jainismo e o budismo.
O jainismo surgiu no século VI a.C., caracterizado por um estilo de vida ascético, mas as escrituras sagradas desta religião surgiram um pouco mais tarde.
O budismo foi fundado também no século VI a.C., por Siddartha Gautama. O budismo dividiu-se em vários ramos:
• Os monges Theravada do Sudeste Asiático
• Os monges Sarvastivada
• Os monges Mahasanghika
• Os monges tibetanos
A vasta literatura budista pode ser agrupada em três grupos: a literatura dos monges Theravada, escrita na língua pâli; a literatura dos monges Sarvastivada e Mahasanghika, de que sobrevivem as traduções chinesas; e a literatura dos monges tibetanos. Independentemente das tradições dos diferentes ramos do budismo, todos os budistas utilizam o sistema do tripitaka para dividir os seus textos sagrados:
• tripitaka:
– sutras - os ensinamentos de Buda.
– vinaya - regras de disciplina.
– l'abidarma - a doutrina.
A Ásia Central
Por volta do ano 1 000 a.C., aconteceu uma reforma radical da primitiva religião na região entre os Himalaias, o Mar Aral e o Mar Negro.
Passa-se então de uma religião caracterizada por sacrifícios de animais e pelo uso de bebidas alucinogénicas para uma religião simultaneamente monoteísta e dualista, que evolui rapidamente no sentido de reintegrar um panteão de deuses e respectivos sacrifícios.
O zoroastrismo, a religião fundada por Zaratustra no século X a.C., inclui um Livro Sagrado, o Avesta (compilado a partir do séc. IV ou VI d.C.), e muitos outros textos compilados em livros menores, sendo a maioria do século IX d.C.
O Extremo Oriente
A China testemunhou o nascimento de uma das primeiras civilizações; no entanto, não surgiram aqui grandes religiões organizadas como no ocidente.
De facto, e durante muito tempo, existiram apenas pequenos cultos locais com uma míriade de deuses e espíritos naturais. Confúcio, o fundador do confucionismo, teria nascido no século VI a.C., tendo recebido o nome K'ung Ch'iu.
O nome ocidental por que o conhecemos é uma distorção de K'ung Fu-tzu ("Mestre K'ung").
Não sendo uma verdadeira religião, o confucionismo desmistifica as crenças chinesas e transforma deuses e espíritos em princípios e virtudes.
A única preocupação do confucionismo é encontrar o caminho do meio nas acções individuais e na sociedade, o caminho do equilíbrio.Lao-tsé, o fundador mítico do taoísmo, teria nascido no século VI a.C. segundo alguns autores, ou no século IV a.C., segundo outros.
Os dois grandes textos do taoísmo, ou do Tao ("o Caminho"), são o Tao-te king ("Clássico do Caminho e da Virtude") e o Chuang-tsé.


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No entanto, o taoísmo vai chocar com o confucionismo e, mais tarde, vai ser inferiorizado pelo budismo.
O budismo chega à China no século I d.C. e rapidamente as três religiões - confucionismo, taoísmo e budismo - entram em conflito. No século XVI, o intelectual Lin Chao-en procede à harmonização e unificação das Três Religiões.
O restante sudeste asiático foi, fundamentalmente, convertido ao budismo em expansão.
O Japão, no entanto, apresenta uma evolução mais complexa.
A sua religião indígena é o xinto, nome de origem chinesa que significa "O Caminho dos Deuses" ou "O Caminho do Sagrado". Mas as crenças e práticas japonesas, que incluem uma multiplicidade de divindades tutelares, receberam o nome xinto muito tardiamente.
O xinto, profundamente influenciado pelo confucionismo (séc. V d.C.) e pelo budismo (séc. VI d.C.), não possui quaisquer textos sagrados à excepção de compilações de lendas e mitos respeitantes à origem do Japão e do imperador japonês e a um panteão divino.
Analisada esta exposição, conclui-se que:
A maioria das religiões tem uma rica tradição oral que não requer ou não permite a sua fixação num suporte escrito várias religiões que possuem um conjunto de textos religiosos (geralmente relacionados com a vida dos deuses e de heróis míticos) continuam a não permitir a fixação num suporte escrito de rituais e cerimónias religiosas
as religiões que fixam num suporte escrito regras de conduta, geralmente foram fundadas por um indivíduo cujas acções se pretende emular a maioria dos textos sagrados são relatos de lendas e mitos, onde se narra as origens de deuses, terras, povos, tradições e leis embora a maioria dos textos sagrados apresentem as regras de comportamento consideradas ideais, poucos textos enumeram todas as regras e leis a que os indivíduos deverão estar sujeitos
LIVROS SAGRADOS E RELIGIÕES
Quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto.
Este ditado refere-se normalmente a histórias faladas, a situações que passam de boca em boca, e não a textos e documentos propriamente ditos. Mas a verdade é que, ao longo dos séculos, este mesmo ditado tem-se provado de tal modo verdadeiro que poderíamos acrescentar que...
• Quem escreve um conto, acrescenta-lhe um ponto. Mas, porquê?
Ora, porque fixar um texto num qualquer material, apenas o preserva por duas ou três gerações (ou dez ou vinte gerações, se estivermos a falar de gravações em pedra ou metais).
Eventualmente, o texto vai ter de ser reescrito num novo material.
Ou novas cópias terão de ser feitas para um público em crescimento.
E este processo de copiar é frequentemente passível de incorporar erros.
É preciso, depois, acrescentar a passagem do tempo, que faz mudar conhecimentos, ideias, mentalidades, costumes, tradições... ao fim de algum tempo, o copista pode já não compreender a razão por que, por exemplo, uma certa acção ofendeu o herói, o que o poderá tentar a alterar o
Texto, trocando a acção original por outra que justifique, aos olhos dos leitores de então, a ofensa. Mas se o copista ainda compreender a razão dessa ofensa, sabendo que a população comum não a compreenderá, pode acrescentar um parágrafo, ou um comentário, ou uma nota que explique a situação. Ou pode iniciar a escrita de um novo livro onde se debruça sobre as razões, antigas e quase esquecidas, por trás do texto.
Outro modo de alterar um texto é através da tradução.
Duas línguas diferentes implicam diferentes modos de ver, sentir e pensar a realidade, pelo que uma tradução perde sempre algo do original, nem que sejam unicamente os efeitos das figuras de estilo, dos idiomas ou de significados culturais que outras culturas, naturalmente, não compreendem.
