sábado, 7 de novembro de 2009

CAPITULO 37 = MARIA MADALENA UMA OUTRA HISTÓRIA

• CAPITULO 37
MARIA MADALENA UMA OUTRA HISTÓRIA
• (artigo de Moacir Sader –)
Maria Madalena, de todos as personagens Bíblicas, talvez seja aquela personagem mais deturpada, encoberta por inverdades divulgadas ao longo dos séculos pela Igreja, pelos textos Bíblicos e por errôneas interpretações. Paralelamente às inverdades, uma outra história tem sido contada de modo sublinear pela arte ao longo de dois mil anos de história Cristã e, também, pelos textos apócrifos.
Recentemente, o livro O Código Da Vinci, de Dan Brown, percorreu o mundo, sendo lido por milhões de pessoas. Em meio a uma história de suspense, o autor insere algumas das verdades, que ao longo do tempo, estavam sendo ocultas.
Dan Brown nos chama a observar o quadro da Santa Ceia, de Leonardo da Vinci, onde transparece que uma das imagens dos apóstolos apresenta traços femininos, estando com a mesma cor da roupa de Jesus e interligada a Ele por um grande M formado pela postura física dos dois na pintura, em face da cor vermelha.
Segundo a interpretação do autor de O Código Da Vinci, os dois símbolos, a letra M e a cor vermelha, indicariam ser Maria Madalena a personagem ao lado de Jesus.
Vejamos, a seguir, a imagem da Santa Ceia pintada por Leonardo Da Vinci, no ano aproximado de 1495, na Igreja Santa Maria Delle Grazie, em Milão, onde aparece nitidamente o formatado de um M, seguindo-se os contornos da cor vermelha nas roupas de Jesus e de Maria Madalena.
Em sendo esta a interpretação correta, o que Da Vinci pretendia com a mensagem sublinear?
Da Vinci, ao que se sabe, pertencia ao Priorado de Sião, sociedade secreta fundada em Jerusalém no ano em 1099 pelo rei Godofredo de Bouillon, com o objetivo de guardar um segredo mantido por sua família desde há época de Jesus
E para ajudar na manutenção e proteção desse segredo foi criada a Ordem dos Cavaleiros Templários. O segredo que se queria, a todo custo resguardar, dizia respeito ao Santo Graal.
Da Vinci, de forma oculta na arte, guardou o segredo, mas legando ao futuro a sua descoberta.


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O Priorado de Sião, conhecido também como Monastério do Sinai, segundo alguns pesquisadores históricos, constituiu-se em uma sociedade secreta, relacionada à Maçonaria e aos Rosacruzes, criada para proteger a linhagem divina.
Além de Da Vinci, participaram dessa sociedade secreta personagens históricos e escritores importantes, tais como, Isaac Newton e Victor Hugo. Existe uma corrente imensa de pesquisadores que admitem que Jesus e Maria Madalena foram casados e deste casamento pode ter nascido uma filha, que seria a descendência real, o sangue real, o Santo Graal, e que Maria Madalena com sua filha, chamada Sara, foram viver na França.
Esse seria o grande segredo, a versão da história guardada há milênios, ou melhor, história que se julgava devidamente sucumbida a partir do Concílio de Nicéia, ocorrido no ano de 327 depois de Cristo.
MARIA MADALENA E O SANTO GRAAL
Com a descoberta, por volta de 1896 em um mosteiro egípcio, do Evangelho segundo Maria Madalena, descobriu-se uma verdade incontestável:Maria Madalena, muito mais do que está dito na Bíblia, foi, verdadeiramente, uma discípula de Jesus, e, segundo diversos historiadores, o discípulo mais próximo do Mestre, de seus ensinamentos espirituais.
Estes ensinamentos estavam inteiramente ligados à espiritualidade interior, sendo o verdadeiro caminho para a evolução espiritual, como vemos no trecho a seguir do Evangelho, segundo Maria Madalena, em que Jesus disse: " Todas as espécies, todas as formações, todas as criaturas estão unidas, elas dependem umas das outras, e se separarão novamente em sua própria origem. Pois a essência da matéria somente se separará de novo em sua própria essência. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça." Unidos estamos todos nós, formando a essência da vida e com Deus dentro de cada um, por isso o caminho é mergulhar em nosso interior, achar a direção de nossa evolução, encontrar o Deus que habita em nós. Na passagem seguinte do Evangelho de Maria Madalena, essa mensagem de Jesus está cristalina, destacando ainda que Ele não deixou normas, pedindo tão somente que levassem em conta o que ele "mostrou" na sua prática de amor incondicional. Quando o Filho de Deus assim falou, saudou a todos dizendo: "A Paz esteja convosco. Recebei minha paz. Tomai cuidado para que ninguém vos afaste do caminho, dizendo:
'Por aqui' ou 'Por lá', Pois o Filho do Homem está dentro de vós.
Segui-o. Quem o procurar, o encontrará.Prossegui agora, então, pregai o Evangelho do Reino.
Não estabeleçais outras regras, além das que vos mostrei, e não instituais como legislador, senão sereis cerceados por elas." Após dizer tudo isto partiu.
O Evangelho, segundo Tomé, descoberto em 1945, tratou exatamente do mesmo enfoque encontrado no Evangelho de Maria Madalena. O Evangelho de Tomé e outros apócrifos falam ao coração de um continente que não pára de crescer nos tempos atuais: os ávidos por espiritualidade, mas desconfiados da religião.
Segundo Tomé, neste Evangelho, considerado apócrifo: O reino está dentro de vós e também em vosso exterior. Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, sereis conhecidos e compreendereis que sóis os filhos do Pai vivo.
Mas se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis a pobreza.
O Evangelho de Maria Madalena apresenta ensinamentos de Jesus, que não foram passados para os outros discípulos ou não compreendidos por eles na fala do Mestre.
Que o reino de Deus está dentro de cada pessoa e que é necessário se manter em equilíbrio para não atrair doenças e a morte física. Visão esta plenamente aceita atualmente pela medicina alternativa em todas as correntes. A cura de doenças pela medicina alternativa tem sido realizada através da recomposição do equilíbrio energético. Nas passagens, a seguir, do Evangelho de Maria Madalena, podemos ver essa visão espiritualista de forma inequívoca:
Pedro lhe disse: “Já que nos explicaste tudo, dize-nos isso também: o que é o pecado do mundo?" Jesus disse: "Não há pecado; sois vós que os criais, quando fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é chamado 'pecado'.Por isso Deus Pai veio para o meio de vós, para a essência de cada espécie, para conduzi-la a sua origem”.
