• CIVILIZAÇÃO ASTECA
CAPITULO 56
INTRODUÇÃO
A data de 1168 é tida como aquela em que os Astecas, uma pequena tribo de caçadores, deixam a sua região de origem, Astlán no noroeste do México.
Depois da queda dos Toltecas no Vale do México, os Astecas foram uma das últimas tribos a chegar às margens do lago Texcoco.
Os astecas chegaram às margens do lago Texcoco, no Vale do México, em 1325 d. C.
Eles formavam inicialmente uma tribo de caçadores e coletores que se deslocou dos platôs áridos do norte do México em direção à zona central fértil e mais civilizada, ocupada por povos que praticavam agricultura desenvolvida. Neste deslocamento, que se estendeu do início do século XII ao início do século XIII, os Astecas lutaram, mas também conviveram com outros povos com os quais enriqueceram sua cultura e aperfeiçoaram o seu conhecimento tecnológico, especialmente sobre a agricultura. Aprenderam a irrigarar a terra com o cultivo e a construir "jardins flutuantes", chamados de chinampas. As chinampas são porções de terreno que os indígenas recuperavam do fundo do lago para formar e estender a terra firme tanto para construir como para o cultivo agrícola intensivo. A construçõa das chinampas se dá nos lugares mais rasos do lago onde se podia colocar as diversas camadas vegetais para a formação deste tipo de terreno exclusivo do Vale do México. Os Astecas demarcavam o local das futuras chinampas com estacas e juncos, emchiam com lodo extraído do fundo do lago e misturavam com um tipo de vegetação aquática que flutuava no lago. Esta vegetação formava uma massa espessa sobre a qual se podia caminhar. Estas tecnologias foram essenciais para a fundação e sobrevivência de Tenochtitlán.
Aos poucos, com sua arte guerreira e sua habilidade de aprender com os povos entre os quais viviam, tornaram-se ricos e poderosos, se tornando um grande império.
Sua capital Tenochtitlán, era maior que qualquer cidade da Europa na época.
A partir de Tenochtitlán os astecas conquistaram através de guerras um território tão vasto que corresponde hoje ao México e ao norte da América Central ( Guatemala e Nicarágua ).
Este império foi construído em um século ( do início do século XIV ao início do século XV ).
A partir de 1517, expedições espanholas lideradas por Hernández de Córdoba, Grijalva e Hernán Cortés, conquistaram e destruíram a civilização Asteca, erguendo sobre as ruínas do templo de seu deus mais importante, uma catedral cristã. Povo guerreiro, os astecas habitaram a região do atual México entre os séculos XIV e XVI. Fundaram no século XIV a importante cidade de Tenochtitlán (atual Cidade do México), numa região de pântanos, próxima do lago Texcoco.
A sociedade era hierarquizada e comandada por um imperador, chefe do exército.
A nobreza era também formada por sacerdotes e chefes militares.
Os camponeses, artesãos e trabalhadores urbanos compunham grande parte da população.
Esta camada mais baixa da sociedade era obrigada a exercer um trabalho compulsório para o imperador, quando este os convocava para trabalhos em obras públicas (canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides). Durante o governo do imperador Montezuma II (início do século XVI), o império asteca chegou a ser formado por aproximadamente 500 cidades, que pagavam altos impostos para o imperador. O império começou a ser destruído em 1519 com as invasões espanholas. Os espanhóis dominaram os astecas e tomaram grande parte dos objetos de ouro desta civilização. Não satisfeitos, ainda escravizaram os astecas, forçando-os a trabalharem nas minas de ouro e prata da região.
ARTE E ARQUICTETURA :
pirâmide da civilização asteca
Os astecas desenvolveram muito as técnicas agrícolas, construindo obras de drenagem e as chinampas (ilhas de cultivo), onde plantavam e colhiam milho, pimenta, tomate, cacau etc.
As sementes de cacau, por exemplo, eram usadas como moedas por este povo.
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O artesanato a era riquíssimo, destacando-se a confecção de tecidos, objetos de ouro e prata e artigos com pinturas.
A religião era politeísta, pois cultuavam diversos deuses da natureza (deus Sol, Lua, Trovão, Chuva) e uma deusa representada por uma Serpente Emplumada.
A escrita era representada por desenhos e símbolos. O calendário maia foi utilizado com modificações pelos astecas.
Desenvolveram diversos conceitos matemáticos e de astronomia.
Na arquitetura, construíram enormes pirâmides utilizadas para cultos religiosos e sacrifícios humanos.
Estes, eram realizados em datas específicas em homenagem aos deuses. Acreditavam, que com os sacrifícios, poderiam deixar os deuses mais calmos e felizes.
ASTECAS, AZTECAS OU MÉXICAS
Os índios Astecas, ou Méxica, foram dos povos mais civilizados e poderosos da América pré-colombiana. Ocuparam como se autodenominaram os habitantes do Vale do México (em uma ilha do Lago Texcoco), vieram para essa região, depois de uma longa e lenta migração.
Chegaram de um lugar chamado Aztlán, situado no sudoeste do atal Estados unidos, onde viviam como tribos guerreiras nômades. Desde a Era Cristã, existiam civilizações urbanas, sedentárias e agrícolas na região e exemplo dos toltecas. Os últimos a chegar ao refinado mundo do planalto mexicano foram os astecas sedentarizaram-se e mesclaram-se com os toltecas e a partir da aliança feita entre as cidades de Texcoco e Tlacopan, surgiu o "Império Asteca", tendo como centro a cidade asteca de Tenochtetlán. Cada uma das cidades-estados possuía o seu próprio rei, mas os astecas tinham o comando militar na época em que ocorreu a ocupação espanhola, os indígenas do imenso império só reconheciam um chefe:
MONTEZUMA O IMPERADOR ASTECA
A partir de sua capital, Tenochtitleán (hoje a cidade do México), os Astecas controlavam um grande império que incluia quase todo o centro e sul do México. Foram guerreiros famosos, com uma organização militar muito desenvolvida. Eles eram fortes, de pele escura, cabelos curtos e grossos, e rostos redondos. Assemelhavam-se a alguns grupos de indígenas que hoje vivem em pequenas aldeias perto da Cidade do México.
* Curiosidade: Quase todos falavam a língua Náuatle, que em determinadas palavras assemelha-se ao português, por exemplo; tomate e chocolate, que em Náuatle é tomatl, chocolete.
GOVERNO
O sistema governamental dos Astecas era monárquico, onde o Conselho do Imperador, era quem elegia seu sucessor, escolhido entre os membros da linhagem governante, e chamada Casa Real. O coração político e espiritual dos Astecas, era a cidade de Tenochtítlan na ilha de Tlatelolco ( Lugar do Cacto Espinhoso ), capital do Império Asteca.
Era o Conselho do Imperador, que elegia o sucessor do Imperador, que era escolhido entre os membros de linhagem governante, a chamada Casa Real.
O poder do Imperador era hereditário, e considerado de origem divina e ele governava auxiliado pelo "Grande Conselho", as suas principais obrigações eram proteger o Povo e homenagear os Deuses. Os Astecas tinham pouca liberdade de ação e pouca voz no governo devido a forma de governo ser a Autocrácia.
SOCIEDADE
A sociedade era bastante flexível, ocorrendo mobilidade social dentro do Império.
Alguns membros das baixas camadas livres poderiam ascender à categoria de dignitários graças à bravura nos combates, era possível galagar postos militares e chegar a fazer parte da
Aristrocracia militar. Poderiam também, dedicar-se aos serviços religiosos e até, mesmo chegar a ser supremo Sacerdote.
Ela se organizava como uma pirâmide Deste os indígena: na base Escravos (bem tratados),
Servo ( que trabalhavam nas terras privadas da nobreza ),
já a maioria da população era composta pelos Comuns ( Macehualtin ), que viviam e trabalhavam nas terras comunitárias, por direito de usufruto.
Os Comuns pertenciam a grupos familiares Capulli ( Casas Grande ), que possuíam terra, um chefe de clã e um templo.
Acima de todas as categorias anteriores, estava a Nobreza Hereditária ( Pipiltin ), de onde saíam os burocratas para o sistema, e de cujas fileiras se formava o Conselho do Imperador.
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RELIGIÃO
Desde os indígenas do México, os Astecas foram os que mais cultuaram seus Deuses.
À época da chegado dos Espanhóis, a religião Asteca era uma síntese de crenças e cultos.
Os Deuses agrários dos povos agrícolas do centro do México fundiram-se com os Deuses astrais dos povos guerreiros bárbaros. Um dos tipos de Cerimônia de Sacrifício Humano era:
Que o mais bravo dos prisioneiros de guerra era sacrificado a cada ano. No dia de sua morte, ele tocava flauta no cortejo. Sacerdotes e quatro belas moças acompanhavam-no.
• CULTURA
Embora fossem herdeiros culturais de outras grandes civilizações, os Astecas conseguiram desenvolver técnicas e conhecimentos bastante elevados.
A arquitetura sobressaiu na construção de monumentos, diques e aquedutos.
Na arte da ourivesaria eram mestres. Os sacerdotes, astrônomos e astrólogos Astecas tinham com um de seus deveres contemplação do céu e o estudo do movimento dos astros.
Os livros eram importantíssimos, os colégios dos nobres e os palácio possuíam volumosas bibliotecas. a escrita era uma mistura de ideografia com a escrita fonética, pois alguns caracteres derrotaram idéias e objetos, e outros, designavam sons.
• O CALENDÁRIO
No Calendário se encontram representadas a cosmogonia e a cronologia dos antigos mexicanos.
Ao centro destaca-se o Sol (Deus Tonatiuh) sedento de sangue com o signo nauiollin, símbolo do nosso universo. Os quatro braços da Cruz de Santo André, correspondentes ao signo Ollin, contêm os símbolos dos quatro antigos Sóis.
Em torno destes hieróglifos, círculos concêntricos mostram os signos dos dias (vide abaixo), os anos, representados pelo glifo xiuitl composto de 5 pontos, sendo 4 em cruz e mais outro no meio e, enfim, duas "serpentes de turquesa", isto é, os dois períodos de 52 anos que correspondem aos 65 anos do planeta Vênus, os dois constituindo o ciclo de 104 anos denominado ueuetiliztli ("velhice"). Os astecas tinham conhecimento precisos sobre a duração do ano, a determinação dos solstícios, as fases e eclipses da Lua, a revolução do planeta Vênus e diversas constelações, como as Plêiades e a Grande Ursa. Eles atribuíam uma atenção especial à mensuração do tempo, numa aritmética que tinha como base o número 20.
Ao fim de cada período de 52 anos, acendia-se o "Fogo Novo" no cimo da montanha de Uixachtecatl. Isto era denominado "liga dos anos".
Era comemorado como um verdadeiro "Reveillon" místico com sacrifícios, danças, renovação de utensílio domésticos, etc.
O Calendário Asteca possuía 18 meses com 20 dias, estes últimos a saber:
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• Coatl – Cobra
• Cuetzpallin – Leopardo
• Calli – Casa
• Ehecatl – Vento
• Cipactli – Crocodilo
• Xochitl – Flor
• Quiahuitl – Chuva
• Tecpatl – Pedra
• Ollin – Tempo
• Cozcacuauhtli - Abutre
• Cuauhtle - Águia
• Ocelotl - Jaguar
• Acatl – Bastão
• Malinalli - Erva
• Ozomatli - Macaco
• Itzquintli - Cão Careca
• Atl – Água
• Tochtli – Coelho
• Mazatl - Cervo
• Miquiztli - Caveira
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TEMPLOS E SANTUÁRIOS
Os templos Astecas foram edificados com enormes blocos de pedras das montanhas que rodeavam o Vale do México.
Os templos eram erguidos o mais alto possível para que os Astecas podecem ficar perto dos seus deuses do céu. No topo havia uma plataforma onde eram sacrificadas as pessoas, geralmente prisioneiros, escolhidas como oferendas aos deuses. Os Astecas acreditavam que deviam costruir um novo templo a cada 52 anos para agradecer aos deuses o fato de o mundo não ter ainda acabado. Em vez de demolir o velho templo, eles construíam outro em cima daquele.
Assim, cada templo era maior e mais importante do que o anterior.
Em Tenochtitlán o grande templo foi aumentado cinco vezes.
ESCULTURA
Como a arquitetura, a escultura asteca é maciça e imponente.
Muitas obras mostram a influência artística dos Toltecas, Mixtecas e dos povos da costa do golfo, porém a estatuária religiosa possui traços típicos que expressam o caráter primitivo e violento dos Astecas. Algumas vezes os artistas revelam uma concepção mais naturalista, criando figuras serenas, desprovidas de elementos grotescos.
É o que se verifica em certas estátuas de Quetzalcoatl, divindade protetora das artes e das ciências, e nas de Xochipili, o senhor das flores, divindade da alegria, da música e da dança.
PINTURA
A pintura dos Astecas é uma arte intermediária entre a escrita e a iluminura, manifestada através da execução minuciosa de caracteres pictográficos e da figuração de cenas históricas ou mitológicas. Os objetos são representados de frente ou de perfil e, às vezes, as duas posições são sobrepostas, resultando numa imagem irreal, mas sempre compreensível.
Não conhecem a perspectiva e o colorido não tem nuances, porém há sempre contornos negros delimitando cada forma e realçando a vivacidade das cores.
Em certos aspectos, essas obras lembram um dos estágios mais antigos da pintura egípcia.
• ARTE PLUMÁRIA
A arte plumária, trabalho com penas, era uma produção familiar.
Enquanto as crianças preparavam cola de excremento de morcego, a mulher escilhia e tingia as penas. Para fazer um escudo, o artesão primeiro fazia o desenho e um molde.
Com ele, transferia o desenho para um pedaço de pano colado a fibras de cacto.
Cortava as penas tingidas de acordo com o desenho e enfiava-as no tecido.
Depois colava o pano num pedaço de madeira.Quando a cola secava, ele aplicava a camada final de penas, delineando o desenho com finas faixas de ouro.
As penas, mais caras eram as do sagrado pássaro verde quetzal e as do colibri de cor turquesa.