É por esta razão que os islâmicos defendem que o Alcorão não deve ser traduzido: o fiel tem de ler o original para poder compreender a verdadeira mensagem de Deus, tal como foi transmitida ao Profeta.
Mas, a pouco e pouco, todos os textos sagrados são inevitavelmente alterados.
Mas, desde que a mensagem original se mantenha inalterável, será realmente importante manter todas as vírgulas e acentos do texto original?
Muitos dirão que não é realmente importante. Muitos dirão que uma única vírgula pode alterar substancialmente a mensagem original. Bom, dependerá da vírgula, diremos nós.
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Mas mesmo quando o texto se mantém inalterado no seu essencial, a simples alteração das mentalidades, a evolução da língua e dos conhecimentos, pode levar a que o público deixe de compreender a mensagem original ou que a subverta.
É principalmente por causa destas evoluções sociais que, ao longo da história de uma religião, estudiosos, religiosos e sacerdotes têm feito correr muita tinta na explicação e clarificação de inúmeras passagens dos seus textos sagrados.
Claro, que algumas dessas passagens sempre foram difíceis de compreender pelos fiéis, mas a passagem do tempo apenas as torna mais inacessíveis, o que origina vários volumes onde se sugerem interpretações mais ou menos variadas, pois uma mesma passagem de um texto pode sempre originar várias interpretações (os textos religiosos têm, geralmente, esta tendência para possibilitar ambiguidades que dão lugar a interpretações, por vezes, até opostas).
Assim, um livro sagrado encontra-se geralmente acompanhado de vários volumes de interpretações, clarificações e explicações. De facto, quanto mais antigo for o livro sagrado, maior o número de escritos que o acompanham.
Ao fim de algum tempo, os sacerdotes da religião em questão acabam inclusivamente por tomar decisões religiosas tendo por base não só o livro sagrado, mas os livros de outros autores. Mas será suficiente escrever um texto sobre o livro sagrado para ele se tornar aceite pelos religiosos? Para ser aceite como sagrado, um texto tem primeiro de ser canonizado, ou seja, de ser oficialmente integrado no conjunto dos textos sagrados.
Nalgumas religiões, este processo é relativamente simples e fácil. Noutras, é moroso e complexo. Tomemos por exemplo a Bíblia cristã.
Nos primeiros séculos após a morte de Cristo, iniciou-se a compilação dos textos para o Novo Testamento, que, à imagem dos textos sagrados do Velho Testamento, serviria de testemunho e de fio condutor dos fiéis. Vários textos foram analisados segundo determinados critérios, tendo a maioria sido preterida em favor dos eleitos presentes nas Bíblias actuais.
Durante este processo, os grupos de cristãos que tentassem manter alguns dos textos excluídos como canónicos eram identificados como seitas hereges e ignorados ou reprimidos.
Quando, no século XVI, a Reforma Protestante originou a revisão e alteração dos textos tidos como sagrados, surgiu um segundo cânone para as Bíblias cristãs.
Também os budistas seguiram este caminho: à medida que diferentes grupos de monges encaravam as mensagens originais de Buda com um novo ponto de vista,
Originando cisões irreconciliáveis, os cânones alteraram-se para aceitar novos textos que reflectiam a mudança de mentalidades.
E muitas outras religiões viram, num ou noutro momento, as novas mentalidades alimentarem a alteração dos cânones. Mas quais são as consequências destas alterações ao cânone?
A principal consequência é, inevitavelmente, a divisão da religião original em duas religiões rivais. E, à medida que o tempo passa e novas alterações são sugeridas e aceites, assiste-se à multiplicação de seitas e igrejas. De novo, o cristianismo oferece-nos um bom exemplo.
Organizada em cinco patriarcados, depressa se separou em Igreja Católica e Ortodoxa, sendo que a Igreja Ortodoxa era ela própria constituída por variadas igrejas, cada uma delas com o seu próprio ritual independente.
A Igreja Católica deu depois origem às Igrejas Protestantes, também elas com os seus rituais e independência.
O Islamismo, que a muitos ocidentais parece dividido apenas entre fanáticos e não-fanáticos, incorpora, na realidade, várias facções, de que os sunitas e os xiitas são as mais conhecidas.
Também o Budismo se multiplicou em variadas abordagens.
Mas todas as novas e velhas facções são, no fundo, a mesma religião: o que as divide são detalhes, questões que foram levantadas e que possibilitaram duas ou mais respostas diferentes.
Todas as igrejas cristãs acreditam numa mesma verdade: Jesus Cristo morreu e ressuscitou para salvação e redenção do Homem. Todas as facções islâmicas acreditam numa mesma verdade: Alá é o único Deus e a Ele todos os homens se devem submeter. Todos os monges budistas acreditam numa mesma verdade: conseguir a harmonia na vida para poder atingir o Nirvana. Para o criador, eis, então, alguns pontos a ter em consideração ao desenvolver a literatura sagrada (e a religião) dos seus povos:




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UM TEXTO SAGRADO NÃO É ETERNO
O texto físico pode ser alterado - a compreensão do texto altera-se com a passagem do tempo e das mentalidades : traduções alteram pormenores e podem originar crenças secundárias consideradas hereges e motivadoras de cisões
Um texto sagrado, aos olhos do Homem, acaba sempre por estar incompleto ou pouco claro:
comentários e clarificações são escritas para explicar algumas passagens consideradas menos claras, podendo gerar interpretações diferentes textos complementares podem ser escritos por figuras autorizadas de modo a responder a questões não-previstas ou sem resposta no texto sagrado a evolução das ideias, conhecimentos e mentalidades podem originar novos escritos, posteriormente canonizados, que podem:
ser acrescentados ao texto sagrado original, fazendo evoluir algumas ideias e/ou rituais religiosos que reflectirão as evoluções sociais substituir o texto sagrado original, assim como várias ideias e/ou rituais, apesar de manter a crença base da religião
Um texto sagrado pode encontrar divergências na sua canonização (o que se pretende com as ideias transmitidas no texto em questão): divisão da religião original em várias facções rivais
manutenção da crença base entre todas as facções garante que não são novas religiões os textos, os rituais, as interpretações dos textos e crenças secundárias variam de facção para facção consoante a época e as mentalidades, as facções podem: guerrear-se, tentanto aniquilar-se mutuamente procurar converterem-se mutuamente, num clima de maior ou menor tensão ignorarem-se mutuamente tolerarem-se mutuamente, embora insistindo na sua posição como a correcta e na do outro como a errada coexistir pacificamente, aceitando-se mutuamente coexistir pacificamente, procurando uma união simbólica devido à origem comum à partilha de uma mesma crença básica
EVOLUÇÃO DO HOMEM
Desde o Australopiteco até ao Homo Sapiens Sapiens, o homem passou por um processo evolutivo lento e gradual.
