sexta-feira, 6 de novembro de 2009

CAPITULO 03 = PECADO ; SACRIFICIO ;EXPIAÇÃO

CAPITULO 3
PECADO, SACRIFÍCIO E EXPIAÇÃO
O homem primitivo via a si mesmo como estando em débito com os espíritos, e em necessidade de redenção. Do modo como os selvagens encaravam esse fato, por justiça, os espíritos poderiam enviar-lhes ainda mais má sorte.
Com o passar do tempo, esse conceito desenvolveu-se até a doutrina do pecado e da salvação.

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A alma era encarada como tendo vindo ao mundo possuindo uma falta – o pecado original.
A alma deveria ser redimida; um bode-expiatório deveria ser providenciado.
O caçador de cabeças, além de praticar o culto da caveira, era capaz de prover um substituto para a sua própria vida: um homem-expiatório.
O selvagem foi, logo nos seus primórdios, possuído pela noção de que os espíritos têm uma satisfação suprema com a visão da miséria, sofrimento e humilhação humana.
No princípio, o homem estava preocupado apenas com os pecados cometidos, mais tarde, todavia, ele inquietou-se também com o pecado da omissão.
E todo um sistema subsequente de sacrifícios cresceu em torno dessas duas ideias. Esse novo ritual tinha a ver com a observância das cerimónias de propiciação para o sacrifício.
O homem primitivo acreditava que algo especial devia ser feito para conquistar o favorecimento dos deuses; apenas a civilização avançada reconhece um Deus coerentemente equilibrado e benevolente. A propiciação era mais um seguro contra a má sorte imediata do que um investimento na bênção futura. E os rituais do Livramento, do exorcismo, da coerção e da propiciação, todos, combinam-se uns com os outros.
1. O TABU
A observância de um tabu era o esforço do homem para evitar a má sorte, para livrar-se de ofender os fantasmas espirituais, evitando alguma coisa.
Os tabus inicialmente eram não-religiosos, mas logo adquiriram a aprovação dos fantasmas ou dos espíritos e, quando reforçados assim, transformaram-se nos elaboradores das leis e das instituições.
O tabu é a fonte dos padrões dos cerimoniais e o ancestral do auto controle primitivo.
Foi a mais primitiva forma de regulamentação societária e, por um longo período de tempo, a única; é ainda uma unidade básica da estrutura social reguladora.
O respeito que essas proibições inculcavam na mente do selvagem igualava-se exactamente ao medo que ele tinha dos poderes que supunha estar impondo-as.
Os tabus inicialmente surgiram em consequência da experiência casual com a má sorte; mais tarde foram propostos pelos chefes e xamãs – homens-fetiches que se pensava serem orientados por um fantasma espiritual, ou mesmo por um deus.
O medo da punição dos espíritos era tão grande na mente de um homem primitivo que, algumas vezes, ele morria de medo quando violava um tabu, e esse episódio dramático reforçava enormemente o poder do tabu nas mentes daqueles que sobreviviam.
Entre as mais antigas proibições estavam as restrições quanto à apropriação de mulheres e de outras propriedades.
À medida que a religião começou a exercer um papel maior na evolução do tabu,
O homem que ficava banido era considerado sujo e, subsequentemente, profano. Os registros dos hebreus estão cheios de menções a coisas limpas e sujas, santas e profanas, mas as suas crenças nessas direcções eram muito menos embaraçosas e amplas que as de muitos outros povos. Os sete mandamentos da Dalamátia e do Éden, bem como as dez obrigações dos hebreus eram tabus definidos, expressos todos na mesma forma negativa na qual o foram as mais antigas proibições. Mas esses códigos mais novos tiveram uma influência verdadeiramente emancipadora, pois tomaram o lugar de milhares de tabus preexistentes. E, mais do que isso, esses mandamentos mais recentes definitivamente prometiam algo em recompensa pela obediência.Os tabus primitivos sobre os alimentos originaram-se do fetichismo e do totemismo.
Os suínos eram sagrados para os fenícios, a vaca para os hindus.
O tabu egípcio sobre a carne de porco foi perpetuado pela fé hebraica e pela fé islâmica.
Uma variante do tabu dos alimentos foi a crença de que se uma mulher grávida pensasse muito sobre um determinado alimento, a sua criança, quando nascesse, seria um eco daquele alimento, o qual seria um tabu para a criança.
Os métodos da alimentação logo se tornaram tabu, e assim originaram-se as etiquetas antigas e modernas à mesa. Os sistemas de castas e de níveis sociais são vestígios de antigas proibições. Os tabus eram altamente eficazes para organizar a sociedade, mas eram terrivelmente opressivos; o sistema de proibição negativa não apenas mantinha regulamentações úteis e construtivas como também os tabus obsoletos, antiquados e inúteis.



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Não haveria, contudo, nenhuma sociedade civilizada para restringir o homem primitivo a não ser desses tabus bem difundidos e variados; e o tabu nunca teria perdurado, não fossem as próprias sanções das religiões primitivas que os sustentavam. Muitos dos factores essenciais à evolução do homem têm sido altamente dispendiosos, têm custado vastos tesouros de esforços, de sacrifícios e de renúncias, mas essas realizações no sentido do auto controle foram os verdadeiros degraus por meio dos quais o homem subiu a escada ascendente da civilização.
2.O CONCEITO DE PECADO
O medo do acaso e o pavor da má sorte dirigiram literalmente o homem à invenção da religião primitiva como um suposto seguro contra as calamidades.
Da mágica e dos fantasmas, a religião evoluiu por meio dos espíritos e fetiches, até os tabus.
Todas as tribos primitivas tinham a sua árvore da fruta proibida, literalmente a maçã, mas figurativamente consistia de milhares de ramos sobrecarregados de todas as espécies de tabus.
E a árvore proibida dizia sempre: “Tu não...”
À medida que a mente selvagem evoluiu até aquele ponto em que podia idealizar os bons e os maus espíritos, e quando o tabu recebeu a sanção solene da religião que evoluía, o cenário preparou-se para o aparecimento da nova concepção de pecado. A ideia do pecado foi universalmente estabelecida no mundo antes que a religião revelada tivesse feito a sua entrada.
Apenas por meio do conceito do pecado é que a morte natural tornou-se lógica para a mente primitiva. O pecado era a transgressão do tabu; e a morte, a penalidade para o pecado.
O pecado era ritual, não racional; um ato, não um pensamento.
E todo esse conceito de pecado foi fomentado pelas tradições residuais do Dilmun e da época de um pequeno paraíso na Terra. As tradições de Adão e do Jardim do Éden também emprestaram substância ao sonho de uma certa “idade dourada” havida no alvorecer da raça.
E tudo isso confirmou as ideias expressas posteriormente na crença de que o homem teve a sua origem em uma criação especial, de que ele começou a sua carreira na perfeição, e de que a transgressão dos tabus – o pecado – levara-o a cair na sua situação dolorosa mais recente.
A violação habitual de um tabu tornou-se um vício; a lei primitiva fez do vício um crime; a religião o transformou em um pecado.
Entre as tribos primitivas a violação de um tabu era uma combinação de crime e de pecado.
A calamidade da comunidade era considerada sempre como uma punição para o pecado tribal.
Para aqueles que acreditavam que a prosperidade e a rectidão vão juntas, a prosperidade aparente dos perversos causava tanta preocupação que foi necessário inventar os infernos para punir o violador do tabu; os números desses lugares de punição futura têm variado de um a cinco.A ideia da confissão e do perdão surgiu muito cedo na religião primitiva.
Os homens pediriam o perdão em uma reunião pública pelos pecados que tinham a intenção de cometer na semana vindoura.
A confissão era meramente um rito de remissão, e também uma notificação pública de violação, um ritual de gritos: “impuro, impuro!” Então se seguiam todos os esquemas ritualistas de purificação. Todos os povos antigos praticavam essas cerimónias sem sentido.
Muitos costumes aparentemente higiénicos das tribos primitivas haviam vindo, quase sempre, de cerimoniais.
3.A RENÚNCIA E A HUMILHAÇÃO
A renúncia veio como o próximo passo na evolução religiosa; o jejum era uma prática comum.
Logo se tornou um costume a abstenção de muitas formas de prazer físico, especialmente os de natureza sexual.
O ritual do jejum estava profundamente arraigado em muitas religiões antigas e foi transmitido a praticamente todos os sistemas modernos de pensamento teológico.