Em seguida disse: "Por isso adoeceis e morreis [...].
Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque em prática.
A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina.
A partir daí, todo o corpo se desequilibra.
Essa é a razão por que vos digo: tende coragem, e se estiverdes desanimados, procurais força das diferentes manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça”.
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Nos Evangelhos de Maria Madalena e de Felipe, encontra-se a nítida valorização da mulher, pois em ambos se vê que Jesus fazia revelações privilegiadas a Maria Madalena por ser ela quem mais estava em sintonia com os ensinamentos do Mestre.
Mas, a ligação de Jesus e Maria Madalena ia mais além, como se lê no Evangelho de Felipe, no seguinte trecho: E a companheira do Salvador é Maria Madalena.
Cristo amava-a mais do que a todos os discípulos e costumava beijá-la com freqüência na boca.
O resto dos discípulos ofendia-se com isso e expressava sua desaprovação.
Diziam a ele:~Porque tu amas mais do que a nós todos?
Em 1891, um fato veio acender ainda mais as questões envolvendo Maria Madalena.
Quando da reforma de uma igreja no sul da França, em Rennes-le-Château, o padre Bérenger Saunière teria encontrado um tesouro, segundo se soube, trazido da Terra Santa e guardado pelos Cavaleiros Templários. Este segredo comprovaria a existência de descendentes diretos de Jesus, ou seja, da linhagem sagrada.Sabe-se pelos textos apócrifos, que depois da morte de Jesus, os outros discípulos não desejavam ver uma mulher no comando do grupo, o que naturalmente estava acontecendo pelo enorme conhecimento espiritual de Madalena.
Pedro por diversas vezes contestava e se atritava com Madalena, pois temia que ela definitivamente se tornasse líder do grupo. A partir dessa luta de poder relativo à liderança do cristianismo e pelo fato de uma mulher contemplar mais conhecimentos que todos os discípulos, foi forjada a história da prostituta, que todos nós, lamentavelmente, conhecemos.
Um dos livros que inspiraram o autor de O Código Da Vinci foi Maria Madalena e o Santo Graal, da autora Margaret Starbird Este livro é um de tantos outros que apresentam a ligação do Santo Graal com Maria Madalena e a descendência de Jesus.
Margaret Starbird, querendo contestar outros autores sobre a heresia do Graal, que dizia ter sido Jesus casado com Maria Madalena, mergulhou na história européia, nos rituais maçônicos, na arte medieval, no simbolismo, na psicologia, na mitologia e na religião (judaica e cristã).
Contudo, acabou, de modo surpreendente, encontrando rastros de enorme evidência de tudo ter sido verdade, oculto e guardado sob várias formas, sobretudo na arte.
Todas as evidências levaram a autora concluir que Jesus e Maria Madalena foram realmente casados e que tal casamento ocorreu de modo escondido, pois estavam sendo unidas as famílias de David, filhos de Jessé (Jesus) e de Jônatas, filho de Saul (Maria Madalena). Stargird, no livro citado, p. 24, escreve: O casamento foi realizado na casa de Simão, o leproso.
Somente alguns amigos íntimos e suas famílias foram convidados.
Era necessário manter o fato em segredo para que Herodes Antipas não descobrisse que uma herdeira de Benjamim unira-se em matrimônio a um filho da casa de Davi.
Daí a confusão que sempre fizeram os discípulos ao ver Madalena tratar Jesus, em público, com carinhos físicos, o que seria inaceitável para uma mulher naquela época, a não ser que ela fosse casada e tivesse tratando assim o seu marido.
Outro importante argumento em prol de ter sido Jesus casado está no livro O Código Da Vinci, página 262: Porque Jesus era Judeu (...) e o decoro social daquela época praticamente proibia que um judeu fosse solteiro.De acordo com os costumes judaicos, o celibato era proibido e a obrigação de um pai judeu era encontrar uma esposa adequada para o seu filho.
Se Jesus não fosse casado, pelo menos um dos evangelhos da Bíblia teria mencionado isso e dado alguma explicação para o fato de ele ter ficado solteiro.
Esse casamento representou grande importância dinástica, pondo em risco o governo da época, pois o poder político de Jesus passaria inevitavelmente a incomodar.
Este fato pode muito bem ser deduzido pelo tipo de morte sofrida por Jesus, pois a crucificação ocorria para quem fosse insurreto, no caso contra o governo, mas principalmente pela sua dinastia. Tanto assim, que Madalena, precisou fugir para não ser morta, indo se exilar na França. No livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, dos autores Michael Baigent, Richard Leigh Henry Lincoln, o assunto Maria Madalena e seu casamento com Jesus aparece de forma enfática.
Sobre o casamento, citamos a passagem encontrada na página 286:
Se Jesus foi realmente casado com Madalena, poderia tal casamento ter servido a algum propósito? Em outras palavras, poderia ele ter significado algo mais que um casamento convencional?
Poderia ter sido uma aliança dinástica de algum tipo, com repercussões e implicações políticas?
Em suma, poderia uma estirpe resultante desse casamento ter garantido o nome de “sangue real”?

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Somente o casamento dos dois poderia explicar a presença de Madalena nas viagens de Jesus. No mesmo livro, página 276, lemos: O papel desta mulher é singularmente ambíguo nos quatro Evangelhos e parece ter sido deliberadamente obscurecido(...)
Na palestina do tempo de Jesus seria impossível que uma mulher não casada viajasse desacompanhada. Mais impensadamente ainda seria viajar desacompanhada e junto com um mestre religioso e seu círculo.
Várias tradições parecem ter tomado conhecimento deste fato potencialmente embaraçoso.
Pretende-se em alguns casos que Madalena tenha sido casada com um dos discípulos de Jesus.
Se este era o caso, entretanto, seu relacionamento especial com Jesus e sua proximidade a ele os teriam tornado ambos sujeitos a suspeitas, se não acusações de adultério.
É certo que Madalena se apresenta em especial importância na história de Jesus, na história do Cristianismo, como podemos ver no mesmo livro, página 277: .é evidente que Madalena, no final da carreira de Jesus, tinha se tornando um personagem de imensa importância.
Nos três Evangelhos sinópticos, seu nome encabeça consideravelmente a lista mulheres que seguiam Jesus (...) Ela é a primeira testemunha da tumba vazia após a crucificação.