Apesar de as explicações para esta evolução nem sempre serem consensuais, o Educação deixa-lhe aqui algumas pistas para poder saber mais sobre a Evolução do Homem.
1. A EVOLUÇÃO DO HOMEM
Os seres humanos actuais distinguem-se dos antropóides, basicamente, pelo tamanho do seu encéfalo e maxilar, pelo seu bipedismo e pela sua capacidade em constituir relações sociais complexas. Estudos moleculares indicam que a divergência dos antepassados da espécie humana, em relação aos antropóides africanos, deve ter ocorrido há cerca de 5 a 10 milhões de anos. Deste período, restam apenas fragmentos ósseos fossilizados de primatas e hominídeos (do grupo humano).
Em 1994, na Etiópia, foram descobertos ossos do que passou a considerar-se o primeiro antepassado da espécie humana, um hominídeo a que se atribuiu a designação de Australopithepithecus ramidus.
Estes achados foram datados de há cerca de 4,4 milhões de anos.
Outros hominídeos descobertos na Etiópia e na Tanzânia, aos quais se deu a designação de Australopithecus afarensis, terão cerca de 3,5 a 4 milhões de anos.
Estes seres caminhavam direitos e são antepassados directos ou pertencentes a um ramo colateral da linha que conduziu ao Homem actual.
Poderão ter sido os antepassados do Homo habilis(considerado por alguns como uma espécie de Australopithecus), que apareceram cerca de um milhão de anos mais tarde e que tinham o esqueleto e o encéfalo maiores, tendo sido, provavelmente, os primeiros a usar ferramentas de pedra. O A. robustus e o A. africanus também viveram em África durante essa época, mas estes não são, geralmente, considerados como antepassados da espécie humana.
Há mais de 1,5 milhões de anos, o Homo erectus, que muitos pensam ser descendente do H. habilis, surgiu em África. Estes seres possuíam encéfalos muito maiores, tendo sido provavelmente os primeiros a usar o fogo e, a iniciar uma migração do continente africano para diversas regiões. Os seus vestígios foram já encontrados, aliás, em zonas tão diversas como a China, a Ásia ocidental, a Espanha e o sul da Grã-Bretanha.
Os humanos modernos, H. sapiens sapiens, e o Homem de Neanderthal, H. sapiens neanderthalensis, são, provavelmente, descendentes do H. erectus.

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O Homem de Neanderthal tinha um encéfalo bem desenvolvido e uma sólida constituição física, provavelmente por adaptação às rigorosas condições climatéricas da era glacial.
As populações do Homem de Neanderthal viveram na Europa e no Médio Oriente e extinguiram-se há aproximadamente 40 000 anos, deixando apenas o H. sapiens sapiens como o único representante do grupo dos hominídeos.
Actualmente, existem duas grandes correntes explicativas da evolução humana: o modelo “Out of Africa” (fora de África), segundo o qual o H. sapiens evoluiu a partir do H. erectus, em África, espalhando-se depois pelo planeta, e o modelo multirregional, segundo o qual a pressão evolutiva (em termos de selecção natural) fez surgir tipos avançados similares ao H. sapiens a partir do H. erectus, em diferentes partes do mundo, mais ou menos simultaneamente. O fóssil mais antigo conhecido de H. sapiens foi encontrado em África e tem entre 150 000 e 100 000 anos.
A separação das populações humanas asiáticas, europeias e australianas terá tido lugar entre 100 000 a 50 000 anos atrás. Em 2000, uma equipa da Universidade Nacional da Austrália extraiu ADN mitocondrial de dez esqueletos fossilizados, dos quais o mais antigo é o do Lago Mungo.
A análise centrou-se no ADN dos mitocôndrios, porque este é herdado apenas da mãe e tem uma taxa de mutação regular, o que permite usá-lo como uma espécie de relógio molecular para estudar a evolução de uma espécie.
O esqueleto do Homem de Mungo tem cerca de 60 mil anos e terá chegado ao continente australiano a partir da Ásia. As revelações dadas pelo ADN do Homem de Mungo levam a uma teoria alternativa: a de que a humanidade moderna se desenvolveu simultaneamente na África, Europa e Ásia, a partir de uma sucessiva vaga de predecessores - Homo erectus - que saíram de África há mais de 1,5 milhões de anos.
AUSTRALOPHITECOS
Esta é a designação dada aos primeiros hominídeos, que viveram há cerca de 3,5 a 4 milhões de anos.Os australopitecos são um género extinto de hominídeos, que reúne os fósseis designados por australopithecus, plesianthropus, paranthropus e zinjanthropus.
As suas características são semelhantes às dos humanos, mas tem também algumas de origem simiesca. Este género tinha uma capacidade craniana de 700 c.c. e uma abóbada craniana baixa.
O maciço facial era relativamente reduzido; os supraciliares e o occipital eram muito desenvolvidos, as cristas cranianas eram variáveis.
As mandíbulas eram fortes, com incisivos e caninos de tipo humano e molares semelhantes aos dos símios.A região pélvica tinha características semelhantes às do Homem actual. Eram já capazes de fabricar utensílios em osso.
O primeiro exemplar desta espécie foi encontrado por Dart, em 1925, em Taung, na África do Sul.Julga-se que terá vivido no continente africano entre 1 a 4 milhões de anos atrás.
Lucy, um australopiteco do sexo feminino que viveu há 3,2 milhões de anos, era o mais velho antepassado conhecido pela humanidade, até à descoberta, por uma equipa de antropólogos sul-africanos, de um esqueleto fossilizado de um australopiteco com uma idade estimada em 3,6 milhões de anos, encontrado em 1998 nos arredores de Joanesburgo.
Este achado levanta muitas questões sobre a origem do Homem, nomeadamente transportando-a do Leste africano para o sul de África.
Em 1999, um grupo de cientistas identificou uma nova espécie de Australopithecus.
Baptizado de Australopithecus garhi, este Australopithecus bípede, com 2,5 milhões de anos, já manuseava utensílios para cortar carne. Os vestígios, ossos do crânio e dentes, foram encontrados em Bouri, uma zona desértica na Etiópia.
