domingo, 8 de novembro de 2009

CAPITULO 10 = AS PIRAMIDES

CAPITULO 10

.AS PIRÂMIDES

A assistência carinhosa do Cristo não desamparou a marcha desse povo cheio de nobreza moral. Enviou-lhe auxiliares e mensageiros, inspirando-o nas suas realizações, que atravessaram todos os tempos provocando a admiração e o respeito da posteridade de todos os séculos. Aquelas almas exiladas, que as mais interessantes características espirituais singularizam, conheceram, em tempo, que o seu degredo na Terra atingia o fim.
Impulsionados pelas forças do Alto, os círculos iniciáticos sugerem a construção das grandes pirâmides, que ficariam como a sua mensagem eterna para as futuras civilizações do orbe.
Esses grandiosos monumentos teriam duas finalidades simultâneas: representariam os mais sagrados templos de estudo e iniciação, ao mesmo tempo que constituiriam, para os posteriores, um livro do passado, com as mais singulares profecias em face das obscuridades do porvir.
Levantaram-se, dessarte, as grandes construções que assombram a engenharia de todos os tempos. Todavia, não é o colosso de seus milhões de toneladas de pedra nem o esforço hercúleo do trabalho de sua justaposição o que mais empolga e impressiona a quantos contemplam esses monumentos. As pirâmides revelam os mais extraordinários conhecimentos daquele conjunto de Espíritos estudiosos das verdades da vida.
A par desses conhecimentos, encontram-se ali os roteiros futuros da Humanidade terrestre.
Cada medida tem a sua expressão simbólica, relativamente ao sistema cosmogónico do planeta e à sua posição no sistema solar. Ali está o meridiano ideal, que atravessa mais continentes e menos oceanos, e através do qual se pode calcular a extensão das terras habitáveis pelo homem, a distância aproximada entre o Sol e a Terra, a longitude percorrida pelo globo terrestre sobre a sua órbita no espaço de um dia, a preces são dos equinócios, bem como muitas outras conquistas científicas que somente agora vêm sendo consolidadas pela moderna astronomia
GENERALIDADES
Durante o período de aproximadamente um milénio (entre 2630 e 1640 a.C.) os egípcios construíram suas famosas pirâmides, dentre as quais três delas assombram o mundo até hoje. A mais antiga que se conhece data da III dinastia e era constituída por mastabas sobrepostas formando degraus O idealizador deste tipo de construção foi o sábio Imhotep, proeminente figura do reinado do faraó Djoser.Essa é provavelmente a única pirâmide desse tipo que foi concluída.
No início da IV dinastia as pirâmides começaram a ser construídas com suas paredes inclinadas e não mais em forma de degraus, sendo que as últimas datam da XII dinastia.
AS MASTABAS Até o final da II dinastia os túmulos dos soberanos e dos nobres egípcios eram constituídos de uma câmara funerária cavada profundamente no solo, sobre a qual se erigia uma estrutura baixa, de paredes verticais, de teto achatado, com base rectangular, construída com tijolos de lama cozidos ao sol, que ficaram conhecidas com o nome de mastabas.Tais estruturas, no passar dos anos, evoluíram: o material construtivo passou a ser a pedra; as paredes passaram a ser ligeiramente inclinadas, formando uma pirâmide truncada; as dimensões cresceram, inclusive em altura, com o acréscimo de vários andares em degraus, até atingirem a forma piramidal.
AS PIRÂMIDES DE DEGRAUS Inovando totalmente em matéria de sepulcros, o faraó Djoser, da III dinastia, cujo reinado se estendeu aproximadamente entre 2630 e 2611 a.C., encarregou seu primeiro ministro e arquitecto Imhotep de construir um túmulo totalmente em pedra, material que até aquela época era usado apenas em partes isoladas das construções. Super pondo seis mastabas progressivamente menores, o genial arquitecto ergueu uma pirâmide de degraus. O local escolhido foi uma extensão de terras elevadas em Saqqara, a sobranceiro da cidade de Mênfis, próximo do grande cemitério de mastabas que havia sido usado no decorrer das duas primeiras dinastias. Posteriormente, outros faraós da mesma dinastia também ergueram pirâmides em degraus, embora menos majestosas.