Para revelar a ressurreição, Jesus escolheu Madalena entre todos os seus devotos.
Se por um lado os discípulos masculinos ficaram escondidos, com medo, quando da crucificação de Jesus, Maria Madalena se manteve presente, assistindo, sofrendo, o tempo todo, conforme mencionado nos Evangelhos de Mateus, Marcos e João.
Os autores do livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada tecem um importante comentário sobre a validade dos Evangelhos apócrifos, que no trecho a seguir escolhidos (página 323), eles os denominam de Gnósticos: À luz dos manuscritos Nag Hammadi, a possibilidade de uma linhagem sanguínea descendente de Jesus nos pareceu mais plausível.
Alguns dos chamados Evangelhos Gnósticos eram potencialmente tão verdadeiros e autênticos quanto os livros do Novo Testamento. Como conseqüência, os fatos que eles, explícita ou implicitamente, testemunham – um substituto na cruz, uma disputa entre Pedro e Madalena, um casamento entre Madalena e Jesus, o nascimento de um “filho do Filho do homem” – não poderiam ser desprezados, por mais controvertidos que fossem.
Estávamos lidando com história, não com teologia.
E a história, no tempo de Jesus, não era menos complexa, multifacetada e orientada para o pragmatismo do que é hoje. Inegável se apresenta a ligação especial de Jesus com Maria Madalena. No tempo em que vivemos não cabe mais falar em Madalena como prostituta.
No século VI, o Papa retirou o título de penitente dado indevidamente à Maria Madalena, mas isso é pouco para resgatar a grande importância de Madalena no advento de Cristianismo.
Além do indevido título de prostituta, tentaram destruir o Evangelho de Madalena, pois nele continha o importante ensinamento transmitido por Jesus de que o caminho não está em seguir esta ou aquela estrada, quiçá esta ou aquela religião, mas na busca interior, na evolução interior a caminho do Deus que habita em todos nós.Mais que rotular indevidamente Madalena, sucumbiram o verdadeiro Cristianismo, aquele praticado por Jesus, que não criou nenhuma religião,
nem pregava ou vivia em igrejas, mas praticava, verdadeiramente, o mais puro amor, a mais bela espiritualidade e como Ele mesmo disse:"
Não estabeleçais outras regras, além das que vos mostrei, e não instituais como legislador, senão sereis cerceados por elas." Se não há prova contundente de que Maria Madalena fora casada com Jesus, certo é que ambos estiveram ligados por um amor especial, espiritual raro.
Por informações canalizadas, sabemos que Jesus e Maria Madalena são almas gêmeas, e que, na Palestina, encarnaram para viver e ajudar mutuamente na implantação do cristianismo.
No livro A Gruta do Sol, da autora Marisa Varela, auxiliada por mestres de luz, a ligação espiritual de Jesus e Maria Madalena aparece translúcida. Numa das festividades do Sexto Raio, puderam ser vistos os dois juntos, na seguinte passagem (páginas 144/145):
Finalmente...a presença especial, sobre a qual correram tantos rumores e especulações: Joshua (Jesus), que estava acompanhado de seu mulher lindíssima, de longos cabelos crespos e olhos claros. Seu Raio Gêmeo, certamente. Murmurando, alguém às minhas costas logo a identificou:
- Maria Madalena (...) Ele fez um gesto com a mão, saudando a platéia, depois sentou-se a lado de Maria Madalena, ocupando a cadeira central que lhe estava destinada (...) O apresentador (...) agradeceu a presença de todos os que ali estavam prestigiando a solenidade e especialmente ao do Mestre Joshua e sua mulher Maria Madalena, os convidados de honra.


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Seja lá o que o homem do passado, a Igreja e as religiões tenham escondido sobre a personagem Maria Madalena, a sua importância na implantação do Cristianismo foi extremamente vital, ela veio para ajudar Jesus e sua ligação com o Mestre dos Mestres está condignamente reconhecida naturalmente nas esferas espirituais.
Aqui na Terra, os artistas do passado conservaram, esconderam (mostrando) a verdade e no tempo em que vivemos, no alvorecer da Nova Era, a verdade se abre, desfralda o seu leque, deixando em letras garrafais a inegável verdade.
Já não é apenas questão de ter olhos para ver, trata-se de evidências tão incontestáveis que a verdade está se impondo a todos, queiramos ou não.
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• Livros e revistas pesquisados
• 1 ÍSIS E OSÍRIS
Se do peso teológico da figura de Maria Madalena se quisesse falar, o episódio escolhido para o retractar seria, inevitavelmente, o da ressurreição de Jesus.
Em todos os Evangelhos canónicos é a Maria Madalena que Jesus aparece em primeiro lugar.
Quem primeiro sabe que Jesus já não se encontra no mundo dos mortos e, assim, é o Cristo, o Salvador, aquele que venceu a morte e ressuscitou, é esta mulher e não nenhum dos apóstolos, nenhum dos homens.Mateus 28, 9-10
Jesus saiu ao seu encontro e disse-lhes [a Maria Madalena e a outra Maria]: «Salvé!»
Elas aproximaram-se, estreitaram-lhe os pés e prostraram-se diante dele. Jesus disse-lhes:
«Não temais. Ide anunciar aos meus irmãos que partam para a Galileia. Lá me verão.»
Mais, quem fica junto à cruz quando a morte atinge Jesus, quando Ele se entrega nas mãos de seu Pai? Também aqui encontramos as figuras femininas que acompanhavam Jesus e os seus discípulos, em especial Maria Madalena. João, 19, 25: Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã da sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena.
Sem contar com outras passagens, sem ligar a outras situações descritas nos Evangelhos e, em especial, sem ler os textos apócrifos, estes simples dois trechos já nos remeteriam para uma situação de grande destaque de Maria Madalena no seio do grupo que acompanharia Jesus.Maria Madalena é comum em ambos os episódios.
No primeiro deles acompanha a sua família. Mais, estamos perante o centro da função e da teologia do Salvador, do Cristo: a sua morte e ressurreição.Não estamos perante episódios correntes do dia-a-dia de Jesus.Ora, esta centralidade de uma figura feminina na morte e ressurreição do Deus feito Homem não é minimamente nova no espaço e nas culturas da região.
Talvez a situação mais conhecida seja a da deusa Ísis, esposa de Osíris.
Estas personagens mitológicas do Antigo Egipto condensam em si muito da formulação teológica que relaciona personagens de sexo oposto em situações de morte.