ARTESANATO
Os Astecas aprenderam a fazer seus artesanatos com os descendentes dos Toltecas, cuja civilização desaparecera muito antes de os Astecas chegarem ao Vale do México.
Os artesãos moravamem bairros separados na cidade, adorando seus próprios deuses e ensinando sua arte apenas aos seus filhos. Grande parte de seus trabalhos era para o rei.
Com os tributos enviados pelas cidades conquistadas, faziam tiaras, mantas e jóias.
O rei então recompensava os grandes guerriros com esses presentes.
Um escultor levava muito tempo pata esculpir uma peça em jade, cristal ou obsidiana, devido à precaridade dos seus instrumentos. Dava a primeira forma à matéria bruta esfregando na pedra uma tira de couro cru com areia e água. Trabalhava apenas com uma faca de cobre macio e pó de sílex. Para finalizar e dar os últimos retoques, polia a peça com areia, depois usava o junco para dar brillho.
OURIVESARIA
O ourives usava o metodo da cera deretida para fazer objetos. Fazia um molde em argila, enchia-o com cera e recobria com mais argila. Depois, aquecia o molde para que a cera derretesse e escorresse por uma abertura . Derramava o ouro derretido dentro do molde, deixava esfriar, quebrava a proteção de argila e estava moldada a peça.
A URBANIZAÇÃO DE TENOCHTITLÁN
Tenochtitlán se localiza numa ilha no interior do lago de Texcoco.
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Este lugar desabitano tinha uma enorme riqueza ecológica que foi se tranformando até alcançar o florescimento que os conquistadores observaram 200 anos depois.
O controle político e econômico da cidade Asteca ( Tenochtitlán ) abarcava uma extensa zona da Mesoamérica com um grande número de povos subjulgados que abasteciam a cidade de numerosos produtos naturais e manufaturados.
• O TRAÇADO URBANO
O traçado das principais avenidas e a organização do centro ceremonial se realizou com relação à localização dos pontos periféricos da paisagem, pricipalmente os topos dos morros e o percurso do sol a cidade e seus arredores contavam com obras hidráulicas e estradas.
Estudos indicam que o complexo de obras foi realizado para evitar as enchentes na cidade, melhorar a qualidade das águas permitindo a entrada de água doce proveniente dos lagos Xochimilco e Chalco, e comunicar a ilha com a terra firme.
O centro cívico-religioso se localiza mais ou menos no centro da ilha de Tenochtitlán.
O conjunto urbano se estrutura a partir de três caminhos principais que atravesam a ilha e continuam além dela para uní-la à terra firme:
ao norte, o caminho de Tepeyacac;
a oeste, o caminho de Tlacopan,
e ao sul, o caminho de Iztapalapa.
Quanto à distribuição e ao tipo de edifícios que se encontravam no centro, sabe-se que ali se localizavam as residências dos principais senhores, os templos pirâmides dedicados a Huitzilopochtli, Tláloc e Tezcatlipoca, edifícios para a educação e outros ofícios rituais.
Nas zonas não cerimoniais dentro da ilha se utilizava um traçado quadriculado regular, quando assim permitiam as condições ecológicas do terreno; e se utilizavam outras disposições de acordo com a adaptação das áreas residenciais às obras hidráulicas para o controle lacustre do sítio. É interessante observar que os caminhos eram estreitos e relativamente frágeis; os Astecas construíram sua cidade para o tráfego de pedestres, já que na época não havia cavalos na Mesoamérica.
O trânsito era preferentemente aquático e com canoas, que permitiam o deslocamento a qualquer lugar dentro ou fora da cidade, pela complexa e eficiente rede de canais de que dispunha a cidade de Tenochtitlán. Os caminhos amplos e com pontes uniam a ilha com a terra firme.
AS HABITAÇÕES INDÍGENAS
A maioria dos prédios é regular e o loteamento segue um esquema em que cada prédio ou unidade habitacional se integra diretamente aos caminhos para circulação de pessoas e aos canais para circulação de canoas.
Cada unidade habitacional corresponde a um prédio e se compõe dos seguintes elementos: um conjunto de chinampas, canais para irrigar as chinampas, um terreno onde se localiza a casa, e um terreno entre a casa e as chinampas.
Os limites das habitações são caminhos e canais em seus quatro lados e facilitam sua integração ao contexto urbano tanto por terra firme como em canoas pela água.
Todas as moradias na Planta Maguey aparecem com seus acessos principais voltados para o sul. As moradias indígenas eram projetadas para responder a necessidades culturais própias:
havia compartimentos com grande variedade de formas destinados a dormitórios, pátios internos e externos, terrenos e chinampas para cultivo, corredores e currais. A integração espacial da casa era independente do exterior, de costas para os caminhos e espaços públicos. Mas se ligava de várias maneiras com o entorno imediato e com o resto da cidade através de circulação por terra e por água. As habitações indígenas tinham, em geral, paredes de adobe e telhado de materiais vegetais, constituindo-se em cargas leves sobre terreno frágil, sujeito a afundamentos, quase flutuando sobre as águas do lago. Apesar dos materiais de construção serem perecíveis esta habitação adequava-se muito bem às condições climáticas e de integração ecológica.
As casas eram baixas e com pouca iluminação. A única abertura era a da porta.
Isto era assim porque os indígenas realizavam a maioria das suas atividades cotidianas nos espaços externos.As habitações serviam para dormir e para o descanso total através do isolamento da luz e de outros agentes externos ( ruído, chuva, ... ).
• Considerações finais
Quando os espanhóis entraram no México e lhe conquistaram as terras, os Astecas já se encontravam em decadência, divididos por ódios de clãs e rivalidades de famílias.
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Foram derrotados pelos invasores europeus, com relativa facilidade. E nunca mais se reergueram. Imediatamente após a conquista os espanhois construiram sua cidade em cima de Tenochtitlán.
O FIM DO IMPÉRIO
Em 1519, Hermán Cortés partiu da ilha de Cuba com o objetivo de saquear a civilização Asteca. Os Astecas tomaram conhecimento dos estrangeiros pela descrição de seus informantes. Montezuma e seus conselheiros concluíram que Quetzalcoatl estava retornando para tomar o que era seu.
Os Astecas enviaram mensageiros com presentes para Cortés, imaginando ser ele seu Deus.
Os presentes em vestimentas, jóias e ouro despertaram a cobiça de Cortés. O conquistador Europeu, percebeu, que havia alguns povos dominados pelos Astecas que lhe tinham ódio: aliou-se, então, a esses povos que recebiam os Espanhóis como libertadores.
A destruição do Império Asteca foi possível, em parte, pela superioridade em armamentos dos Europeus. Os canhões, os cavalos, os arcabuzes e as espadas de ferro aterrorizavam os homens a pé e armados de arcos e flechas. Não podemos esquecer também o papel desempenhado pela diplomacia de Cortés na conquista. Esse Espanhol semi-analfabeto, sedento de ouro e sangue, soube utilizar os povos nativos dominados pelos Astecas, para obter seus intentos
. Era atuação do sistema capitalista Europeu, que não poupava nem mesmo vidas humanas para impor suas regras pré-estabelecidas na política mercantilista vigente.
4 – ARQUITECTURA SOCIEDADE E CULTURA :
Dentre as mais importantes noções que se precisa ter sobre uma civilização, com certeza estão o conhecimento de sua arquitetura, sua organização social e seu legado cultural, sendo assim, dividirei este item em três partes, cada uma das quais dará conta de explicar o menos mal possível como se estruturavam cada uma dessas partes da civilização Asteca.
O império Asteca tinha como capital a cidade de Tenochtitlán. Tal cidade foi fundada em localidade que, segundo a mitologia asteca, fora indicada por seu deus tribal Huitzilopochtli.
4.1 – A ARQUITECTURA :
A maior parte do que sabemos sobre a arquitetura Asteca remete-se a relatos dos conquistadores Espanhóis, já que Tenochtitlán foi inteiramente destruída em 1521.
No entanto, sabe-se que a técnica de construção Asteca era diferente da de Teotihuacán, uma vez que naquela cidade, os templos eram construídos de uma só vez, enquanto que em Tenochtitlán,
os Astecas iam ampliando os templos à medida que sua tecnologia permitia, sendo assim a grande pirâmide de Tenochtitlán havia antes sido um pequeno templo que após sucessivas ampliações (cinco no total), cada ampliação ocorria de acordo com uma crença religiosa de que o mundo acabaria a cada 52 anos.
Os palácios Astecas, segundo os relatos de Cortez a Carlos V, eram semelhantes aos palácios de outras culturas Mesoamericanas, ou seja, eram grandes estruturas de pedra, divididas em vários cômodos muito grandes dentre os quais se contavam além de quartos e salas, zoológicos (com animais raros) e inúmeros jardins, com fontes e até lagos.
4.2 – A CULTURA :
A cultura de uma civilização compreende, de fato, a maior parte de sua alma, se é que se pode dizer que uma civilização tem uma alma.Mas na verdade, tudo o que é desenvolvido pela civilização pode ser considerado parte de sua cultua, no entanto, aqui restringirei a palavra cultura necessariamente às artes Astecas, pois creio que todo o resto (religião, forma de governo, educação...) será abordado em partes posteriores, ao longo do texto.
4.2.1 – AS ARTES ASTECAS :
É interessante que se note, com será explicado mais adiante, que a palavra Asteca designa apenas os habitantes de Tenochtitlán, e não os de todo o Império, uma vez que, como veremos, cada região mantinha suas peculiaridades mesmo depois de submetido ao domínio Asteca. Em alguns poucos casos, pode-se estender a designação aos habitantes das colônias fundadas pela Tríplice Aliança e aos habitantes das cidades que, juntamente com Tenochtitlán, formavam-na, ou seja, Texcoco e Tlacopán. Os Astecas desenvolveram muitas formas de manifestações artísticas, eram escultores, ourives, poetas, atores, dançarinos, pintores, mestres em cinzelagem, além de músicos.Dentro de tamanha diversidade, havia, por certo, as artes mais importantes e mais
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praticadas, bem como as de menor importância. Comecemos, pois, com a escultura, uma arte que sempre esteve intrinsecamente ligada ao artesanato em si.
No México (como também era denominada a cidade de Tenochtitlán), havia toda a sorte de esculturas, desde de divindades domésticas (antepassados míticos dos diferentes clãs) até esculturas em paredes, tais como jaguares, águias e outros animais.
Os maiores escultores da cidade eram pertencentes a uma classe social específica, na realidade, como veremos depois, esta classe era uma verdadeira casta, devido à estagnação social em que se encontrava, a casta dos Toltecas, ou seja, os artesãos Astecas eram de origem Tolteca e haviam chegado a Tenochtitlán posteriormente à expansão Imperial, sendo assim, não constituíam uma parte normal da população. Quanto à ourivesaria, nas próprias palavras de Cortez "tão natural o ouro e a prata que não há ourives no mundo que melhor fizesse".
O conquistador estava certo, na realidade, os Astecas foram surpreendidos pelos Espanhóis em pleno apogeu da Idade do Bronze, dominavam com perfeição as técnicas de fundição e forja de diversos metais, no entanto, o ferro ainda não era conhecido.
Os Mexicas (outro nome para os Astecas) também consideravam valiosas as plumas de aves, sendo estas incluídas na ourivesaria. As plumas tinham um valor tão grande dentro da cultura Asteca que serviam mesmo como divisor social, sendo atribuída a cada classe um tipo de pluma e sendo empregadas pesadas punições aos que utilizassem plumas relativas a uma classe hierarquicamente superior à sua. A literatura Asteca era marcada por poemas nos quais a mistura de situações eram marcantes, pois neles não havia apenas um clima de alegria, ou de emoção, ou de amor, ou de tristeza, mas na verdade, todos os climas misturados, com situações cômicas se alternando com tragédias e posteriores romances.
A vida de governantes famosos era um dos objetos mais apreciados dos poetas para escreverem suas poesias, dentre estes soberanos, o preferido era Nezaualcoyotl, soberano de Texcoco, que reinou entre 1428 e 1472. Ele é considerado o maior poeta e pensador da civilização Asteca, além de ter se destacado como general, ao ajudar Itzcoatl, governante Asteca, a vencer a cidade inimiga de Azcapotzalco e, assim, formar a Tríplice Aliança.
A poesia estava intimamente ligada com o teatro, uma vez que muitos dos poemas eram escritos para serem representados por atores a membros das classes privilegiadas. Não se pode deixar de ressaltar que a própria escrita Asteca constitui um espécie de arte, uma vez que era hieroglífica (semelhante à egípcia, onde não havia letra, mas sim símbolos que indicavam determinadas coisas, o que dificultava a formação das palavras). Na realidade, a escrita Asteca estava em evolução quando os Espanhóis chegaram, pois começava a se tornar uma escrita sonora, mas ainda baseada nos hieróglifos, ou seja, algumas palavras que não tinha símbolos próprios eram formadas pela mistura de dois ou mais símbolos cuja pronúncia unificada se assemelhasse à pronúncia da referida palavra, por exemplo, para dizerem o nome da cidade de Quauhtitlán, para a qual não havia um símbolo específico eles misturavam dois glifos em um, ou seja, desenhavam uma árvore (cuja pronúncia é quauitl) com dentes (cuja pronúncia é tlanti), sendo assim, com a junção dos sons se chegava a algo parecido com Quauhtitlán.
As danças, bem como as interpretações, eram usadas para divertir os mais importantes, segundo Cortez, Motecuhzoma II (que ficou conhecido como Montezuma), tinha vários homens deformados, e outros tantos anões que dançavam e faziam coreografias bizarras para ele todos os dias durante suas refeições. Os dançarinos profissionais tinham o intuito de divertir os poderosos, mas o povo, em suas festas, também dançava e sempre ao som de músicas, que eram escritas por poetas, ou apenas executadas com instrumentos próprios, como diversos tipos de tambores (alguns feitos de madeira e couro, outros de casco de tartaruga), gongos, chocalhos, guisos, reco-reco (bastões de osso que eram raspados com um arco de madeira), flautas, flautas de pan, trombetas e conchas que seriam como uma espécie de castanholas.
