CAPITULO 19
RELIGIÃO NO JAPÃO
origens autóctones e influência estrangeira
A história da religião no Japão registra um longo processo de influência mútua entre diferentes tradições religiosas. Diferentemente do que ocorreu na Europa, onde o cristianismo tomou o lugar das tradições pagãs locais, a religião nativa do Japão, conhecida como xintoísmo (shintô), continuou presente na vida cotidiana, desde os primeiros dias do Estado japonês organizado até a
atualidade.No século 6, com a introdução do budismo no Japão, as crenças budistas e xintoístas começaram a interagir. Este é o carácter distintivo da religiosidade japonesa.
O exemplo mais notável deste sincretismo é a teoria de honji suijaku, segundo a qual deidades xintoístas (kami) são consideradas encarnações de entes budistas.
O confucionismo e o taoísmo são outras religiões "importadas" que desempenharam papéis importantes na sociedade japonesa por um período de mais de mil anos.
Os preceitos confucionistas tiveram influência maior sobre o pensamento ético e político do Japão, no período da formação do Estado (séculos 6 a 9) e, novamente, durante o período Edo (1600 - 1868). Mais difícil de rastrear do que o confucionismo, a influência religiosa do taoísmo no Japão pode ser encontrada no uso do calendário lunar chinês e em crenças populares como as artes divinatórias e as orientações para obter boa-sorte.
XINTOÍSMO
A palavra "xintoísmo" vem de "shintô", termo frequentemente traduzido como "caminho dos deuses" e escrito com dois ideogramas chineses.
O primeiro ideograma (pronunciado kami quando empregado isoladamente) significa "deus", "divindade" ou "energia divina"; o segundo ideograma quer dizer "caminho".
Com a introdução do sistema de plantação em campos alagados durante o período Yayoi (300 a.C. - 300 d.C.), surgiram os rituais e festivais agrícolas que mais tarde se tornariam parte do xintoísmo
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Embora a palavra kami possa designar um único deus, também é usada como um termo colectivo para a enorme quantidade de deuses cultuados no Japão desde o período Yayoi.
Os kami fazem parte de todos os aspectos da vida e manifestam-se sob várias formas.
Há kami da natureza que residem em pedras, árvores ou montanhas sagradas bem, como em outros fenómenos naturais. Há os ujigami ou kami protectores de clã (conjunto de famílias ligadas por um ancestral comum), que consistem, muitas vezes, na divinização do próprio ancestral. Há o ta no kami, deus dos arrozais, adorado nos festivais de plantio e colheita do arroz. E há também os ikigami que são divindades vivas. Os kami que mais se assemelham a deuses, segundo o conceito ocidental, são as divindades celestes, que habitam o Takamagahara (Alta Planície Celestial).
São chefiados por Amaterasu Omikami, a deusa cultuada no templo de Ise, o santuário central do xintoísmoA partir do século 6, em parte como resposta à introdução, no Japão, de doutrinas budistas altamente estruturadas, crenças e rituais nativos vastamente difundidos porém até então desorganizados, foram sistematizados aos poucos, constituindo o xintoísmo. O desejo de dar legitimidade à linhagem imperial numa sólida fundamentação mitológica e religiosa levou à compilação do Kojiki (Registro das Coisas Antigas) e do Nihon Shoki (Crónicas do Japão), nos anos 712 e 720, respectivamente.
Traçando uma retrospectiva da linhagem imperial até a era mítica dos deuses, essas obras narram como os kami Izanagi e Izanami criaram o arquipélago japonês e os deuses centrais Amaterasu Omikami (deusa do sol), Tsukuyomi no Mikomi (deus da lua) e Susanoo no Mikoto (deus das tempestades). Segundo a narrativa, o tataraneto da deusa Amaterasu Omikami foi o imperador Jimmu, lendário primeiro soberano do Japão.
A ausência de escrituras sagradas no xintoísmo reflecte a inexistência de mandamentos morais.
Em lugar destes, é enfatizada a pureza ritual nas relações com os kami.