Na época em que o homem bárbaro estava exactamente recuperando-se da prática esbanjadora de queimar e de enterrar propriedades junto com os mortos, em um momento em que a estrutura económica das raças estava começando a tomar forma, essa nova doutrina religiosa da renúncia surgiu, e dezenas de milhares de almas sinceras começaram a cortejar a pobreza.
A propriedade foi encarada como uma desvantagem espiritual.
Essas noções dos perigos espirituais da posse material eram alimentadas amplamente na época de Filo e de Paulo, e marcadamente influenciaram a filosofia europeia desde então.


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A pobreza era apenas uma parte do ritual da mortificação da carne, o que, infelizmente, tornou-se incorporado aos escritos e aos ensinamentos de muitas religiões, notadamente, do cristianismo. A penitência é a forma negativa desse ritual, muitas vezes tolo, de renúncia.
Mas tudo isso ensinou ao selvagem o auto controle, o qual foi um avanço que valeu a pena na evolução social. A renúncia, ou a auto negação, e o auto controle foram dois dos maiores ganhos sociais da religião evolucionária primitiva.
O auto controle deu ao homem uma nova filosofia de vida; ensinou a ele a arte de aumentar a fracção que corresponde à sua etapa de vida, diminuindo o denominador das demandas pessoais, em vez de tentar sempre aumentar o numerador da gratificação egoísta. Essas antigas ideias de autodisciplina abrangiam o auto flagelo e todos os tipos de torturas físicas.
Os sacerdotes do culto da mãe estavam especialmente empenhados no ensino da virtude do sofrimento físico, dando o exemplo ao submeterem-se à castração.
Os hebreus, os hindus e os budistas eram devotos sinceros dessa doutrina da humilhação física.
Durante toda a antiguidade os homens buscaram, com esses comportamentos de auto negação e renúncia, os créditos extraordinários nos registros dos seus deuses.
Era costumeiro, quando sob alguma tensão emocional, fazer votos de renúncia e de auto tortura.
Com o tempo esses votos assumiram a forma de contratos com os deuses e, nesse sentido, representaram um verdadeiro progresso evolucionário, pois se supunha que os deuses fizessem algo definido como recompensa por essa auto tortura e essa mortificação da carne.
Os votos eram tanto de negação quanto de afirmação positiva.
As promessas dessa natureza extrema e prejudicial são, ainda hoje, bastante observadas em meio a certos grupos da Índia. Era nada mais do que natural que o culto da renúncia e da humilhação devesse ter dado atenção à gratificação sexual.
O culto da continência sexual originou-se como um ritual entre os soldados, antes de entrarem nas batalhas; em dias posteriores tornou-se a prática dos “santos”.
Esse culto tolerava o casamento apenas como um mal menor do que a fornicação.
Muitas grandes religiões do mundo têm sido influenciadas adversamente por esse culto antigo, mas nenhuma mais marcadamente do que o cristianismo.
O apóstolo Paulo era um devoto desse culto, e a sua visão pessoal é reflectida nos ensinamentos que ele vinculou à teologia cristã: “É bom para um homem não tocar em uma mulher”. “Gostaria que todos os homens fossem como eu”.
“Digo, pois, aos que não são casados e aos viúvos, ser bom para eles permanecerem como eu.” Paulo sabia muito bem que esses ensinamentos não eram uma parte da boa nova do evangelho de Jesus, e o seu reconhecimento disso é ilustrado por esta declaração sua:
“E me permito dizer isso, mas isso não me foi passado como um mandato ou mandamento”.
E esse culto levou Paulo a desprezar as mulheres. E o pior de tudo isso é que a sua opinião pessoal vem, há muito, influenciando os ensinamentos de uma grande religião mundial.
Se os conselhos do fabricante de tendas e professor tivessem sido obedecidos literal e universalmente, então a raça humana teria chegado a um fim súbito e inglório.
Ademais, o envolvimento de uma religião e o antigo culto da continência conduz directamente a uma guerra contra o casamento e o lar, as verdadeiras fundações da sociedade e as instituições básicas do progresso humano. E não é de admirar-se que todas essas crenças fomentaram a formação de sacerdócios celibatários nas várias religiões de muitos povos.
Algum dia o homem deveria aprender como desfrutar da liberdade sem licença, da nutrição sem a glutoneria e do prazer sem a devassidão. O auto controle é uma política de regulamentação do comportamento humano melhor do que a renúncia extrema.
E Jesus jamais passou aos seus seguidores essas visões pouco razoáveis.
4. AS ORIGENS DO SACRIFÍCIO
O sacrifício como uma parte das devoções religiosas, como muitos outros rituais de adoração, não teve uma origem simples nem única.
A tendência de inclinar-se diante do poder e de prostrar-se em adoração na presença do mistério está prognosticada no servilismo do cão diante do seu dono.
Um passo apenas separa o impulso da adoração, do ato do sacrifício.
O homem primitivo media o valor do seu sacrifício pela dor que sofria.
Quando a ideia do sacrifício pela primeira vez ligou-se ao cerimonial religioso, nenhuma oferenda contemplada deixava de produzir a dor.

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Os primeiros sacrifícios eram atos tais como arrancar os cabelos, cortar a carne, fazer mutilações, arrancar os dentes e cortar fora os dedos.
À medida que a civilização avançou, esses conceitos rudes de sacrifício elevaram-se ao nível dos rituais de auto abnegação, ascetismo, jejum, privação e a doutrina cristã mais recente da santificação por meio do pesar, do sofrimento e da mortificação da carne.
Muito cedo, na evolução da religião, existiram duas concepções de sacrifício: a ideia do sacrifício dádiva, que conotava uma atitude de agradecimento, e o sacrifício de débito, que abrangia a ideia de redenção. Mais tarde a noção da substituição foi desenvolvida.
Mais adiante o homem concebeu que o seu sacrifício, de qualquer natureza que fosse, poderia funcionar como um portador de mensagem aos deuses;
poderia ser como um doce perfume para as narinas da deidade. Isso trouxe o incenso e outros aspectos estéticos aos rituais de sacrifício que se desenvolveram como festejos de sacrifícios, cada vez mais elaborados e ornados com o passar do tempo.
À medida que a religião evoluiu, os ritos do sacrifício de conciliação e de propiciação substituíram os métodos mais antigos de prevenção, de aplacamento e de exorcismo.
A ideia inicial do sacrifício era a de um imposto de neutralidade, arrecadado pelos espíritos ancestrais; apenas mais tarde a ideia da expiação veio a desenvolver-se.
À medida que o homem distanciou-se da noção da origem evolucionária da raça, e à medida que as tradições da época do Príncipe Planetário e da permanência de Adão foram filtrando-se com o passar do tempo, o conceito do pecado e do pecado original foram tornando-se difundidos, de modo que o sacrifício por pecados acidentais e pessoais evoluiu até a doutrina do sacrifício pela expiação do pecado racial. A expiação do sacrifício era um dispositivo de segurança que abrangia até mesmo os ressentimentos e o ciúme de um deus desconhecido.
Rodeado de tantos espíritos sensíveis e de deuses ávidos, o homem primitivo enfrentava uma tal hoste de deidades credoras que requeria todos os sacerdotes, rituais e sacrifícios durante toda uma vida, para isentá-lo de débitos espirituais.
A doutrina do pecado original, ou da culpa da raça, fazia com que todas as pessoas começassem já com um sério débito para com os poderes espirituais.
Presentes e subornos são dados aos homens; mas quando se os oferece aos deuses, eles são descritos como sendo dedicados, tornados sagrados ou são chamados de sacrifícios.
A renúncia era a forma negativa de propiciação; o sacrifício tornou-se a forma positiva.
O ato de propiciação incluía a louvação, a glorificação, a adulação e até mesmo o entretenimento. E são os remanescentes das práticas positivas do velho culto de propiciação que constituem as formas modernas de adoração divina.
As formas tatuais de adorações são simplesmente a ritualização dessas antigas técnicas de sacrifícios de propiciação positiva.O sacrifício dos animais significava muito mais para o homem primitivo do que poderia jamais significar para as raças modernas.
Esses bárbaros consideravam os animais como parentes verdadeiros e próximos seus.
Com o passar do tempo, o homem tornou-se astuto nos seus sacrifícios, parando de oferecer os seus animais de trabalho.
A princípio ele sacrificava o melhor de tudo, incluindo os seus animais domesticados.
