CIVILIZAÇÕES OLMECAS
CAPITULO 51
1 – A TRAJECTÓRIA DO HOMEM :
Segundo convenciona-se hoje, o Homem surgiu na África há, pelo menos quinhentos mil anos.É certo que temos dezenas de ancestrais Hominídeos, mas aquilo que chamamos de homo sapiens só a apareceu por volta da data acima.
Devido a fatores incertos, mas provavelmente à busca por comida e aos conflitos entre os diversos bandos nômades, o Homem pôs-se a caminhar, sem, contudo, nunca ter abandonado seu continente materno. Migrando, o ser humano conquistou a Europa, a Ásia, a Oceania, a América do Norte e até a América do Sul, mas foi justamente em seu caminho entre a América do Norte e a América do Sul que ele se estabeleceu numa das regiões mais fascinantes do mundo:
A MESOAMÉRICA.
Foi apenas por volta de 30, ou 40, mil anos antes de Cristo que os primeiros homo sapiens chagaram à América. Nesse período, a raça humana ainda era nômade e estava, em alguns lugares, começando a se sedentarizar. Processo iniciado em tempos diferentes nos diversos lugares, mas cuja origem é a mesma, a descoberta da agricultura.
Os milhares de anos que separam a saída do Homem da África de sua chegada à América foram provocando, segundo uma visão Darwinista, uma certa diferenciação devida à adaptação da espécie ao clima ao qual era submetida. Por isso é impossível dizer qual dos segmentos da espécie humana é mais desenvolvido, uma vez que cada qual é proveniente de uma diferente adaptação da espécie à natureza num tempo em que o homem ainda não a havia vencido.
Foi justamente essa adaptação natural que fez dos Homens da América os chamados “Peles Vermelhas”.
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Eles tinham feições orientais, ou seja, olhos oblíquos (herança de sua saída, ainda não tão distante no tempo, da Ásia) e faces quase ou totalmente imberbes, mas sua pele eram mais escura devido a uma nova adaptação, ou seja, o sol e as dificuldades Americanas fizeram com que os mais escuros se tornassem mais adaptados numa época em que não existiam protetores solares.
1.1 – O HOMEM NA AMÉRICA:
A teoria mais aceita para a chegada do Homem à América é a da transposição do Estreito de Bering (entre Alaska e Rússia) durante a última Glaciação, período no qual as águas entre eles estariam congeladas possibilitando o caminho a pé.
Esta teoria é facilmente aceitável, pois não nos diz que o Homem necessitasse de outra tecnologia que não fossem as peles dos animais abatidos para faze-los aquecerem-se.
No entanto, até mesmo os pássaros, que são irracionais, sabem que se você está no hemisfério norte e caminha em direção ao norte, o clima fica cada vez mais frio, sendo assim, é um tanto ilógico que o Homem, racional como é, tenha seguido tal rota em busca de terras mais quentes e, dessa forma, mais propícias à sua vida.
Justamente por essa falta de lógica é que outras teorias se traçam a respeito da chegada do Homem à América. Apenas uma coisa se tem certeza, ou seja, de sua proveniência: a Ásia.
Mas, será que não se pode aceitar a hipótese de que numa dada época tenha ocorrido uma leva migratória marítima através das calmas águas do Oceano Pacífico.
Sim, porque também existe a teoria de que regiões como as ilhas da Oceania tenham sido as verdadeiras “mães” do Homem Americano. Isso seria mais lógico, afinal, se estivesse frio no sul, o homem iria para o norte em busca do calor.Os Mamutes, aliás, ao contrário do que muitos pensam, não eram dinossauros e nem tão pouco coexistiram com eles. Eram mamíferos como os elefantes de hoje, só que, ao contrário destes, eram mais adaptados ao frio.
Em épocas remotas eles habitaram todo o hemisfério norte da Terra, inclusive a América, entretanto, talvez por seu tamanho e conseqüente abundância de carnes, acabaram extintos pelo Homem em sua busca de alimentos durante a glaciação.
A carne de um Mamute podia alimentar todo um bando por vários dias.
Ainda há ossadas na América que comprovam a caça do Mamute pelo Homem naquela região.