De acordo com os fósseis encontrados, os cientistas colocam o novo Australopithecus entre a conhecida Lucy, um Australopithecus afarensis de há cerca de 3,2 milhões de anos, e o Homo habilis. Fonte: Enciclopédia Universal,)
HOMO SAPIENS SAPIENS
Subespécie inserida na espécie do género Homo que compreende os restos fósseis de vários tipos de homem, tais como o de Cro-Magnon ou os de Chancelade, e os actuais.
Os Homo sapiens sapiens tinham uma estatura alta, esqueleto robusto e fronte larga e elevada, tal como a dos homens actuais.As diferentes características, tais como pele, forma do cabelo, da cara e do nariz, grupo sanguíneo, entre outras, deram origem a diferentes grupos ou raças de homens derivados do Homo sapiens sapiens.
Os investigadores admitem a existência de 27 raças, divididas em 4 grupos:
raças primitivas,
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raças negras ou negróides,
raças brancas
e raças amarelas.
Os pequenos australopitecos eram bípedes, mediam cerca de 1,20m e pesavam entre 25 e 50 quilos, com capacidade craniana média de 500 cm3 Seus primeiros fósseis foram encontrados na garganta de Olduvai, Tanzânia, na África seixos grosseiramente trabalhados à mão.
A postura vertical trazia a vantagem de libertar as mãos para a manipulação; a associação dos movimentos das mãos com os olhos estimulava o cérebro. Assim, o bipedismo constituiu uma base para as habilidades culturais.
CRONOLOGIA DA EVOLUÇÃO
4,5 milhões Australopithecus ramidus
Primeiros antepassados humanos. O macho era duas vezes maior que a fêmea.
4,2 milhões Australopithecus anamensis Já andava erecto
• 3,9 Milhões Australopithecus afarensis >>
• Lucy, o mais famoso hominídeo, pertencia a essa espécie
• 3 milhões Australopithecus africanus Era robusto e tinha uma dentadura poderosa
Alimentava-se de grãos.
2,6 milhões Australopithecus boisei Os machos tinham uma crista no crânio
• 2,5 milhões Homo habilis Desenvolveu as primeiras ferramentas
• 2 milhões Australopithecus robustus
• O formato das mãos permitia a construção de ferramentas
1,8 milhão Homo erectus Dominou o fogo, fabricava ferramentas e vivia nas cavernas
500 mil Homo sapiens arcaico O mais próximo ancestral do homem
• 170 mil Neandertal Conviveu por milhares de anos com o Homo sapiens moderno.
Foi extinto durante a última idade do gelo.
• 40 mil Homo sapiens sapiens O homem moderno
APARECIMENTO E EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE HUMANA
Os seres humanos podem ser considerados um enorme sucesso ecológico, devendo ser o animal de grandes dimensões mais abundante na Terra.
Os únicos que se podem aproximar de nós são os que domesticamos (vacas, galinhas, porcos e ovelhas) ou os que dependem dos habitats por nós criados (pardais e ratos, por exemplo).
Será por isso surpreendente notar que o nosso sucesso se deve a uma série de quase falhanços dignos de filme de suspense: somos grandes primatas, um grupo que quase se extinguiu há 15 M.a. em competição com os macacos, mais eficientes.
Somos primatas, um grupo de mamíferos que quase se extinguiu há 45 M.a. em competição com os roedores, mais eficientes.Somos tetrápodes sinapsídeos, um grupo de répteis que quase se extinguiu há 200 M.a. em competição com os dinossáurios, mais eficientes.
Somos descendentes de peixes com patas, que quase se extinguiram há 360 M.a., em competição com peixes de barbatanas, mais eficientes.
E, por último, mas não menos espantoso, somos cordados, um grupo que sobreviveu mesmo à justa no Câmbrico, em competição com os artrópodes, brilhantemente bem sucedidos como se sabe ....E no entanto, eis o nosso sucesso ecológico sem comparação!
INTRODUÇÃO
Há cerca de 200 M.a., no início da era Mesozóica – a era dos répteis –, quando surgiram os primeiros dinossáurios, aparece pela primeira vez indicação da presença dos mamíferos.
Estes primeiros mamíferos, actualmente considerados descendentes de répteis terapsídeos, apenas deixaram para a posteridade pedaços de crânios, dentes e mandíbulas mas tal foi o suficiente para obter muitas informações sobre esses animais: eram animais pequenos, do tamanho de ratos actuais; apresentavam dentes afiados, logo deveriam ser carnívoros
. No entanto, devido ao seu tamanho, pensa-se que se alimentariam principalmente de insectos e vermes, ovos de répteis, etc.; eram homeotérmicos, facto que pode ser deduzido da presença de palato (céu da boca) ósseo a separar a boca do nariz nos crânios.

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Esta característica existe nos organismos que respiram continuamente, mesmo quando se alimentam, o que é típico de organismos com elevados gastos energéticos, como os homeotérmicos. Este facto permitia-lhes manterem-se activos de noite e ao entardecer;
Eram animais nocturnos, dado o elevado tamanho das órbitas;
Teriam uma audição apurada pois o ouvido apresentava três ossos, enquanto os répteis apenas têm dois. Até há cerca de 65 M.A. os mamíferos continuaram a sua existência nocturna discreta, até que os dinossauros se extinguiram.
A libertação de tão grande número de nichos ecológicos provocou uma explosiva radiação adaptativa, surgindo em muito pouco tempo, do ponto de vista geológico, todas as principais ordens de mamíferos actuais: monogramas, marsupiais e placentários.
Por este motivo, a era Cenozóica é designada a era dos mamíferos.
PRIMEIROS MAMIFEROS
Os primatas constituem um grupo diversificado, que forma estruturas sociais complexas.
A separação dos continentes, principalmente da Eurásia e da América, levou a duas grandes linhas evolutivas de primatas: símios do novo mundo (platirrineos)
E símios do velho mundo (catarrineos).
Deste último grupo, com evolução em África, surgiu o ramo antropomórfico.
Estes animais vivem geralmente em florestas tropicais, onde os seus membros hábeis e preênseis são uma boa adaptação à vida nas árvores. Em algumas espécies a cauda também é preênsil. Os cientistas consideram a existência de cerce de 200 espécies de primatas, mas, com o desenvolvimento dos estudos conservacionistas, muitas outras têm vindo a ser descritas desde 1990. A variedade de primatas é facilmente reconhecida quando se observa um lémur-rato com 35 g e um gorila com mais de 200 Kg.
No entanto, existem características mais ou menos comuns, como a presença de unhas e cauda (excepto nos antropomorfos).