No que se refere à cultura Asteca, a principal cidade era Texcoco, onde em tudo havia mais perfeição, desde a língua falada (o Nahuatl era mais bem pronunciado, assim como a diferença entre o Inglês da Inglaterra e o dos EUA) até a poesia e a música em si, isso se deve em muito ao próprio Nezaualcoyotl, que acabou por transformar Texcoco no centro cultural e jurídico mais importante do Império.
• 4.2.2 – OS ESPORTES :
Os Astecas, assim como os Romanos, também tinham uma espécie de Circo em Tenochtitlán, nesta arena era praticado o mais popular esporte Mexicano,
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inventado pelos Maias, ele foi praticado por diversos povos, inclusive pelos Astecas, que construíram sua arena em plena praça cerimonial de sua capital.
Era um esporte cujo nome era tlachtli, mas que é conhecido hoje como: A Bola Maia.
Consistia de um jogo onde dois times se confrontavam num campo em forma de "T".
A forma do campo imitava aquilo que os Astecas acreditavam ser a forma do céu.
No campo, os adversários disputavam a posse de uma bola de borracha maciça (tão dura que chegava a quebrar ossos de alguns jogadores e a matar se batesse na cabeça), que não podia ser segurada, apenas tocada de um para o outro, com a ajuda dos joelhos, cotovelos e quadris. Os jogadores utilizavam protetores de couro e madeira nessas regiões.
O objetivo do jogo era passar a bola por uma argola de pedra na parede protegida pelo time adversário, quando uma "cesta" era feita, o jogo acabava e o autor do ponto tinha direito de ficar com todas as jóias dos espectadores, estes por sua vez, sempre fugiam ou iam assistir a partida com poucos pertences, para não ficarem sem suas coisas.
Com efeito, o tlachtli era uma maneira de se enriquecer em Tenochtitlán. O tlachtli inspirou a criação, no século XX, do vôlei e do basquete, por não ser permitido prender a bola, apenas toca-la e pelo objetivo ser fazer uma cesta. Além do tlachtli, que era o esporte preferido dos Astecas, mas praticado principalmente pela nobreza (membros do Grande Conselho), havia outros tipos de esporte, como o patolli, que era um jogo de tabuleiro (semelhante a loto), muito praticado pelas camadas populares, no qual o objetivo era colocar três peças em seqüência.
Havia competições como subir no "pau-de-sebo", e outra que hoje fazem parte de gincanas populares, porém, em todas essas disputas, havia largas apostas, sendo que existia em Tenochtitlán uma verdadeira bolsa de apostas, que enriqueceu muitos, mas condenou muitos outros à escravidão por dívidas. Apesar de não ser considerado propriamente um esporte, havia um tipo de sacrifício que atraia platéias que, além de cultuarem o deus para o qual o sacrifício estava sendo feito, também torcia (para isto era proibido fazer apostas).
Consistia numa espécie de luta de gladiadores, onde o indivíduo que iria ser sacrificado tinha o pé amarrado a uma pesada argola de pedra e, armado com armas de brinquedo, era obrigado a enfrentar quatro guerreiros (dois guerreiros-águia e dois guerreiros-jaguar) fortemente armados.
Quando morresse, era considerado sacrificado para os deuses.
A perda de dinheiro e bens em apostas nos esportes condenou muitos Astecas à embriaguez e ao vício no tabaco, grandes causas de morte em Tenochtitlán.
4.3 – A SOCIEDADE ASTECA :
A sociedade Asteca estava dividida de uma maneira curiosa e um pouco diferente da das sociedades européias que lhe foram contemporâneas.
Se desenhássemos uma pirâmide dela, teríamos sete divisões:
no topo estariam os governantes, compostos
pelo Tlatocan, pelos três maiores sacerdotes e pelos dois governantes;
depois viriam os grandes dignatários e os altos sacerdotes;
abaixo estariam as elites dos Calpulli (bairros, formados por membros do mesmo clã);
abaixo destes estariam, num mesmo patamar, as duas castas (imóveis) da sociedade Asteca:
os Pochtecas (comerciantes) e os Toltecas (artesãos);
abaixo destes estavam os moradores livres e proprietários de terras dos Calpulli, ou seja, o povo;
abaixo do povo, havia um número cada vez maior de servos, ou seja, cidadãos que haviam perdido suas terras por dívidas, tendo se convertido em servos de outros, mas ainda assim livres, os servos trabalhavam por dinheiro, se assemelhando a trabalhadores assalariados;
abaixo dos servos estava o estamento (por ter pouca mobilidade social) dos escravos, estes, apesar de serem utilizados como força de trabalho, não tinham nesta a sua principal função,
pois eram destinados ao sacrifício, havia duas maneiras de alguém se converter em escravo:
a primeira era também a mais comum, ou seja, os vencidos nas guerras, mas a segunda, apesar de pouco usual, também existia, e eram as dívidas, ou seja, quando alguém que já havia perdido suas terras e se convertido num servo se endividava, tinha que vender a própria liberdade para pagar a dívida, se convertendo num escravo. numa sociedade de estamentos, os homens não são iguais perante a lei, apenas perante os deuses, sendo, portanto passíveis de salvação, no entanto sua condição (geralmente determinada pelo nascimento, o que não é o caso no único estamento Asteca) só pode ser mudada (ou seja, ocorrer elevação ou declínio social) devido a um fato muito inusitado, como o casamento com alguém de outra casta, ou um ato de extrema bravura, um exemplo de sociedade de estamentos (ou estamental) era a sociedade da Europa Medieval;
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numa sociedade de castas, as pessoas são diferentes em tudo, tanto perante a lei, quanto perante os deuses, sendo assim, não há nenhuma mobilidade social, o nascimento determina a posição do indivíduo na sociedade e não há nada que possa mudar isso, nem para melhor, nem para pior, um exemplo de sociedade de castas é a Índia.
Aos 21 anos, tanto meninos quanto meninas abandonavam a escola e estavam formados, os meninos tornavam-se guerreiros (sendo assim, todos os homens livres de Tenochtitlán eram guerreiros), e as meninas iam se casar.
Geralmente o homem se casava mais tarde, por volta dos 25 anos.
A poligamia masculina era permitida, mas não muito difundida, ao que parece apenas alguns poucos homens muito ricos tinham mais que uma esposa.
4.3.1 – OS NÍVEIS SOCIAIS :
1) TLATOANI :
O Tlatoani era o chefe supremo tanto militar, quanto religioso.
Este cargo foi desempenhado por onze indivíduos desde a construção de Tenochtitlán, no início, ele tinha características semi-reais, mas aos poucos passou, cada vez mais, a ser uma espécie de Cônsul.Quando os Espanhóis chegaram ao México, quem ocupava esta função era justamente Motecuhzoma II, e Cortez, mais do que depressa o confundiu com um Imperador.
Na verdade, os relatos dos chefes das cidades dominadas pelos Astecas, de que eram vassalos de Motecuhzoma II não eram mentirosos, pois era o Tlatoani quem governava as províncias conquistadas, no entanto, seu poder não era grande dentro de Tenochtitlán.
É certo que a pompa com a qual era tratado era digna de um Imperador, mas isso fazia parte da tradição, pois enquanto o outro Cônsul trabalhava, este ficava sendo cultuado.
Parte da pompa com a qual eram tratados os Tlatoani, contribuiu ainda mais para a imagem de divindade que Cortez criou sobre o cargo, pois as roupas que usava eram destruídas (ou seja, cada roupa, apesar de suntuosa, só era usada uma única vez), ele era carregado em liteiras e não podia ser encarado por pessoas do povo, os únicos que podiam olha-lo nos olhos eram o Ciuacoatl, os membros do Tlatocan e os membros do Grande Conselho.
• 2) CIUACOATI :
A tradução desta palavra quer dizer Serpente Fêmea, entretanto, o cargo só era ocupado por homens. Era o outro Cônsul que governava junto com o Tlatoani.
Seus poderes eram diferentes, mas tão importantes quanto os do primeiro.
Na verdade, o Ciuacoatl era quem governava Tenochtitlán, além de ser o equivalente à suprema corte de apelações, pois quando as demais instâncias eram refutadas, era este Magistrado quem decidia a sentença. O cargo de Ciuacoatl foi criado por Motecuhzoma I, com o objetivo de se desvencilhar de algumas funções, visto que em sua época, o Império havia começado a se expandir e conseqüentemente o Tlatoani havia ficado sobrecarregado.
Quando o Tlatoani morria, o Ciuacoatl presidia reunia e presidia o Grande Conselho, para escolher entre os membro do Tlatocan um novo Tlatoani. Por sua vez, quando o Ciuacoatl morria, o Tlatoani escolhia um novo, sendo, no entanto, esta escolha sujeita a aprovação do Tlatocan e do Grande Conselho. Assim como o cargo de Tlatoani, o Ciuacoatl era vitalício, mas estava sujeito , assim como o primeiro, a sofrer um "IMPEACHMENT" no caso de má conduta governamental.
A existência desse dois Magistrados reforça a teoria de que os Astecas não constituíam uma Teocracia, mas sim uma República, pois como veremos, qualquer um poderia ascender aos cargo de Tlatoani e Ciuacoatl, graças as suas proezas militares.Na verdade, o que leva alguns historiadores a também considerarem o Império Asteca como uma Teocracia era o fato de que tanto no que se refere ao Ciuacoatl, quanto no que se refere ao Tlatoani, os cargos foram, desde o princípio ocupados por membros de uma mesma família, sendo muitas vezes o Ciuacoatl, irmão do Tlatoani. No entanto, isso era apenas uma questão de influência desta família (tanto por sua antigüidade, quanto por seu poder) no caso do Tlatoani, e de nepotismo, no caso do Ciuacoatl.
Podemos caracterizar a sociedade Mexicana como sendo uma Oligarquia Plutocrática, com a funcionalidade real de uma Oligarquia Aristocrática, ou seja, por direito qualquer um que tivesse status suficiente (status adquirido nas batalhas ou religiosamente, como veremos) poderia governar, mas na prática, apenas uma aristocracia (a mesma família sempre) dominou o poder.
3) TLATOCAN :
Era uma espécie de junta governativa formada por apenas quatro membros, geralmente todos parentes do Tlatoani e do Ciuacoatl, o que mostra mais uma vez o domínio daquela família
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, mas não sua condição de intocável no poder, uma vez que houve membros do Tlatocan que não eram parentes dos governantes e chegaram a essa posição através da influência pessoal.
Esse posto pode ter sido o indicador de uma espécie de fase de transição entre o Grande Conselho e o poder, pois os membros do Tlatocan eram eleitos pelo Grande Conselho e depois, com a morte ou do Ciuacoatl, ou do Tlatoani, um dos quatro era escolhido para ocupar o posto e os outros três voltavam a ser apenas membros do Grande Conselho, uma vez que eram eleitos outros quatro membros para o Tlatocan.
Quando um dos membros morria, o Grande Conselho se juntava e elegia outro.
A função principal desses quatro homens era chefiar os exércitos, eram os quatro generalíssimos Astecas, cabendo a um deles a chefia dos Guerreiros, a outro a confecção e correta distribuição de armas e mantimentos aos exércitos, ao outro a manutenção de guarnições nas colônias e ao último, a segurança de Tenochtitlán.
4) GRANDE CONSELHO :
Era o órgão fundamental da estrutura de poder Asteca, na realidade, a existência desse cargo indica que todo poder emanava do povo, não diretamente, como numa Democracia, mas de uma forma indireta. O Grande Conselho era composto por diversos indivíduos, todos de muita importância na cidade, eram eles: os quatro Calpulli (chefes de Calpulli), todos os Guerreiros-Águia e Guerreiros-Jaguar, os Grandes Sacerdotes (é provável que mulheres tenham ocupado funções de Grandes Sacerdotisas, sendo assim, haveria mulheres no Grande Conselho), o Mexicatl Teohuatzin e as duas Serpentes de Plumas.
O número de membros do Grande Conselho não pode ser precisado, pois não havia uma quantidade fixa de Guerreiros-Águia, nem de Guerreiros-Jaguar, nem de Grandes Sacerdotes.
As três categorias constituíam o ápice daquilo que se pode alcançar por esforço próprio, ou seja, sem ser votado por ninguém, mas apenas por si. Os Guerreiros-Águia e Guerreiros-Jaguar constituíam o topo da carreira militar (algo como uma tropa de elite) e os Grandes Sacerdotes constituíam a elite intelectual, formada no Calmecac.
O Grande Conselho podia passar meses sem se reunir, mas todas as vezes que algum de seus membros, ou algum dos Magistrados superiores achasse por bem, uma reunião era convocada.
As decisões do Grande Conselho eram a instância máxima de deliberação nos assuntos econômicos, políticos e militares, só não respondiam por poder judiciário.
Era, por exemplo, o Grande Conselho que definia quando, e onde aconteceriam campanhas militares, ou mesmo quanto cada região deveria pagar em tributo.
5) DIGNATÁRIOS :
Eram os homens importantes por nascimento, não por esforço, constituíam-se geralmente de filhos de Calpulli que não haviam conseguido se formar no Calmecac, ou que haviam se formado, mas ainda eram Sacerdotes de Bairro. Os dignatários eram acessores do Grande Conselho e dos grandes Magistrados, eles eram os responsáveis pela manutenção das listas de tributos em dia, pelo recenseamento da população, pela confecção dos mapas do Império e de regiões que não pertenciam a ele, dentre outras tarefas que exigiam certo grau de instrução ou de confiança.
6) UEY CALPIXQUI :
Era um Magistrado importante, não fazia parte do Grande Conselho, mas constituía-se no braço direito do Ciuacoatl, pois era o encarregado de perambular pelos Calpulli recolhendo impostos, repassando informações, verificando coisas erradas.
Seu poder maior consistia no fato de ter poder judiciário, ou seja, ele era uma espécie de segunda corte de apelações, a segunda instância jurídica, caso a primeira instância, não fosse justa ou não conseguisse apurar o caso, ele resolveria, senão, repassaria ao Ciuacoatl.
É interessante notar que havia apenas um Uey Calpixqui em Tenochtitlán, e ele era escolhido diretamente pelo Ciuacoatl. Havia um Uey Calpixqui em cada colônia militar fundada pelos Astecas, ele era o prefeito desta colônia, e estava encarregado de garantir a lealdade da região além de julgar os casos como instância superior às autoridades locais.