1.2 – A MESOAMÉRICA:
A Mesoamérica é uma região que não existe em nenhuma das divisões clássicas da América. Lembremos que segundo a divisão política, a América é dividida em três partes:
do Sul,
Central
e do Norte.
Segundo a divisão lingüístico-cultural, ela se divide em duas partes:
América Latina (incluindo toda a América do Sul, toda a América Central e ainda o México)
e América Anglo-Saxônica (apenas EUA e Canadá).
Sendo assim, onde está a Mesoamérica?
Este nome, ao contrário do que pode erroneamente indicar não é um sinônimo de América Central. É uma expressão Antropológica e também Arqueológica que se refere à região da América onde se desenvolveu uma cultura de nível tão alto que se equiparou ao nível das grandes Civilizações da Antiguidade do Velho Mundo.
É certo que outras Civilizações Pré-Colombianas como a Inca não estão situadas na Mesoamérica, mas isso se deve tanto à sua distância geográfica (o que implicaria na inclusão de áreas de “baixa” cultura no termo) quanto a uma disputa ideológica dentre da Arqueologia, afinal, como o México é o detentor dos territórios da maior parte daquilo que um dia foi a Mesoamérica e como este é vizinho dos EUA, os Norte americanos acabam por preterir as Civilizações grandiosas da América do Sul na maioria de seus estudos Arqueológicos e Antropológicos, dando maior atenção e, conseqüentemente, importância àqueles que lhes são vizinhos.
A rigor, a Mesoamérica se estende do Planalto Central Mexicano, ao norte, até Belize e Honduras, ao sul, passando pela Península do Yucatan, as outras regiões próximas podem ser incluídas ou excluídas de autor para autor.
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1.3 – A AGRICULTURA OU O MILHO PAI DA AMÉRICA:
É certo que a agricultura é considerada o fator determinante para que uma civilização deixe o nomadismo e entre definitivamente no estágio de sedentarização. No entanto, ao contrário do que pode se pensar, ela não enriqueceu, a princípio, a alimentação dos indígenas da América.
Pelo contrário, tornou-a menos rica em uma série de nutrientes necessários à sobrevivência humana. Enquanto viviam em comunidades caçadoras e coletoras, os indígenas comiam uma variedade muito grande frutas e legumes, além de terem sua dieta complementada com a caça. No entanto, depois da descoberta da agricultura, tendo que se sedentarizar, as populações tiveram que organizar sua divisão de trabalho de modo a poderem produzir, sendo assim, é provável que tenham deixado funções como a caça e a coleta (dificultadas pela sedentarização) totalmente fora de suas tarefas diárias. É bem verdade, no entanto, que a segurança e a comodidade proporcionadas pela certeza do alimento fizeram com que houvesse um “boom” populacional após o fim do nomadismo. Na América Pré-Colombiana.
Uma grande mentira que se tem como verdade é a de que em todos os grupos sociais, mais cedo ou mais tarde, ocorreu a chamada “Revolução do Neolítico” e que foi justamente ela (a descoberta da agricultura) que fez com que aquele grupo emergisse do nomadismo em direção à vida sedentária. Isso é mentira, na medida em que diversas comunidades litorâneas abandonam o nomadismo para se estabelecerem permanentemente numa posição estratégica em frente ao mar, de onde, através da pesca, retirarão se sustento.
Para essas comunidades a sedentarização em nada teve haver com a descoberta da agricultura e, quando essa descoberta ocorre, não põe fim à atividade da pesca (extrativista por natureza), mas apenas complementa a alimentação dos indivíduos da região.
O milho, na América, desempenhou o papel de principal agente da agricultura inicial.
Por muito tempo se pensou que talvez a sua disseminação estivesse ligada à expansão de alguma civilização em específico e, sendo assim, a descoberta dos Olmecas só fez aumentar essa desconfiança. No entanto, hoje se sabe que o milho foi realmente uma fonte importantíssima de carboidratos e vitaminas para os habitantes da América, mas que seu cultivo não estava relacionado à difusão, mas, mais possivelmente, à invenção paralela.