Com excepção de algumas espécies de cetáceos, é nos primatas superiores que o cérebro é tão maior relativamente ao corpo, facto considerado um sinal de inteligência.
Os hemisférios cerebrais, que tratam a informação sensorial e coordenam as respostas motoras, são muito desenvolvidos, permitindo uma visão apurada (fundamental para saltos precisos entre ramos).Os primatas estão em sério risco pois as suas populações estão em rápido declínio devido à destruição de habitat e à caça ilegal de espécies protegidas (gorilas e orangotangos, por exemplo).Os primatas são também muito utilizados em pesquisas médicas e espaciais, devido à sua proximidade genética com o Homem.
PRIMATAS
O que distingue os primatas das outras ordens de mamíferos ?
A evolução de insectívoro a primata provocou algumas adaptações importantes:
TENDENCIAS EVOLUTIVAS DOS PRIMATAS
Adaptação à vida arborícola – a vida arborícola é característica de todos os primatas, excepto o Homem, sendo um meio eficaz de evitar ataques de predadores.
Este facto verifica-se mesmo em primatas que durante o dia vivem no solo, pois à noite dormem em ninhos nas árvores. Para que possam viver deste modo várias estruturas se desenvolveram:
ADAPTAÇÃO À VIDA ARBORICOLA
Dedos preênseis – os primatas são, comparativamente, pouco especializados, pois as suas extremidades ainda se assemelham às dos mamíferos primitivos, ou seja, às dos répteis.
Esses antigos mamíferos apresentavam sempre cinco dedos separados em cada membro, mas a maioria evoluiu para extremidades melhor adaptadas a correr, saltar, capturar a presa, cavar ou nadar. Apenas os primatas mantêm o padrão primitivo, acrescentando um polegar oponível, tanto nos membros anteriores como posteriores. Dedos preênseis -- unhas - os dedos não apresentam garras, o que facilita a protecção das polpas tácteis das pontas dos dedos e facilita o acto agarrar.
Articulações com grande mobilidade – as articulações do punho, cotovelo, ombro, anca e pescoço são particularmente móveis, o que torna os primatas animais muito ágeis. A nível do membro anterior, os primatas mantiveram outros aspectos considerados primitivos: A estrutura quadrúpede básico tem no membro anterior dois ossos (rádio e cúbito) mas apenas os primatas mantiveram a capacidade de fazer girar o rádio (o osso do lado do polegar) sobre o cúbito, levando á capacidade de girar a mão sem que exista movimento do cotovelo ou do braço – pronação.

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Outra importante capacidade mantida pelos primatas, a este nível, é a possibilidade de rodar a mão para cima e para baixo, a nível do pulso - supinação;
Articulação do "ombro" – a maioria dos mamíferos perdeu a capacidade de rodar o braço para o lado a nível do "ombro", apenas conseguem rodar para a frente e para trás mas os primatas conseguem-no o que é fundamental para quem salta de ramo em ramo com segurança.
• Articulações
–VISÃO ETEREOSCÓPICA
As órbitas frontais permitem uma visão binocular, pelo menos em grande parte do campo de visão, o que favorece a percepção de profundidade e o cálculo de distâncias, para uma movimentação mais segura. Este facto levou a um predomínio do sentido da visão sobre todos os restantes sentidos, levando ao característico achatamento da face, consequência da redução das mucosas olfactivas. Visão
Adaptação à vida em sociedade – tirando orangotangos e algumas espécies de lémures e gálagos, todos os primatas levam uma vida em grupo.
Estes grupos ou bandos são frequentemente formados por várias fêmeas e um ou dois machos adultos. Estes grupos podem atingir algumas centenas de indivíduos, podendo subdividir-se.
Algumas espécies, quase todas de macacos do Novo Mundo, formam casais monogâmicos.
Estas sociedades são mantidas por comportamentos característicos, como o catar comunitário.
A vida em sociedade tem a grande vantagem da protecção do grupo e a facilidade de transmissão de conhecimentos.
A sociabilidade dos primatas tem surgido como resultado de características biológicas, como a existência de um único filho por gestação, com um prolongado período de crescimento pós-natal, durante o qual aprende, para disso fazer uso mais tarde.
O predomínio da visão sobre o olfacto também favorece o comportamento social.
Adaptação à vida em sociedade
Desenvolvimento das faculdades mentais – o desenvolvimento progressivo de faculdades mentais corresponde á existência de uma face maior em relação ao crânio e de um maior encéfalo, em relação ao corpo. Os gorilas apresentam um encéfalo com 500cm3 e o Homem apresenta 1400cm3.
Desenvolvimento do cérebro
Adaptação a uma alimentação omnívora – os primatas têm uma alimentação variada, embora os mais pequenos sejam predominantemente insectívoros, enquanto os maiores se alimentam de frutos, sementes e pequenos animais. Apenas os társios são exclusivamente carnívoros.
Deste modo, há uma redução dos músculos da mastigação, bem como das cristas de inserção dos músculos no crânio. Os dentes molares apresentam tubérculos e a arcada dentária passa de uma forma em V para uma forma em U. Adaptação a alimentação omnívora
Já Lineu, em 1758, tinha considerado todos os Homens como pertencentes à mesma espécie, Homo sapiens. Com o desenvolver das ideias evolucionistas, questionou-se pela primeira vez a origem do Homem. Darwin considerou a espécie humana como o resultado de uma longa evolução, a partir de espécies ancestrais, por acção da selecção.
Também considerou, pela primeira vez, que o Homem e os grandes símios actuais derivavam de um mesmo ancestral comum. No entanto, os restos fragmentados que eram conhecidos não permitiam o esclarecimento devido da questão. O desejo de encontrar o “elo perdido” era tal que surgiram inúmeras fraudes, como o Homem de Piltdown.
PRIMEIRAS ETAPAS DA EVOLUÇÃO DOS HOMINÓIDES
Que dados fornecia a paleontologia, que permitisse concluir quando ocorreu a separação entre os géneros Pongo (orangotango), Gorila e Pan (chimpanzé)?
Pensava-se que bastaria encontrar um fóssil ancestral comum a todos esses géneros, tal como Darwin tinha sugerido.Com a descoberta do género Proconsul, que teria vivido há cerca de 17 a 20 M.a., os cientistas pensaram ter encontrado esse “elo perdido” mas tal não aconteceu.
Actualmente esse género é designado Dryopithecus.
Mais recentemente descobriu-se o Ramapithecus, género de há 15 M.a., provavelmente resultante da evolução do Proconsul, e que foi considerado o elo que faltava para o ramo hominídeo.