A PIRÂMIDE TORTA O primeiro faraó da IV dinastia, Snefru, que reinou aproximadamente entre 2575 e 2551 a.C., mandou erguer na localidade de Dahshur uma pirâmide que se tornou única, entre tantas construídas,
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em função da forma final que acabou tendo. Inicialmente a obra fora planejada para ser uma pirâmide verdadeira. Entretanto, houve uma redução abrupta no ângulo de inclinação das suas faces externas, num ponto um tanto acima da metade da altura prevista para o monumento, o que alterou a sua forma piramidal. O resultado final fez com que actualmente essa construção seja conhecida como pirâmide torta, falsa, romba, romboidal ou rombóide.
A PIRÂMIDE DE KÉOPS
Kéops, segundo faraó da IV dinastia, cujo reinado se estendeu de 2551 a 2528 aproximadamente, talvez influenciado pelo tamanho da pirâmide erguida por seu pai Snefru, escolheu um planalto situado nas bordas do deserto, mais ou menos a oito quilómetros de Gizé, e ali ergueu uma pirâmide de dimensões ainda maiores. Conhecida como a Grande Pirâmide ou Primeira Pirâmide de Gizé, esse monumento marca o apogeu da época de tais construções, tanto no que se refere ao tamanho quanto no que se refere à qualidade do trabalho. Tendo uma base que cobre quase 53 mil metros quadrados, esse é, sem dúvida, o monumento mais polémico de toda a antiguidade egípcia e a única das Sete Maravilhas do Mundo que chegou até nossos dias.
A PIRÂMIDE DE KÉFREN
O faraó Kéfren (em egípcio Khaef-Re), irmão de Kéops e quarto rei da IV dinastia, reinou entre 2520 e 2494 a.C. e mandou construir o monumento que hoje é, em tamanho, a segunda maior pirâmide do Egipto antigo. Imponente, era revestida de pedra calcária e granito vermelho e os antigos egípcios deram-lhe o nome de Grande é Kéfren e também chamavam-na de
A Grande Pirâmide. No seu interior foi achado um sarcófago com dois metros e 43 centímetros de comprimento por um metro de largura e 68 centímetros de profundidade, mas o corpo do rei não foi encontrado. Nas proximidades do monumento, um conjunto rochoso foi aproveitado para que nele se esculpisse a famosa esfinge, cuja cabeça representa a face do faraó.
A PIRÂMIDE DE MIQUERINOS
Desde o século I da nossa era que a terceira dentre as mais famosas pirâmides do mundo teve sua construção atribuída a Miquerinos (em egípcio Men-kau-Re), filho de Kéfren e quinto soberano da IV dinastia, cujo reinado se estendeu de 2490 a 2472 a.C.
No século XIX descobriu-se seu nome escrito com ocre vermelho no teto da câmara funerária de uma pirâmide secundária do conjunto de monumentos a ele atribuídos, confirmando-se, assim, a informação que havia sido dada por Heródoto. Ela ocupa menos de um quarto da área coberta pela Grande Pirâmide, mas mesmo assim seu tamanho é considerável e sua altura atingia mais de 66 metros, o que corresponde a de um prédio de 22 andares.
AS OUTRAS PIRÂMIDES
Além das três famosas pirâmides de Gizé e de mais algumas também bastante conhecidas, como a do faraó Djoser e a chamada pirâmide torta, dezenas de outras foram erguidas ao longo dos séculos pelos antigos egípcios. A pirâmide vermelha, que leva esse nome porque nela foi empregado um calcário rosado; o complexo funerário de Sahure, dotado de um elaborado sistema de drenagem das águas pluviais e cujos relevos mostram a partida de navios para uma terra distante; o monumento de Wenis, que se destaca por nele terem sido encontrados os mais antigos textos das pirâmides que se conhecem, são apenas alguns exemplos.
A lista completa já conta com mais de 80 exemplares.
Veja nessa secção detalhes sobre a maioria dessas obras surpreendentes.
OS TEXTOS DAS PIRÂMIDES
Os assim chamados textos das pirâmides são uma colecção de encantamentos reunidos sem uma ordem fixa determinada, não formando, portanto, uma narrativa contínua.
Eles foram encontrados nas pirâmides dos seguintes faraós: Wenis, da V dinastia; Teti, Pepi I, Merenre e Pepi II, todos da VI dinastia; Ibi, da VIII dinastia e nas pirâmides de três rainhas do faraó Pepi II.A maioria das inscrições ocorre em mais de uma pirâmide, mas poucas são repetidas em todas as pirâmides nas quais tais textos são encontrados. Na pirâmide de Wenis, por exemplo, existem apenas 228 inscrições de um total já conhecido que excede setecentas. Os Textos das PirâmidesDescobertos em 1880 pelo egiptólogo francês Gaston Maspero, eles constituem a mais antiga compilação de preceitos religiosos da humanidade.