BUDISMO
Tendo surgido na Índia por volta do século 5 a.C., o budismo difundiu-se pela China nos séculos 2 e 3 d.C. e finalmente chegou ao Japão, através da Coreia, na metade do século 6, quando um rei daquele país enviou ao imperador japonês uma estátua do Buda e cópias de escrituras sagradas (sutras). O budismo espalhou-se rapidamente entre as classes mais altas depois que a influente família Soga reprimiu as facções anti-budistas.
O príncipe Shotoku (574 - 622), responsável pelo apoio imperial à construção de templos importantes como Horyuji (actualmente na província de Nara), é considerado o verdadeiro fundador do budismo no Japão.O imperador Shomu (701 - 756) a dotou o budismo como religião oficial do estado e construiu o templo Todaiji em Nara, com uma enorme estátua do Buda.
Contudo, a coexistência do budismo e do xintoísmo continuou.
Encarregadas da realização de rituais para promover o bem estar nacional, as seis seitas de Nara, que dominavam o budismo naquele momento, eram académicas por natureza e tinham pouca influência sobre a população em geral.
No começo do período Heian (794 - 1185), a seita Tendai foi introduzida no Japão pelo missionário Saicho (767 - 822), a seita Shingon foi trazida por Kukai (774 - 835), também conhecido como Kobo Daishi.
Essas duas correntes tornaram-se as mais importantes na corte imperial.No período Kamakura (1185 - 1333), ocorreram no budismo japonês dois desdobramentos importantes. Primeiro, o Zen estabeleceu-se no Japão com Eisai (1141 - 1215), fundador da seita Rinzai; sendo, mais tarde, modificado por Dogen (1200 - 1253), fundador da seita Soto. O Zen foi bem recebido pela elite militar por causa de sua objectividade e da ênfase na autodisciplina e na meditação.
A prática Zen emprega a meditação em posição sentada (zazen) e os enigmas (koan) como meios para alcançar a iluminação (satori). A diferença básica entre as duas seias é que o Zen Rinsai dá muito mais valor ao koan do que o Zen Soto.O outro desdobramento importante foi o crescimento rápido de seitas populares budistas entre o povo comum.
Aí se incluem as seitas da Terra Pura, que pregam a entoação do nome do Buda Amida como o melhor caminho para reencarnar no Paraíso, e também a seita Nichiren, que enfatiza a entoação do título do Sutra de Lótus.
No período Edo (1600 - 1868), o xogunato Tokugawa exigiu que toda pessoa se afiliasse a um templo budista, como parte do esforço para controlar a população e erradicar o cristianismo.
Essa medida garantiu um grande número de afiliados, mas não contribuiu para revigorar o budismo como religião viva.
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No começo do período Meiji (1868 - 1912), o sistema entrou em colapso numa onda de sentimento anti-budista estimulada pelo desejo do governo de eliminar a influência budista nos santuários xintoístas e tornar o xintoísmo a religião do estado.
Em resposta a isso e às transformações ocorridas no século 20, o budismo tem procurado definir seu papel no Japão moderno.
CRISTIANISMO
A história da presença cristã no Japão está claramente dividida em três períodos:
o encontro inicial, no século 16;
a reintroduzição, no século 19, depois de mais de duzentos anos de exclusão;
e o pós-guerra.
Introdução e perseguição
O missionário jesuíta Francisco Xavier chegou a Kagoshima em Agosto de 1549.
As actividades missionárias jesuítas estavam concentradas em Kyushu, a mais meridional das quatro maiores ilhas japonesas.
Por volta de 1579 seis daimyo (governantes militares regionais) haviam sido convertidos e estimava-se em 100 mil o número de cristãos. Inicialmente, os jesuítas eram tratados com benemerência por governantes militares influentes como Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi.
Contudo, talvez em reacção à crescente influência jesuíta em Kyushu, Hideyoshi voltou-se contra os cristãos e mandou crucificar 26 deles em Nagasaki, no ano de 1597.