Falamos em especial da dedicação, do amor levado ao limite na morte, da relação na morte, da ressurreiçãoO culto a Ísis era importante para o Cristianismo em duas vertentes distintas e complementares.Por um lado, na sua construção mitológica, Ísis e Osíris são das divindades egípcias mais “exportadas” para fora das margens do Nilo, verdadeiro património cultural de toda uma região muito mais vasta que o Egipto Antigo. Por outro lado, Ísis estava no centro de uma das mais populares religiões de salvação do século I d.C., altura em que o Cristianismo nasce e se constrói. O centro deste mito que dá corpo ao culto, encontra-se na forma como a deusa Ísis não deixa de ter o seu esposo como constante horizonte, mesmo quando ele se encontra morto.
Vejamos um trecho de um hino a Osíris onde a figura de Ísis é central:
A sua irmã foi a sua guardiã, ela que se livrou do seus adversários, que impede os actos de malvadez pelo poder da sua palavra. Que tem voz discernente, cujo discurso não falha, eficaz na voz de comando, poderosa Ísis que protegeu o seu irmão, que o viu inerte e já sem vida, que atravessou a terra lamentando-se, não descansando enquanto não o encontrou, que fez uma sombra com a sua plumagem, criando uma brisa com as suas asas.
Osíris fora morto pelo seu irmão Set. Este irmão assassino viria a transformar-se na imagem do mal, ao mesmo tempo que Osíris, o que seria, depois, o rei do mundo dos mortos, aquele que dava a vida do além a todos os defuntos, seria a imagem do bem, o estereótipo do monarca vigilante, do efectivo rei. Osíris era, para além da simples figura que reinava sob o mundo dos mortos, o deus que possibilitava a todos, numa verdadeira democratização dos direitos após-morte, uma vida feliz nos campos paradisíacos do além.O primeiro ponto de contacto com o mundo de Maria Madalena reside no facto de, também Osíris, ser morto após um banquete.
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De facto, Set coloca o seu irmão num sarcófago, o primeiro sarcófago, no final de uma refeição em comum e mata-o.Tal como Madalena, Ísis não desiste após a morte do seu amado.
Ísis enceta uma longa e penosa jornada em busca do seu esposo, então retalhado pelo seu irmão.Recolhidos todos os pedaços do seu corpo, cria a primeira múmia, reconstruindo o corpo.
Por fim, depois de ter novamente o corpo do seu amado, consegue, por artes mágicas dar novamente vida a esse corpo.
Mas mais, para além de lhe dar novamente vida, consegue dele ficar grávida, apesar de não ter recolhido todas as partes do seu corpo – a única que lhe escapara fora exactamente o falo.
Ora, o paralelo normalmente criado entre esta deusa e as personagens do cristianismo antigo encontram-se especialmente na Virgem Maria: concepção sem relação sexual;
e, mais tarde, na economia do mito, a forma maternal como trata o filho nascido dessa relação milagrosa entre ambos, Hórus – muitas são as representações de Ísis com o seu filho Hórus ao colo, tal como Nossa Senhora.Mas o lugar de Madalena não pode ser deixado de lado.
Toda a relação entre Ísis e a morte de Osíris é profundamente apelativa quando olhamos para a forma como Maria Madalena foi a primeira personagem a ir ao encontro do seu defunto companheiro e, mais que isso, foi ela que o descobriu, afinal, com vida
São as mulheres, e Maria Madalena entre elas, que recolhem o corpo e, a um jeito que tanto nos faz lembrar Ísis a criar a primeira múmia, o enfaixam para o depositarem no seu local de repouso eterno.Mas a proximidade entre dados culturais vai ainda mais longe.
Tal como Ísis procura desesperada o corpo de Osíris, também Madalena e as restantes mulheres pensam que o corpo de Jesus fora roubado. Ora, por detrás desta acção existe um móbil, como que uma justificação inerente a este tipo de figuras mitológicas ou religiosas:
uma imanente, inata, a priori, vontade e desejo de estar próximo do que de divino é essencial, nomeadamente das figuras que o representam.
Vejamos um interessante trecho de Plutarco exactamente sobre Ísis (Ísis e Osíris, 53):
Sente amor inato pelo primeiro princípio, pelo princípio que exerce sobre tudo o supremo poder, e que é idêntico ao princípio do bem; deseja-o, persegue-o, fugindo e recusando qualquer participação com o princípio do mal. [...] oferece-se a ele [ao princípio do bem] para que a fecunde, para que semeie no seu seio o que dele emana.
Obviamente, tal como Ísis, também Maria Madalena o encontraria e seria a primeira a vê-lo novamente com vida.
A COMPANHEIRA DE JESUS
• Federico Mengozzi e Ivan Padilla
Maria Madalena é citada em diversas passagens dos Evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João, no Novo Testamento, e está presente nos momentos mais marcantes da vida de Jesus, como a Paixão e a Ressurreição. É a mulher que mais aparece nos Evangelhos - 17 vezes, mais do que Maria, mãe de Jesus. Nenhum trecho, no entanto, permite concluir que houve relação carnal entre eles. Tudo é questão de interpretação.
De acordo com a arqueóloga Fernanda de Camargo-Moro, autora de Arqueologia de Madalena –
Uma Busca Histórica da Companheira de Jesus, a palavra grega usada para as mulheres em geral - diakonein - não foi empregada por Filipe, em seu evangelho, ao se referir a ela.
Para Maria Madalena, o termo utilizado foi koinonos, que significa ''companheira''.
17 é o número de vezes que Maria Madalena é citada nos Evangelhos
Dan Brown afirma, por meio do personagem Teabing, que a palavra ''companheira'' significava, em determinado contexto, ''esposa'' em aramaico.
O evangelho de Filipe, porém, foi escrito em copta, com empréstimos do grego.
Na língua dos helenos, koinonos também pode significar ''irmã'', no sentido espiritual.
Pode ser ainda ''esposa'', embora a palavra grega mais comum para essa condição seja gyné.
''Os textos usam uma palavra que significa companheira fundamental, total, integrada.
A palavra 'casada' em relação a Jesus é geralmente usada nos romances de ficção, feitos com pesquisas rasas, sobretudo coladas de textos anteriores'', afirma Fernanda de Camargo-Moro.
No evangelho de Maria Madalena, também encontrado em Nag Hammadi, há o confronto de Pedro em relação a Madalena. ''Por que teria ele falado em particular com uma mulher (...)?