Os textos são uma série de fórmulas mágicas destinadas a assegurar a ressurreição do soberano: o rei pode transformar-se em pássaro, estrela etc. Muitas inscrições permanecem inéditas.


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Uma nova tecnologia nas escavações
A busca de um monumento mal localizado pode acarretar pesados fardos.
Todo canteiro de escavações envolve consideráveis remoções de terra: na ausência de investigações prévias, muito tempo e recursos correm o risco de ser desperdiçados.
Foi preciso recorrer a novos métodos geofísicos, que foram aplicados pela primeira vez na egiptologia: em 1987 a equipe do Mecenato Tecnológico de Electricidade da França ofereceu ajuda à pesquisa, assim como o grupo da Companhia de Prospecção Geofísica Francesa.
Essas equipes puderam fornecer à missão uma ajuda tecnológica a partir de importantes resultados obtidos com as várias sondagens do subsolo realizadas na época da construção de barragens. Para isso, engenheiros e arqueólogos trabalharam em conjunto, utilizando os resultados de várias tecnologias simultaneamente - electromagnetismo, sondagens eléctricas em ondas curtas, baixa frequência e análise pelo magnetômetro de prótons das variações do campo magnético terrestre. Após uma semana de medições efectuadas no deserto, cinco locais que podiam conter estruturas de pedra, correspondendo a esquemas prováveis, foram indicados aos egiptólogos. Pouco depois, uma sondagem revelou o ângulo de uma pequena pirâmide conservada em uma altura de três andares.
PARECER 1
O livro se define como um objecto de arte e faz um percurso histórico: parte das pirâmides egípcias e passa pelas núbias, maias, astecas até chegar às modernas, mostrando arquitecturas notáveis, em cidades como São Francisco, Paris e Londres, às quais os arquitectos adaptaram a forma piramidal e, com materiais como vidro e aço, realizaram algumas variações fantásticas.
A riqueza do texto está em contextualizar as pirâmides como manifestações que têm a peculiaridade das diferentes culturas que as construíram, sendo verdadeiro legado da humanidade, possibilitando o conhecimento de: Variedade de estilos;
Técnicas de construção;
Utilização de material e de ferramentas típicas;
Ofício dos operários e outros envolvidos no trabalho (pedreiros, artesãos treinados, escribas, fiscais, carpinteiros, arquitectos, pintores, escultores e quem trabalha com metal);
Valor artístico da arquitectura, esculturas, pinturas, inscrições esculpidas, sinais pictóricos;
a organização social, política, religiosa, económica dos seus povos.
O estudo desses monumentos especiais, através das valiosas informações que o livro registra, documentado também com bonitas ilustrações (de vários ilustradores) e fotografias (fornecidas por pessoas, entidades e empresas), torna-o uma fonte preciosa de pesquisa.
A autora faz a constatação de que "construir as pirâmides era uma esplêndida proeza de organização e engenharia. Uma grande pirâmide levava vinte anos para ser terminada".
Sendo alvo de estudos há mais de cem anos pelos arqueólogos, ainda não se esgotou o que elas guardam de legado para revelar sobre reservas de cultura e de magia de civilizações antigas, de há cinco mil anos, como a do Egipto.
• (Vânia Resende)
PARECER 2
O título deste livro sofre ele próprio do fascínio exercido pelas pirâmides no espírito humano.
É um belo livro, não resta dúvida, mas o mais belo, o perene que nele se assinala, é o assunto. The Best Ever Book of Pyramides evoca o sabor de antiguidade e permanência das construções que há cerca de quatro mil e quinhentos anos vêm inquietando o homem pela marca directa da morte e pela capacidade de transgredi-la que apresenta o único animal que sabe que vai morrer, e o único a enterrar seus mortos. As pirâmides são, em tudo, uma transgressão.
Privilégio dos reis, num período de extrema riqueza no antigo Egipto, anunciavam com grande antecedência a morte, num confronto arrogante que visava a deixar o sabor de vitória na capitulação inevitável. O monumento marcaria a presença do rei sobre a Terra, lhe assegurando o conforto no reino do além. Para isso, vidas incalculáveis eram entregues ao voraz apetite da eternidade. Na base das pirâmides estão sempre os sacrifícios humanos.
O pensador francês Georges Bataille observa que exercer o poder de morte sobre o outro, e entregar-se ao prazer sexual, são as duas formas que tem o homem de escapar momentaneamente à consciência de sua mortalidade.