Em 1614, Tokugawa Ieyasu, então governante de fato de todo o Japão, baniu o cristianismo, expulsando os missionários do país. Naquela altura, havia mais de 300 mil cristãos japoneses.
Estima-se que cerca de 3 mil foram executados e um grande número renegou sua fé por causa da perseguição. Muitos outros esconderam sua crença e continuaram praticando o cristianismo na clandestinidade.
Reintroduzição
Depois que o Japão aboliu a política de exclusão, os missionários estrangeiros começaram a retornar em 1859, mas só viriam a catequizar abertamente depois de 1873.
Durante esse período, mais de 30 mil cristãos "ocultos" apareceram, eles pertenciam a grupos que haviam permanecido clandestinos ao longo de mais de dois séculos de perseguição.
Tanto missionários católicos como protestantes estavam em actividade nessa época e, embora o número de convertidos fosse relativamente pequeno, os cristãos tornaram-se influentes na
educação e nos movimentos sindicais. Contudo, o nacionalismo crescente e a promoção da prática xintoísta como dever patriótico fez dos anos 1930 um período difícil para muitos cristãos.
Pós-guerra
A actividade cristã no período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial teve o apoio das autoridades de ocupação, mas apenas pequenos avanços foram feitos.
Em 1996, os 3.170.000 cristãos japoneses perfaziam 2,5% da população
.Apesar da crescente popularidade de cerimónias de casamento superficialmente cristãs, o cristianismo provavelmente ainda é visto por muitos japoneses como uma religião estrangeira.
Mesmo assim, não se pode dizer que seja totalmente estranho para a maioria das pessoas, já que o conhecimento e o interesse a seu respeito têm crescido ao longo dos anos.
Entretanto, essa familiaridade não se reflecte no aumento do número de fiéis.
Uma das possíveis razões é a ênfase na fé exclusiva no Deus único cristão, o que implica em rejeitar o politeísmo mais tolerante do xintoísmo e do budismo japonês.
A RELIGIÃO NO JAPÃO ACTUAL XINTOÍSMO E BUDISSMO
A urbanização cortou os laços familiares de muitos japoneses com um templo budista ou santuário xintoísta específico.
Ainda assim, muitas pessoas consideram-se ao mesmo tempo xintoístas e budistas.
O número total de fiéis das duas religiões, segundo estatísticas da Agência de Assuntos Culturais em 1996, é de aproximadamente 194 milhões, cerca de 54% mais do que a população total do Japão. Nos sentimentos religiosos da maioria dos japoneses, o xintoísmo e o budismo convivem pacificamente. Para a pessoa comum, contudo, a afiliação religiosa não significa uma participação regular nos cultos. A maioria das pessoas visita santuários e templos na ocasião de eventos anuais e cerimónias especiais que marcam certos momentos da vida.
Tais eventos anuais incluem festivais religiosos, a primeira visita do ano novo (hatsumode) e uma visita ao túmulo familiar durante o festival Bon.
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Cerimónias comemorativas dos estágios da vida incluem a primeira visita de um recém-nascido a um santuário (miyamairi), a visita de meninos de 3 e 5 anos e meninas de 3 e 7 anos durante o festival Shichi-go-san, o casamento no rito xintoísta e o funeral no rito budista.
RELIGIÕES NOVAS
Durante o século 20, difundiram-se no Japão numerosas religiões novas. Os ensinamentos dessas religiões aproximam-se de uma vasta gama de tradições anteriores, incluindo aspectos do xintoísmo, budismo, confucionismo, taoísmo, crenças populares e xamanismo
Seus fundadores são frequentemente cultuados como divindades vivas (ikigami).
Um dos aspectos atraentes das novas religiões pode ser o sentimento de comunidade proporcionado às pessoas que carecem do apoio psicológico e espiritual historicamente dado pela família estendida, pela comunidade local e pelas religiões tradicionais.