Devemos todos mudar de opinião e escutá-la?'' Encontram-se referências a ela em outros textos apócrifos, que serviram para a divulgação do cristianismo nos primeiros séculos, mas foram proibidos pelo Concílio de Nicéia, no ano 325.

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De acordo com Fernanda de Camargo-Moro, a má interpretação dos textos, muitas vezes devido a falhas de tradução, ajudou a formar uma imagem negativa. Madalena, a ''mulher da qual saíram sete demônios'', segundo o Evangelho de Lucas, ganhou a imagem de uma prostituta que foi purificada por Cristo.
Mulher cheia de pecados, passou a representar o arquétipo feminino tradicional, a transmissora do pecado original, que, depois de curada, teria passado sua vida em arrependimento.
Não há menção a Madalena como prostituta arrependida na Bíblia.
A imagem provavelmente se originou num discurso do papa Gregório I (540-604), quando a Igreja estava em expansão e era importante divulgar a necessidade de combater o pecado.
Madalena seria, portanto, um exemplo de fé e penitência. Algumas fontes dizem que as bodas de Caná, episódio em que Jesus realiza seu primeiro milagre, transformando água em vinho, seriam, na verdade, a celebração de seu próprio casamento. ''Os evangelhos gnósticos retratam Jesus como um espírito superior, mas que era um homem como qualquer um de nós.
Se Jesus foi o Deus encarnado, um ser humano integral, teve inclusive sexualidade'', afirma.
A polêmica em torno da relação de Jesus e Madalena amplia a discussão sobre o papel da mulher na Igreja.
O celibato não foi obrigatório durante mais de um milênio, até o Concílio de Latrão, no século XII.
Existem igrejas católicas como a armênia, a melquita e a ucraniana que não exigem a abstinência sexual dos padres. Uma questão importante neste debate é o crescimento da figura de Madalena e sua colocação em pé de igualdade aos demais apóstolos. Em 1995, o papa João Paulo II, para impedir maiores discussões sobre o sacerdócio feminino, referiu-se ao ''exemplo de Cristo, atestado pelas Sagradas Escrituras, que escolheu seus apóstolos somente entre os homens''.
Esse argumento cai diante de uma Madalena fortalecida, que atende a setores que reivindicam para a mulher um papel mais importante na hierarquia católica.
Portanto, o ressurgimento de Madalena nos últimos anos, em dezenas de livros, muitos deles romances, vai além da trama de O Código Da Vinci e se vincula mais à evolução do poder político.Novas interpretações ajudaram a mudar a imagem da Madalena arrependida a partir do século XX. De acordo com os Evangelhos, muitas mulheres deixaram suas famílias para se juntar a Jesus. Também ajudavam o grupo com seus bens materiais. Isso demonstra uma emancipação feminina financeira e familiar rara naquele tempo, da qual Madalena se tornou símbolo. Ela também é referência do movimento Women Priests, que tem como bandeira a instituição do ordenamento para as mulheres. ''Existe um reconhecimento de seu papel como companheira de Jesus e uma das estruturadoras do cristianismo'', afirma Fernanda de Camargo-Moro.A Igreja, tradicionalmente machista, estaria preparada para aceitar novos marinheiros conduzindo a barca de Pedro?
Para o papa, não é o momento. É esta, mais do que a ameaça a uma entidade de 2 mil anos, a verdadeira questão que o best-seller, há meses em primeiro na lista dos mais vendidos, levanta.
JESUS E MADALENAM ERAM AMANTES OU CASADOS
A idéia de que Jesus e Maria Madalena eram amantes ou casados volta à baila de vez em quando, mas ela nunca foi levada a sério, pelo menos não pelos mais sérios estudiosos do assunto. Penso que houve algum tipo de relacionamento entre eles, do tipo espiritual;
afinal de contas, foi a ela que ele apareceu no Jardim na manhã da Páscoa.
Minha velha tia-avó, que conhecia a Bíblia em detalhes, tinha a própria teoria de que era Maria Betânia que Jesus amava, e se levarmos em conta as passagens nas quais Maria Betânia está sentada a seus pés – acho que ela tem razão – parece haver mais “vibrações”entre eles do que com Maria Madalena. Naturalmente, com um material tão escasso, é difícil tirar conclusões.
O Código de Da Vinci”, de Dan Brown, tem como ponto central a premissa de que a verdade entre Maria Madalena e Jesus (incluindo seu casamento e filho) foi suprimida pela Igreja porque ela não queria que nenhum traço de Jesus “humano” permanecesse.
Li “O Código de Da Vinci” e gostei muito de sua engenhosidade, mas a parte sobre a Igreja tentando suprimir o aspecto humano de Jesus ficou um pouco confusa.
A Igreja, ao contrário, sempre lutou para reivindicar que Jesus era ao mesmo tempo “completamente humano” e “completamente divino”, o que acabou levando a uma quantidade de bizarros artifícios teológicos. Houve uma escola que achava que Jesus era Deus disfarçado de homem (que seu corpo humano era só uma ilusão – naturalmente que isto conduzia ao problema de que sua crucificação não teria sido real); outra escola afirmava que as duas naturezas existiam em um corpo, uma ao lado da outra, mas que não se misturavam:

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uma outra, afirmava que ele era completamente humano até a crucificação, quando se “revelou” e adquiriu aspecto divino. (A última é a teoria de São Paulo, e é por esta razão que seu Evangelho não fala de nascidos de virgens). O Evangelho de São Paulo é o mais antigo documento doutrinário que temos, por isso presumivelmente esta era a crença original.
As pessoas na verdade têm mais dificuldade em visualizar alguma coisa que seja ao mesmo tempo humana e divina, de modo que era uma prática mais popular transformar Jesus num deus do que no fruto de uma crença teológica. Os cristãos também, embora eles disciplinadamente recitem as palavras de fé na Igreja, afirmando que ele era completamente humano e completamente divino, na verdade não gostam da parte humana. Percebi isto por experiência própria, pois muita gente atacou minha “interpretação” por considerá-la “muito humana”.
E pense no furor causado pela “Última Tentação de Cristo” (romance de Niko Kazantzakis filmado por Martin Scorcese), que o mostrou simplesmente ansiando por uma vida humana normal. A Bíblia raramente menciona Maria Madalena. Que outras fontes preliminares a senhora utilizou para obter informações desta personagem da história? O quanto você confiou nos livros gnósticos, Bíblia, especificamente no Livro de Maria para compor essa personagem?