De todos os sentidos das pirâmides - símbolo de imortalidade, poder, ascensão para o alto, pujança de civilização, contanto com o divino, mergulho no obscuro –

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talvez o mais pertinente na pirâmide de vidro posta a dialogar com o palácio do Louvre seja o de lembrar a torrente de vidas que sustentou a construção do palácio e do império francês, em seus vários momentos.
Na América, as pirâmides dos maias e astecas serviram principalmente como altares, dos quais rolavam rios de sangue para seduzir e aplacar os deuses.
Povos como incas, mochicas e outros que se estenderam desde os Grandes Lagos, nos EUA, até o golfo do México, construíram pirâmides com função de templos ou túmulos reais.
A forma arquitectónica sobrevive ainda hoje, encontrada em algumas construções monumentais, de carácter cívico ou comercial.
Neste livro, Anne Millard consigna a admiração pelo grandioso feito cultural estampado nas pirâmides e para melhor contextualizar esses monumentos de morte/vida a autora fornece uma série de informes sobre a organização social, hábitos e crenças desses povos.
Começando pelos egípcios e detendo-se mais neles, não deixa de haver farta informação sobre os povos da América do Norte e Central, chegando ao leitor detalhes preciosos da vida em Tenochtitlán, no vale do México.
Realizada com apurado cuidado gráfico, esta obra apresenta perspectiva agudamente contemporânea, transmitindo conhecimentos sobre o processo de construção das pirâmides, materiais e meios de transporte utilizados, técnicas empregadas, ferramentas necessárias, processos decorativos, produção de textos, cuidados com os mortos, embalsamamento, classes sociais, crenças religiosas.
PORQUE FORAM CONSTRUÍDAS
O túmulo para um egípcio antigo era o seu castelo da eternidade e deveria durar para sempre.
Eles acredita-vam que a sobrevivência após a morte dependia em primeiro lugar da preservação do corpo físico.Além disso, todo material que se fazia necessário para o corpo e para o ka do morto deveria ser suprido ao longo dos anos após a morte.
Tais crenças levaram os antigos egípcios a dedicarem atenção especial à edificação de seus túmulos. E embora o formado dos sepulcros possa ter mudado ao longo do tempo, seu propósito fundamental permaneceu o mesmo ao longo dos 3000 anos da história egípcia.
COMO FORAM CONSTRUÍDAS
Não foram encontrados registros pictóricos ou textuais que expliquem como as pirâmides foram planejadas e construídas.O estudo detalhado dos monumentos e o conhecimento crescente dos meios disponíveis na época tornaram possível determinar muitos detalhes construtivos.
Várias questões, entretanto, continuam sem solução e, nesses casos, as respostas sugeridas baseiam-se apenas na crença de que através dos meios propostos poderiam ser atingidos os resultados que são observados hoje em dia. Além da visão clássica do problema, várias tentativas de explicações alternativas têm surgido ao longo dos tempos.
CRENÇAS FUNERÁRIAS
Os egípcios acreditavam que todo ser humano é formado por quatro elementos:
o ba, uma espécie de alma;
o ka, ou "duplo", réplica imaterial do corpo;
o khu, centelha do fogo divino;
e o kat, ou seja, o corpo.
Acreditando numa vida após a morte, entendiam que esses quatro elementos precisavam ser preservados depois do falecimento do indivíduo.
O ba e o khu, sendo elementos espirituais, precisavam apenas de orações.
O corpo, por ser a moradia do ka, tinha que ser preservado e protegido.
Em consequência, o túmulo, casa do morto, devia ser mantido intacto para todo o sempre e permitir-lhe uma vida agradável e semelhante à existência terrena.
TABELA GERAL
Ao falarmos de pirâmides geralmente nos restringimos ao estudo dos três grandes monumentos de Gizé, porque elas são as mais importantes.
Entretanto, no período de um século que decorreu entre a construção da pirâmide de degraus de Djoser e a de Kéfren, mais de uma dezena de pirâmides foram erguidas.
Depois de Miquerinos, por sua vez, inúmeros outros faraós edificaram monumentos piramidais e vários deles, embora em ruínas, ainda podem ser visitados no Egito.
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Nessa secção relacionamos algumas dezenas de tais intrigantes monumentos que atestaram a grandeza de uma civilização primeva
ANKHESENPEPI II, a 1ª. RAINHA IMORTAL de MÊNFIS
Os Textos das Pirâmides da necrópole de Mênfis não estavam reservados unicamente aos reis.