XINTOÍSMO
Originária de um conjunto de mitos, crenças e ritos que contam a criação do mundo, do Japão e da família imperial japonesa o Xintoísmo é a principal e mais antiga religião da terra do sol nascente. No seu início o Xintoísmo não tinha nome, era apenas um apanhado de lendas protagonizadas por divindades, chamadas Kamis, que habitavam todas as coisas
desde a criação do mundo, entretanto, por volta do século XI, para diferenciar-se do Budismo e do Confucionismo, recebeu o nome de Xintoísmo, que significa o caminho dos deuses.
Segundo o Xintoísmo o universo e o mundo originaram-se do CAOS (algo parecido com o Big Bang), donde separou-se o céu e as cinco grandes divindades:
Amenominakanushi (Senhor do Nobre Centro Celestial),
Takamimusubi (Grande Gerador do Deus Prodigioso),
Kamimusubi (Divino Gerador do Deus Prodigioso),
Umashiashikabihikoji (O Mais Velho Soberano do Cálamo), Amenotokatachi (O Eternamente Deitado no Céu). Deste último decorrem as sete gerações divinas, dois seres completos e mais cinco casais: Kuminotokatachi (Eternamente Deitado sobre a Terra) e Toyokumonu (Senhor da Integração Exuberante.
• UHIJINI - Senhor da Lama da Terra
• UHIJINI - Senhora da Lama da Terra
SUNUGUHI - Embrião que Integra
• KUGUHI - A que Integra a Vida
• HOTONOJI - O Mais Velho da Grande Morada
• HOTONOBE - A mais Velha da Grande Morada
• MODARU - Aspecto Perfeito
• YAKASHIKONE – Majestosa
• ZANAGI - Varão que atrai
• ZANAMI - Mulher que Atrai
IZANAGI & IZANAMI
são os seres criadores do arquipélago do Japão, no caso o mundo, e das inúmeras entidades secundárias, muitas das quais associadas a cada ilha.Com a orientação dos deuses mais antigos e em poder da Lança Celeste modelam a massa disforme que era o mundo e dão origem a 10 filhos que representam elementos da natureza.
São esses:
• Divindade da ATMOSFERA
• Divindade do VENTO
• Divindade das ÁGUAS
• Divindade dos PÂNTANOS
• Divindade do OUTONO
• Divindade das ÁRVORES
• Divindade das MONTANHAS
• Divindade do Barco de Cânfora
• Deusa do ALIMENTO
• Deus do FOGO
O Xintoísmo baseia-se numa mitologia panteísta, ou seja, prega que tudo faz parte do todo universal, com suas inúmeras divindades que atribuem valor sagrado a todos os elementos da natureza.
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Na realidade, para esta religião, tudo no universo é divino, sendo tudo interligado e interdependente de forma que não só os seres vivos, mas o vento e a água, as pedras, a montanha, e todos os níveis invisíveis da natureza, coexistem em harmonia tendo se originado da mesma fonte, e isto caracteriza também uma forte a harmonia com a natureza, o adepto do Xintoísmo busca se familiarizar e se integrar com a natureza num comportamento simbiótico, de onde ele tira seu sustento, mas também buscar retribuir a natureza.
Sendo assim, a sobrevivência, de tudo e de todos, depende do entendimento do ser humano com toda a estrutura vital a sua volta, considerando-a uma parceira e uma guia.
Pode-se dizer que o Xintoísmo é o precursor dos movimentos ecológicos, pois ao contrário de muitas concepções ocidentais não considera os homens adversários da natureza, tendo que lutar para dominá-la, subjugá-la. Na concepção Xintoísta, e da cultura oriental de um modo geral, mesmo milénios antes de qualquer concepção ecológica, já se sabia que o ser humano não pode viver em confronto com a natureza, e que ele deve buscar a plena harmonia.
Outra característica desta religião é que embora não possua princípios filosóficos extremamente elaborados, prega aos seus adeptos a importância dos valores morais e dos rituais para purificação individual como forma de crescimento e contanto com o universo.