Além disso, ele era o comandante das tropas da colônia e, apesar de não ter autorização para iniciar campanhas de conquista, tinha o dever de defender a região dominada (tanto contra inimigos externos, quanto contra uma possível revolta da população da própria região).
7) CALPULLI :
Ironicamente o Calpulli faz parte do Grande Conselho, mas enquanto Calpulli ele é subalterno do Uey Calpixqui, que não integra o Grande Conselho.
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O Calpulli é o líder de seu Calpulli (é interessante notar que a palavra é a mesma tanto para bairro, quanto para o governante do bairro). Vive numa casa muito grande, e é o responsável pelo ensino nos Telpochcalli.
Ele constitui o tribunal de primeira instância, onde se resolvem quase todos os casos.
Existiam quatro Calpulli em Tenochtitlán, cada um formado por uma junção de clãs. Talvez a divisão em quatro seja proveniente de memória passadas, de quando os Astecas viviam em Aztlán, e estavam divididos em quatro clãs. Era o Calpulli quem organizava as propriedades de seu bairro, ele tinha a lista de todos os que se casavam e recebia terras, além de comandar as divisões de serviço nas milícias do bairro, uma vez que a administração militar era descentralizada, com os generais mandando em seus subordinados e estes em seus subordinados respectivamente, até chegarem nos novos recrutas, que não mandavam em ninguém.
8) Conselho de Anciãos:
Eram os conselhos dos Calpulli, ou seja, dos bairros, funcionavam exatamente da mesma forma que o Grande Conselho, mas com autoridade restrita ao seu bairro.
Era composto pelo líder de cada clã componente do Calpulli, e tinha por finalidade principal fiscalizar a administração do Calpulli e ainda escolher o novo Calpulli quando o antigo morria, os filhos dos Conselheiros tinham o direito de freqüentar o Calmecac, se quisessem.
9) Maceualtin:
Eram as famílias de pessoas do povo, parentes dos Conselheiros, mas não de seu tronco familiar, uma vez que um clã é composto de diversas famílias aparentadas.
Na verdade, os Maceualtin eram os núcleos familiares domésticos, ou seja, as pessoas que viviam sob o mesmo teto. Os homens recebiam do Calpulli um lote de terra onde iriam erguer sua casa e viver sua vida, quando ambos os cônjuges morriam, o lote voltava para o Calpulli, que o daria a um novo casal, dessa forma, não faltavam terras para as pessoas, pois ninguém herdava nada.
É certo que as terras que fossem compradas de Maceualtin endividados não entrariam na redistribuição de terras, sendo assim, uma família poderia aumentar seu poder e importância,
adquirindo terras de pessoas endividadas, pois assim teriam direito a heranças, além do lote, e seu poder permaneceria inabalável.
10) Tlalmaitl:
Eram os Maceualtin que perdiam suas terras por dívidas, convertendo-se em servos.
Os Tlalmaitl continuavam vivendo na terra que era deles, mas não mais poderiam usufruir o que produzissem, deveriam entregar uma determinada cota mensal a seu senhor, caso esta cota não fosse alcançada, o servo adquiria uma dívida com o senhor, quando a dívida chegava a um ponto determinado, ele era obrigado a vender sua liberdade e se tornar um escravo de seu servo.
Porém, a condição de servo não era hereditária, ou seja, os filhos do servos podiam freqüentar a escola normalmente e, quando se casavam, recebiam um lote de terra, sendo assim, a servidão só condenava o indivíduo e sua esposa. O Tlalmaitl tinha sempre a oportunidade de readquirir sua terra, bastando para isso economizar, ou então trabalhar mais, para poder obter produção excedente e vende-la, ou então, capturar vários escravos em batalhas e, então, vendê-los a comerciantes ou artesãos, o que lhe garantiria dinheiro para poder comprar terras.
11) Tlatlacotin:
Constituíam os escravos, a maioria dos quais era derrotada em combate e escravizada.
Os escravos derrotados em combates eram, geralmente inúteis para o trabalho, pois para traze-los vivos, os guerreiros eram obrigados a mutila-los, cortando-lhes os tendões de Aquiles, sendo assim, não conseguiam correr e andavam com dificuldade.
Estes escravos eram mantidos vivos por um certo tempo, até que chegasse a hora de serem sacrificados. Já os escravos por dívidas eram às vezes aproveitados no trabalho, havia casos de grandes propriedades as quais viviam da mão-de-obra escravista, por já não terem mais servos há muito tempo, uma vez que a propriedade ficava em mãos do comprador, mas a condição de servo era apenas para o indivíduo que havia se tornado servo, então, para que as terras pudessem ser cultivadas, estes senhores mantinham escravos chegando a compra-los no mercado, ou de guerreiros que voltavam de batalhas.
Além desses dois tipos mais comuns de escravidão, também existia a condenação à escravidão, ou seja, dependendo do crime que alguém cometesse, este poderia ser castigado e condenado a ser um escravo.
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A única maneira de um escravo deixar esta condição era quando ele iria ser vendido no mercado de Tlatelolco. Quando alguém o comprava, o vendedor o soltava, então ele tinha o direito de correr, sendo perseguido por seu comprador.
Ninguém poderia segura-lo, senão seu comprador, se ele conseguisse alcançar a praça judicial de Tlatelolco, estaria livre, no entanto, se fosse pego por seu comprador, seria escravo para sempre.
No entanto, pouquíssimos escravos escapavam dessa forma, pois como mencionei, seus tendões eram geralmente cortados, sendo assim, a corrida se tornava quase impossível e eles acabavam pegos.
12) Pochteca:
Os Pochteca constituíam uma casta privilegiada da população Asteca. Ninguém podia ascender a Pochteca, nem mesmo o mais ilustre dignatário, no entanto, um Pochteca também nunca deixaria de ser um Pochteca. Eram os grandes comerciantes, uma vez que o pequeno comércio (bens de consumo e outras coisas de pouco valor) estava nas mãos dos Maceualtin, aos Pochteca cabia o grande comércio, o comércio interprovincial e a revenda de grandes quantidades de mercadorias.
Os filhos deles podiam freqüentar o Calmecac, mas nunca ascenderiam a Grandes Sacerdotes, pois sua casta não tinha assento no Grande Conselho.
Os Pochteca tinham cultos próprios, independentes dos cultos Astecas, seu deus principal era Yiacatecuhtli, o protetor dos comerciantes, que lhes exigia pesados sacrifícios, sendo assim, como não estavam obrigados ao serviço militar, eram obrigados a comprar escravos dos guerreiros, sendo os maiores compradores de escravos do México. Sua base principal era o mercado de Tlatelolco, que como veremos, havia sido uma cidade independente, mas fora anexada ao território propriamente dito de Tenochtitlán, por Axayacatl, em 1469; outras bases importantes dos Pochtecas eram Texcoco, onde podiam participar do Conselho Econômico e Azcapotzalco. Por possuírem uma milícia própria, encarregada de defende-los em suas caravanas, os Pochteca às vezes prestavam serviços de espionagem ao governo.
Por terem vencido uma grande batalha no istmo de Tehuantepec, foram considerados por Auitzotl, como os tios do Tlatoani, o que lhes conferiu (a partir daquela data) um status superior, que permitia a utilização de jóias de ouro, coisa que era vetada aos não membros da aristocracia.
Quando os Espanhóis chegaram ao México, os Pochteca se encontravam num patamar intermediário entre o povo e os grandes dignatários, mas seu poder econômico lhes proporcionava um luxo superior em muitos casos ao dos próprios governantes.
Pode-se dizer que, esta classe estava começando a se tornar importante, o que poderia acarretar, dentre de cem ou duzentos anos, uma espécie de transformação na sociedade Asteca, passando a um modo de produção semelhante ao Capitalista, quando se encontrava num modo de produção familiar-militar, pouco voltado para a obtenção de lucros e com muita cooperação entre os indivíduos, tanto que os Calpulli entregavam aos Maceualtin, uma vez por ano, uma grande quantidade de roupas e mantimentos, de modo a garantir a melhoria da qualidade de vida da população.
13) Toltecas:
Os Toltecas eram os artesãos de Tenochtitlán, viviam em um bairro próprio, Amantlan, e se consideravam originários da cidade de Xochimilco, nas margens do lago Texcoco.
Trabalhavam tanto para particulares, por meio de contrato, como para venderem seus trabalhos. Os mais hábeis eram muito bem remunerados, e trabalhavam com exclusividade para altos dignatários. As famílias Toltecas se reuniam em clãs, que eram verdadeiras corporações de ofício, onde o chefe do clã comandava sua produção e o representava judicialmente.
Estavam obrigados a pagar impostos em espécie, ou seja, naquilo que produzissem, mas não em dinheiro, como todos os demais. Não eram obrigados ao serviço militar e seus filhos não podiam freqüentar o Calmecac, bem como não tinham representação no Grande Conselho.
Tal qual os Pochteca, os Toltecas também tinham um deus próprio e independente, Xipe Totec, que, à exemplo de tantos outros, também exigia sacrifícios, o que forçava a casta a ser grande compradora de escravos. Ainda como no caso dos Pochteca, não se podia ascender a Tolteca, nem sequer um Tolteca podia deixar de sê-lo.
• 14) Tlacateccatl:
Este era um Magistrado, na verdade, era um dos quatro componentes do Tlatocan, mas sua figura merece especial atenção, pois ele era o chefe de homens, ou seja, o general dos exércitos nas batalhas.
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Cabia ao Tlacateccatl, além de chefiar as tropas e decidir as estratégias militares, fiscalizar o cumprimento correto da hierarquia militar (que é o que retratarei nas descrições seguintes), da qual, abaixo do Tlatoani, ele era o expoente máximo.
• 15) Guerreiros-Águia:
Constituíam um dos pelotões de elite do exército Asteca.
Vestiam-se com uma leve armadura de couro, recoberta de plumas de águias, além disso, levavam nas cabeças, um capacete de madeira em formato de cabeça de águia (também revestido de penas). Normalmente lutavam com lanças compridas, as quais não arremessavam, mas apenas utilizavam para ferir seus oponentes.
Para chegarem a esse cargo, os homens trilhavam um caminho longo, deveriam completar seus estudos nos Telpochcalli, e depois capturar vários prisioneiros em batalha, uma vez que a ascensão militar se dava pela captura de prisioneiros vivos.
Ao atingir o posto de Guerreiro-Águia, um homem ganhava assento no Grande Conselho e passava a fazer parte da vida política do Império.
16) Guerreiros-Jaguar:
Estavam no mesmo patamar de importância dos Guerreiros-Águia, assim como eles, eram ungidos pelo próprio Tlatoani (o chefe supremo dos exércitos) e passavam a constituir a verdadeira nobreza (sempre junto com seus correlatos Guerreiros-Águia, uma vez que esta descrição é um complemento da outra), recebendo mais terras e passando a se dedicar quase que exclusivamente à vida política e militar, deixando seus afazeres domésticos nas mãos de escravos. Os poucos casos de poligamia se davam geralmente com homens dessas duas patentes militares (Águia e Jaguar), pois, em suas campanhas, às vezes se envolviam com outras mulheres e terminavam por adota-las como suas segundas, ou até terceiras esposas.
Ao que parece, havia um templo, em Malinalco (templo que persiste até hoje), totalmente escavado na rocha, no qual os Guerreiros-Águia e os Guerreiros-Jaguar praticavam seus principais cultos.
Os Guerreiros-Jaguar, normalmente não portavam lanças, mas sim a principal arma Asteca, uma maça de madeira entalhada, com facas de sílex incrustadas na região de golpe (chamada macana), sendo assim, essa arma era mortal, por ser altamente cortante.
Além disso, esses Guerreiros se trajavam com o couro de jaguares mortos, e utilizavam um capacete confeccionado com os ossos da cabeça do animal, tendo neles as presas e o pelo ainda intactos. Como sua armadura proporcionava menos resistência do que a dos Guerreiros-Águias e sua arma era de uma mão apenas, então, utilizavam um escudo de madeira revestido de plumas e delicadamente pintado com ouro.
• 17) Hierarquia Militar dos Bairros:
Em cada Calpulli existia um Telpochcalli, no qual se formavam turmas de novos guerreiros.
Estes novos Guerreiros tinham uma função horrível: serem os homens do pelotão de frente.
Utilizavam armas muito simples, como fundas e clavas, mas estavam determinados a capturarem três prisioneiros, o que lhes garantiria a ascensão à próxima patente.
À medida que iam sendo promovidos, iam adquirindo o direito de utilizarem armas melhores, além de ganharem armaduras em determinada patente.
As armas diversas eram: machadinhas de sílex, arco e flecha, facas de sílex, espadas de sílex e até lanças curtas que eram arremessadas por um equipamento chamado atlatl.
A cada três prisioneiros que o indivíduo capturava, ele era promovido uma patente.
A patente máxima de cada Calpulli era denominada Mestre de Armas.
Quando alguém chegasse a ser Mestre de Armas, estava a um passo de se tornar um Guerreiro-Águia, ou um Guerreiro-Jaguar, bastando apenas capturar mais três prisioneiros.
• 18) Cadetes dos Telpochcalli:
Os Cadetes dos Telpochcalli eram os garotos que estavam para se formar na escola, eles iam a algumas campanhas junto com os guerreiros, mas não para lutar e sim para aprenderem com o que viam. Nessas campanhas eles cozinhavam e guardavam a comida do exército.
19) Serpente de Plumas de Tlaloc:
Era um dos dois maiores sacerdotes Astecas, junto com ele estava a Serpente de Plumas de Uitzilopochtli.Era um sacerdote que havia percorrido um longo caminho, ou seja, quando criança, estudou no Telpochcalli de seu Calpulli, quando formado, por ser filho de algum Conselheiro ou do próprio Calpulli, tinha a opção de freqüentar o Calmecac
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(o Calmecac era a universidade Asteca, localizado no centro cerimonial de Tenochtitlán, tinha a função de formar os sacerdotes, que viriam a ser os especialistas da escrita e também a elite cultural Asteca, além de propagadores da religião de seus ancestrais).