Arqueólogos descobriram recentemente a tumba da primeira rainha que se beneficiou desse privilégio, garantia de imortalidade.Desde 1963, sob a orientação do professor Jean Leclant, a missão arqueológica francesa de Saqqara (aldeia do Egipto ao sul do Cairo, na margem oeste do Nilo), realiza pesquisas nas pirâmides sobre os textos da necrópole real de Mênfis.
No fim do século passado, foram descobertos nelas, os famosos Textos das Pirâmides (Gaston Maspero), destinados a assegurar a imortalidade do rei.Durante mais de 20 anos, de 1966 a 1988, no sul de Saqqara, a pirâmide e o templo funerário do rei Pepi I, célebre soberano da VIa dinastia (por volta de 2300 a.C.), foram escavados, estudados e restaurados.
Entrada do Grande Templo de Abu Simbel;
Os trabalhos desenrolaram-se com o seu quinhão habitual de surpresas - foram descobertos os vestígios de seis pirâmides até então totalmente desconhecidas, possibilitando a ampliação dos conhecimentos sobre a família real dos soberanos da última dinastia do Antigo Império.
Ao contrário do faraó, impedido por sua natureza divina, a rainha revelava em sua tumba os laços familiares terrestres. Por ordem de importância, ela afirma em primeiro lugar seus elos de descendência ("a mãe do rei"), em seguida seu elo matrimonial ("a esposa do rei") e, por fim, afirma eventualmente sua ascendência ("a filha do rei, de seu corpo").
Esses marcadores sociais são indispensáveis para entender a continuidade monárquica.
O menor fragmento de texto relativo a uma rainha é essencial para tentar discernir melhor um encadeamento histórico.
Até a descoberta de suas pirâmides, nada se sabia sobre as tumbas das esposas de Pepi I.
Os únicos elementos atribuíveis a uma rainha provinham de elementos reempregados no templo funerário do rei e referiam-se à rainha Sechséchet, mãe de Teti.
Em dez campanhas de escavações, quatro esposas de Pepi I foram reveladas com as pirâmides de Inenek e Noubounet e com menções à rainha Méhaa, mãe do príncipe Horneterikhet, e a uma "filha primogénita do rei". Há também as pirâmides de duas outras rainhas de gerações posteriores, Ankhesenpepi III, uma esposa de Pepi II, e Meretités II, esposa de um rei Néferkarê.
Por fim, há a menção a uma rainha Nedjefet em blocos esparsos.
Resta ainda descobrir seis tumbas de rainhas.
A última campanha de escavações da missão francesa, realizada no início do ano 2000, coroou de maneira extraordinária os resultados já obtidos, com a descoberta crucial de Textos das Pirâmides na tumba da rainha-mãe Ankhesenpepi II. Esse privilégio de imortalidade, aparentemente reservado até aqui ao rei, surge pela primeira vez vinculado a uma esposa real. A personalidade da rainha Ankhesenpepi II, esposa de dois reis, mãe de um terceiro e regente do reino, uma mulher de inegável destaque nessa época, pode ter contribuído largamente para o fato.
BERÇO DOS FARAÓS
O Berço dos Faraós Precedida por uma dinastia que os arqueólogos convencionaram denominar "Zero", a história do Egipto faraónico começa por volta de 3150 a.C. com o rei Menés.Redação
PERIODO TINITA (cerca de 3150 a.C. a 2700 a.C.) - I e II dinastias
A história do Egipto faraónico começa com o rei Menés, responsável pela unificação entre o Alto e o Baixo Egipto e pela fundação de Mênfis, a capital do Império.
Interlocutor dos homens com os deuses, Menés ostenta a coroa branca do Alto Egipto (hedjet) e a coroa vermelha do Baixo Egipto (deshret).
ANTIGO IMPÉRIO (por volta de 2700 a.C. a 2140 a.C. ) - III e IV dinastias
Nesta época, o Estado egípcio se desenvolve consideravelmente e a sua administração centraliza-se na figura do faraó, que passa a ser venerado como verdadeiro deus.
Djoser inaugura a III dinastia (cerca de 2700 a.C.). Seu conselheiro, o arquitecto Imotep, constrói a pirâmide em degraus de Saqqara, a primeira tumba real com essa forma arquitectónica.
A IV dinastia é marcada por reinados nos quais foram construídas as três grandes pirâmides de Gizé - Queóps, Quéfren e Miquerinos. Esses complexos funerários são o símbolo de um Estado forte e de uma civilização avançada.
É na V dinastia (aproximadamente 2480 a.C. a 2330 a.C.), originária de Heliópolis, que se verifica o culto ao Sol, o que não significa a rejeição aos outros deuses.