Concluía-se, então, que o Ramapithecus seria o ancestral mais antigo dos hominídeos, cuja separação do ramo primata teria ocorrido há 14 M.a. Posteriormente, há cerca de 5 a 7 M.a., os ramos dos grandes símios ter-se-iam separado entre si.

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PRIMEIRAS ETAPAS DA EVOLUÇÃO DOS HOMINIDEOS
• Inteligência superior;
• Linguagem articulada;
• Elaboração de conceitos abstractos (o futuro, por exemplo);
• Fabrico e manuseio de instrumentos;
• Vida social complexa e com esforço cooperativo.
Actualmente outros aspectos são considerados igualmente, ou talvez mais, importantes para a definição da família Hominídea:
CONCEITO DE HOMINIZAÇÃO
Características morfológicas – neste grupo pode-se considerar diversos aspectos:
• Cérebro de grande capacidade, tanto funcional como em tamanho (o mínimo de um Homem é 1000cm3 e o máximo de um gorila é de 650cm3); Caixa craniana maior que a face;
• Face vertical com arcada supraciliar reduzida, maxilar inferior pouco saliente e com dentes de tamanho regular; Cabelo longo de crescimento contínuo e pêlos corporais escassos;
• Mãos com polegares bem desenvolvidos e oponíveis, pernas 30% mais longas que os braços e mais fortes, dedo grande do pé não oponível;
• Corpo com camada de gordura subcutânea;
• Dentes em arcada arredondada, caninos pequenos e pré-molares bicuspides;
• Infância e maturação esquelética prolongada.
• bipedismo levou ao surgimento de numerosas alterações a nível evolutivo e morfológico:
ASPECTOS EVOLUCIONISTAS
Certos autores consideram esta característica como a verdadeira causa do desenvolvimento das outras características humanas, dado o Homem ter libertado as mãos para manejar e desenvolver ferramentas, com o desenvolvimento cerebral daí resultante.
A teoria actual (Coppens, 1983), conhecida por “East side story”, tem em conta os locais onde apareceram os fósseis de hominídeos. Estes fósseis só existem no leste africano, pois o Rift criou uma barreira geográfica que separou a população ancestral em dois grupos.
Os antropomórficos do lado oeste divergiram para os macacos actuais, devido ao meio luxuriante se manter. Os do lado leste ficaram encurralados numa zona donde desapareceram as florestas, ficando uma extensão de savana. Deste modo foram obrigados a modificar o seu modo de locomoção, para permitir o transporte de alimentos a grandes distâncias.
O bipedismo também permite uma maior eficiência a percorrer longas distâncias, o que originaria territórios muito maiores.
ASPECTOS MORFOLÓGICOS
No bipedismo, o corpo apoia-se exclusivamente nos membros inferiores e a deslocação efectua-se assentando alternadamente os pés, com um balanceamento do corpo. Além do Homem, poucos animais o conseguem e geralmente durante pequenas distâncias apenas (gibão, chimpanzé, por exemplo), pois a sua estrutura física não está para isso habilitada.
No Homem a adaptação ao bipedismo e à postura vertical levou a importantes modificações anatómicas na cabeça, coluna vertebral e membros;
Membros inferiores muito maiores que os anteriores;
Orifício occipital, no crânio, é horizontal e localizado por baixo da cabeça, permitindo que esta fique bem estável.
Nos macacos, por exemplo, o orifício occipital está deslocado para trás e é oblíquo;
Coluna vertebral é um eixo vertical que sustenta o corpo, permitindo-lhe mover-se graças ás vértebras articuladas entre si e separadas por discos intervertebrais maleáveis.
Apresenta quatro curvaturas que se compensam mutuamente: cervical (concavidade posterior), dorsal (concavidade anterior), lombar (concavidade posterior) e sacra.
A ligação lombar/sacra forma um promontório que sustenta todo o peso da parte superior do corpo; Bacia em forma de cesto, enquanto nos macacos é alongada e estreita, permite sustentar as vísceras e fornece uma maior superfície de inserção aos músculos dos membros inferiores (principalmente ao grande glúteo).
A cada passo o peso total do corpo passa de um pé para o outro, logo para que não se caia a cada passo é necessário que a bacia oscile para cima e para baixo;

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Fémur alongado, delgado e orientado obliquamente permite o alinhamento das articulações da bacia e joelho. Por este motivo é possível juntar os pés;
Centro de gravidade é baixo pois o peso do corpo está deslocado para os membros inferiores, ao contrário dos macacos, que têm um tronco bastante pesado.
Este facto permite uma maior estabilidade à marcha;
Pé é o suporte da totalidade do peso do corpo, sendo uma das maiores modificações morfológicas verificadas no Homem. O dedo grande do pé é longo, robusto e paralelo aos restantes. Através do seu primeiro metatarso o peso é deslocado do calcanhar para a extremidade do pé, sem que exista apoio na zona exterior do pé, como nos macacos.
O pé funciona como uma plataforma extremamente flexível e estável.
EVOLUÇÃO DO CÉREBRO
Outros autores consideram a principal causa do desenvolvimento da espécie humana a evolução do cérebro. Parece existir uma simultaneidade entre o surgimento do bipedismo e o aumento de volume do cérebro. Tendo em conta o peso médio do Homem, o cérebro humano é o maior e o mais pesado entre todos os animais.
A sua zona externa, o córtex, é muito desenvolvida e nela residem as funções intelectuais.
Para comparar o tamanho do cérebro em animais de peso corporal diferente pode utilizar-se o quociente de encefalização (razão entre o peso do cérebro e o do corpo):
Se for inferior a 1, a espécie tem um cérebro menor que a média das espécies com o mesmo peso corporal; se for superior a 1, a espécie tem um cérebro maior que outras de peso semelhante. No caso humano o quociente de encefalização tem valor 8, ou seja, o cérebro é três vezes mais pesado que o de um primata de peso semelhante. Evolução do cérebro
LINGUAGEM ARTICULADA
É uma característica exclusivamente humana.
Entre mamíferos, as principais funções da linguagem consistem, a nível individual, na expressão de sentimentos ou sensações (satisfação, medo, etc.), e, a nível social, no alarme ou intimidação.
Assim, a linguagem animal depende estritamente da sua função.
O que distingue a linguagem humana é a capacidade de veicular símbolos, ideias e noções abstractas. É possível traduzir para linguagem animal uma frase do tipo
“Dá-me uma maçã” mas não do tipo “Acho que ele sabe que penso como ele”.