Não foi uma jactância sem fundamento, que certo dirigente egípcio teve ao declarar que tinha sacrificado 113 433 escravos, 493 386 cabeças de gado, 88 barcos, 2 756 imagens de ouro, 331 702 jarras de mel e de óleo, 228 380 jarras de vinho, 680 714 gansos, 6 744 428 pães e 5 740 352 sacos de moedas. E para fazer isso ele teve de arrecadar até os impostos sofridos dos seus súbditos submetidos a um trabalho exaustivo. A mera necessidade finalmente levou esses semi-selvagens a comer a parte material dos seus sacrifícios, os deuses tendo desfrutado já da alma deles.
E esse costume encontrou a sua justificação sob o pretexto do antigo banquete sagrado, um serviço de comunhão de acordo com os usos modernos.
‘5. OS SACRIFÍCIOS e o CANIBALISMO
As ideias modernas do canibalismo primitivo são inteiramente erróneas; ele era uma parte dos costumes da sociedade primitiva.
Do mesmo modo que o canibalismo é tradicionalmente horrível para a civilização moderna, ele era parte da estrutura social e religiosa da sociedade primitiva.
Os interesses grupais ditavam a prática do canibalismo.
Ele nasceu instigado pela necessidade e perdurou devido à escravidão, à superstição e à ignorância. Era um costume social, económico, religioso e militar.
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O homem primitivo era um canibal; ele gostava da carne humana e, por isso, ele a oferecia como um presente alimentício aos seus espíritos e deuses primitivos.
Já que os espíritos fantasmas eram apenas homens modificados, e já que a comida era a maior necessidade humana, então o alimento deveria também ser a maior necessidade de um espírito.
O canibalismo chegou a ser quase universal entre as raças em evolução.
Os sangiques eram todos canibais, mas originalmente os andonitas não o eram, nem os noditas, nem os adamitas; nem os anditas o foram até o momento em que se tornaram muito misturados com as raças evolucionárias. O gosto pela carne humana aumenta.
Tendo começado por meio da fome; por amizade, por vingança ou por um ritual religioso, comer a carne humana transforma-se no canibalismo habitual.
O canibalismo surgiu por causa da escassez de alimento, embora tenha sido esta, poucas vezes, a razão fundamental. Os esquimós e os andonitas primitivos, entretanto, raramente eram canibais, exceto em épocas de fome.
Os homens vermelhos, especialmente na América Central, eram canibais.
Chegou a ser uma prática generalizada que as mães primitivas matassem e comessem os seus próprios filhos, para renovar as energias perdidas na concepção, e em Queensland o primeiro filho ainda é assim frequentemente morto e devorado.
Em tempos recentes o canibalismo tem sido deliberadamente adoptado por muitas tribos africanas como uma medida de guerra, uma espécie de atrocidade com a qual aterrorizar os vizinhos. Um certo canibalismo resultou da degeneração de algumas linhagens superiores, mas prevaleceu, sobretudo, em meio às raças evolucionárias.
Comer a carne humana começou em uma época em que os homens experimentaram emoções intensas e amargas a respeito dos seus inimigos, e tornou-se uma parte de uma cerimónia solene de vingança; acreditava-se que o fantasma de um inimigo poderia, desse modo, ser destruído ou fundido com aquele de quem comia. Foi uma crença bem difundida a de que os feiticeiros alcançavam os seus poderes comendo carne humana.
Alguns grupos de canibais consumiam apenas os da sua própria tribo, como uma espécie de endogamia pseudo-espiritual que se supunha acentuar a solidariedade tribal.
Mas também comiam os inimigos como vingança e com a ideia de apropriar-se da sua força.
Era considerado uma honra para a alma de um amigo ou companheiro tribal que o seu corpo fosse comido, e ao mesmo tempo devorar o inimigo nada mais era do que uma punição para com ele. A mente selvagem não tinha pretensões de ser coerente.
Entre algumas tribos os pais idosos buscavam ser comidos pelos seus filhos; entre outras era costumeiro evitar comer parentes próximos e os seus corpos eram vendidos ou trocados pelos de estranhos. Havia um comércio considerável das mulheres e das crianças que tinham sido engordadas para serem abatidas. Quando a doença ou a guerra deixava de exercer o controle da população, o excesso era comido sem cerimónias.
O canibalismo tem desaparecido gradualmente por causa das seguintes influências:
1. Às vezes, assumir responsabilidade colectiva por infligir-se a pena de morte a um companheiro de tribo tornava-se uma cerimónia comunitária.
A culpa pelo sangue derramado deixa de ser um crime quando todos participam dela, quando é um ato da sociedade.
As últimas manifestações de canibalismo na Ásia foram as de comer criminosos executados.
2. Tornou-se muito cedo um ritual religioso, mas o crescimento do medo do fantasma nem sempre funcionou para reduzir o canibalismo.
3. Finalmente progrediu a um ponto em que apenas certas partes ou órgãos do corpo eram comidos, essas partes supostamente continham a alma ou porções do espírito.
Beber o sangue tornou-se comum, e era costumeiro misturar as partes “comíveis” do corpo aos remédios.
4. Tornou-se circunscrito aos homens; as mulheres eram proibidas de comer a carne humana.
5. Em seguida ficou circunscrito aos chefes, sacerdotes e xamãs.
6. Então, tornou-se um tabu entre as tribos superiores.
O tabu do canibalismo originou-se na Dalamátia e lentamente disseminou-se pelo mundo.
Os noditas encorajavam a cremação como um meio de combater o canibalismo, já que então era uma prática comum desenterrar os corpos e comê-los.
O sacrifício humano fez soar o dobrado de morte do canibalismo.


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A carne humana, tendo tornando-se comida para os homens superiores, os chefes, ficou finalmente reservada aos espíritos ainda superiores; e assim a oferta de sacrifícios humanos efectivamente pôs um fim ao canibalismo, exceto entre as tribos inferiores.
Quando o sacrifício humano ficou plenamente estabelecido, o canibalismo tornou-se um tabu; a carne humana era alimento apenas para os deuses; o homem podia comer apenas uma pequena porção cerimonial, como um sacramento.
Finalmente generalizou-se o uso de substitutos animais nos sacrifícios e, mesmo nas tribos mais atrasadas, comiam-se cães, o que reduziu grandemente o canibalismo. O cão foi o primeiro animal domesticado e era tido em grande estima, tanto como amigo, quanto como comida.
6. A EVOLUÇÃO DO SACRIFICIO HUMANO
O sacrifício humano foi um resultado indirecto do canibalismo, bem como a sua cura.
O fato de prover companhia espiritual até o mundo do espírito levou também à diminuição do canibalismo, pois nunca foi costume comer os corpos dos sacrifícios de morte.
Nenhuma raça esteve totalmente livre da prática de sacrifício humano de alguma forma e em algum momento, embora os andonitas, os noditas e os adamitas tivessem sido os menos viciados no canibalismo.O sacrifício humano tem sido virtualmente universal; ele perdurou nos costumes religiosos dos chineses, hindus, egípcios, hebreus, mesopotâmios, gregos, romanos e de muitos outros povos e mesmo até tempos recentes, entre as tribos africanas e australianas atrasadas.
Os índios americanos mais recentes tiveram uma civilização que emergiu do canibalismo, sendo portanto repleta de sacrifícios humanos, especialmente na América Central e na América do Sul.
Os caldeus estavam entre os primeiros a abandonar o sacrifício humano nas ocasiões comuns, substituindo-o pelo sacrifício de animais. Cerca de dois mil anos atrás um imperador japonês de bom coração introduziu imagens de argila para ocupar o lugar dos humanos sacrificados, mas foi há menos de mil anos que esses sacrifícios terminaram no norte da Europa.
Entre algumas tribos retrógradas, o sacrifício humano é ainda efectuado por voluntários, em uma espécie de suicídio ritual religioso. Um xamã certa vez ordenou o sacrifício de um velho homem muito respeitado de uma certa tribo. O povo revoltou-se; e recusaram a obedecê-lo.
Então o velho homem fez com que o seu próprio filho o matasse; os antigos realmente acreditavam nesse costume.
Não existe registro de uma experiência mais trágica e patética, e que ilustra as dolorosas contendas entre os costumes religiosos antigos e honrados e as exigências contrárias da civilização em avanço, do que a narrativa hebraica de Jefté e da sua única filha.
Como era um costume comum, esse homem bem-intencionado fez um voto tolo, tendo barganhado com o “deus das batalhas”, concordando em pagar um certo preço pela vitória sobre os seus inimigos. E esse preço era sacrificar a primeira pessoa que saísse da sua casa para encontrá-lo quando ele voltasse para o seu lar.