A evolução histórica do Xintoísmo pode ser divida em três períodos bem definidos:
O primeiro denominado de Xintô, não se sabe ao certo quando começou, mas vai até meados do século VI d.C. Este foi o período primitivo onde se originaram os mitos e lendas
.Logo após veio a segunda fase, quando ocorreu à entrada de culturas estrangeiras no Japão, e o Confucionismo e o Budismo estabeleceram a sua influência, pois ambas possuíam grande apelo dentro do modo de vida do povo e foram facilmente assimiladas, principalmente, pela corte japonesa, incorporando-se definitivamente ao Xintô.
Por volta do século XIX, ou mais precisamente em 1868, ocorreu o renascimento, quando foram resgatados vários princípios originais, que haviam sido abandonados e Restabeleceu-se a divindade da família real, fortalecendo assim a imagem do imperador e o Xintoísmo ganhou um carácter nacionalista e de identidade cultural. Era o Xintô do estado, que perdurou até o fim da segunda grande guerra, quando após a derrota do Japão, o imperador abdicou de sua essência divina, entretanto o Xintoísmo não se enfraqueceu, pois devido a sua grande flexibilidade, característica, aliás, própria do povo japonês, sobreviveu às influências ocidentais e fortaleceu-se. Embora alguns autores não considerem o Xintoísmo propriamente uma religião, por não possuir um código de leis explícitas, pela ausência de um Messias e de um livro sagrado, o Xintoísmo é praticado pela maioria absoluta da população japonesa e há um grande número de templos espalhados por todo o Japão.
SIKHISMO
Considerada a mais nova das grandes religiões, o sikhismo foi fundado no século XV por Sri Guru Nanak Dev (1469-1538), considerado o primeiro dos dez gurus.
Segundo a tradição sikh, Narak foi a um lugar chamado Sultanpur e enquanto se banhava num rio simplesmente desapareceu, reaparecendo após três dias proclamando:
“Não há hindu, não há muçulmano.” Esta frase, que se tornou um dos pilares da religião sikh é um resumo do que é o sikhismo. Nahak não desejava criar uma nova religião, mas sim congregar hindus e muçulmanos numa mesma religião, para isso ele juntou elementos das duas religiões como forma de facilitar a união.O sikhismo está baseado em sólidos princípios que são fundamentais e devem ser aceitos por todos os seus seguidores: Crença no verdadeiro Deus uno;Rendição implícita à vontade de Deus;
A prática da rectidão e da honra; Fraternidade de Deus e irmandade do homem;
Não adorar senão a Deus;
Trabalhar na boa fé é uma obrigação imposta por Deus;
abandonando o medo por um mau resultado, bem como a esperança de um bom resultado;
Além da aceitação destes princípios, os sikhs mais zelosos, chamados de santos Khalsa, após passar pelo ritual do baptismo (Pahul) passa a adoptar cinco hábitos (Kakas):
o “Kes”, (não cortar o cabelo),
o “Kachh”, (barba curta),
o “Kara” (bracelete de ferro),
o “Kirpan” (adaga de aço),
e o “Kangha” (pequeno pente usado no cabelo).
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O livro sagrado dos sikhs é o Granth Sahib, todo escrito na linguagem Gurumukhi, criada pelo Guru Nanak, esta linguagem possui 53 letras e é uma corruptela do Hindi.
O Granth Sahib, que além de escritura sagrada também é considerado um guru, é composto por uma sequência de hinos e pela música que os acompanha.
Outra característica do Granth Sahib que o torna único, dentre os livros sagrados das religiões, é que ele contém escritos de santos de outras fés, cujos pensamentos eram consistentes com a filosofia e pensamentos dos Gurus.
O sikhismo não possui sacerdotes ou clero, apenas guardiães do livro sagrado, entretanto a leitura do Granth Sahib não é privilégio de uma casta, todos têm acesso a ele e podem ter conhecer seu conteúdo, inclusive pessoas que seguem outras religiões, e todos são bem vindos aos templos (Gurdwaras).
A meta de um sikh é atravessar cinco estágios espirituais para alcançar uma reencarnação favorável ou a libertação do ciclo da reencarnação (Samsara).