Depois de quase dez anos no Calmecac, ele se formava e se tornava um sacerdote de Calpulli, voltando ao seu Calpulli, com o objetivo de realizar as cerimônias religiosas devidas. Muitos sacerdotes, como veremos, passavam suas vidas inteiras sem conseguir serem promovidos, no entanto, ao se destacarem na vida pública, geralmente servindo como escribas ou então realizando algum ato importante, o sacerdote era elevado a um nível superior.
Passava a ser um Sacerdote Provincial, que veremos mais tarde, quando se destacava como missionário, era elevado a Grande Sacerdote e ganhava um assento no Grande Conselho.
Dentre os Grandes Sacerdotes, o Tlatoani, juntamente com o Ciuacoatl e o Tlatocan, escolhiam um para ser a Serpente de Plumas de Tlaloc e outro par ser a Serpente de Plumas de Uitzilopochtli, se a escolha passasse pela aprovação do Grande Conselho, o Sacerdote estava eleito para o cargo.
O cargo de Serpente de Plumas de Tlaloc não podia ser ocupado por mulheres, e estava imbuído de poderes extremos no que diz respeito ao culto do deus da chuva e da água.
20) Serpente de Plumas
de Uitzilopochtli: Assim como no caso da descrição dos Guerreiros-Jaguar, esta descrição é uma continuação da descrição do item anterior.
Um sacerdote chegava a ser Serpente de Plumas de Uitzilopochtli da mesma forma descrita no item anterior, porém sua função era de controlar o culto a Uitzilopochtli, a mais antiga e poderosa divindade Asteca, só igualada a Tlaloc, muito tempo depois da chegada dos Astecas ao México.
Era indiscutível o poder que esses dois sacerdotes possuíam juntos e, na maioria das vezes, permaneciam juntos. Acima deles, na hierarquia clerical só estava o Tlatoani, que era o supremo chefe religioso, no entanto, eram os dois que comandavam o clero de fato.
Tamanho era seu poder, que durante o governo de Auitzotl, convenceram a quem deviam de que a ampliação do Grande Templo fosse realizada no sentido de dedica-lo a Tlaloc e Uitzilopochtli, sendo assim a pirâmide Asteca passou a ser encimada pelos templos de Tlaloc e Uitzilopochtli.
Apesar de imensamente poderosos, os dois sacerdotes não tinham nenhum poder direto sobre o clero de um modo geral, pois este poder emanava do chefe do Calmecac, o Mexicatl Teohuatzin. No entanto, este era escolhido por aqueles.
21) Mexicatl Teohuatzin:
O Mexicatl Teohuatzin era o chefe do clero Asteca, além de controlar o Calmecac.
Chegava a esse posto pela escolha em comum acordo das duas Serpentes de Plumas.
Eles o escolhiam entre os Grandes Sacerdotes homens e, sendo assim, acabavam controlando-o.
É bem verdade que as Serpentes de Plumas estavam acima da autoridade do Mexicatl Teohuatzin, mas este não estava legalmente subordinado a elas, só ao Tlatoani.
22) Grandes Sacerdotes:
Este é o grau máximo em que alguém poderia chegar por esforço próprio, dentro da carreira clerical, mas mesmo assim, não era uma ascensão tão simples quanto a possível na carreira militar, pois para mostrarem seu valor, os sacerdotes inferiores precisavam chamar a atenção de alguém importante, pois só assim seriam promovidos, em contrapartida, se já conhecessem ou fossem aparentados de alguém importante, suas promoções não tardariam em chegar, por isso pode-se dizer que o clero era a instituição mais corrompida do Império Asteca.
Os Grandes Sacerdotes eram os primeiros sacerdotes a terem assento no Grande Conselho, sendo também a única forma de uma mulher conseguir seu assento na entidade, uma vez que este era (entre todos os postos existentes no México) o mais alto posto que uma mulher podia ocupar.
A função destes sacerdotes era lecionar no Calmecac (o que leva a crer que possivelmente existisse um número máximo para eles, e não um número ilimitado como ocorria com os Guerreiros-Águia e Jaguar). Eles também, ao serem sagrados Grandes Sacerdotes, recebiam o status de nobreza, recebendo terras extras, das quais cuidavam com a mão-de-obra escrava.
• 23) Sacerdotes Provinciais:
Este era o segundo degrau da hierarquia sacerdotal, e todos os sacerdotes que quisessem ascender no clero, deveriam passar por el
. É certo que também era o mais árduo e o mais fácil de promover o esquecimento do indivíduo, pois os Sacerdotes Provinciais deixavam Tenochtitlán para serem missionários em regiões distantes, tanto tributária, quanto não.
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Sua função era levar a fé Asteca a outros povos e, se obtivesse relevância em seus feitos, seria nomeado Grande Sacerdote.
24) Sacerdotes de Bairro:
Neste grau, os Pochteca podiam chegar, uma vez que seus filhos podiam freqüentar o Calmecac, eram os recém-formados sacerdotes, que regressavam a seus Calpulli, onde além de lecionarem nas Telpochcalli, ainda cuidariam dos cultos ancestrais de seu clã, bem como manteriam a unidade religiosa entre este e o clero oficial, cujo chefe supremo era o Tlatoani. Se mostrassem muita eficácia em sua função, eram promovidos a Sacerdotes Provinciais.
RELIGIÃO CIÊNCIA E ALIMENTAÇÃO :
Apesar da Alimentação não parecer uma das características mais importantes de uma civilização, em se tratando das culturas pré-colombianas, ela deve ser ressaltada, pois além de tais regiões possuírem iguarias desconhecidas dos Europeus Medievais, muitos desses pratos hoje fazem parte de nosso cotidiano e podemos jurar que sempre foram conhecidos de nossos antepassados Europeus. A Religião é um traço marcante em todo civilização, pois ao mesmo tempo em que motiva o povo a certas coisas, o desmotiva a outras e, às vezes, controla sua vida, como no caso dos Astecas, além disso, nas civilizações com características antigas (pois apesar do Império Asteca ter sido contemporâneo da Europa Medieval, ele teve muito mais haver com a Antigüidade, onde grande Impérios se estendiam pelo poder das armas, pela bravura de seus soldados e pela perícia de seus governantes), a Religião está intimamente ligada com a Ciência, pois mesmo na Europa, foi o advento do Cristianismo que desvinculou a religiosidade da ciência, com a imposição daquela sobre esta.
A conseqüente estagnação tecnológica em que o mundo Europeu se viu mergulhado só foi quebrada pelos contatos com avanços dos povos Islâmicos.
5.1 – A PECULIAR ALIMENTAÇÃO ASTECA :
Dentre as mais famosas iguarias da cozinha Asteca estavam o milho (sua principal fonte de alimentação, assim como principal fonte de alimentação de toda a Mesoamérica), o feijão, o tomate, os perus, os cachorros, os coelhos e o chocolate.
Nenhum desses alimentos era conhecido dos Europeus antes da conquista do Império Asteca
No entanto, a maioria de tais alimentos era diferente do que é hoje.
É o caso espantoso do milho, que ao contrário do formato atual;
ou seja, grandes espigas de sementes duras; era menor, com espigas moles, sendo assim, depois de cozido, era comido com o sabugo e tudo. O cereal só se modificou com o desenvolvimento do hibridismo, o que aumentou suas propriedades nutritivas e também seu tamanho.
O chocolate também era diferente do atual, ou seja, além de não ser ao leite (uma vez que os Astecas não tinham vacas) e, portanto, ser amargo e bem preto, ele também não era sólido, mas sim um líquido quente e grosso, que se bebia depois das refeições, especialmente no inverno. Quanto aos cachorros, é certo que os Europeus conheciam cachorros, aliás, quem não os conhecia eram os Astecas, que só possuíam uma única raça (cachorros pequenos e sem pelos e com a pele vermelha, hoje extintos).
Porém, a utilização dos cachorros pelos Astecas não era a mesma que a Européia, pois enquanto os Europeus desde os mais remotos tempos utilizavam os cachorros como companheiros, caçadores e guardas, os Astecas utilizavam-nos como rebanho, isso mesmo, eles faziam criações de cachorros, dos quais apenas alguns chegavam à idade adulta (para serem reprodutores), pois a maioria era morta ainda filhote, para ser degustada, os cachorros eram o prato preferido dos Astecas. No entanto, quando chegaram a Tenochtitlán, devido aos maus momentos que passaram, incluindo privações das maiores possíveis, os Astecas foram obrigados a adotar uma dieta a base de peixes do lago Texcoco, aves do mesmo lago e animais mais (digamos) nojentos, como sapos, rãs e mesmo insetos de todos os tipos, desde moscas até mosquitos.
A pimenta era conhecida dos Astecas e, assim como o tomate, era usada como tempero, isso mesmo, os Astecas não comiam o tomate como alimento em si, mas sim como tempero, utilizavam-no para fazer molhos os quais jogavam por cima de seus alimentos.
Os perus eram apreciados em todos os sentidos, pois sua carne era comida e suas penas utilizadas como plumas para os que tivessem autorização de ostenta-las.
Além de todos os pratos citados acima, os Astecas conheciam também a carne, bem como os ovos, de tartaruga, carne de javali (semelhante a do porco), coelho, além de frutas diversas.
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Apesar de todos os pratos referidos realmente terem pertencido à cozinha Asteca, eles não estavam ao alcance da maioria da população. Isso porque eram muito caros, sendo assim, só eram consumidos pela aristocracia. O cidadão comum tinha sua alimentação baseada em bolos de milho e feijão, muitas vezes temperados com pimenta e tomate, sendo que raras vezes consumiam carne ou outro tipo de alimento.
• 5.2 – CIÊNCIA x RELIGIÃO :
Em contraposição ao fato de que na Europa da época Religião e Ciência caminhavam separadamente, com a primeira entravando a segunda, no México, bem como nos Impérios Antigos do Velho Mundo, ambas caminhavam juntas.
Foi graças à atividade dos sacerdotes Astecas, que esta civilização desenvolveu boa parte de seus conceitos científicos. Isso se deve ao fato de que os sacerdotes eram ao mesmo tempo os maiores eruditos de Tenochtitlán, pois, por não terem suas vidas consagradas nem ao trabalho, nem à guerra, eles tinham tempo para se dedicarem à leitura, à observação dos astros e ao desenvolvimento da matemática.
É bem verdade que no referente às ciências exatas (matemática, astronomia e engenharia, em especial), os Astecas copiaram muito dos povos mais antigos no México, imitando-os em alguns aspectos, aperfeiçoando suas descobertas em outros e, até mesmo, piorando alguns de seus inventos. O maior caso de invento que foi, digamos, piorado é o calendário solar Maia, no qual havia uma perfeição rigorosa, perfeição essa que foi um pouco prejudicada na adaptação Asteca.
No referente à engenharia, os Mexicanos eram muito hábeis, tendo construído dois aquedutos que levavam água potável do planalto até Tenochtitlán, além de muitas pontes e das famosas ilhas artificiais, que constituíam a maior parte do território da capital.
A astronomia (que diferentemente da astrologia, que não passa de uma série de misticismos em torno da suposta influência que os astros exercem sobre as pessoas, é uma ciência que consiste em observar e catalogar a existência, bem como o movimento dos astros) era altamente desenvolvida. Com base nela, é que foi elaborado o calendário, assim como, era graças a ela que os Astecas podiam prever os bons períodos para colheita e plantio.
No entanto, a observação dos astros dava respaldo para o desenvolvimento e ampliação das crenças astrológicas, sendo assim, não eram pequenas as influências que os Astecas atribuíam aos astros sobre as pessoas. Segundo as crenças, o dia do nascimento podia indicar várias coisas sobre o caráter do bebê, tais como suas tendências profissionais.
Para livrar os recém-nascidos do malogro que era nascer num dia nefasto, seu nome era escolhido num dia bom, sendo assim, este dia passava a valer como sendo o dia de seu nascimento, o que poderia fazer alguns bebês ficarem dias sem nomes.
Os únicos aptos a indicar quais dias eram nefastos e quais não, eram os sacerdotes, sendo assim, eram eles que batizavam os bebês.
Curiosamente, os Astecas possuíam dois calendários distintos, um de 365 dias, composto de 18 meses de 20 dias cada, além de mais 5 dias nefastos ao final do ano.
Nestes cinco dias, não se trabalhava e a única coisa que se fazia era orar para os deuses e realizar muitos sacrifícios. Este calendário era o oficial, e servia como uma base para a agricultura.
Já o outro calendário era bem mais curto, 260 dias apenas, e era destinado às crenças religiosas, era nele que se mediam as durações das semanas (cada semana tinha três dias), além das datas dos sacrifícios e festas religiosas.
Ambos os calendários haviam sido copiados dos Maias, sendo o de 365 um tanto quando piorado, uma vez que os Astecas não consideravam o ano como tendo 365,242 dias (como os Maias), mas apenas como tendo 365, o que tirava um pouco de sua exatidão.
A Matemática Asteca era impressionante por (apesar de também copiada dos Maias) ser mais exata que a Romana, sendo que ao contrário desta, ele tinha a noção do zero.
O impressionante e que com apenas três símbolos (uma concha, um ponto e um traço), ele conseguiam representar quaisquer números, desde o zero até o infinito.
A base da matemática Asteca era o número vinte, onde, de uma certa forma, se apoiava toda a sua estrutura. Assim como nos algarismos Romanos (que não podia se repetir em seguida mais do que três vezes), os algarismos Astecas não podiam ser repetidos em seguida, mas no caso destes, a repetição máxima permitida era de quatro símbolos iguais.
A noção ocidental de matemática (exposta principalmente nos números Arábicos e Romanos), indica uma escrita horizontal, o que não acontecia no México, onde os números eram escritos verticalmente.
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Sobre as obras da engenharia Asteca, além dos feitos dos habitantes de Tenochtitlán, a que se destacar os feitos dos habitantes de Texcoco, que além de terem construído uma espécie de terma (com canais e aquedutos) entalhada na montanha de Tetzcotzinco, ainda teriam construído (tudo sob o reinado de Nezaualcoyotl) um gigantesco dique de madeira dentro do lago Texcoco, tal dique teria a função de impedir que cheias da parte mais profunda do lago (margem oriental) provocassem inundações em Tenochtitlán, que se localizava próxima à margem ocidental.