Jefté pensou que um dos seus confiáveis escravos estaria à mão para saudá-lo, mas aconteceu que a sua única filha saiu para dar-lhe as boas-vindas ao lar.
E assim, mesmo em uma data recente e no meio de um povo supostamente civilizado, essa bela jovem, depois de dois meses lamentado o seu destino, foi de fato oferecida como um sacrifício humano pelo seu pai, e com a aprovação dos seus companheiros de tribo.
E tudo isso foi feito enfrentando as rigorosas ordens de Moisés contra a oferenda de sacrifício humano. Os homens e as mulheres, todavia, obstinam-se no vício de fazer votos tolos e desnecessários, e os homens de outrora tinham essas promessas como altamente sagradas.
Nos tempos antigos, quando a construção de um novo prédio de alguma importância era iniciada, era costume matar um ser humano como um “sacrifício à fundação”.
Isso provia para que um espírito fantasma vigiasse e protegesse a estrutura.
Quando os chineses se preparavam para fundir um sino, o costume decretava o sacrifício de uma jovem ao menos, com o propósito de melhorar o tom do sino; a moça escolhida era jogada viva no metal derretido.
Muitos grupos há muito tinham a prática de incorporar escravos vivos a paredes importantes.
Em tempos mais recentes as tribos do norte da Europa passaram a usar a sombra de alguém que passava, nesse costume de incorporar pessoas vivas nas paredes de novos prédios.
Os chineses enterravam em uma parede aqueles trabalhadores que morriam enquanto a construíam. Ao construir as paredes de Jericó, um pequeno rei da Palestina “lançou a fundação sobre Abiram, o seu primogénito, e fez os portões sobre o seu filho mais jovem, Segub”.

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Naquela data recente, não apenas esse pai pôs dois dos seus filhos vivos nos buracos da fundação dos portões da cidade, mas esse ato é também registrado como estando “de acordo com a palavra do Senhor”. Moisés tinha proibido esses sacrifícios nas fundações, os israelitas, contudo, voltaram a eles pouco depois da sua morte.
A cerimónia do século vinte, de depositar berloques e presentes na pedra fundamental de um novo edifício, é uma reminiscência dos sacrifícios primitivos das fundações.
Durante um longo tempo foi costume de muitos povos dedicar os primeiros frutos aos espíritos.
E essas observâncias, actualmente mais ou menos simbólicas, são todas reminiscências das cerimónias primitivas que envolviam o sacrifício humano.
A ideia de oferecer o primogénito em sacrifício era bem difundida entre os antigos, especialmente entre os fenícios, que foram os últimos a abandoná-la. Usava-se dizer durante o sacrifício, “a vida pela vida”. E, agora, vós dizeis quando da morte, “do pó ao pó”.
O espectáculo de Abraão coagido a sacrificar o seu filho Isaac, ainda que chocante para as susceptibilidades civilizadas, não era uma ideia nova nem estranha para os homens daqueles tempos. Tinha sido uma prática comum que os pais, em tempos de grandes pressões emocionais, sacrificassem os seus filhos primogénitos.
Muitos povos têm uma tradição análoga à dessa história, pois certa vez existiu uma crença mundial profunda de que era necessário ofertar um sacrifício humano quando qualquer coisa extraordinária ou inusitada acontecia.
7. AS MODIFICAÇÕES DO SACRIFICIO HUMANO
Moisés tentou dar um fim aos sacrifícios humanos inaugurando como substituto o sistema de resgate. Ele estabeleceu um programa sistemático que permitia ao seu povo escapar dos piores resultados dos seus votos imprudentes e tolos. Terras, propriedades e filhos podiam ser redimidos segundo as espórtulas estabelecidas, pagáveis aos sacerdotes.
Os grupos que deixaram de sacrificar os seus primogénitos logo estavam em grandes vantagens sobre os vizinhos menos avançados, que continuavam com esses atos de atrocidade.
Muitas dessas tribos atrasadas foram não apenas grandemente enfraquecidas pela perda de filhos, como também a sucessão da liderança era frequentemente interrompida.
Uma consequência do sacrifício de filhos, que já passava, foi o costume de lambuzar as ombreiras das portas da casa com sangue para proteger os primogénitos.
Isto era frequentemente feito em uma das festas sagradas do ano, e essa cerimónia existiu na maior parte do mundo, do México ao Egipto.
Mesmo depois que a maioria dos grupos tinha cessado a matança ritual de filhos, era costume abandonar um infante na selva ou em um pequeno barco na água.
Se a criança sobrevivesse, julgava-se que os deuses tinham intervindo para preservá-la, como nas tradições de Sargon, Moisés, Ciro e Rômulo.
Então veio a prática de dedicar os filhos primogénitos considerando-os sagrados ou sacrificatórios, permitindo-lhes crescer e depois os exilando em vez de sacrificá-los; essa foi a origem da colonização. Os romanos aderiram a esse costume no seu esquema de colonização.
Muitas das ligações excêntricas, de libertinagem sexual combinada à adoração primitiva, tiveram a sua origem no sacrifício humano. Nos tempos de outrora, se uma mulher deparava-se com caçadores de cabeças, ela podia salvar a sua vida rendendo-se sexualmente.
Posteriormente, uma donzela, consagrada aos deuses em sacrifício, poderia escolher salvar a sua vida dedicando o seu corpo à vida no serviço do sexo sagrado nos templos; e desse modo ela podia ganhar o dinheiro necessário à sua redenção. Os antigos consideravam como sendo altamente elevado ter relações sexuais com uma mulher engajada assim em resgatar a sua vida.
A relação com essas donzelas sagradas era uma cerimónia religiosa e, além do que, todo esse ritual proporcionava uma desculpa aceitável para a gratificação sexual comum.
Essa era uma espécie subtil de enganar a si próprio, que tanto as donzelas quanto os seus consortes deliciavam-se em praticar entre si.
Os costumes estão sempre atrasados em relação aos progressos evolucionários da civilização, e, assim sendo, sancionam as práticas sexuais mais primitivas e mais selvagens das raças em evolução. A prostituição nos templos finalmente difundiu-se no sul da Europa e na Ásia.
O dinheiro ganho pelas prostitutas dos templos era considerado sagrado por todos os povos – uma alta dádiva a ser apresentada aos deuses. Os tipos do mais alto nível de mulheres enchiam os mercados sexuais dos templos, e elas devotavam os seus ganhos a todas as espécies de serviços sagrados e trabalhos de benefício público
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Muitas das melhores classes de mulheres colectavam os seus dotes por meio do serviço do sexo temporário nos templos, e a maior parte dos homens preferia ter essas mulheres como esposas.
8. A REDENÇÃO E AS ALIANÇAS
A redenção por meio do sacrifício e a prostituição nos templos, na realidade, foram modificações do sacrifício humano. Em seguida veio o simulacro do sacrifício das filhas.
Essa cerimónia consistia em uma sangria, com a dedicação de virgindade vitalícia, e foi uma reacção moral à antiga prostituição nos templos. Em tempos mais recentes as virgens dedicavam-se ao serviço de manter os fogos sagrados dos templos.
Os homens finalmente conceberam a ideia de que oferecer alguma parte do corpo poderia tomar o lugar do antigo e completo sacrifício humano.
A mutilação física era também considerada como uma substituta aceitável.
Cabelos, unhas, sangue e até mesmo os dedos das mãos e dos pés eram sacrificados.
O rito posterior, mas também antigo e quase universal, da circuncisão, foi uma consequência do culto do sacrifício parcial; acontecia puramente por sacrifício, nenhum pensamento de higiene era ligado a ele. Os homens eram circuncidados; as mulheres tinham as suas orelhas furadas.
Ulteriormente tornou-se costume atar os dedos em vez de cortá-los.
Raspar a cabeça, ou cortar o cabelo era também uma forma de devoção religiosa.
Fazer eunucos foi, a princípio, uma modificação da ideia do sacrifício humano.
Furar o nariz e os lábios ainda é coisa praticada na África, e as tatuagens são uma evolução artística da cicatrização primitiva e crua do corpo.
O costume do sacrifício finalmente tornou-se associado, como resultado dos ensinamentos em avanço, à ideia da aliança. Afinal, concebia-se que os deuses estavam entrando em acordos reais com o homem; e isso foi um grande passo na estabilização da religião.
A lei, ou uma aliança, toma o lugar da sorte, do medo e da superstição.