Mesmo o milho não sendo, dessa forma, o pai da América, ele foi uma cultura importante para o seu desenvolvimento e, em última instância, ainda intriga a todos nós por uma questão: Terá sido o hibridismo também uma invenção paralela dos povos Mesoamericanos e Andinos, ou essa tecnologia terá se difundido entre os povos do continente? E caso tenha se difundido; quem teria sido seu difusor? Será que os Olmecas, ou algum povo da América Andina?
2 – CONTRIBUIÇÃO DA ARQUEOLOGIA :
Ocorre entre a História e a Arqueologia algo semelhante ao que ocorre entre o Jornalismo e a História. É um erro muito grave que acaba se tornando irremediável na medida em que é alimentado pelo mercado consumidor.
É um erro cujos culpados são os membros de ambas as profissões em ambos os casos. Vejamos: Os Arqueólogos se embrenham numa floresta tropical Mexicana em busca de vestígios arqueológicos de uma cidade qualquer. Passam anos pesquisando sem ganhar quase dinheiro algum, sofrem com doenças e privações as mais variadas.
Esforçam-se, aprendem até a ler (ou interpretar) hieróglifos antigos e, ao final de dez ou doze anos publicam um trabalho com uma excelente qualidade científica, mas com pouca análise historiográfica e com uma interpretação, por vezes, muito parcial.
Esse trabalho acaba restrito à comunidade científica da qual fazem parte, circulando apenas em revistas especializadas e em seminários e congressos de Arqueologia. Pois bem, um Historiador pega o trabalho do Arqueólogo e o encara como um documento.
Como tal, ele deve ser visto como uma prova parcial dos fatos.
Através da historiografia e de seus paradigmas próprios, este Historiador escreverá um livro onde fará uma discussão aprofundada e, possivelmente onde fará com que mais que dois arqueólogos dialoguem entre si através de suas próprias palavras utilizadas como citações.
O livro acabará sendo muito extenso, cheio de trechos dispensáveis e com uma linguagem de extrema erudição, ou seja, ao alcance de pouco, apenas os Historiadores e os Arqueólogos.
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Sendo assim, o Historiador terá transformado algo que era restrito a um grupo em algo restrito a dois. Observando a demanda do mercado por textos mais compreensíveis, o Jornalista lerá os livros do Historiador e, com base neles, escreverá o seu próprio, muito mais conciso, direto e de linguagem acessível a todos. Nessa situação teremos o seguinte padrão:
o Arqueólogo trabalhou dez anos, em péssimas condições, para produzir um texto que não lhe deu dinheiro algum e quase nenhum reconhecimento.
O Historiador passou um ou dois anos trancado numa biblioteca e gastando dinheiro para viajar a congressos, seminários e arquivos regionais para, no fim, produzir um texto que lhe dará um reconhecimento moderado e um rendimento financeiro pouco compensador.
Já o Jornalista lerá por dois meses (se for minimamente sério) e, no final disso, escreverá um livro que lhe renderá fama e fortuna, além levar uma interpretação extremamente fracionada ao leitor, o que fará com que ele tenha uma visão muito parcial e, se não se precaver, seja doutrinado a pensar como o Jornalismo que, por ser um vencedor do sistema, luta para mantê-lo e, sendo assim, faz de tudo para que ninguém queira muda-lo.
Essa é a função da mídia e é isso, em essência, que diferencia um Historiador de um Jornalista.
Foi mais ou menos isso que aconteceu com os Olmecas.
Até 1862 nunca se tinha cogitado a possibilidade da existência desse povo.
Os Maias eram tidos como a “Cultura Mãe” dos povos Mesoamericanos e quaiquer objetos que fossem encontrados nas proximidades da Zona Maia eram rapidamente identificados como pertencentes àquela cultura, cultura esta que, por ser tão fascinante e heterogênea, gerou milhares lendas, muitas delas tidas como verdades até mesmo por pessoas mais esclarecidas.
Foi nesse ano que um viajante chamado José María Melgar y Serrano, quando estava de passagem por San Andrés Tuxtla, no Estado de Veracruz, no México ficou sabendo da descoberta de uma Cabeça Colossal que havia sido desenterrada pelo funcionário de uma fazenda de açúcar não muito longe dali.