5.3 – UM GRANDE E COMPLEXO PANTEÃO :
O panteão (conjunto de divindades) Asteca era muito numeroso, tendo desde divindades realmente Astecas, como o deus Uitzilopochtli, que os teria guiado em sua marcha rumo ao México, até divindades dos povos já estabelecidos no México há muito tempo, como Quetzalcoatl e Tezcaplipoca, no entanto, este último começou a ser cada vez mais associado à figura de Uitzilopochtli, tendo, perto da conquista, as duas divindades se fundido em uma só, com o nome de Uitzilopochtli. Além desses deuses, outros que originalmente não era Astecas, como Tlaloc, passaram a incorporar o panteão de Tenochtitlán.
Na verdade, Uitzilopochtli estava se tornando, aos poucos, a mais poderosa divindade Asteca, sendo que muitos povos o associavam a seu deus principal, é o caso de Xipe Totec, Mixcoatl e às vezes, do próprio Quetzalcoatl, todos incorporados (em maior ou menor grau) à figura de Uitzilopochtli. Tal unificação dentro do panteão leva a crer que o caminho natural da evolução religiosa Asteca seria o monoteísmo, pois à medida que as divindades se reuniam sob um mesmo título, esta se fortalecia e tendia a ser considerada o único deus.
Em Texcoco, o grande Rei Nezaualcoyotl mandou construir uma torre, que era encimada por um santuário ricamente decorado, dedicado a uma divindade, o mais estranho é que não havia nenhum ídolo neste santuário e o dito deus seria invisível, impalpável, sem história e até mesmo sem nome, referido apenas como: "aquele graças a quem nós vivemos". Isso (vindo de um indivíduo que para os Astecas era considerado tão culto quanto Platão ou Aristóteles, para os Europeus), mais do que a fusão de deuses, leva a crer que os Astecas caminhavam para o monoteísmo.
5.4 – O APOCALIPSE ASTECA :
Muitos povos cultuavam tradições relativas ao fim da humanidade, tradições essas que, no passado estavam presentes no cotidiano humano.
Foi assim com Persas, que temiam o fim do mundo nas garras de Arimã, com os Cristãos, que temiam (e alguns ainda temem) a chegada do Anticristo e o chamado Apocalipse, com os Vikings, que temiam que seus deuses morressem numa guerra celestial e foi assim com muitos outros povos ao longo dos tempos.
Se até uma religião que se considera superior e evoluída como a Cristã pode acreditar no fim do mundo, por que não uma religião de indígenas, seres tão inferiores (não levem a mal, estou sendo sarcástico)? Bem, os Astecas viviam com o tormento do fim do mundo; ou como eles chamavam, do fim do Sol; sobre suas cabeças.
Para eles, a humanidade atual seria a quinta, tendo, portanto, sido precedida por outras quatro.
A cada ciclo de 52 anos, segundo a mitologia Mexicana, o mundo corria sério risco de extinção, pois isso já havia ocorrido outras vezes no passado.
Na realidade, o primeiro Sol, chamado naui-ocelotl (quatro-jaguar), teria sido destruído pelos jaguares, isso mesmo, os grandes felinos Mexicanos teriam descido das montanhas e devorado a humanidade. O segundo Sol, chamado naui-eecatl (quatro-vento), teria sido destruído por Quetzalcoatl, o deus do vento, que teria soprado sobre o mundo um vento mágico que transformou a humanidade em macacos.
O terceiro Sol, chamado naui-quiauitl (quatro-chuva), teria sido destruído por Tlaloc, o deus da chuva, da água, do raio (de tudo relacionado à água, inclusive doenças), teria criado um imenso dilúvio que teria submergido o mundo em águas destruindo toda a humanidade.
Do gigantesco dilúvio, que durou 52 anos (este era um número pragmático para os Astecas, muito provavelmente por corresponder à metade do tempo (104 anos) que levava para que o início de um ano terrestre coincidisse com o início de um ano de Vênus, planeta pelo qual os Astecas tinham adoração), sobreviveram apenas um homem e uma mulher.
No entanto, a humanidade não descende deles, pois, por terem sobrevivido, contrariando o desejo dos deuses, Tezcatlipoca os teria transformado em cães.
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O nosso mundo, ou nosso Sol, denominado naui-ollin (quatro-terremoto) teria sido recriado pela bondade de Quetzalcoatl, que resgatou do inferno (reino do deus Mictlantecuhtli) os ossos dos mortos e, regando-os com seu próprio sangue, restaurou-lhes a vida para reinar entre eles.
Porém, como vimos anteriormente, Tezcatlipoca expulsou-o para Tlillan Tlapallan, de onde prometeu voltar para resgatar seu trono.
Para impedir nosso mundo de ser destruído, coisa que os Astecas acreditavam que pudesse acontecer a cada 52 anos, eles faziam uma cerimônia especial chamada de Fogo Novo.
Em todas as casas, se apagava o fogo e se quebrava toda a louça, os sacerdotes escolhiam um prisioneiro para ser sacrificado e o conduziam até o topo do monte uixachtecatl.
Lá, o prisioneiro era sacrificado, tendo seu peito aberto por uma faca de sílex.
Depois, um dos sacerdotes pressionava uma tocha acessa contra o peito aberto do indivíduo (às vezes ainda vivo) quando o fogo da tocha se apagava, era considerado aceso o Fogo Novo.
Para festejar, cada família reacendia seu fogo e comprava louças novas, enquanto que o Tlatoani realizava alguma obra (geralmente a ampliação do Grande Templo) como forma de expressar sua gratidão aos deuses por mais 52 anos de existência.
Ao todo, foram realizadas sete cerimônias do Fogo Novo (1195, 1247, 1299, 1351, 1403, 1455 e 1507), a primeira delas enquanto os Astecas ainda estavam em marcha para o México.
A oitava, prevista para 1559, não se realizou porque o Império já havia sido conquistado pelos Espanhóis.
5.5 – UMA RÁPIDA OBSERVAÇÃO SOBRE A MORTE :
Para os Astecas, existiam cinco formas de morte.
Todas elas eram encaradas com muita naturalidade, porém apenas quatro delas proporcionavam a salvação irrefutável. Vejamos quais eram as espécies de morte Astecas.
A morte por causas naturais, ou seja, velhice, acidentes (exceto afogamento) e a maioria das doenças, era considerada comum, o indivíduo que morresse dessa forma era mumificado, preparado com sua melhor roupa, suas plumas e jóias (caso pudesse utiliza-las) e depois cremado com tudo o que fosse ser necessário em sua jornada além-vida, ou seja, comida, armas e objetos de uso pessoal. A família continuava cultuando o morto por oitenta dias e, passado este tempo, anualmente, até que se completassem quatro anos de sua morte, quando então ele era esquecido, ou pelo menos deixava de ser cultuado.
Pessoas mortas dessa maneira iam para o inferno, serem atormentadas por nove anos, pelo deus Mictlantecuhtli, quando enfim desapareciam para sempre.
A morte na tábua de sacrifícios era digna tanto de salvação, assim como a dos guerreiros, pois os mortos dessa forma iam viver por quatro anos junto com o Sol, de onde regressavam após esse período para reencarnarem como beija-flores.
Houve casos em que senhores de escravas destinadas ao sacrifício se apaixonaram por elas e lhes permitiram continuar vivas, no entanto, estas escolhiam morrer na tábua de sacrifícios, esperando serem recompensadas no além-vida.
Os sacrifícios, de um modo geral funcionavam assim: o indivíduo era deitado na tábua de sacrifícios e seu peito era aberto pelo sacerdote, com uma faca de sílex.
Seu coração era retirado do peito (ainda batendo), oferecido ao deus ao qual o sacrifício estivesse sendo realizado e por fim, jogado numa pira onde seria queimado. Depois, a cabeça do sacrificado era cortada e colocada numa estaca na praça ao lado do Templo do Sol. O corpo era incinerado.
Havia também outras formas de sacrifícios, como a descrita no item sobre esportes, mas esta era a mais usual.
Dentre as mortes glorificantes, a mais simples de se compreender era a morte dos guerreiros nos campos de batalha, pois aqueles que morressem lutando seriam salvos instantaneamente, tendo o mesmo fim espiritual dos sacrificados, ou seja, indo morar com o Sol por quatro anos e depois retornando como colibris. Essa crença era claramente induzida nos indivíduos para que não se negassem a lutar até a morte, se fosse preciso.
O mais curioso dentre os tipos glorificantes de morte era a morte relacionada à água.
Qualquer um que morresse afogado, por hidropisia, ácido úrico, vítima de raios ou, no caso de mulheres, de parto, não era cremado, mas sim enterrado e passava a ser cultuado como um escolhido de Tlaloc. Tlaloc era muito cultuado devido a aridez do México, sendo assim, ele representava a vida, ou pelo menos a esperança dela.
Devido ao seu culto, cultuavam-se também as montanhas, pois como as nuvens de chuva se formavam nos seus cumes, elas eram tidas como moradas de ajudantes de Tlaloc, os Tlaloque.
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Por fim, nota-se que crianças pequenas (antes de começarem seus estudos) eram consideradas puras, sendo assim, quando morriam, iam para um jardim florido denominado Tonacaquauhtitlán, onde viveriam por toda a eternidade, sob a forma de pássaros, voando entre flores.
6 – A HISTÓRIA ASTECA VERSÁO S/GOVERNATES :
6.1 – ATZTLÁN : MITO OU REALIDADE ?
Segundo a tradição Asteca, seu povo teria vivido por muito anos em Aztlán, uma ilhota situada dentro de um lago a noroeste do México, de onde teriam saído rumo ao planalto Mexicano.
Mas será mesmo verdade que os Astecas viveram em Aztlán, ou será lenda?
Por muitos anos vários pesquisadores discutiram (como até hoje ainda discutem) sobre a veracidade da existência de Aztlán, no entanto, dois fatos fazem crer que a mítica ilha tenha realmente existido: numa praia do atual estado Americano da Califórnia, foi encontrada uma estátua que parece ser do deus Uitzilopochtli, a divindade que teria guiado os Astecas em sua marcha, além disso, numa caverna na mesma Califórnia, foram encontrados desenhos (provavelmente Astecas) que mostram homens (chefes de quatro clãs) em marcha, o que prova que, se os Astecas não moravam na Califórnia, ao menos passaram por ela até atingirem o México.É possível que Aztlán se localizasse num pequeno lago (talvez hoje inexistente, por ter secado) da Califórnia, onde por milhares de anos uma tribo que se reconhecia pelo nome de Mexica viveu. Lá, eles pescavam com redes e viviam de animais lacustres, cercados por uma terra estéril e repleta de perigos, como tribos inimigas e coiotes do deserto.
A população de Aztlán não deve nunca ter excedido duas mil pessoas, sendo que estas estavam divididas em quatro clãs. O chefe de cada clã era como um sacerdote, sendo responsável pelo culto aos ancestrais do clã. Estes quatro sacerdotes, representado os interesses de seus parentes, se reuniam e, imbuídos de poderes semi-divinos, ou concedidos pelos deuses, organizavam a vida da comunidade. É provável que em Aztlán tenha surgido o culto a Uitzilopochtli, sendo este o deus central o deus ao qual os quatro clãs estavam submetidos, sendo, portanto, superposto às divindades de cada clã.
O governo de Aztlán é facilmente identificado como sendo uma Oligarquia Teocrática superposta a uma Democracia tribal, pois à medida que os quatro sacerdotes tinham poderes infinitos sobre a população, dentro de cada clã, as decisões eram tomadas de comum acordo e, talvez, com a participação de qualquer adulto, seja homem ou mulher, como é tradicional nas tribos Neolíticas, que era o que os Mexica eram. , em 1168, Tula, a capital do Império Tolteca, foi destruída, pondo um fim à unidade daquele Império. A notícia da queda se espalhou rapidamente e atraiu tribos dispostas a migrarem para um lugar melhor, para, além de terem melhor qualidade de vida, vislumbrarem a oportunidade de pilhar as riquezas do falido Império Tolteca.
Alguns anos apenas levaram para que a notícia da queda de Tula chegasse a Aztlán.
Logo que esta chegou, os chefes da cidade resolveram se por em marcha rumo ao planalto Mexicano.
6.2 – CHICOMOZTOC A MARCHA PARA O SUL :
A marcha dos Mexica para o México ficou conhecida como chicomoztoc, ou seja, "sete cavernas", o que corresponde ao modo de vida da tribo neste período que, seguramente, durou pelo menos um século É isso mesmo, os Mexica levaram mais de cem anos para chegarem ao México, mas isso porque durante sua longa marcha, se estabeleceram várias vezes (provavelmente sete) em cavernas, nas quais permaneciam por alguns anos se recompondo do trajeto, até colocarem-se em marcha novamente.Numa dessas paradas, é que os Mexica talvez tenham desenhado as ditas figuras nas paredes da averna e noutra, talvez tenha se abrigado numa caverna à beira mar (hoje submersa), onde teriam feito escultura e, uma delas seria a encontrada.
O fato é que durante sua marcha, os Mexica tomaram contato com outras tribos de língua Nahuatl, que estavam migrando para o México, tribos essas ditas Chichimecas, ou seja, bárbaras.
Tais tribos estavam em diferentes estágios de desenvolvimento e, apesar de algumas provavelmente terem sido agressivas, ocasionando a guerra, a maioria cooperou uma com a outra, sendo assim os Astecas descobriram a agricultura e a escrita, técnicas fundamentais para a vida que passariam a ter quando chegassem no México.
• 6.3 – EM BUSCA DE TERRA :
Depois de chegarem ao planalto Mexicano, os Mexica foram batizados pelos descendentes dos Toltecas de Azteca Chichimeca, ou seja, os bábaros de Aztlán.
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Uma corruptela desse nome deu origem à palavra Azteca, que os Espanhóis estenderam Asteca e que hoje, incorretamente, nós colocamos no plural Astecas.
A partir desse batismo, a identidade com o nome se tornou tão grande que os Astecas passaram a se reconhecer como Astecas e passaram a chamar a região que pretendiam dominar de México, ou seja, Terra dos Mexica. Com o fim de sua longa marcha, por volta de 1300, os Astecas atacaram um pequeno povoado, chamado Chapultepec, às margens do lago Texcoco, e se estabeleceram lá, exterminando sua população original.