O homem não poderia sequer sonhar em celebrar contratos com a Deidade, antes que o seu conceito de Deus tivesse avançado até o nível em que os controladores do universo fossem considerados confiáveis. E a ideia primitiva que o homem fazia de Deus era tão antropomórfica que ele tornou-se incapaz de conceber uma Deidade confinável até que tivesse, ele próprio, tornando-se relativamente confinável, moral e eticamente.
Mas a ideia de celebrar uma aliança com os deuses finalmente passou a existir.
O homem evolucionário finalmente adquiriu uma dignidade moral tal que o fez atrever-se a barganhar com os seus deuses. E assim o tráfico de oferendas de sacrifícios gradualmente desenvolveu-se, chegando ao jogo da barganha filosófica do homem com Deus.
E tudo isso representou um novo recurso para fazer o seguro contra a má sorte ou, antes, uma técnica aperfeiçoada para adquirir a prosperidade de modo mais definido.
Não deveis nutrir a ideia errónea de que os sacrifícios primitivos tivessem sido uma dádiva livre e gratuita aos deuses, uma oferenda espontânea de gratidão ou agradecimento; não, elas não eram a expressão da verdadeira adoração.
As formas primitivas de oração nada mais eram do que barganhas com os espíritos, um jogo de argumentos com os deuses. Era uma espécie de permuta na qual o pleito e a persuasão foram substituídos por algo mais tangível e precioso.
O comércio em desenvolvimento entre as raças tinha inculcado o espírito da troca e tinha desenvolvido a astúcia na permuta; e agora esses aspectos começavam a aparecer nos métodos dos cultos realizados pelo homem. E como alguns homens eram melhores negociantes que outros, desse modo alguns eram considerados como melhores rezadores do que outros.
A prece de um homem justo era tida em alta estima.
Um homem justo era aquele que havia pagado todas as suas contas aos espíritos, que se tinha desincumbido plenamente de toda obrigação ritual para com os deuses.A prece primitiva não era adoração; era uma petição em forma de barganha para conseguir-se saúde, riqueza e vida.
E, em muitos aspectos, as preces não têm mudado muito com o passar das idades. Elas ainda são lidas em livros, recitadas formalmente e escritas para serem colocadas nas rodas ou para serem dependuradas nas árvores, onde o soprar dos ventos irá poupar ao homem o trabalho de gastar o próprio alento.
9. OS SACRIFÍCIOS e os SACRAMENTOS
O sacrifício humano, ao longo do curso da evolução dos rituais urantianos, tem avançado das manifestações sangrentas do canibalismo até níveis mais elevados e simbólicos.
Os rituais primitivos de sacrifícios deram origem às cerimónias posteriores do sacramento.
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Em épocas mais recentes apenas o sacerdote compartilharia de um pequeno pedaço do sacrifício canibalesco ou de uma gota do sangue humano, e então todos comeriam do animal substituto. Essas ideias primitivas sobre o resgate, a redenção e as alianças têm evoluído até os serviços dos sacramentos recentes.
E toda essa evolução do cerimonial tem exercido uma influência poderosamente socializadora.
Durante o culto da Mãe de Deus, no México e em outros lugares, bolos e vinho foram utilizados finalmente como sacramentos em lugar da carne e do sangue dos antigos sacrifícios humanos.
Os hebreus praticaram esse ritual durante muito tempo como parte das suas cerimónias de Páscoa, e foi esse cerimonial que posteriormente deu origem à versão cristã desse tipo de sacramento. As antigas fraternidades sociais eram baseadas no rito de se beber sangue; a fraternidade judaica primitiva era uma questão de sacrifício de sangue.
Paulo começou a construir um novo culto cristão no “sangue da aliança eterna”.
E, conquanto ele possa ter sobrecarregado desnecessariamente a cristandade com ensinamentos sobre sangue e sacrifício, de uma vez por todas ele colocou um fim às doutrinas da redenção por intermédio de sacrifícios humanos ou animais.
As concessões teológicas feitas por Paulo indicam que mesmo a revelação deve submeter-se ao controle gradativo da evolução.
Segundo Paulo, Cristo fez o sacrifício último, e totalmente suficiente por si; o Juiz divino está agora, e para sempre, plenamente satisfeito.
E assim, após longas idades, o culto do sacrifício evoluiu até o culto do sacramento.
Assim, os sacramentos das religiões modernas são os sucessores legítimos daquelas cerimónias primitivas chocantes de sacrifício humano e dos ainda mais primitivos rituais canibalescos. Muitos ainda contam depender do sangue para a salvação, mas isso ao menos se tornou figurativo, simbólico e místico.
10. O PERDÃO DO PECADO
O homem da antiguidade apenas alcançou a consciência do favorecimento de Deus por meio do sacrifício. O homem moderno deve desenvolver novas técnicas para alcançar a auto consciência da salvação. A consciência do pecado perdura na mente dos mortais, mas os padrões dos seus pensamentos sobre a salvação desse pecado entraram em desuso e tornaram-se antiquados.
A realidade da necessidade espiritual subsiste, mas o progresso intelectual destruiu os métodos antigos de assegurar a paz e o consolo para a mente e para a alma.
O pecado deve ser redefinido como uma deslealdade deliberada para com a Deidade.
E há graus de deslealdade: a lealdade parcial da indecisão; a lealdade dividida do conflito; a lealdade moribunda da indiferença; e a morte da lealdade demonstrada pela devoção a ideais sem Deus.O sentido ou o sentimento de culpa vem da consciência de ter violado os costumes; o que não é necessariamente um pecado.
Não há pecado verdadeiro quando há a ausência de deslealdade consciente à Deidade.
A possibilidade de reconhecimento do sentido de culpa é um sinal de distinção transcendental para a humanidade. Ela não marca o homem como um meio, mas, antes, coloca-o em separado como uma criatura de grandeza potencial e de glória sempre-ascendente.
Um tal sentido de indignidade é o estímulo inicial que deveria levar rápida e seguramente até aquela conquista da fé que translada a mente mortal até níveis magníficos de nobreza moral, de discernimento cósmico e do viver espiritual; e assim todos os significados da existência humana mudam do temporal para o eterno, e todos os valores elevam-se do humano para o divino.
A confissão do pecado é um repúdio corajoso à deslealdade, mas de nenhum modo mitiga as consequências no espaço-tempo de tal deslealdade.
Mas a confissão – o reconhecimento sincero da natureza do pecado – é essencial ao crescimento religioso e ao progresso espiritual.O perdão do pecado, da parte da Deidade, é a renovação das relações de lealdade que vem em seguida àquele período em que a consciência humana teve um lapso nas suas relações de fidelidade por consequência da rebelião consciente.
O perdão não tem de ser buscado, apenas recebido, como a consciência do restabelecimento das relações de lealdade entre a criatura e o Criador. E todos os filhos leais de Deus são felizes, amantes do serviço e sempre progridem na ascensão ao Paraíso.
EVOLUÇÃO Primitiva da RELIGIÃO
A evolução da religião a partir do impulso anterior primitivo de adoração não depende da revelação.

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O funcionamento normal da mente humana, sob as influências directivas do sexto e do sétimo ajudantes da mente, outorgamentos que são de espírito universal, é totalmente suficiente para assegurar esse desenvolvimento.O mais antigo medo pré-religioso das forças da natureza, por parte do homem, tornou-se gradativamente religioso quando a natureza passou a ser personalizada, espiritualizada e finalmente deificada para a consciência humana. A religião do tipo primitivo foi, portanto, uma consequência biológica natural da inércia psicológica das mentes animais em evolução, depois que tais mentes haviam já admitido conceitos sobrenaturais.
1. O ACASO: BOA SORTE E MÁ SORTE
À parte o impulso natural da adoração, a religião evolucionária primitiva teve as suas raízes originárias nas experiências humanas com o acaso – a chamada sorte, os acontecimentos comuns. O homem primitivo era um caçador de alimentos
. Os resultados da caça variam sempre, e isso certamente dá origem às experiências que o homem interpreta como boa sorte e má sorte. O infortúnio era um grande factor nas vidas dos homens e mulheres que viviam constantemente no limite incerto de uma existência precária e acossada.O horizonte intelectual limitado do selvagem concentra de tal forma a atenção no acaso, que a sorte torna-se um factor constante na sua vida.
Os urantianos primitivos lutavam pela existência, não por um padrão de vida;
Eles levavam vidas perigosas, nas quais o acaso exercia um papel importante
O pavor constante da calamidade desconhecida ou não visível pairava sobre esses selvagens como uma nuvem de desespero que efectivamente eclipsava cada prazer.