Ao que parece, o homem estava cortando árvores da floresta a fim de expandir a área de plantio da fazenda quando encontrou um relevo estranho no chão.
Pediu ordem ao proprietário e desenterrou o objeto.
Deparou-se com uma Cabeça gigante com feições negróides e um peso de várias toneladas.
O viajante, sete anos depois, conseguiu publicar sua descoberta no boletim da Sociedad Mexicana de Geografía y de Estadística. A descoberta foi tida como mais uma descoberta arqueológica Maia e só causou algum espanto devido às feições negróides que estampava.
No mais, o mundo Olmeca ficou esquecido por muito tempo até que começassem, já no século XX, a pipocar evidências de que aquelas peças de arte em nada tinham haver que com o mundo Maia, que constituíam de fato provas da existência de uma outra Civilização que, a julgar pelos traços, datações em carbono, estilo, falta de vestígios e outros fatores... Seria mais antiga.
Essa tese, de que os Olmecas eram mais antigos do que os Maias foi duramente defendida por alguns grupos de Arqueólogos de vanguarda e duramente criticada por Arqueólogos mais conservadores.
Para estes conservadores, seu estudo dos Maias não era uma ciência, era quase uma religião e, como tal, não poderia ser questionado. Temiam que se os Olmecas fossem considerados mais antigos do que os Maias, todo o brilho de seus estudos fosse ofuscado pelo nascente brilho Olmeca. Essa batalha colocou, entre os anos 40 e 50 do século XX, frente a frente a Ciência Séria (que estava em busca da “verdade”) e a Ciência Ideológica (que estava em busca do enaltecimento dos egos de seus cientistas). Felizmente, para todos nós, a Ciência Séria saiu vitoriosa e hoje os Olmecas, ainda que pouco conhecidos, nos podem ser mostrados em textos como este.
2.1 – O QUE E NÃO SABEMOS, SUPOMOS PORQUÊ ?
Como afirmei até agora, sabemos muito pouco sobre os Olmecas, não sabemos seu verdadeiro nome, se foram um Império, se tinham algum tipo de unidade entre as cidades ou se eram um povo constituído de diversas cidades-estado, como os Maias. Não sabemos até onde vai realmente sua área de influência, se foram realmente os primeiros povos “Civilizados” da Mesoamérica, se praticavam sacrifícios humanos, se tiveram ou não contato com povos da Europa, da Ásia ou da África, não sabemos sequer se eles existiram de verdade.
Apesar de não sabermos tantas coisas sobre este povo, nos é possível escrever um texto grande como este a seu respeito. Como?
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Bem, é óbvio que item anterior responde em parte esta questão, ou seja, através da abstração, mas também é verdade que não podemos abstrair em cima do nada e é aí que entra o que sabemos sobre os Olmecas. Sabemos que numa área pantanosa localizada próximo à costa leste do México, mais precisamente nas regiões banhadas pelos rios Tonalá, Blasillo, Papaloapan e Chiquito foram encontradas uma série de esculturas e peças de cinzelagem que remontam a um caráter diferente do Maia, diferente do Tolteca, diferente do Asteca, do Zapoteca, do Mixteca e do Teotihuacano. Peças que foram classificadas como Olmecas.
A partir dessas peças nos é passada toda uma série de informações através de interpretações arqueológicas que nos possibilitam intuir muitos dos aspectos da Civilização Olmeca. Por exemplo, existem 18 sítios arqueológicos com traços Olmecas em maior ou menor grau. Destes, três são muito superiores aos demais e, sendo assim, são considerados os centros da Civilização.
La Venta, Tres Zapotes e San Lorenzo são considerados os centros da Civilização Olmeca, foi, aparentemente, deles que se originou a expansão daquele povo rumo à conquista dos outros sítios. Além desses três sítios arqueológicos, existem outros quinze localizados em sua proximidade que podem ter sido Olmecas ou, ao menos, influenciados por este povo.