Os quatro livros canônicos da Bíblia são muito escassos em informações, mas foram a nossa principal fonte de informações sobre Maria Madalena. Eles falam de sua primeira possessão pelo demônio e sua cura por Jesus, falam do fato de que possuía condições financeiras para sustentar o ministério de Jesus, e que permaneceu com ele durante a crucificação.
Também foi para a cova na manhã da ressurreição e foi a primeira a ver a ressurreição de Cristo.
O livro de Maria, descoberto em 1896, não adiciona nenhuma informação biográfica sobre ela.
Enfatiza sua espiritualidade e seu visionário dom, sua primazia entre os discípulos, e que era a preferida de Jesus. Estes elementos, que usei muito bem no livro, explicam porque Madalena se tornou tão "famosa" entre os primeiros cristãos. Maiores detalhes de sua vida aparecem nas escrituras sagradas, no quarto, quinto, sexto e sétimo séculos, porém alguns destes fatos são duvidosos. Ela é também mencionada pelos primeiros padres, tais como Irineu de Lyon, Tertuliano, Rigen, Clemente de Roma e o Papa Gregório, o Grande, entre outros.
Como a senhora pesquisou a época na qual o romance se passa?
Viajou para o Oriente Médio? Se viajou, como foi a experiência?
A senhora poderia fazer algum paralelo entre a atual violência no Oriente Médio e o conflito entre romanos e judeus na época de Jesus?
Muitos estudos excelentes do primeiro século estão disponíveis. Eu também fiz sete anos de estudos sobre a Bíblia, que cobre sessenta dos sessenta e seis livros da Bíblia.
Viajei para o Egito, Síria, Jordânia e Turquia. Vivi em Israel quando criança nos anos 50 e retornei seis vezes. A última visita, em 99, foi especificamente para refazer todo o caminho de Maria a pé, tanto quanto eu podia. Foi um desafio identificar todos os caminhos, e Magdala, a cidade de Maria, foi particularmente difícil de encontrar.Era um período de calma, quando se teve uma trégua nos conflitos. Eu senti uma grande similaridade entre o que está acontecendo agora no Oriente Médio e o que acontecia na época de Jesus. O povo desesperado sem um líder que pudesse ajudá-lo; desespero, fanatismo e extremistas dividindo cada vez mais as partes, com muito sangue e violência. Você pode entender agora como o povo colocava suas esperanças em Jesus, desejando somente que fosse o libertador.O que tornou Maria Madalena uma figura histórica?
Como foi a experiência de escrever sobre ela? Foi diferente dos assuntos de seus outros livros?
A senhora se identifica com Maria Madalena?
Maria Madalena foi pobremente documentada, mas ainda assim ela é mais histórica do que as outras personagens do Novo Testamento, no qual mais detalhes são citados sobre sua vida, personalidade e comportamento. Muitos dos outros discípulos são simplesmente nomes, sem nenhuma referência. Comparada com outros temas, ela apresenta muito mais "vazios" que precisam ser preenchidos com a inteligência de um detetive e imaginação.
Sim, eu me identifiquei com Maria Madalena, que provavelmente teve que escolher entre dois objetivos: ser seguidora espiritual de Jesus e ser uma mulher forte e corajosa, que admiro.
A Igreja retrata Maria Madalena como uma prostituta regenerada e, mais recentemente, feministas do meio acadêmico a definem como uma divindade feminina, uma líder religiosa, e até mesmo como a esposa de Cristo. Como foi que a senhora optou pelas características que deu a ela, nem prostituta nem noiva, mas uma amiga de Jesus?
Acadêmicos modernos têm fornecido novos materiais sobre o mundo do primeiro século e estamos cada vez melhores em decifrar o significado dos costumes e palavras da Antigüidade.
PAG 339

A recente denominação de Maria Madalena como líder espiritual, baseada no que sabemos das escrituras antigas, parece muito persuasivo para mim.
Também existe o fato de um acadêmico dizer: "Ela era famosa".Mas famosa por quê?
Isto aparece no livro de Maria e também em outras escrituras antigas.
Nos livros agnósticos tem se preservado esta idéia que a faz tão especial, de possuir dons espirituais que Jesus respeitava e que a levaram muito próxima a ele.
Não é necessário mencionar se ela foi ou não foi sua esposa. Em qualquer escrito não há nenhuma indicação de que Jesus era casado. Já que o rótulo de prostituta não existia até o século sexto, e foi formalmente repudiado pelo Vaticano em 1969, qualquer livro que considere este fato estará historicamente incorreto. Porém, uma figura feminina divina é uma interessante perspectiva, porque apesar do barulho causado pelos profetas bíblicos contra os rituais de "Astarte e a Rainha do Paraíso", o povo espera por uma Deusa e sente falta de uma metade feminina na criatividade. A Deusa é uma personagem muito poderosa que se recusa a ser esquecida Eu quero mostrar e relacionar Maria Madalena como o símbolo da Deusa que se encontrou e que foi esquecida, mas não é menos emocionante. Maria por ele mesma é algumas vezes vista como uma versão cristã de deusa, o lado terreno representando sexualidade e prazer, enquanto a Virgem Maria representa o Etéreo.
Talvez de um modo pervertido foi Maria Madalena tristemente rotulada como prostituta.
Na Antigüidade, a igreja tinha tido muitos problemas para lidar com a sexualidade, então qualquer figura feminina associada com isto tinha quer ser prostituta.
Qual é o seu conhecimento espiritual pessoal?
Meus conceitos espirituais migraram de uma família batista para a tradição episcopal e igrejas católicas. Sou casada com um judeu e agora estou descobrindo a Nova Era da Espiritualidade.
De onde vem a imagem de que Maria espera por Jesus como um marido?
Isto é um efeito residual de sua possessão pelos demônios ou um compreensivo desejo ardente de uma mulher que perdeu o marido?Eu acredito que não é realmente nenhum dos dois.
Acredito que seja pelo magnetismo pessoal de Jesus. Um crítico uma vez disse que a grande tentação de Cristo poderia ter sido as portas que o seu próprio charme abriria para ele.
Todo o mundo o queria para jantar.
E pouco comum para aquela época era um Um relacionamento tão próximo entre um homem e uma mulher, como iguais, era pouço comum para aquela época.
Seria surpreendente se alguém tão humano e sozinho quanto Maria Madalena não se sentisse atraída por Jesus e desejasse tê-lo sempre ao seu lado como um marido.