Assim, eles viviam no constante pavor de fazer algo que pudesse trazer a má sorte.
Os selvagens supersticiosos sempre temeram um período longo de boa sorte. Considerando tal fortuna como precursora certa de calamidade.
Esse pavor, sempre presente, da má sorte era paralisante. Por que trabalhar duro e colher como recompensa a má sorte – nada por alguma coisa – quando se poderia deixar ir e encontrar a boa sorte – alguma coisa por nada? Os homens irreflectidos esquecem-se da boa sorte – aceitam-na como certa – e dolorosamente se lembram da má sorte.
O homem primitivo vivia na incerteza e no medo constante do acaso – da má sorte.
A vida era uma aposta excitante de riscos; Toda a existência era um jogo.
Não é de se espantar que povos parcialmente civilizados ainda creiam no acaso e evidenciem predisposições remanescentes para o jogo.
O homem primitivo alternava-se entre dois interesses poderosos:
A paixão de conseguir algo por nada e o medo de ganhar nada em troca de alguma coisa.
E esse jogo da existência era o interesse principal e a fascinação suprema para a mente selvagem primitiva. Os pastores de épocas posteriores tinham a mesma visão do acaso e da sorte, ao passo que os agricultores ainda mais recentes eram cada vez mais conscientes de que as colheitas eram influenciadas, de modo imediato, por muitas coisas sobre as quais o homem tinha pouco ou nenhum controle. O agricultor via-se vítima da seca, das enchentes, do granizo, das tempestades, das pestes e das doenças das plantas, bem como do calor e do frio. E, como todas essas influências naturais afetavam a prosperidade do indivíduo, eram encaradas como boa ou má sorte.
Essa noção do acaso e da sorte impregnou fortemente a filosofia de todos os povos antigos.
Mesmo em épocas recentes, na Sabedoria de Salomão, é dito:
“Eu voltei e vi que a corrida não é para os velozes, nem a batalha para os fortes, nem o pão para os sábios, nem as riquezas para os homens de compreensão, nem o favorecimento para os homens de habilidade; Mas o destino e o acaso a todos atingem.
Pois o homem não conhece o seu destino; Do mesmo modo que os peixes são colhidos em uma rede má, e os pássaros são apanhados em uma armadilha, também os filhos dos homens caem nas malhas de um tempo mau, quando este se abate subitamente sobre eles”.
2. A PERSONIFICAÇÃO DO ACASO
A ansiedade era o estado natural da mente selvagem.
Quando os homens e as mulheres transformam-se em vítimas da ansiedade excessiva, eles estão simplesmente retornando ao estado natural dos seus ancestrais longínquos;
E, quando a ansiedade torna-se de fato dolorosa, ela inibe a actividade e, infalivelmente, leva a mudanças evolucionárias e a adaptações
Biológicas. A dor e o sofrimento são essenciais à evolução progressA luta pela vida é tão dolorosa que algumas tribos retrógradas, mesmo hoje, bramem e lamentam-se a cada novo amanhecer.
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O homem primitivo constantemente perguntava-se: “Quem me está atormentando?”
Não encontrando uma fonte material para as suas mágoas, ele encontrou uma explicação no espírito. E, assim, a religião nasceu do medo do misterioso, do temor do invisível e do pavor do desconhecido. O medo da natureza tornou-se, pois, um factor na luta pela existência; primeiro, por causa do acaso e, depois, por causa do mistério.
A mente primitiva era lógica, mas tinha poucas ideias de associação inteligente;
A mente selvagem era inculta, totalmente ingénua.
Se um acontecimento vinha depois de outro, o selvagem considerava-os como causa e efeito.
O que o homem civilizado considera como superstição, era só ignorância pura, no selvagem.
A humanidade tem sido lenta em compreender que não há necessariamente qualquer relação entre propósitos e resultados. Os seres humanos estão apenas começando a compreender que as reacções da existência surgem entre os atos e as suas consequências. O selvagem esforça-se para personalizar tudo o que é intangível e abstracto e, assim, tanto a natureza quanto o acaso tornam-se personalizados como fantasmas – espíritos – e, mais tarde, como deuses.
O homem tende naturalmente a crer naquilo que ele julga ser o melhor para si próprio, naquilo que é do seu interesse imediato ou remoto; O interesse próprio obscurece, em muito, a lógica.
A diferença entre as mentes dos selvagens e a dos homens civilizados é mais de conteúdo do que de natureza, de grau mais do que de qualidade.
Continuar a atribuir coisas de compreensão difícil a causas sobrenaturais, contudo, nada mais é do que um modo preguiçoso e conveniente de evitar todas as formas de trabalho intelectual pesado. A sorte é um termo forjado meramente para encobrir o inexplicável em qualquer época da existência humana; Ela designa aqueles fenómenos que os homens são incapazes ou não se dispõem a penetrar. Usar a palavra sorte significa que o homem é ignorante demais, ou indolente em excesso, para determinar causas.
Os homens consideram uma ocorrência natural como sendo um acidente, ou má sorte, apenas quando eles são desprovidos de curiosidade e de imaginação, quando falta iniciativa e aventura às raças. A exploração dos fenómenos da vida, mais cedo ou mais tarde, destrói a crença do homem no acaso, na sorte e nos chamados acidentes; e, consequentemente, esses fenómenos passam a ocupar o lugar de um universo de lei e de ordem, em que todos os efeitos são precedidos por causas definidas. Assim, o medo da existência é substituído pelo júbilo de viver.
O selvagem via toda a natureza como sendo viva, como se fosse possuída por algo.
O homem civilizado ainda chuta e pragueja contra os objectos inanimados que entram na sua frente e chocam-se com ele.
O homem primitivo nunca encarou nada como acidental; tudo sempre foi intencional.
Para o homem primitivo, o domínio do destino, a função da sorte, o mundo dos espíritos, tudo era tão desorganizado e sujeito ao acaso, quanto o era a sociedade primitiva.
A sorte era considerada como uma reacção caprichosa e temperamental do mundo do espírito; e, mais tarde, como o humor dos deuses.
Contudo, nem todas as religiões se desenvolveram do animismo.
Outros conceitos do sobrenatural foram contemporâneos do animismo, e essas crenças também conduziram à adoração. O naturalismo não é uma religião – ele nasce da religião.
3. A MORTE – O INEXPLICÁVEL
A morte foi o choque supremo para o homem em evolução, a combinação mais desconcertante de acaso e de mistério.
Não a santidade da vida, mas o choque da morte é que inspirava o medo e, assim, fomentava efectivamente a religião.Em meio aos povos selvagens, a morte, comum ente, era causada pela violência, de um modo tal que a morte não violenta tornou-se cada vez mais misteriosa.
A morte, como um fim natural e esperado para a vida, não era algo que estivesse claro para a consciência dos povos primitivos; E foram necessárias idades e mais idades para que o homem compreendesse a sua inevitabilidade.O homem primitivo aceitou a vida como um fato, ao mesmo tempo em que considerava a morte como uma visitação de alguma espécie.
Todas as raças têm as suas lendas sobre homens que não morriam, vestígios das tradições da atitude inicial para com a morte.
Na mente humana, existia já o conceito nebuloso de um mundo do espírito, obscuro e não organizado, um domínio de onde vinha tudo o que é inexplicável na vida humana, e a morte estava nessa lista longa de fenómenos sem explicação.

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Acreditava-se, inicialmente, que todas as doenças humanas, bem como a morte natural, fossem devidas à influência do espírito. E, ainda no presente, algumas raças civilizadas encaram a doença como tendo sido produzida pelo “inimigo”, e dependem de cerimónias religiosas para efectuar a sua cura. Sistemas mais recentes e mais complexos de teologia ainda atribuem a morte à acção do mundo do espírito;
E tudo isso acarretou doutrinas tais como a do pecado original e a da queda do homem.
Foi a compreensão da impotência diante das forças poderosas da natureza, junto com o reconhecimento da fraqueza humana diante das visitações da doença e da morte, que impeliu o selvagem a buscar ajuda do mundo supra material, vagamente visualizado como a fonte dessas vicissitudes misteriosas da vida.
4. O CONCEITO de uma SOBREVIVÊNCIA APÓS A MORTE
O conceito de uma fase supra material da personalidade mortal nasceu da associação inconsciente, e puramente acidental, entre as ocorrências da vida diária e os sonhos com espíritos. Quando vários membros de uma tribo sonhavam, simultaneamente, com o chefe que já estava morto, Isso parecia constituir uma evidência convincente de que o velho chefe havia, realmente, voltado, sob alguma forma. Tudo era muito real, para o selvagem, quando, molhado de suor, ele acordava desses sonhos, tremendo e gritando.