Em Chapultepec, tinham árvores, peixes do lago, água potável dos rios e tudo mais que não possuíam em Aztlán, porém, não possuíam mulheres suficientes para todos os homens de sua aldeia, por isso, resolveram atacar um povoado Tepaneca e seqüestrar algumas mulheres.
O seqüestro das mulheres Tepanecas colocou os Astecas em guerra com esse povo e, conseqüentemente, com sua aliada, a cidade Tolteca de Colhuacán.
Esta cidade se localizava na margem sul do lago Texcoco e, por ser herdeira das tradições Tolteca, se considerava imbuída do dever de proteger o planalto Mexicano dos belicosos Chichimecas, que estavam chegando cada vez em maior número, sendo assim, atacaram os Astecas. Ao verem que uma grande guerra estava em iminência, os quatro sacerdotes se reuniram e escolheram um chefe militar supremo que, além de comandar os exércitos, ainda resolveria as questões administrativas da cidade com poder absoluto, concedido pelo próprio Uitzilopochtli. Os Astecas deixavam de ser uma Oligarquia Teocrática para serem uma Monarquia Teocrática, e o Rei, não poderia ter outro nome senão um em homenagem ao deus que o nomeara, sendo assim, se chamou Uitziliuitl (Pluma de Colibri).
Uitziliuitl chefiou todos os homens adultos (excetos crianças, idosos e os quatro sacerdotes) de Chapultepec numa gigantesca investida armada (há que se notar que o termo gigantesco é curioso, pois numa população de não mais do que três mil pessoas, o contingente total devia ser algo em torno de mil homens) contra Colhuacán.
Colhuacán, herdeira também das tradições militares Toltecas, além de muito mais populosa, levou para guerra um exército muito maior e mais bem armado do que o Asteca, sendo assim, em poucas horas, arrasou o efetivo de Chapultepec, cujos poucos sobreviventes recuaram para a cidade, mas foram seguidos pelos determinados exércitos de Colhuacán.
Chegando em Chapultepec, os exércitos de Colhuacán dizimaram a população, escravizando a maioria e só concordando em não eliminar os Astecas, com a condição de que Uitziliuitl se entregasse. E assim foi feito, o soberano Asteca se entregou e foi levado para Colhuacán, onde morreu na tábua de sacrifícios.
O Rei de Colhuacán ordenou que os habitantes que haviam sobrado em Chapultepec (muitos foram levados como escravos para Colhuacán) fossem divididos em dois grupos.
O primeiro grupo poderia continuar na cidade, enquanto o segundo (cada grupo não deveria ter mais do que trezentas pessoas) seria obrigado a reiniciar sua marcha.
Sem um Rei, os Astecas voltaram a ser governados por sua elite sacerdotal, e em marcha, não sabiam para onde ir. Foi então que, em 1325, um dos quatro sacerdotes, Quauhcoatl (Serpente Águia), teve um sonho profético com Uitzilopochtli.
Neste sonho, o deus lhe dizia que o melhor lugar par ir era para dentro do lago Texcoco, onde encontrariam ilhas cobertas de bambuzais. Quauhcoatl deveria se embrenhar no bambuzal e, no lugar onde avistasse uma águia sentada sobre uma figueira-do-inferno (ou figueira brava, espécie de cacto que produz figos venenosos) devorando alegremente uma serpente, ele deveria erguer um templo em honra do deus e, ao redor do templo, construir sua cidade.
Na manhã seguinte, Quauhcoatl falou com os outros sacerdotes e mudou o rumo da marcha, dirigindo-a para as ilhas pantanosas do lago Texcoco, a procura do sinal divino.
Qual não foi a surpresa dos Astecas quando avistaram a cena com a qual o sacerdote havia fundado, sendo assim, abriram uma clareira e, no local, com os bambus cortados, construíram um templo e ao seu redor, começaram a erguer uma cidade, a qual deram o nome de Tenochtitlán, que significa Cidade da Figueira-do-Inferno.
6.4 – OS PRIMÓRDIOS DO PODERIO ASTECA :
Situada sobre uma ilhota no lago Texcoco, Tenochtitlán começou a ser a nova casa dos Astecas, não era muito diferente de Aztlán, pois não tinha nem sequer água potável, visto que a água do lago Texcoco era saloba. Nesses primeiros anos (1325 – 1375), a Oligarquia Sacerdotal governou a cidade, que permaneceu incólume em meio às disputas por hegemonia ocorridas entre as 28 cidades estabelecidas às margens do lago.
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Porém, em 1375, cedendo às pressões de Colhuacán, os sacerdotes aceitaram como seu soberano um príncipe de sua antiga rival, sendo assim, Acamapichtli (Punho de Bambu) foi enviado e sagrado governante de Tenochtitlán.
Praça das três culturas (ruínas do Império Asteca), Cidade do México
No entanto, receosos de que sua cidade caísse nas mãos dos inimigos, os quatro chefes de clãs não aceitaram Acamapichtli como um Rei, com poderes ilimitados como tinha sido Uitziliuitl, mas obrigaram-no a seguir uma série de normas, dentre as quais estava a de respeitar o conselho formado pelos quatro sacerdotes. Tiveram aí início o Tlatocan e o cargo de Tlatoani.
Entre 1375 e 1428, Tenochtitlán teve três Tlatoani, sendo Acamapichtli sucedido por Uitziliuitl II, que através de seu casamento com Miahuaxihuitl, princesa de Quauhnahuac (atual Cuernavaca, cidade produtora de algodão) garantiu para seu povo o algodão para a feitura de roupas mais quentes, próprias para enfrentar o rigoroso inverno do planalto Mexicano.
Uitziliuitl II foi um Tlatoani esplêndido, sendo sucedido por Chimalpopoca (Escudo Fumanete), que por sua fraqueza de atitudes, não foi mais do que um vassalo de Azcapotzalco (cidade herdeira do Império de Teotihuacán), que, através de batalhas, conseguira impor sua hegemonia às demais cidades do lago Texcoco, inclusive à própria Colhuacán. Em 1428, Chimalpopoca foi assassinado por uma conspiração de Azcapotzalco, que visava implantar um Monarca descendente da monarquia da cidade em cada uma das cidades da beira do lago Texcoco.
• 6.5 – O ADVENTO DE ITZCOATI :
Se cada civilização Antiga tem um governante herói, sem dúvidas o dos Astecas foi Itzcoatl (Serpente Obsidiana).
Ele assumiu o posto de Tlatoani logo após o assassinato do fraco Chimalpopoca.
Quando de sua sagração, a situação estava calamitosa, a mais poderosa cidade da margem oriental do lago, a cidade de Texcoco estava sem seu soberano (o famoso Nezaualcoyotl), que havia sido perseguido por um destacamento de Azcapotzalco até montanhas no norte, onde estava refugiado, sem ter como resistir, Tenochtitlán estava com os dias contados, por isso, muitos na cidade se tornaram partidários da rendição de Itzcoatl a Tezozomoc, soberano de Azcapotzalco. No entanto, o Tlatoani Asteca ainda via uma possibilidade para seu povo. Secretamente, enviou tropas até a montanha onde Nezaualcoyotl se escondia das tropas inimigas, estas, sendo pegas de surpresa, foram destruídas e o Rei de Texcoco foi libertado e conduzido em segurança até sua cidade. Com seu Rei novamente em casa, a população de Texcoco se animou e aliou-se a Tenochtitlán, formando um poderoso exército.
Quando os exércitos de Azcapotzalco atacaram Tenochtitlán, as tropas combinadas dos Astecas e de Texcoco os derrotaram, sendo assim, Itzcoatl ganhou status de semi-divindade, o que lhe permitiu aumentar ainda mais seu exército, tendo agora o apoio maciço de sua população (agora por volta de cinqüenta mil pessoas, dentre os quais um terço em condições reais de lutar).
Texcoco e Tenochtitlán se reuniram sob o comando de seus governantes, Nezaualcoyotl e Itzcoatl, e partiram para uma ofensiva direta contra Azcapotzalco. Chegando na cidade, derrotaram o restante das tropas, mataram o Rei Tezozomoc e conquistaram-na.
Depois de tamanha proeza militar, Itzcoatl e Nezaualcoyotl resolveram estabelecer uma aliança permanente para evitar possíveis tentativas de crescimento de outras cidades.
Para ajudar em seu plano, os dois soberanos convenceram a cidade de Tlacopán, a mais forte dentre as cidades do planalto Mexicano (aquelas 28 que citei) a se juntar a eles naquela Aliança, sendo assim, criou-se a chamada Tríplice Aliança, entre Tenochtitlán, Texcoco e Tlacopán. Juntos os exércitos das três cidades começaram a expansão de seus domínios impondo pesados tributos às regiões submetidas.
Desses tributos, 2/5 iam para Tenochtitlán, 2/5 para Texcoco e apenas 1/5 para Tlacopán, pois esta cidade havia ingressado na Aliança depois e, além do mais, era mais fraca militarmente.
6.6 – A EXPANSÃO , O IMPÉRIO E AS COLÓNIAS :
Os Astecas, logo após submeterem Azcapotzalco ao seu domínio, começaram a expandir sua área de poder, formando em pouco tempo, um verdadeiro Império.
Na realidade, um Império não precisa necessariamente ter um Rei ou Imperador, o que precisa é ter regiões que lhe sejam submissas e que sejam tratadas com desigualdade em relação ao centro do Império, ou seja, a região que impõe o domínio.
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Entretanto, o Império Asteca tinha muitas características diferentes dos principais Impérios do Velho Mundo. Pra começar, os Astecas não estavam nem um pouco interessados em submeter extensas regiões a um domínio político que seria, além de muito oneroso, muito difícil de ser mantido, ao contrário, eles queriam apenas obrigar povos distantes a prestar culto a Uitzilopochtli e Tlaloc, além de pagar tributos à Aliança, sendo assim, os antigos governantes das regiões conquistadas eram mantidos em seus cargos, com todos os seus títulos, poderes e pompa, sendo unicamente obrigados a pagar tributos e prestar culto.
De uma maneira aproximada, esta forma de domínio é parecida com a forma que os EUA mantém sobre diversos países, pois mesmo não os obrigando a pagar tributos e não os tendo conquistado pela força das armas (pelo menos não na maioria dos casos), os EUA fazem pressões financeiras, ameaças de boicotes, ameaças de invasões, além do controle financeiro exercido através de instituições como o FMI, a ONU e o Banco Mundial, sendo assim, apesar de os países manterem sua autonomia política, sua economia fica totalmente dependente dos EUA, assim como os Astecas faziam com os dominados.
Os tributos eram enviados geralmente em espécie, ou seja, não era empregada a moeda (sementes de cacau) neste pagamento. Cada região enviava para a Aliança o que produzia, desde algodão até alimentos, plumas, pedras preciosas, peles de animais, pedras, madeira, ouro e prata, animais e até armas.Dependendo do tipo de tributo enviado, a quantidade de vezes por ano era determinada, podia ser uma vez por anos, duas, três quatro, variava.
Além da semelhança com os EUA, o domínio Asteca também tinha semelhanças com o Romano, isso porque, apesar de não dominar as regiões efetivamente (como faziam os Romanos), eles também construíam colônias militares em pontos estratégicos de seus domínios. Quando os Espanhóis chegaram, havia mais de trinta colônias militares espalhadas por todo o México.
Diferentemente das colônias da era Moderna, das quais o Brasil e o próprio México são exemplos, as colônias antigas, como a Jônia e a Magna-Grécia dos Gregos, e as diversas praças fortes dos Romanos, não tinham o objetivo de alcançar lucros, porém, também não eram exatamente como as colônias do norte do EUA (exceto pela Jônia e Magna-Grécia, que foram realmente colônia de povoamento), pois elas não tinham a finalidade de receber pessoas expulsas de seu país natal, ao contrário, elas recebiam homens que iam morar nelas com suas famílias e viver de sua produção (até aí semelhante às colônias de povoamento), mas seu intuito era servir o Império, sendo um forte, bastião em meio às terras dominadas, para impedir revoltas, fiscalizar o pagamento correto dos tributos e informar alguma eventualidade com rapidez e eficácia.
6.7 – REPUBLICA SIM TEOCRACIA NÃO :
De Acamapichtli até Chimalpopoca, Tenochtitlán funcionou precariamente como uma República, isso porque a autoridade externa, na ânsia de se fazer valer entre os Astecas, ajudava os Tlatoani a serem mais poderosos que o Tlatocan, sendo assim, eles acabavam fazendo-se de Reis e a cidade vivia um meio termo entre República e Monarquia, com oscilações para ambos os lados. Com o advento de Itzcoatl, as pressões externas acabaram, mas como o Tlatoani havia conclamado o povo a lutar, mesmo a contragosto do Tlatocan, ele havia se fortalecido, o que fez de Itzcoatl um verdadeiro Rei, amado e respeitado pelo povo como tal. Porém, com a morte de Itzcoatl, em 1440, o Tlatocan viu uma chance de restaurar seu poder perdido, sendo assim, quando Motecuhzoma I (O Arqueiro que Flecha o Céu, ou Aquele que se Zanga como Senhor) assumiu o cargo de Tlatoani, recebeu muita pressão do Tlatocan para realizar reformas administrativas. Vendo, porém, que a autoridade do Tlatoani parecia inabalável, o Tlatocan resolveu apelar para o povo, sendo assim, na esperança de reaproximar o povo do governo, se livrar do despotismo do governante. Sendo assim, o Tlatocan criou o Grande Conselho, do qual faziam parte a elite militar (para dar o respaldo da força), a elite clerical (para dar os respaldo dos deuses) e a elite popular (para dar o respaldo das massas). Com a ajuda do Grande Conselho, o Tlatocan conseguiu obrigar Motecuhzoma I a se submeter e, além disso, a dividir seu poder com mais uma pessoa, pois um poder dividido é mais fácil de ser controlado. Cedendo às pressões, por medo de ser deposto, Motecuhzoma I aceitou o Tlatocan e o Grande Conselho como órgãos verdadeiramente detentores do poder e passou a ser, junto com seu irmão Tlacaeleltzin, eleito o primeiro Ciuacoatl, o representante vitalício desse poder.