Por que senhora colocou Judas como pretendente de Maria Madalena? Estaria sugerindo que a rejeição de Madalena tivesse alguma coisa a ver com o fato de Judas trair Jesus logo depois?
Tentei retratar Judas como um intelectual que nunca foi capaz de superar seu cinismo, o que o condenou em sua tentativa de seguir Jesus. Pensei num tipo de Judas como uma pessoa que tenta de tudo para encontrar respostas na sua arte, no seu conhecimento e aprendizado e na sua sofisticação. Porém, uma última alternativa não havia sido tentada:
casamento e comprometimento.
Ele encontrou um outro discípulo que sentiu que lhe era familiar, por quem ele também estava atraído. Talvez, se ela o tivesse aceitado, Judas poderia ter sido um serviçal da igreja por uns tempos. Mas isto não seria o final
. Não, eu não quero dizer que a rejeição de Maria o levou a rejeitar Jesus. Ela era a última tentativa que ele tentava agarrar antes da sua queda final. Até o final, mesmo após a crucificação, Maria Madalena está em dúvida. E até no momento da ressurreição não está totalmente crente.
A sua falta de fé até este momento significa que ela seja um fraca?
Ou é uma compreensiva resposta humana a este complexo profundamente individual?
Nenhum dos discípulos entendia o que era Jesus e o que ele queria, nem na manhã da ressurreição. Isto não é fraqueza, mas um senso comum de que a ressurreição estava além das expectativas. Jesus estava também misterioso no que premeditava, falando em parábolas e palavras incompreensíveis. Acredito que a última frase descreve isso perfeitamente.
Um comportamento totalmente compreensível para uma profunda complexidade individual.
Há alguma outra mulher na Bíblia que a senhora considerou ou tem considerado para escrever a respeito?
Sempre simpatizei com Lia, a rejeitada rejeitada que teve que dividir seu marido Jacó com a irmã caçula Raquel (Gênesis). Na competição com Raquel, que era a mais amada, ela ainda deu a Jacó seis filhos e uma filha. Metade das doze tribos de Israel.
PAG 340

Acredito que a tensão psicológica na sua vida deve ter sido fenomenal.
Também gosto da história de Tamar, filha de Davi. A paixão de seu irmão Amnon por ela iniciou a guerra civil entre Davi e seu filho Absalão, seu outro irmão que vingaria sua honra (Livro II de Samuel, 13-19:33). E, mudando para um drama lírico, é muito difícil iniciar esta história que termina com o famoso lamento
"Oh, Absalão, Absalão. Absalão, meu filho, meu filho Absalão!" Que teria morrido pelos três.
uma outra, afirmava que ele era completamente humano até a crucificação, quando se “revelou” e adquiriu aspecto divino. (A última é a teoria de São Paulo, e é por esta razão que seu Evangelho não fala de nascidos de virgens). O Evangelho de São Paulo é o mais antigo documento doutrinário que temos, por isso presumivelmente esta era a crença original.
As pessoas na verdade têm mais dificuldade em visualizar alguma coisa que seja ao mesmo tempo humana e divina, de modo que era uma prática mais popular transformar Jesus num deus do que no fruto de uma crença teológica. Os cristãos também, embora eles disciplinadamente recitem as palavras de fé na Igreja, afirmando que ele era completamente humano e completamente divino, na verdade não gostam da parte humana. Percebi isto por experiência própria, pois muita gente atacou minha “interpretação” por considerá-la “muito humana”.
E pense no furor causado pela “Última Tentação de Cristo” (romance de Niko Kazantzakis filmado por Martin Scorcese), que o mostrou simplesmente ansiando por uma vida humana normal. A Bíblia raramente menciona Maria Madalena. Que outras fontes preliminares a senhora utilizou para obter informações desta personagem da história? O quanto você confiou nos livros gnósticos, Bíblia, especificamente no Livro de Maria para compor essa personagem?
Os quatro livros canônicos da Bíblia são muito escassos em informações, mas foram a nossa principal fonte de informações sobre Maria Madalena. Eles falam de sua primeira possessão pelo demônio e sua cura por Jesus, falam do fato de que possuía condições financeiras para sustentar o ministério de Jesus, e que permaneceu com ele durante a crucificação.
Também foi para a cova na manhã da ressurreição e foi a primeira a ver a ressurreição de Cristo.
O livro de Maria, descoberto em 1896, não adiciona nenhuma informação biográfica sobre ela.
Enfatiza sua espiritualidade e seu visionário dom, sua primazia entre os discípulos, e que era a preferida de Jesus. Estes elementos, que usei muito bem no livro, explicam porque Madalena se tornou tão "famosa" entre os primeiros cristãos.
Maiores detalhes de sua vida aparecem nas escrituras sagradas, no quarto, quinto, sexto e sétimo séculos, porém alguns destes fatos são duvidosos.
Ela é também mencionada pelos primeiros padres, tais como Irineu de Lyon, Tertuliano, Rigen, Clemente de Roma e o Papa Gregório, o Grande, entre outros.
Como a senhora pesquisou a época na qual o romance se passa?
Viajou para o Oriente Médio? Se viajou, como foi a experiência? A senhora poderia fazer algum paralelo entre a atual violência no Oriente Médio e o conflito entre
romanos e judeus na época de Jesus?
Muitos estudos excelentes do primeiro século estão disponíveis. Eu também fiz sete anos de estudos sobre a Bíblia, que cobre sessenta dos sessenta e seis livros da Bíblia.
Viajei para o Egito, Síria, Jordânia e Turquia. Vivi em Israel quando criança nos anos 50 e retornei seis vezes. A última visita, em 99, foi especificamente para refazer todo o caminho de Maria a pé, tanto quanto eu podia.
Foi um desafio identificar todos os caminhos, e Magdala, a cidade de Maria, foi particularmente difícil de encontrar.Era um período de calma, quando se teve uma trégua nos conflitos.
Eu senti uma grande similaridade entre o que está acontecendo agora no Oriente Médio e o que acontecia na época de Jesus. O povo desesperado sem um líder que pudesse ajudá-lo;
desespero, fanatismo e extremistas dividindo cada vez mais as partes, com muito sangue e violência. Você pode entender agora como o povo colocava suas esperanças em Jesus, desejando somente que fosse o libertador.O que tornou Maria Madalena uma figura histórica?
Como foi a experiência de escrever sobre ela? Foi diferente dos assuntos de seus outros livros?