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O faraó é agora o "filho de Rá", o deus-sol. Pepi I, representante da VI dinastia, reina por mais de 50 anos. Ele é também um grande construtor de pirâmides (Bubastis, Abydos, Dendérah).
Pepi II sobe ao trono aos seis anos de idade e nele permanece por 94 anos.
PRIMEIRO PERIODO INTERMÉDIÁRIO (de 2140 a.C. a 2040 a.C)
Uma revolução, seguida pela invasão de povos asiáticos, põe fim à VI dinastia.
Porém, nenhum nome dos reis da VII dinastia é conhecido.
A VIII dinastia, a menfita, cuja capital era Mênfis, demonstra os sinais da decadência política do Egipto.O país é dividido em três:
o Delta, o Egipto Médio – cujo centro político era Heracléopolis –
e o Alto Egipto, agrupado em Tebas.
Inicia-se um período de anarquia e de recessão económica (escassez de alimentos, desordem civil e violência).Uma série de conflitos ininterruptos entre as facções do sul (de Tebas) e do norte (Heracléopolis) ocorrem e cessam apenas na XI dinastia.
MÉDIO IMPÉRIO (por volta de 2040 a.C. a 1750 a.C.) XI e XII dinastias
Mentuotep II, rei de Tebas, reunifica o Egipto (aproximadamente em 2020 a.C.).
Mas são os soberanos Amenemés e Sésostris (XII dinastia, por volta de 1900 a.C. a 1790 a.C.) que conduzem o Império ao seu apogeu. A expansão comercial abre-se para o mar Vermelho, mar Egeu, Fenícia, Núbia e Delta, e o país conhece a prosperidade económica.
Dessa época, há vários manuscritos literários, textos de instruções, profecias e contos.
SEGUNDO PERIODO INTERMÉDIO (1750 a.C. a 1560 a . C. ) -
Nas XIII e XIV dinastias, o Império passa por um processo de declínio. Vulnerável e enfraquecido, sucumbe à tomada do poder por invasores estrangeiros.
As XV e XVI dinastias são marcadas pelo domínio dos hicsos, chamados de reis pastores ou príncipes do deserto.O domínio estrangeiro trouxe muitas inovações técnicas para o Egipto. Os hicsos introduzem a utilização do bronze, da cerâmica e dos teares, diferentes instrumentos de guerra, que incorporam o uso do cavalo e das carruagens, e estilos musicais, assim como novas raças de animais e técnicas de colheita.
De certa forma, os hicsos modernizaram o Egito.
Na XVII dinastia, a partir de Tebas (sul do Egipto), os monarcas empreendem a reconquista do país, definitivamente concluída por Ahmose, que inaugura o Novo Império.
NOVO IMPÉRIO (por volta de 1560 a. C. a 1070 a . C ) - XVIII-XX dinastias
Predomina na XVIII dinastia a intenção de expandir o império rumo à Ásia.
O faraó Ahmose (em torno de 1560 a.C. a 1526 a.C.) organiza uma administração hierarquizada, dirigida pelo vizir, segundo homem do Estado.
Sob os governos de Thutmose III (cerca de 1490 a.C. a 1436 a.C.) e Hatshepsut (1490 a.C. a 1468 a.C.), O Egipto se torna uma temível potência militar.
O enriquecimento do país é perceptível em todas as classes da sociedade, que aprende a gostar das artes e a ostentar o luxo. Dentre as construções da época, constam os templos funerários de Deir el-Bahari, de Luxor e de Karnak e o de Amenófis III (aproximadamente 1402 a.C. a 1364 a.C.).
O faraó Amenófis IV, ou Akhenaten, (por volta de 1364 a.C. a 1347 a.C.) transfere a capital de Tebas para Amarna. Ele impõe uma nova religião, dedicada ao culto do deus único Aton.
O governante que o sucede é Tutankhamon (em torno de 1347 a.C. a 1338 a.C.), que retorna a sede do governo para Tebas, onde reincorpora o culto a Amon-Rá.
A XIX dinastia é o período dos constantes conflitos entre egípcios e hititas. Ramsés II (em torno de 1290 a.C. a 1224 a.C.) trava, contra o rei hitita Mouwatalli, a célebre batalha de Kadesh.
É a época das grandes construções, o hipostilo de Karnak, o templo de Abu-Simbel e o templo de Medinet Habu. Sob a XX dinastia (cerca de 1185 a.C. a 1070 a.C.), o país se fragmenta.
O grande sacerdote de Amon, Herihor, assume o trono.