Sobre os Olmecas sabemos ainda que suas jades e jadeítas eram retiradas das montanhas de Taxco, região próxima à costa oeste do país, ou seja, havia uma distancia muito grande a ser vencida para que aquele povo pudesse chegar até o ponto de extração do artigo de maior valor em sua arte. Em pontos desse caminho também é possível encontrar traços Olmecas. Disso pode-se concluir duas coisas: ou os Olmecas deixaram rastros de comércio com os povos em seu caminho ou, o que é mais provável, fizeram deles seus tributários e os contaminaram com sua cultura. Por fim, sabemos que a única região da Mesoamérica onde não se encontram vestígios convincentes da cultura Olmeca é a região onde se desenvolveu a cultura Maia, deve haver, portanto, alguma explicação para isso. E tal explicação é um dos objetivos deste trabalho. Sabemos, por fim, que após o século IV a.C. tornam-se cada vez mais raros os vestíigios Olmecas até chegarem à total extinção dessa população.
2.2 – URBANIZAÇÃO E MODERNIDADE ,
DESTRUIÇÃO DOS VESTÍGIOS:
Inegavelmente a vida moderna nos trouxe muitas facilidades. Carros, aviões, navios, foguetes, enlatados, computadores... Mas, a que preço? Poluímos a atmosfera, gradualmente acabamos com nossas florestas, intoxicamos nossa água e nosso alimento, além de destruirmos a fauna do planeta. Dentro desse insaciável impulso destrutivo do capitalismo, qualquer fonte de renda torna-se mais importante do que a cultura. Foi exatamente o que aconteceu com um dos principais sítios arqueológicos Olmecas: La Venta.
Para muitos, La Venta poderia ter sido a capital de um possível Império Olmeca; não era a cidade mais antiga, mas, sem dúvida, era a mais bem conservada, além de ser a possível “criadora” de muita parte do estilo Olmeca. Pois bem, por volta do final da década de 70, com a crise do petróleo, este recurso se tornou muito caro e escasso no ocidente, o que fez com que o empenho das empresas prospectoras de petróleo estatais em encontrar novas fontes do material aumentasse. Foi o que aconteceu e, dessa forma, a PEMEX descobriu que embaixo do sítio de La Venta existia petróleo em abundância.
O governo Mexicano não pensou duas vezes, autorizou a remoção de tudo o que estava no sítio e a instalação de uma central de extração de petróleo na pequena ilha fluvial. Resultado: foi criado, em Villahermosa, o Parque La Venta, onde estão os
objetos retirados do sítio e as coisas que não puderam ser retiradas, como (simplesmente) a Pirâmide (talvez a mais antiga da América e, dessa forma, uma bela fonte de estudo para se chegar a um porque da construção desse tipo de edifício na América) foram destruídas.
Será mesmo que a extração de Petróleo por alguns anos (petróleo é recurso esgotável) vale mais do que o patrimônio (inesgotável) cultural da humanidade? Do que uma possível compreensão do passado? Ou melhor. Vamos perguntar de outra forma. Você venderia a casa em que vive para fazer uma viagem de alguns dias sendo que depois do final da viagem não teria mais onde morar?
CULTURA TOITECA
Os primeiros Chichimeca a chegarem no México foram os Toltecas, que fundaram sua cidade em 856. A esta cidade, deram o nome de Tula.
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Contudo, os Toltecas não conseguiram impor seu domínio sobre o vale do México desde o princípio, uma vez que acabaram submetidos pela elite sacerdotal decadente de Teotihuacán.
De certo a cultura Tolteca, extremamente militarizada e com uma religião astral, diferia em muito da cultura de Teotihuacán, já que esta estava centrada nos ritos e cultos de Tlaloc e Quetzalcoatl, o deus do vento, a serpente de plumas.
Na mitologia Tolteca, o período em que estiveram sob o domínio de Teotihuacán ficou conhecido como o longo reinado de Quetzalcoatl, que, devido à cultura oral dos Toltecas, acabou por se converter de divindade em realidade. Quetzalcoatl era tido pelos Toltecas como um homem-deus muito justo, mas que os proibia de realizarem seus sacrifícios.
As levas migratórias Toltecas continuaram mesmo após a fundação de Tula, e muitos desses recém chegados convergiram para a cidade, o que a fez crescer muito e se tornar poderosa.