A origem da crença em uma existência futura explica a tendência de sempre imaginar as coisas não visíveis nos termos das coisas visíveis.E, logo, esse conceito novo de uma vida-futura-do-fantasma-onírico transformou-se, efectivamente, no antídoto para o medo da morte, associado ao instinto biológico de auto preservação. O homem primevo também se preocupava muito com o ar expirado, especialmente nos climas frios, quando a exalação saía como uma nuvem.
O sopro da vida foi considerado como o fenómeno que diferenciava os vivos dos mortos.
Ele sabia que o seu sopro podia deixar o corpo e os seus sonhos, de estar fazendo toda espécie de coisas estranhas, enquanto adormecido, convenciam-no de que havia algo imaterial em um ser humano. A ideia mais primitiva da alma humana, o fantasma, derivou desse sistema de ideias gerado pela respiração e pelos sonhos.
Finalmente, o selvagem concebeu a si próprio como um ser duplo – o corpo e a respiração.
O sopro, menos o corpo, era igual ao espírito, igual a um fantasma.
Embora tivessem uma origem humana bastante definida, os fantasmas, ou os espíritos, eram considerados supra-humanos. E essa crença, na existência de espíritos fora dos corpos, parecia explicar a ocorrência do inusitado, do extraordinário, do infrequente e do inexplicável.
A doutrina primitiva da sobrevivência depois da morte não era necessariamente uma crença na imortalidade. Seres que não podiam contar acima de vinte, dificilmente poderiam conceber a infinitude e a eternidade; eles pensavam, antes, em repetidas encarnações.
A raça alaranjada era especialmente dada a acreditar na transmigração e na reencarnação.
Essa ideia, a da reencarnação, originou-se na observância da semelhança hereditária e nos traços entre a progênie e os ancestrais. O costume de chamar os filhos com os nomes dos avós e outros ancestrais era devido à crença na reencarnação.
Algumas raças bem recentes acreditavam que o homem morria de três a sete vezes.
Essa crença (que remonta aos ensinamentos de Adão sobre os mundos das mansões), bem como muitas outras, que são remanescentes da religião revelada,
Podem ser encontradas entre as doutrinas absurdas, por outros motivos, dos bárbaros do século vinte.O homem primitivo não alimentou ideias de um inferno, nem de punições futuras.
O selvagem via a vida futura exactamente como via esta, menos toda a má sorte.
Mais recentemente, um destino diferente para os bons espíritos e para os maus espíritos – o céu e o inferno – foi concebido. Todavia, já que muitas raças primitivas acreditavam que o homem entrava na próxima vida exactamente como havia deixado esta, a ideia de tornarem-se velhos e decrépitos não lhes era agradável.
O idoso preferia muito ser morto, antes de tornar-se enfermo demais.
Os grupos, quase todos, tinham ideias diferentes a respeito do destino do fantasma da alma.
Os gregos acreditavam que os homens fracos deviam ter almas fracas e, sendo assim, inventaram o Hades como um lugar adequado para receber essas almas anêmicas;
Supunha-se também que esses espécimes, pouco robustos, tivessem sombras menores.
Os primeiros anditas achavam que os seus fantasmas retornavam para as terras ancestrais.
Os chineses e os egípcios acreditaram outrora que a alma e o corpo permaneciam juntos.
Entre os egípcios, isso levou a construções aprimoradas de tumbas e a esforços para se preservarem os corpos. Mesmo os povos modernos buscam evitar a decomposição dos mortos.
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Os hebreus concebiam que uma réplica do fantasma do indivíduo descia até o Sheol, e não podia voltar à terra dos vivos.
Eles conceberam esse avanço importante na doutrina da evolução da alma.
5. O CONCEITO DA ALMA-FANTASMA
A parte não material do homem tem sido denominada de vários modos: de fantasma, de espírito, de sombra, de visão, de espectro e, mais recentemente, de alma.
A alma era o sonho que o homem primitivo tinha, do seu ser duplicado;
Era, em todos os sentidos, exactamente como o próprio mortal, a não ser pelo fato de não ser sensível ao toque. A crença nesses duplos oníricos levou directamente à noção de que todas as coisas, animadas e inanimadas, tinham almas tanto quanto os homens.
Esse conceito, durante muito tempo, levou à perpetuação das crenças em espíritos da natureza; os esquimós ainda acham que tudo na natureza tem um espírito.
A alma fantasma podia ser ouvida e vista, mas não tocada.
Gradualmente, a vida que a raça tinha durante os sonhos desenvolveu e expandiu, assim, as actividades desse mundo espiritual em evolução, e de tal modo que a morte, finalmente, foi considerada como “entregar a alma”. Todas as tribos primitivas, exceptuando-se aquelas só pouco acima dos animais, desenvolveram algum conceito de alma.
À medida que a civilização avança, esse conceito supersticioso da alma é destruído, e o homem torna-se inteiramente dependente da revelação e da experiência religiosa pessoal, para a sua nova ideia da alma, como uma criação conjunta, feita pela mente mortal sabedora de Deus e monitorada pelo seu espírito interior divino residente, o Ajustador do Pensamento.
Os mortais primitivos, em geral, não conseguiram diferenciar o conceito do espírito residente, separando-o do conceito da alma de natureza evolucionária.
O selvagem muito se confundia quanto à alma fantasma nascer junto com o corpo ou quanto a ser um agente externo que tomava posse do corpo.
A ausência de um pensamento racional, ao lado da perplexidade, explica as inconsistências grosseiras da visão selvagem sobre as almas, os fantasmas e os espíritos.
Pensou-se na alma como sendo relacionada ao corpo, como o perfume está para a flor.
Os antigos acreditavam que a alma podia deixar o corpo de vários modos, tais como:
1. No desmaio comum e passageiro.
• 2. No sono, no sonho natural.
• 3. No estado de coma e de inconsciência ligado à doença e a acidentes.
• 4. Na morte, a sua partida permanente.
O selvagem considerava o espirro como uma tentativa abortada de a alma escapar do corpo.
Estando desperto e alerta, o corpo era capaz de frustrar a tentativa feita pela alma de escapar.
Posteriormente, o espirro foi sempre acompanhado por alguma expressão religiosa, tal como “Deus o abençoe!”Nos primórdios da evolução, o sono foi considerado como uma prova de que a alma fantasma poderia estar ausente do corpo, e acreditou-se que podia ser chamada de volta, falando-se ou gritando-se o nome do adormecido.
Em outras formas de inconsciência, julgava-se que a alma estivesse mais longe, talvez tentando escapar para sempre – a morte iminente. Os sonhos eram considerados como as experiências da alma, durante o sono, enquanto estava temporariamente ausente do
O selvagem crê que os seus sonhos sejam tão reais quanto quaisquer partes da sua experiência na vigília. Os antigos tinham a prática de acordar os adormecidos gradativamente, de modo que a alma pudesse ter tempo de re-encaixar-se no corpo.
Em todas as épocas, os homens amedrontavam-se com as aparições em horas nocturnas; e os hebreus não foram nenhuma excreção. Eles acreditavam verdadeiramente que Deus falava a eles, em sonhos, apesar das determinações de Moisés contra tal ideia.
E Moisés estava certo, pois os sonhos comuns não são o meio empregado pelas personalidades do mundo espiritual, quando buscam comunicar-se com os seres materiais.
Os antigos acreditavam que as almas podiam entrar nos animais ou mesmo nos objectos inanimados. Essa identificação com os animais culminou na ideia de lobisomens
. Um indivíduo podia ser um cidadão da lei durante o dia, mas, quando ele adormecia, a sua alma podia entrar em um lobo ou em outro animal e preambular em depredações nocturnas.
Os homens primitivos achavam que a alma estivesse associada à respiração, e que por meio desta as suas qualidades podiam ser comunicadas ou transferidas.
O valente chefe sopraria sobre a criança recém-nascida, com isso ministrando-lhe a coragem.
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Entre os primeiros cristãos, a cerimónia de conferir o Espírito Santo era acompanhada de sopros nos candidatos. Disse o salmista: “Pela palavra do Senhor, os céus foram feitos e todas as hostes deles, por meio do sopro da Sua boca”.
É antigo o costume de um filho primogénito tentar captar o último sopro do seu pai à morte.
A sombra, mais tarde, veio a ser temida, e reverenciada, do mesmo modo que a respiração.