Os estágios são: Dharam Khand (viver segundo a lei de Deus); Saram Khand (autodisciplina); Karam Khand (graça); Gian Khand (conhecimento); e Sach Khand (verdade).
Segundo a crença sikh ao nascer cada homem tem nova oportunidade de escapar deste ciclo reencarna tório, isto só é possível através do amor a Deus associado ao amor por todos.
Esta visão é semelhante ao “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo” pregada pelo cristianismo.
Por isso os sikhs também aprendem a ajudar qualquer necessitado, seja qual for a sua fé, e servir à comunidade é considerado um caminho para aproximar-se de Deus.
Os seguidores do sikhismo acreditam ainda que o homem se realiza abolindo o egoísmo e o orgulho. Observamos na filosofia sikh uma universalidade que não é comum nas religiões.
O respeito e o incentivo à solidariedade e ao amor para com todos os homens, independente que qualquer característica, serve de exemplo para que ao invés de disputar seguidores, as religiões voltem suas atenção para objectivo maior de levar o homem a Deus (independente do nome pelo qual o chamem) e de propiciar a criação de um mundo onde todos vivam como irmãos.
O JAINISMO
Fundado no século VI a.C. por Vardhamana Mahavira (Grande Herói), o Jainismo surgiu como um movimento de reforma do Hinduísmo.
Mahavira pertencia a uma casta de guerreiros (kshatryas) e, inconformado com as posições religiosas existentes, resolveu criar esta dissidência que cresceu e tornou-se uma religião independente.A palavra jainismo é derivada de jaina ou jina que quer dizer vencedor, mas no caso desta religião a vitória que se busca é sobre a espiritual, a vitória sobre as paixões, que ele consideram como a origem de todo o mal.
As paixões são as grandes inimigas da alma, pois a mancham prejudicando a compreensão e levam a conhecimentos falsos. As maiores paixões são: fome, ira, desejo, senilidade, nascimento, morte, medo, orgulho, apego, aversão, paixão cega, aborrecimento, arrogância, ódio, mal-estar, suor, sono e surpresa.Sendo uma religião ateísta, o jainismo não prega a existência de um deus, de um criador e regulador do mundo, de um ser que sempre foi perfeito.
A perfeição é a meta a que todos devem se esforçar para alcançar.
Aliás, assim como outras religiões orientais, os jainistas acreditam que o homem ao conseguir se livrar das paixões pode atingir um estado de libertação (Moksha) que o torna uma divindade (Tirthankaras) e são estas divindades que eles veneram.
Este caminho para a divinização passa por cinco níveis:Arhats –
Também conhecido como tirthankara ou jina (grande mestre), um arhat é o primeiro ser supremo, um mestre que lança os fundamentos para a libertação de outros;Siddhas –
Ele é o segundo ser supremo, uma espécie de santo.
Um siddha é uma alma que alcançou a libertação sob a orientação de um mestre, vivendo em estado de êxtase no topo do cosmo;
Acharyas - São guias espirituais e formam o terceiro nível dos seres supremos.
Cada acharya conduz uma ordem de monges ou monjas;Upadhyayas – Este é o quarto nível dos seres supremos que são monges instrutores que transmitem seu conhecimento das escrituras a outros monges e monjas;
Monges - O restante dos monges jainistas ocupa o quinto nível dos seres supremos;
Outra crença que eles consideram inconcebível é a de um mundo criado a partir do nada, para eles o mundo é eterno e comporto por seis substâncias reais
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.Estas seis substâncias são:
espaço,
tempo,
matéria,
almas,
Dharmastikaya (sustentáculo do movimento), e Adharmastikaya (sustentáculo da estabilidade ou repouso).O espaço serve como um receptáculo para as outras substâncias.
Ele é infinito.
O tempo é real.
Ele é sem começo e sem fim.
Os objectos materiais são constituídos de átomos.