A senhora se identifica com Maria Madalena?
Maria Madalena foi pobremente documentada, mas ainda assim ela é mais histórica do que as outras personagens do Novo Testamento, no qual mais detalhes são citados sobre sua vida, personalidade e comportamento. Muitos dos outros discípulos são simplesmente nomes, sem nenhuma referência. Comparada com outros temas, ela apresenta muito mais "vazios" que precisam ser preenchidos com a inteligência de um detetive e imaginação.

Pag 341

Sim, eu me identifiquei com Maria Madalena, que provavelmente teve que escolher entre dois objetivos: ser seguidora espiritual de Jesus e ser uma mulher forte e corajosa, que admiro.
A Igreja retrata Maria Madalena como uma prostituta regenerada e, mais recentemente, feministas do meio acadêmico a definem como uma divindade feminina, uma líder religiosa, e até mesmo como a esposa de Cristo. Como foi que a senhora optou pelas características que deu a ela, nem prostituta nem noiva, mas uma amiga de Jesus?
Acadêmicos modernos têm fornecido novos materiais sobre o mundo do primeiro século e estamos cada vez melhores em decifrar o significado dos costumes e palavras da Antigüidade.
A recente denominação de Maria Madalena como líder espiritual, baseada no que sabemos das escrituras antigas, parece muito persuasivo para mim. Também existe o fato de um acadêmico dizer: "Ela era famosa".Mas famosa por quê?
Isto aparece no livro de Maria e também em outras escrituras antigas.
Nos livros agnósticos tem se preservado esta idéia que a faz tão especial, de possuir dons espirituais que Jesus respeitava e que a levaram muito próxima a ele.
Não é necessário mencionar se ela foi ou não foi sua esposa. Em qualquer escrito não há nenhuma indicação de que Jesus era casado. Já que o rótulo de prostituta não existia até o século sexto, e foi formalmente repudiado pelo Vaticano em 1969, qualquer livro que considere este fato estará historicamente incorreto. Porém, uma figura feminina divina é uma interessante perspectiva, porque apesar do barulho causado pelos profetas bíblicos contra os rituais de "Astarte e a Rainha do Paraíso", o povo espera por uma Deusa e sente falta de uma metade feminina na criatividade. A Deusa é uma personagem muito poderosa que se recusa a ser esquecida Eu quero mostrar e relacionar Maria Madalena como o símbolo da Deusa que se encontrou e que foi esquecida, mas não é menos emocionante. Maria por ele mesma é algumas vezes vista como uma versão cristã de deusa, o lado terreno representando sexualidade e prazer, enquanto a Virgem Maria representa o Etéreo.
Talvez de um modo pervertido foi Maria Madalena tristemente rotulada como prostituta.
Na Antigüidade, a igreja tinha tido muitos problemas para lidar com a sexualidade, então qualquer figura feminina associada com isto tinha quer ser prostituta. Qual é o seu conhecimento espiritual pessoal?Meus conceitos espirituais migraram de uma família batista para a tradição episcopal e igrejas católicas. Sou casada com um judeu e agora estou descobrindo a Nova Era da Espiritualidade. De onde vem a imagem de que Maria espera por Jesus como um marido?
Isto é um efeito residual de sua possessão pelos demônios ou um compreensivo desejo ardente de uma mulher que perdeu o marido?
Eu acredito que não é realmente nenhum dos dois.
Acredito que seja pelo magnetismo pessoal de Jesus. Um crítico uma vez disse que a grande tentação de Cristo poderia ter sido as portas que o seu próprio charme abriria para ele.
Todo o mundo o queria para jantar. E pouco comum para aquela época era um Um relacionamento tão próximo entre um homem e uma mulher, como iguais, era pouço comum para aquela época.
Seria surpreendente se alguém tão humano e sozinho quanto Maria Madalena não se sentisse atraída por Jesus e desejasse tê-lo sempre ao seu lado como um marido.
Por que senhora colocou Judas como pretendente de Maria Madalena? Estaria sugerindo que a rejeição de Madalena tivesse alguma coisa a ver com o fato de Judas trair Jesus logo depois?
Tentei retratar Judas como um intelectual que nunca foi capaz de superar seu cinismo, o que o condenou em sua tentativa de seguir Jesus. Pensei num tipo de Judas como uma pessoa que tenta de tudo para encontrar respostas na sua arte, no seu conhecimento e aprendizado e na sua sofisticação. Porém, uma última alternativa não havia sido tentada: casamento e comprometimento. Ele encontrou um outro discípulo que sentiu que lhe era familiar, por quem ele também estava atraído. Talvez, se ela o tivesse aceitado, Judas poderia ter sido um serviçal da igreja por uns tempos. Mas isto não seria o final. Não, eu não quero dizer que a rejeição de Maria o levou a rejeitar Jesus. Ela era a última tentativa que ele tentava agarrar antes da sua queda final.
Até o final, mesmo após a crucificação, Maria Madalena está em dúvida. E até no momento da ressurreição não está totalmente crente. A sua falta de fé até este momento significa que ela seja um fraca? Ou é uma compreensiva resposta humana a este complexo profundamente individual?
Nenhum dos discípulos entendia o que era Jesus e o que ele queria, nem na manhã da ressurreição. Isto não é fraqueza, mas um senso comum de que a ressurreição estava além das expectativas. Jesus estava também misterioso no que premeditava, falando em parábolas e palavras incompreensíveis. Acredito que a última frase descreve isso perfeitamente.
PAG 342

Um comportamento totalmente compreensível para uma profunda complexidade individual.
Há alguma outra mulher na Bíblia que a senhora considerou ou tem considerado para escrever a respeito?Sempre simpatizei com Lia, a rejeitada rejeitada que teve que dividir seu marido Jacó com a irmã caçula Raquel (Gênesis). Na competição com Raquel, que era a mais amada, ela ainda deu a Jacó seis filhos e uma filha. Metade das doze tribos de Israel.
Acredito que a tensão psicológica na sua vida deve ter sido fenomenal.
Também gosto da história de Tamar, filha de Davi. A paixão de seu irmão Amnon por ela iniciou a guerra civil entre Davi e seu filho Absalão, seu outro irmão que vingaria sua honra (Livro II de Samuel, 13-19:33). E, mudando para um drama lírico, é muito difícil iniciar esta história que termina com o famoso lamento
"Oh, Absalão, Absalão. Absalão, meu filho, meu filho Absalão!" Que teria morrido pelos três.

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