TERCEIRO PERIODO INTERMÉDIO ( de 1070 a.C. a 715 a.C.) -
Nesta época, o Egipto é dividido em dinastias locais cada vez mais independentes.
O único fato notável em política exterior é a conquista da Palestina por Chechanq I (945).
PERÍODO INFERIOR (715-332) - XXV-XXXI dinastias
A conquista do Egipto, em torno de 740 a.C., por um rei núbio, cujos sucessores instauram uma dinastia "etíope", chamada de koushita (XXV dinastia, de 715 a.C. a 664 a.C.), revela a decadência do império. Após o recuo dos etíopes para o sul, a XXVI dinastia (ou período saita, de aproximadamente 664 a.C. a 525 a.C.) é marcada pelo reinado de Psammetik I (664-610).
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Ele expulsa os assírios e, assim, consegue estabilizar o país.
Seu sucessor, Necau, exerce a mesma política.
A XXVII dinastia (cerca de 525 a.C. a 404 a.C.) marca o início da dinastia persa. Ela começa com a conquista do Egipto por Cambises. Com a morte de Dário II, em 405 a.C., os egípcios reconquistam a sua independência. Amirteu, faraó da XXVIII dinastia, expulsa os persas.
Mas a XXIX e a XXX dinastias são marcadas por brigas políticas por sucessão.
• Nectânabe é o último rei nativo.
Os persas realizam nova investida ao território egípcio. Tomam a capital Mênfis, após a batalha de Pelusa. É a queda do último faraó egípcio.
A segunda dominação persa (por volta de 343 a.C. a 332 a.C.), de Artaxerxes III até Dario III, parece ter sido um período difícil para os egípcios.
Assim, Alexandre da Macedónia, ao derrotar Dário, é considerado um libertador do Egipto.
Alexandre, considerado filho de deus (e faraó), funda Alexandria no delta do Nilo (332 a.C.).
DINASTIA PTOLOMAICA (305 a.C. a 30 a.C.)
Após a morte de Alexandre, o Grande, seus generais dividiram entre si o Império, estabelecendo o sistema de satáprias. Ao Egipto coube a influência de um dos melhores generais de Alexandre, Ptolomeu, que governa entre 305 a.C. e 282 a.C.
Ele constrói o farol e a biblioteca de Alexandria.
A partir de Ptolomeu IV, as intrigas familiares enfraquecem a dinastia.
Em 51 a.C., o governo egípcio passa para a filha de Ptolomeu XII, Cleópatra, que é a última rainha do Egipto (de 51 a.C. a 30 a. C.)
Por interesses políticos, ela se casa com o imperador romano Júlio César, que coloca o Egipto sob protecção de Roma. Após o assassinato de César, a rainha se casa com o general romano Marco António, um dos membros do triunvirato que sucede César no poder do Império Romano, o que desperta a ira e a inveja de outras forças de Roma.
Em consequência, Octávio se auto proclama imperador de Roma e decide invadir o Egipto.
Em 30 a.C., na batalha do Ácio, os exércitos comandados por Cleópatra e Marco António são derrotados pelas forças romanas.
Quando Octávio, vencedor, entra em Alexandria, Cleópatra e António se suicidam.
O Egipto torna-se província romana.
ESPECULAÇÕES As 7 TESES ( Pragas do Egipto )
O Egipto fascina. E engana. Desde a Antiguidade, especula-se sobre as origens dessa civilização.
Dessa especulação nasceram sete teses equivocadas a respeito do Egipto faraónico.•
1 - O Egipto é a mais antiga civilização conhecida.
Falso.
Esta ideia, alimentada pelos próprios sacerdotes egípcios, e transmitida aos gregos por Pitágoras e Platão, é baseada em cálculos astronómicos projectados para o passado, aos quais os sacerdotes acrescentaram relatos míticos que remetem ao fim da Era Glacial (9000 a.C.) Entretanto, escavações revelam sítios arqueológicos no Egipto menos avançados que os de Dordogne, civilização megalítica do oeste da Europa, que ergueu o santuário de Stonehenge e de Carnac (ambos na actual Inglaterra). A grande pirâmide de Gizeh com a Esfinge
Sua origem se dá por volta de 4500 a.C.
A civilização sumeriana, originária do sul da Itália, por sua vez, data de 3800 a.C.
Ambas são anteriores à egípcia.
É provável que as civilizações paleoindianas, de Harappa e Mohenjo-Daro, também sejam anteriores ao Antigo Egipto. Apenas a China é mais jovem do que o Egipto.