A capacidade de falar tem base genética mas a linguagem é essencialmente aprendida, daí a diferença na capacidade de expressão oral entre indivíduos.
Se tal aprendizagem não se efectua durante a primeira infância, torna-se praticamente impossível ter a capacidade.
A verdadeira diferença entre a linguagem humana e a animal é a prodigiosa riqueza da primeira. A partir de algumas dezenas de sons fundamentais associados a um ritmo muito rápido surge a palavra. Estes sons são produzidos na laringe, órgão constituído por cartilagens e músculos, alguns dos quais formam as cordas vocais, suspensas do osso hióide.
A laringe apenas faz variar a frequência dos sons produzidos, o ar expirado passa seguidamente para a faringe e depois para a cavidade nasal e boca.
As modificações de forma da boca, graças aos movimentos da língua, véu palatino e lábios, permitem a diferenciação dos sons. As cartilagens e tecidos moles não fossilizam bem logo apenas se pode estudar os ossos da face interna da maxila inferior, palato e buraco occipital.
No entanto, estudos deste tipo já permitiram concluir que o Homem de Neandertal apresentaria um aparelho vocal semelhante ao dos recém-nascidos, o que os impediria de pronunciar as vogais. Já os Australopitecos teriam um aparelho vocal semelhante ao dos macacos actuais. Linguagem articulada
ASPECTOS CULTURAIS
Este aspecto é marcante para o Homem mas também existe em alguns outros primatas.
Além do programa genético e hereditário, existe a herança social, não ligada á hereditariedade e que permitiu o progresso humano em cada geração.
CULTURA EVOLUÇÃO DOS HOMINIDEOS
Os primatas do género Australopitecos são os primeiros hominídeos que se conhecem.
Viveram na África do sul e oriental, entre 4 a 2 M.a.
Apresentavam um volume craniano semelhante ao dos símios (500 cm3) mas já tinham alguns caracteres humanos: Dentição primitiva mas sem caninos salientes e com incisivos largos;
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As mãos não eram usadas para andar como nos grandes símios actuais;
Bacia larga e em forma de cesto, como num ser bípede.
Teriam, no máximo, 120 cm de altura e pesariam entre 27 a 32 kg.
A face era côncava (em forma de prato) e arcada supraciliar pronunciada. Já tinham desenvolvido uma “industria do calhau”, oportunista pois as pedras eram usadas ao acaso.
Actualmente pensa-se que talvez estes primatas pertençam a um ramo colateral da evolução humana.
HOMO ERECTUS
O chamado Homem de Neandertal, em homenagem á localidade alemã onde primeiro foi descoberto, viveu entre 50000 e 35000 anos atrás, durante o último período glaciar.
Os ossos do crânio são espessos, embora menos do que os do Homo erectus, com uma espantosa capacidade craniana de 1300 a 1750 cm3, superior á do Homem moderno.
O crânio apresenta uma característica forma de sino, baixo e com pouca testa.
As arcadas supraciliares eram muito desenvolvidas, prognata, sem queixo e com dentes maiores que os do Homem actual. De constituição atarracada, viveram principalmente na Europa ocidental e médio oriente mas nunca em África. Foram descobertas sepulturas com ornamentos, produziam utensílios de pedra mais elaborados e finos.
Utilizavam, também, ossos, madeira e outros materiais para a construção de utensílios.
Desapareceram instantaneamente, à escala geológica, há cerca de 35000 anos.
As suas características tão especializadas parecem mostrar que não é um antepassado do Homem moderno, antes um ramo colateral que se extinguiu.
HOMO SAPIENS NEANDERTHALENSIS
O Homem moderno terá surgido numa região compreendida entre a Etiópia e o próximo oriente pois existem fósseis como o do Homem da Galileia, que parecem estar na origem do tipo humano que se expandiu pelo mundo.
O fóssil europeu mais conhecido é o Homem de Cro-Magnom, com cerca de 30000 anos.
São mais altos e menos possantes que os Homens de Neandertal, sem arcadas supraciliares salientes, testa direita e ossos do crânio leves. O queixo é bem desenvolvido e a face é ortognata (plana). São os inventores dos supérfluos, como a arte e as diversões. Instalaram-se em aldeias e tornaram-se agricultores, após a última glaciação. As diferenciações geográficas características das chamadas raças, terão surgido há cerca de 30000 anos.
PAEOLÍTICO OU IDADE DA PEDRA LASCADA
Corresponde aproximadamente ao tempo de existência dos géneros Australopitecos, Homo erectus e Homo sapiens neanderthalensis;
NEOLÍTICO OU IDADE DA PEDRA POLIDA
Já com Homo sapiens sapiens, ou seja, á cerca de 10000.
Durante este período surgiu a agricultura, o que permitiu às populações um aumento do tempo de lazer, devido à disponibilidade de alimento. Por outro lado, a fixação inerente à agricultura provocou o desenvolvimento da vida em sociedade e o avanço cultural;
IDADE DOS METAIS (ferro, cobre, bronze)
Inicia-se há cerca de 5000 anos.
Este facto permite uma maior divisão do trabalho, formando-se agregados urbanos, com intensa exploração dos recursos naturais, acumulação de resíduos e propagação de doenças.
EVOLUÇÃO CUTURAL
Já em 1900 era do conhecimento geral a existência de 4 grupos sanguíneos em seres humanos, A, B, AB e O.
Cada grupo sanguíneo corresponde á presença de certas estruturas moleculares (globulinas) na superfície de glóbulos vermelhos, sintetizadas com base na informação codificada nos respectivos genes. O estudo dos grupos sanguíneos permitiu verificar que existem diferenças nas frequências dos diversos tipos, em diferentes locais do globo.
Já antes foi referido que o que distingue duas populações não é a presença ou ausência de determinado grupo sanguíneo mas a frequência relativa de cada grupo.Estudos verificaram que o gene cuja frequência sofre uma variação maior é o gene que codifica o grupo sanguíneo B. A sua frequência é máxima na Ásia, onde atinge 20 a 30% e diminui para Ocidente, com 15 a 20% no leste europeu, 5 a 10% em França e 0 a 5% em Portugal.
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Estes dados apontam para o surgimento, por mutação, do gene que codifica o grupo sanguíneo B, na Ásia, seguida do seu alastramento, por migração, para ocidente.