O reflexo de si próprio na água, também, algumas vezes, foi visto como prova do duplo eu, e os espelhos foram encarados com um respeito supersticioso. E, mesmo hoje, muitas pessoas civilizadas viram os espelhos contra a parede, em caso de morte.
Algumas tribos retrógradas ainda acreditam que as fotos, desenhos, modelos, ou imagens, retiram toda ou parte da alma do corpo; Por isso, tais coisas são proibidas.
Achava-se geralmente que a alma era identificada com a respiração;
Mas, também, vários povos a localizaram na cabeça, no cabelo, no coração, no fígado, no sangue e na gordura. O “grito que saiu do sangue de Abel, no chão”, exprime a crença, de outrora, na presença do fantasma no sangue. Os semitas ensinavam que a alma residia na gordura do corpo e, entre muitos deles, comer gordura animal era um tabu.
Um modo de capturar a alma do inimigo era caçar a sua cabeça, como o era tirar o escalpe.
Em tempos recentes, os olhos têm sido encarados como sendo janelas da alma.
Aqueles que sustentavam a doutrina de três ou quatro almas acreditavam que a perda de uma alma significava desconforto, de duas, a doença, e de três, a morte.
Uma alma vivia na respiração, outra, na cabeça, a terceira, nos cabelos, e a quarta, no coração.
Os doentes recebiam o conselho de passear ao ar livre, na esperança de recapturar as suas almas desgarradas. Os maiores dos curandeiros deviam trocar a alma adoentada de uma pessoa enferma por uma nova, o que era um “novo nascimento”.
Os filhos de Badonan desenvolveram a crença em duas almas: a respiração e a sombra.
As primeiras raças noditas consideravam que o homem consistia de duas pessoas: alma e corpo. Essa filosofia da existência humana, mais tarde, reflectiu-se no ponto de vista grego.
E mesmo os próprios gregos acreditavam em três almas: a vegetativa, que residia no estômago; a animal, no coração; a intelectual, na cabeça. Os esquimós acreditam que o homem tem três partes: corpo, alma e nome.
6. MEIO AMBIENTE dos ESPÍRITOS-FANTASMAS
O homem herdou um meio ambiente natural, adquiriu um ambiente social e imaginou um ambiente fantasma. O estado é a reacção do homem ao seu meio ambiente natural; o lar, a sua reacção ao seu ambiente social; a igreja, a sua reacção ao seu ambiente-fantasma ilusório.
Muito cedo, na história da humanidade, as realidades do mundo imaginário, dos fantasmas e dos espíritos tornaram-se universalmente acreditadas, e esse mundo espiritual recém-imaginado tornou-se um poder na sociedade primitiva. A vida mental e moral de toda a humanidade foi modificada para sempre pelo surgimento desse novo factor no pensamento e nos atos humanos.
Dentro dessa premissa maior, na ilusão e na ignorância, o medo do mortal empacotou todas as superstições e religiões subsequentes dos povos primitivos.
E foi essa a única religião do homem até a época da revelação, e, hoje, muitas das raças do mundo têm apenas tal religião imatura, proveniente apenas da evolução.Com o avanço da evolução, a boa sorte ficou associada aos bons espíritos, e a má sorte, aos espíritos maus.
O desconforto de uma adaptação forçada a um ambiente em mutação foi encarado como má sorte, o descontentamento dos fantasmas espíritos. O homem primitivo, aos poucos, fez a sua religião evoluir, saída do seu impulso inato de adoração e da sua concepção errónea do acaso.
O homem civilizado criou esquemas de segurança para superar os acontecimentos ao acaso; a ciência moderna, em lugar de espíritos fictícios e de deuses caprichosos, coloca os compêndios e as estatísticas apoiando-as em cálculos matemáticos.
Cada geração que passa sorri das superstições tolas dos seus ancestrais, alimentando, ao mesmo tempo, as falácias de pensamento e de adoração que irão ser o motivo dos risos futuros da posteridade mais esclarecida.Finalmente, porém, a mente do homem primitivo foi ocupada por pensamentos que transcenderam a todos os seus impulsos biológicos inerentes;
Afinal, o homem chegou a ponto de fazer evoluir uma arte de viver, baseada em algo mais do que uma resposta a estímulos materiais. Os primórdios de uma política primitiva de vida filosófica estavam surgindo.Um padrão sobrenatural de vida estava para aparecer, pois se, quando o fantasma espírito está em fúria, ele traz a má sorte, e quando no prazer, ele traz a boa sorte, então, a conduta humana deve ser regulada considerando isso.
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O conceito do certo e do errado havia, afinal, evoluído; e, tudo isso, muito antes da época de qualquer revelação na TerraCom o surgimento desses conceitos, foi iniciada a longa e destrutiva luta para apaziguar os espíritos, sempre descontentes, e iniciou-se a prisão escravizadora ao medo religioso evolucionário, que se constituiu de todos aqueles esforços humanos, longos e desperdiçados, gastos em túmulos, templos, sacrifícios e sacerdócios.
Foi um preço terrível, e assustador, o que se pagou; mas valeu todo o seu custo, pois, nisso, o homem alcançou um estado natural de consciência do certo e do errado relativo; e, assim, a ética humana havia nascido!
7. A FUNÇÃO DA RELIGIÃO PRIMITÍVA
O selvagem sentia a necessidade de segurança e, assim, ele pagava com boa disposição os seus pesados preços, na forma de medo, de superstição, de pavor e de donativos aos sacerdotes; e isso era a sua política de magia para o seguro contra a má sorte. A religião primitiva era simplesmente o pagamento do prémio ao seguro contra os perigos das florestas. O homem civilizado paga prémios materiais, contra os acidentes da indústria e os riscos dos modos modernos de vida.A sociedade moderna está retirando o negócio dos seguros das mãos dos sacerdotes e da religião, colocando-o sob o controle da economia.
A religião está-se ocupando, cada vez mais, com a segurança da vida além da sepultura.
Os homens modernos, pelo menos aqueles que pensam, não mais pagam dispendiosos prémios para controlar a sorte. A religião, vagarosamente, está ascendendo a patamares filosóficos mais elevados, se a sua função for comparada à autuação anterior, como esquema de segurança contra a má sorte.Essas ideias antigas, de religião, impediram, contudo, os homens de tornarem-se fatalistas e desesperadamente pessimistas; eles acreditaram que poderiam ao menos fazer algo para influenciar o destino. A religião do medo de fantasmas transmitiu aos homens a certeza de que eles deveriam regular sua conduta, de que havia um mundo supra material que mantinha controle sobre o destino humano.As raças civilizadas modernas estão, agora, deixando de lado esse medo de fantasmas, como explicação para a sorte e para as desigualdades tão comuns da existência. A humanidade está conseguindo emancipar-se da servidão, deixando de explicar a má sorte por meio de espíritos fantasmas.
Entretanto, ao mesmo tempo em que os homens estão desistindo da doutrina errónea de uma causa espiritual para as vicissitudes da vida, eles demonstram uma disposição surpreendente para aceitar um ensinamento, quase tão falacioso, que os concita a atribuir toda a desigualdade humana ao desajuste político, à injustiça social e à competição industrial.
No entanto, uma nova legislação, uma filantropia crescente e uma reorganização mais industrial, por melhores que forem, por si próprias, não irão remediar os fatos do nascimento e dos acidentes da vida. Apenas a compreensão dos fatos e uma manipulação mais sábia, dentro das leis da natureza, capacitarão o homem para conseguir o que ele almeja e para evitar o que ele não quer. O conhecimento científico, que conduz à acção científica, é o único antídoto contra os chamados males acidentais.A indústria, a guerra, a escravidão e o governo civil surgiram, em resposta à evolução social do homem, no seu meio ambiente natural;
A religião surgiu, do mesmo modo, como uma resposta dele ao ambiente ilusório do mundo imaginário dos fantasmas. A religião foi um desenvolvimento evolucionário de auto manutenção, e tem funcionado não obstante ter sido originalmente errónea em conceito e totalmente ilógica.
Por intermédio da força poderosa e intimidante do falso medo, a religião primitiva preparou o solo da mente humana para o recebimento de uma força espiritual autêntica, de origem sobrenatural: a dádiva do Ajustador do Pensamento. E os Ajustadores divinos, desde então, têm trabalhado para transmutar o temor de Deus em amor a Deus. A evolução pode ser lenta, mas é infalivelmente eficaz.[Apresentado por um Estrela Vespertino de Nebadon
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