2 - Existe um "milagre egípcio",
pois o carácter repentino de sua civilização só pode ser explicado pela chegada de "invasores superiores", os filhos de Hórus, sobreviventes da Atlântida.
Falso.
As descobertas da arqueologia revelam a existência da dinastia "zero", anterior à formação do Egipto faraónico (cujo início se dá por volta de 3150 a.C).
Nesse período, formam-se os elementos que iriam estruturar a sociedade egípcia e ocorre a sua unificação política, o que contribui para a produção de um excedente de riquezas e permite sustentar uma casta de sacerdotes, os primeiros intelectuais modernos da humanidade.

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Nessa época, a escrita hieroglífica se desenvolve, os esboços das comunidades rurais começam a se organizar, e são construídos os primeiros diques do Nilo.
3 - As pirâmides são um gigantesco observatório astronómico
que contêm os conhecimentos antediluvianos de uma civilização superior.
Falso.
Esta teoria, de origem pitagórica, foi elaborada no século 18 pelo astrónomo inglês Piazzi Smyth. De acordo com Flinders Petrie, renomado egiptólogo escocês do início do século 20, ela não tem fundamento, pois os arquitectos das pirâmides obtinham cálculos aproximados, em razão da insuficiência de seus instrumentos de medida. Para o especialista, não há dúvida sobre a perfeição do alinhamento astronómico das pirâmides de Gizé.Mas, segundo ele, isso é o resultado de uma pesquisa arquitectural e matemática iniciada dois séculos antes, em Saqqara, com as pirâmides em degraus construídas por Imotep para o faraó Djoser. O esforço humano é uma realidade mais admirável do que o mito da prisca sapientia, a sabedoria antiga.
4 - As colheitas improdutivas, ocasionadas pelo gigantesco trabalho nas pirâmides, determinaram o fim do Antigo Império.
Falso.
Em razão da penúria dos recursos, no reinado de Miquerinos, os egípcios são obrigados a construir uma terceira pirâmide, menor.Após a construção, o Antigo Império sobrevive em meio a dificuldades por mais um século e meio. A decadência do período pode ser o resultado de um acidente climático, que teria provocado seca e miséria e influenciado a ruptura da unidade do país, a partir de então dividido entre distritos ricos e pobres.
5 - As pirâmides foram construídas num local onde a esfinge já estava havia vários milénios.
Falso.
Esta teoria, muito em voga actualmente, baseia-se na deterioração verificada na pedra da esfinge, e atribui sua presença no local desde 6000 a.C., sob a forma de megálito.
Essa ideia, sustentada por um geólogo norte-americano, o professor Scheock, não leva em conta nem os efeitos climáticos nem os relatos de Heródoto.
Além disso, num recente artigo na revista Nature, a egiptóloga britânica Kate Spence, da Universidade de Cambridge, demonstra o alinhamento das pirâmides em relação a duas estrelas: Kochab, na constelação da Ursa Menor, e Mizar, na Ursa Maior, presentes no céu de Gizé no fim do terceiro milénio, e que possibilitam a orientação do conjunto na ausência de instrumentos precisos. As pirâmides e a esfinge são filhos de sua época: 2200 a.C.
6 - Akhenaton instaurou o monoteísmo.
Falso.
Os sacerdotes de Thot já praticavam o culto ao disco solar Aton sete ou oito séculos antes do governo do faraó Akhenaton. Para eles, só havia um único deus do qual emana toda a Criação.
A descoberta em Saqqara, por Alan Zivie, da existência de um vizir semita chamado Aper-El (em hebreu, Ovedel), que serviu ao pai de Akhenaton,
Amenófis III, também colabora para derrubar a tese de que o monoteísmo fora instaurado por
Akhenaton. A menção ao deus El, o Elevado, no nome do vizir, indica a existência de fervorosos religiosos monoteístas na Palestina e na Síria, contemporâneos ao faraó.
Portanto, não podem ser frutos da revolução religiosa egípcia.
7 - A história de Akhenaton seria o modelo da lenda de Édipo e os gregos teriam confundido as duas Tebas (a do Egipto e a da Grécia).
Falso.
Esta hipótese formulada pelo psicanalista Velikovsky não é sustentável.
Ela se baseia na prática do incesto na família real egípcia e no papel da esfinge.
Mas quem seria a Antígona e o que seria o castigo de Édipo?

Muito mais fecunda é a pesquisa das origens orientais da cidade grega de Tebas, fundada por fenícios egipcíacos que difundiram, com Cadenos, a escrita alfabética.

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