As criações do Grande Conselho e do cargo de Ciuacoatl foram responsáveis por uma sensível diminuição dos poderes do Tlatoani, no entanto, foram também os verdadeiros responsáveis pela condição Republicana a qual se submeteu definitivamente o Império e também, por que não, tenham sido os grandes responsáveis pela manutenção do Império, uma vez que a organização das outras cidades, governadas por um Rei,
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não lhes permitiria uma fácil ascensão, visto que um Rei pode encontrar forte oposição, enquanto que as decisões do Grande Conselho são irrefutáveis, pois partem (em termos) do próprio povo, através de seus representantes. Todas as características acima citadas refletem claramente o fato de o Império Asteca ter sido uma República, inclusive, em moldes parecidos com a Romana, onde os Cônsules apenas não tinham mandatos vitalícios, mas sim anuais, mas onde o poder emanava do Senado, instituição que (pelo menos em teoria) era representante do povo.
Após a morte de Nezaualcoyotl, em 1472, depois de um governo de 44 anos, Axayacatl (Rosto da Água), o Tlatoani que sucedeu Motecuhzoma I, em 1469, passou a preponderar dentro da Tríplice Aliança, na verdade, ele escolheu Nezaualpilli, um dos filhos de Nezaualcoyotl, para suceder o pai, sendo assim, os Astecas passaram a ditar as regras dentro de Texcoco, que deixou de ter qualquer poder efetivo para ficar relegada a capital das artes, da cultura e do direito, este último sendo um prêmio de consolação pela perda de toda influência político-militar, no entanto, o sumo juiz era o Ciuacoatl de Tenochtitlán.
Quanto a Tlacopán, ainda no governo de Motecuhzoma I, a cidade passou a ser relegada a um plano muito inferior ao de Texcoco e Tenochtitlán, na realidade, passou a ser tratada como uma verdadeira vassala de Tenochtitlán, não tendo mais nenhuma importância dentro da Aliança.
6.8 – O APOGEU E AS GUERRAS FLORIDAS :
Após o governo de Axayacatl, que se encerrou com sua morte, em 1481, foi eleito Tizoc (Aquele que se Sangra), que teve o mais curto dentre os cinco grandes governos Astecas: apenas cinco anos. No governo de Tizoc, houve muitas pressões tanto do Tlatocan, quanto do Grande Conselho, além de revoltas e descontentamento popular, toda essa situação confusa dentro do esplendoroso Império levou Tizoc, que assumiu em 1481, a cometer suicídio em 1486, sendo assim, seu nome lhe coube como uma luva.
Depois do desastroso governo de Tizoc, o Império se enfraqueceu e teria desmoronado se não fosse o poder e carisma de Auitzotl (Monstro Aquático), o novo Tlatoani eleito.
Para lhe conceder o medo e o respeito da população, o governante adotou o nome do monstro que os Astecas acreditavam que habitava as profundezas do lago Texcoco e que devorava pessoas que mergulhavam nele (era um mito para explicar o desaparecimento de alguns corpos de pessoas afogadas). Auitzotl (o Tlatoani, não o monstro), teve que reconquistar todas as regiões que haviam se rebelado no governo de Tizoc, mas além disso, expandiu muito o Império, deixando-o quase do tamanho que era quando os Espanhóis chegaram.
O feito mais importante de Auitzotl, no que diz respeito à expansão militar, foi a fundação da colônia de Xoconochco, uma região muito distante do corpo Imperial, bem no seio dos territórios Maias, que foi colocada sob a administração Asteca.
Além de a região servir como futura base para uma futura investida contra o Reino de Tototepec, o vizinho meridional do Império, ainda servia de estalagem para os negociantes que viajasse além do Istmo de Tehuantepec e para uma possível investida contra os Maias da península de Yucatán.
Realmente Xoconochco foi a maior conquista Asteca, e teve grande participação dos Negociantes (Pochteca), que por abrirem caminho entre os inimigos, possibilitaram a passagem dos exércitos.
Com toda certeza, no governo de Auitzotl, o Império Asteca atingiu seu apogeu.
Nesta época, o exército desenvolveu uma diplomacia militar que se provou eficiente por várias vezes em evitar batalhas. A diplomacia funcionava da seguinte maneira: quando a Tríplice Aliança (a esta altura apenas uma ficção totalmente dominada por Tenochtitlán) desejava dominar uma nova cidade, então, três destacamentos de embaixadores visitavam a cidade.
O primeiro era composto por oficiais de Texcoco, que faziam à cidade a proposta de pagar tributos pacificamente à Tríplice Aliança, a segunda, era uma embaixada de Tlacopán, que recebia a resposta da proposta feita pela primeira, caso a resposta fosse negativa (o que acontecia na maioria das vezes), essa missão refazia-a, então, depois de alguns dias, chegava à cidade uma embaixada de Tenochtitlán, com um grande carregamento de armas.
Esta embaixada recebia a nova resposta e, caso fosse negativa, ela entregava as armas à cidade (para que esta pudesse se proteger) e marcava um dia para que a cidade fosse atacada.
No dia marcado, um exército da Aliança chegava à cidade, cercava-a e, geralmente em pouco tempo submetia-a ao seu domínio.
No governo de Auitzotl o grande templo recebeu sua última ampliação, ficando da maneira que os Espanhóis o encontraram, também em seu governo, a capital Asteca atingiu uma população recorde, (segundo Jacques Soustelle) mais de 500 mil e menos de um milhão de habitantes, ou seja, algo entre 750 mil habitantes vivendo em ilhas do lago Texcoco, mas como é possível sendo que uma ilha é um local limitado geograficamente?
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Bem, os Astecas desenvolveram uma técnica que utilizaram para expandir Tenochtitlán consideravelmente, essa técnica consistia em fincar estacas no fundo do lago, uma bem próxima da outra, de modo a formarem uma espécie de barragem, depois, a água de dentro da estacas era drenada e em seu lugar era colocado lodo do fundo do lago, sendo assim, uma ilha artificial era criada. Nesta ilha (de onde as estacas nunca eram retiradas, para evitar desmoronamentos), só era possível fazer construções de pedra no centro, ficando as beiradas reservadas para construções de madeira e bambu, e também para o cultivo, ou seja, para fazendas.
Graça a essa técnica, Tenochtitlán se expandiu (mesmo na área total da cidade) muito, chegando a se unir numa cidade só com uma ilha que inicialmente ficava bem distante:
Tlatelolco, o maior mercado do México, anexado a Tenochtitlán por Axayacatl, em 1469, primeiro ano de seu governo. Depois da rápida e brutal reconquista e expansão do Império promovida por Auitzotl, houve um longo período de relativa paz, que fez com que começassem a rarear os sacrifícios, uma vez que só os escravos eram sacrificados e, sem guerras, não havia escravos, sendo assim, a República precisava achar uma saída.
Voltou-se então a atenção para um dos quatro Reinos independentes (Tlaxcallan, Yopitzinco, Metztitlán e Teotitlán (este último era o único que mantinha relações amigáveis com Tenochtitlán)) incrustados no coração do Império: Tlaxcallan. A exemplo de Tenochtitlán, Tlaxacallan era uma República Aristocrático-Militar, cuja capital era a cidade de Tlaxcala.
Situavam-se relativamente perto do núcleo Imperial e constituíam a maior e mais perigosa "clareira" Imperial. Os Tlaxcaltecas, como eram conhecidos os habitantes de Tlaxcallan eram muito belicosos e hábeis arqueiros e guerreiros.
Não se sabe ao certo se os Astecas nunca conseguiram ou nunca quiseram dominar Tlaxcallan, o fato é que quando a escassez de escravos para sacrifícios se iniciou, foi em Tlaxcallan que Tenochtitlán encontrou sua salvação.
Em acordo com os governantes da República, os Astecas organizaram as chamadas Guerras Floridas, ou seja, disputas com caráter intermediário entre guerra e competição desportiva, onde o objetivo era apenas capturar inimigos vivos para o sacrifício, sendo assim, os Tlaxcaltecas capturavam alguns Astecas para sacrificarem a seus deuses e os Astecas, por sua vez, capturavam muitos Tlaxcaltecas para suprir a falta de escravos que lhes afligia.
É possível que mais do que a escassez de sacrifícios, o que tenha motivado os Astecas a realizarem as Guerras Floridas, tenha sido a seca que se abateu sobre o México, seca esta que foi interpretada como um castigo divino pela falta de sacrifícios.
É interessante notar que num dia comum em Tenochtitlán, ocorriam pelo menos dez sacrifícios, às vezes até mais. Em dias de festividades (que eram freqüentes, pelo menos uma por mês, e havia 18 meses), chegavam a morrer cerca de mil pessoas nas tábuas de sacrifícios Astecas.
6.9 – MONTEZUNA E A VOLTA DE QUETZALCOATI :
Em 1503, depois de grandes façanhas realizadas em 17 anos de governo, Auitzotl morreu.
Para ocupar seu posto, foi eleito seu filho Motecuhzoma II.
Motecuhzoma II governou o México com pulso de ferro, era um homem duro, frio, mas ao mesmo tempo temeroso ante seus deuses.
Conseguiu se fazer respeitar como o único soberano do México, desfazendo a Tríplice Aliança e assumindo para Tenochtitlán as funções das três cidades definitivamente, colocando, de fato, Texcoco e Tlacopán sob a condição de suas vassalas.
O TOUCADO DE MONTEZUMA
Motecuhzoma II expulsou de Texcoco Ixtlilxochitl, filho de Nezaualpilli, e principal pretendente ao trono do pai, pelo simples fato deste não aceitar a subserviência a Tenochtitlán.
Se é que se pode aplicar a Motecuhzoma II a mesma frase que se aplica a Luís XIV, da França, ele "deitou na cama preparada por seus antecedentes", em especial por Auitzotl
. De fato, ele foi o mais poderoso (não em termos de se sobrepor ao Tlatocan e ao Grande Conselho, coisa que ele nunca fez) governante que o México teve, depois de Itzcoatl.
Para o povo de Tenochtitlán, era quase uma divindade, não se podia encara-lo (a menos que se tivesse assento no Grande Conselho), suas roupas eram inutilizadas após seu uso, tudo o que ele tocava era considerado imbuído de uma energia pessoal e destrutiva a qualquer outra pessoa e, portanto, destruído.
Quanto às regiões dominadas, eram poucas as que gostavam de Motecuhzoma II, mas nenhuma ousava desrespeita-lo e, por não terem ciência da existência do Ciuacoatl, nem tão pouco da organização política do Império, tomavam-no por Rei, o Rei dos Reis do México.
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Porém, o Tlatoani também era muito espiritualizado e, por volta de 1512, começou a receber auspícios de que uma tragédia estava por ocorrer.
O maior medo do governante sempre foi que Quetzalcoatl retornasse para usurpar-lhe o poder, talvez por isso, ele tenha tido as visões que as crônicas Astecas dizem que teve.
Em 1518, coisas estranhas começaram a ocorrer, muitas pessoas acordavam durante a noite, em Tenochtitlán, com o som de uma mulher chorando por seus filhos mortos, enquanto isso, Motecuhzoma II avistava um cometa no céu. Pouco antes dos Espanhóis chegarem, levaram a Motecuhzoma II um estranho pássaro sem rosto, no lugar de um rosto, o pássaro tinha um espelho. Ao olhar no espelho, o Tlatoani viu guerreiros diferentes montando em animais nunca vistos, quando chamou seus sacerdotes para decifrarem o presságio, o pássaro desapareceu.
É verdade que muitas dessas histórias são posteriores à conquista e provavelmente frutos da imaginação de indivíduos que vivenciaram o colapso de seu povo, mesmo assim, deve ser levado em conta que, desde 1492, com a viagem de Cristóvão Colombo, que a movimentação nas ilhas do Caribe é freqüente. Primeiro ocorreram contatos, depois a conquista de populações inteiras.
É verdade que os Astecas não tinham contato direto com tais populações, mas não é impossível especular a respeito de uma disseminação de informações, uma vez que quase quinhentos anos antes, quando Tula foi destruída, a notícia se espalhou tão longe que atraiu até mesmo os próprios Astecas de sua longínqua Aztlán até o México.
Sendo assim, por que uma notícia ainda mais perturbadora; como achegada de seres estranhos, de pele clara, vindo do mar em embarcações gigantescas, montando cavalos (que aos olhos de quem nunca os havia visto pareciam mais bestas infernais) e atirando com estrondosas armas de fogo, capazes de matar dezenas em poucos instantes; não poderia ter sido disseminada até uma região nem tão longínqua?
Bem, na verdade há muito que os Astecas sabiam da existência de fenômenos como o aparecimento de indivíduos estranhos nas costas de Yucatán, isso porque, Colombo (que morreu na América julgando estar na Índia), em 1502, cruzou com um barco mercante Maia, carregado de tecidos, cacau e machados de cobre, além disso, em 1512, dois Espanhóis sobreviventes de um naufrágio foram parar em Yucatán, onde foram aprisionados pelos Maias, um destes (de nome Guerrero), inclusive, veio a ser tornar um "cacique" Maia.
Em 1517, uma expedição Espanhola, liderada por Francisco Hernández de Córdoba, desembarcou na península de Yucatán, onde foi duramente repelida, sendo que dos 110 integrantes da expedição, 57 morreram, inclusive o próprio Francisco.
Sendo assim, devido a tantos contatos, é muito pouco provável que os Astecas não estivessem sabendo das movimentações em suas costas, o que nos comprova que as ditas visões de Motecuhzoma II poderiam ser no máximo pesadelos causados pela angústia do inesperado.
Se mesmo com todos os contatos anteriores os Astecas ainda permanecessem ignorando a movimentação Espanhola, em 1518, pelo menos, eles deixaram de ignorá-la, com certeza, pois uma expedição liderada por Juan de Grijalva, desembarcou em Tuxpan, cidade litorânea do império Asteca, onde fez contato com os habitantes que lhe deram objetos de ouro, como presente, além de proferirem várias vezes a palavra "México! México!", ou seja, o nome de seu país, o nome do Império Asteca.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
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