Também existem outros sistemas de grupos sanguíneos, nomeadamente o sistema Rhesus e o sistema Gm. O sistema Rhesus, ou Rh, é formado por dois tipos apenas: Rh+ ( a maioria dos casos) e Rh -. Trata-se de uma propriedade dos glóbulos vermelhos semelhante á que se encontra presente nos macacos do género Rhesus.
MODIFICAÇÕES EM POPULAÇÕES HUMANAS
A espécie humana é ubíqua, existindo em todos os climas mas é um conjunto biológico homogéneo no que se refere ás suas características.
Apesar desse facto, alguns autores consideram-na acentuadamente polimórfica, em relação a características de segundo plano, dando origem ao conceito de raça humana.
Existem várias classificações de raças humanas mas geralmente existem 4 grupos básicos:
CAUCASIANOS europeus, norte-americanos e árabes
Até á Índia. Estas populações apresentam, caracteristicamente pele e olhos claros, com excepção dos mediterrânicos, nariz estreito, lábios delgados e cabelo liso ou ondulado;
AUSTRALÓIDES aborígenes e povos com eles relacionados
Que apresentam pele escura, variando do tom azeitona até ao quase negro, cabelo encaracolado, olhos escuros e nariz largo;
– MONGOLOIDES Pele amarelada, cabelos lisos, nariz de forma variada, rosto largo e achatado, olhos com prega epicântica na pálpebra superior (cuja função é proteger do clarão ofuscante da neve).
Deste grupo terão derivado os índios americanos e os esquimós, através de populações que teriam migrado através do estreito de Behring;
NEGROS Pele escura, variando do tom acastanhado ao quase negro, nariz achatado, olhos escuros e cabelos crespos.
QUAL A ORIGEM DESTAS RAÇAS ?
Existem duas teorias que tentam explicar estas diferenças morfológicas entre as populações humanas:
HIPÓTESE POLICÊNTRICO A formação da actual população humana efectuou-se em vários territórios relativamente independentes, onde vários tipos de H. erectus teriam dado origem aos principais tipos actuais;
HIPÓTESE MONOCÊNTRICA
Hipótese monocêntrica – o Homem actual terá surgido num território único, numa região algures entre a Ásia central e o nordeste africano, onde teria ocorrido o cruzamento de numerosos hominídeos, entre eles o H. erectus e H. sapiens, o que teria enriquecido o seu património genético. Só posteriormente se teriam formado as várias populações geográficas, que originaram as raças.
Actualmente sabe-se que a cor da pele, por exemplo, um dos critérios mais importantes na classificação das raças humanas, resulta apenas da quantidade variável de melanina na pele.
Verifica-se, portanto, uma variação quantitativa e não qualitativa, para não falar do espectro de variação dentro da mesma raça, que é muito maior que a variação entre raças.
É sabido que uma boa classificação se deve basear num conjunto de caracteres representativos mas no caso humano, os caracteres utilizados não variam dentro das raças de modo correlacionado. Outro aspecto a salientar é a utilização do termo subespécie á população humana, pois este termo só pode ser aplicado a populações que mostrem uma concordância acentuada dum numeroso conjunto de caracteres distintivos, o que não é o caso do Homem. De todos estes argumentos pode concluir-se que as raças humanas não têm qualquer significado biológico.
RAÇAS HUMANAS
Tendo em conta o momento em que a espécie humana surge á face da Terra, a história humana decorre apenas numa milésima parte da vida na Terra.
A espécie humana é muito jovem, logo deve estar apenas no início da sua evolução…
DIVERGÊNCIA X HOMOGENEIDADE
De modo geral considera-se que existe uma tendência para a homogeneidade das características humanas pois as barreiras geográficas e culturais estão progressivamente a desaparecer;

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Redução do papel da selecção natural – o tempo médio de vida de um ser humano tem vindo a aumentar, devido á melhor nutrição e ao aumento dos cuidados médicos.
Isto significa que as populações incluem, simultaneamente, cada vez mais gerações.
Biologicamente, a medicina impede a acção da selecção natural logo haverá cada vez mais indivíduos portadores de genes deletérios, os quais serão transmitidos em maior número ás gerações seguintes. Assim, a medicina é vantajosa para o indivíduo mas parece prejudicial para a espécie, a longo prazo.
Por outro lado, surgem novos agentes selectivos, como os produtos criados pelo Homem que são mutagénios, e cujas consequências só serão visíveis em muitas gerações, como as radiações atómicas, alterações ambientais, etc.;
ENGENHARIA GENÉTICA
A recombinação artificial de genomas permite ultrapassar os mecanismos isoladores pois junta, artificialmente, genes de espécies diferentes no mesmo citoplasma. Estas técnicas podem permitir a cura de doenças hereditárias, bem como a obtenção de organismos transgredidos;
LIMITES DO CRESCIMENTO
O Homem tem alterado profundamente o ambiente, devido á agricultura, drenagem, irrigação e construção de cidades. Esta exploração desastrosa dos recursos num mundo finito tem que ser travada, sob pena de encurtar a evolução da nossa espécie…
CULTURA
A cada problema colocado pela natureza, o Homem respondeu com a sua inteligência e espírito criador, encontrando soluções originais que lhe asseguram hipóteses de sobrevivência, sejam quais forem as modificações do meio em que vive.
Actualmente a evolução do Homem é mais cultural que física, o que é uma vantagem inimaginável pois o mais esperto animal não consegue transmitir os seus conhecimentos á sua descendência mas o Homem transmite á sua descendência e a todos os outros Homens.
Um animal, por mais forte e mais dotado que seja, sem descendentes terá a sua herança desaparecida para sempre mas Da Vinci ou Beethoven não deixaram descendentes e o seu génio é conhecido de toda a Humanidade. O Homem adquiriu também um poder assustador, desenvolveu o seu conhecimento a ponto de ser capaz de agir sobre a sua própria evolução, bem como sobre a de todos os organismos sobre a Terra. Este poder, capaz de alterar o equilíbrio que levou á natureza milhões de anos a atingir, não poderá voltar-se contra o seu próprio criador ?
– FUTURO DO CÉREBRO
Os anatomistas consideram o cérebro humano igual ao do Homem de Cro-Magnom, que viveu há cerca de 35000 anos atrás, mas talvez a diferença resida, não na forma, mas na organização dos milhões de células que o constituem. É indiscutível que o ser humano actual é mais inteligente pois vive num ambiente mais rico e complexo.
No entanto, todos nascem com as mesmas potencialidades mas desde a infância que se vão tornando mais ou menos inteligentes, em função da educação, dos estímulos e da vontade própria de aprender.

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