Como já dissemos, o jainismo não prega a existência de deuses e, por conseguinte não crê também em demónios, sua filosofia se baseia num dualismo onde o universo está dividido em duas categorias:
Jiva – que representa todas as coisas animadas e que possuem alma, nele estão incluídos todos os seres vivos que são uma combinação da alma com a matéria;
Ajiva – Que representa todas as coisas inanimadas, materiais, sem alma. Esta categoria tem quatro subdivisões:
matéria, movimento, repouso e tempo;O principal objectivo dos jainistas é a dominação e a consequente libertação das coisas mundanas para que se possa encontrar a verdade. Isto só é possível através da razão e da adopção de uma fé recta, de uma conduta recta, do conhecimento recto e da moderação com misericórdia. Além disso, é preciso seguir com rigor o princípio do ahimsa (não fazer mal a nenhuma criatura), pois este é muito mais amplo, visto que são consideradas criaturas, os seres inanimados, como as pedras, a água, o vento, etc.
O jainismo prega também a reencarnação, sendo este o mecanismo pelo qual o homem vive através de várias existências na carne, podendo vir como homem, animal ou planta, vai gradativamente se depurando, libertando-se do seu karma (acção), que atrai a alma para baixo, impossibilitando a libertação e enredando a alma no ciclo da reencarnação.
Somente quando está livre das ações mundanas é que a alma recupera a leveza natural, flutuando para o topo do universo e vivendo em êxtase (nirvana).
Fontes: Challaye, Félicien. As Grandes Religiões.
ANIMÍSMO
As forças da natureza, como o sol, a chuva, o trovão, o relâmpago e etc., sempre exerceram um grande fascínio sobre o homem, principalmente no primitivo, que por não os compreender,
passou a acreditar que eram deuses, e que eles podiam intervir na vida dos homens, consequentemente, deveriam ser venerados e cultuados, como forma de atrair-lhes a protecção.
Este é o fundamento do animismo, que pode ser considerada como a primeira manifestação religiosa do ser humano. Inicialmente denominado de fetichismo, pela sua ligação com rituais de feitiçaria, apenas na segunda metade do século XIX é que foi reconhecido como animismo, através do etnólogo e antropólogo inglês Sir Edward Burnett Tylor, que estudou e desenvolveu a teoria sobre o animismo, em sua obra Primitive Culture (1871; A cultura primitiva), onde definiu de forma técnica esta manifestação religiosa.
Segundo Tylor o animismo é o primeiro estágio da evolução do pensamento religioso, que evolui para o politeísmo e posteriormente amadurece ao chegar ao monoteísmo.Tylor afirma que devido à experiência do adormecimento, das doenças, da morte e principalmente dos sonhos é que o homem primitivo desenvolveu a crença na existência da alma, e que a mesma podia actuar com independência e sobreviver após a morte.
Mais tarde por analogia também foi atribuída a existência da alma em animais e plantas.Mais tarde as teorias de Tylor foram contestadas, visto que foram identificas tribos que eram politeístas, ou que adoravam um ser supremo, sem nunca terem sido animistas.
O que não invalida a contribuição da teoria de Tylor, que muito ajudou na compreensão das primeiras formas de religiosidade da humanidade.
Debates e discordâncias à parte, podemos estabelecer alguns pontos em comum entre as manifestações animistas:
Ideia da existência da alma imortal em homens, animais e plantas;
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As divindades são imortalizadas em lendas e estão ligadas aos elementos da natureza (ar, água,
fogo, terra);A presença de homens santos ou de mulheres santas em cerimónias, os curandeiros, as visões, os transes, a feitiçaria;
O culto é realizado ao ar livre com a utilização dos elementos da natureza, como animais, uma pedra ou árvore;No animismo a presença divina está em toda parte;
O animismo é sem dúvida a prova concreta de que o homem possui uma forte ligação com Deus e que mesmo sem compreendê-lo, e mesmo sem ter quem o ensine, o homem busca intuitivamente a Deus, percebendo a grandeza do universo e a grandeza do Ser que tudo criou e que de tudo cuida.
sábado, 7 de novembro de 2009
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