Tão poderosa que, segundo as lendas Toltecas, em 999, Tezcatlipoca, o deus-feiticeiro dos Toltecas (representado pela constelação da Ursa Maior) teria se materializado e guerreado contra Quetzalcoatl. Devido a seus feitiços poderosos e ao apoio de seu povo, Tezcatlipoca venceu Quetzalcoatl, o que na realidade simboliza a vitória de Tula sobre a aristocracia sacerdotal de Teotihuacán (que já não era a mesma do período clássico, não pensem que foi esta derrota que fez a cidade entrar em declínio, pois nesta época ela já não possuía um Império há mais de cem anos).
As lendas Toltecas dizem que ao ser derrotado, Quetzalcoatl teria abandonado a região, com destino a Tlillan Tlapallan (o país vermelho e preto), que se localizaria além do oceano oriental (o oceano Atlântico). Entretanto, o soberano divino havia prometido regressar para retomar o trono que lhe fora usurpado, lenda que se transformou na crença do retorno da divindade, reparem que tal crença jamais desapareceu e posteriormente foi incorporada pelos Astecas, sendo assim, acabou se tornando de suma importância quando da chegada dos Espanhóis, mas falaremos sobre isso bem posteriormente. Com a vitória de Tula sobre Teotihuacán, iniciou-se um novo período no México, o período conhecido como período Tolteca.
Graças à hegemonia de Tezcatlipoca, promovido a principal divindade, os sacrifícios passaram a ser realizados diariamente, mas Quetzalcoatl continuou a ser cultuado (em menor grau do que antes, e agora sob a representação do planeta Vênus).
A partir de Tula, os Toltecas se expandiram e iniciaram a formação de um Império.
As características deste, no entanto eram bem diferentes das do anterior Império de Teotihuacán, uma vez que aquele havia sido dominado por uma oligarquia sacerdotal, enquanto neste, talvez devido às tradições militares, começa a existir a figura do Rei.
De um ponto de vista cultural, os Toltecas também revolucionaram as regiões que submeteram, é interessante notar que antes deles, os templos eram lugares de culto reservados aos sacerdotes, porém, depois transformaram-se em grandes construções, nas quais o povo se reunia para assistir aos "shows" de sacrifícios e para prestar homenagem aos deuses celestes.
Apesar de terem dominado uma região muito maior do que aquela que posteriormente seria dominada pelos Astecas (eles se estendiam de costa a costa no vale do México e de norte a sul, desde a zona dos Otomi até a península de Yucatán), os Toltecas não resistiram às freqüentes invasões de povos Chichimecas e, em 1168, Tula foi cercada, sitiada e destruída, pondo um fim à unidade Imperial daquele povo. Apesar da queda de Tula, o povo Tolteca continuou existindo e mesmo governando, pois as cidades Maias da península de Yucatán, outrora dominadas pelo Império, se tornaram novamente autônomas, mas com governantes e elite Toltecas, sendo assim, no Yucatán promoveu-se uma síntese Tolteco-Maia (cujo principal expoente foi a cidade de Chichén-Itzá), a qual durou até a conquista Espanhola.
No período pré-clássico, a cultura dos olmecas foi a predominante
Dentre as mais importantes noções que se precisa ter sobre uma civilização, com certeza estão o conhecimento de sua arquitetura, sua organização social e seu legado cultural, sendo assim, dividirei este item em três partes, cada uma das quais dará conta de explicar o menos mal possível como se estruturavam cada uma dessas partes da civilização Asteca.
Por: Autor Desconhecido
Antes da chegada dos europeus ao continente americano, duas grandes civilizações já se estabeleciam em diversas localidades dos territórios do “Novo Mundo”: as civilizações meso-americanas (astecas e maias) e as civilizações andinas (incas).
A civilização asteca era estabelecida no território do atual México; juntamente com os Maias, fixados nas regiões da América Central; os Incas, que ocupavam as regiões adjacentes ao longo da Cordilheira dos Andes.
Cada uma dessas civilizações era constituída de um verdadeiro mosaico de nações e tribos.
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Possuíam avançada organização política, econômica e social.
Teoriza-se que tais civilizações tenham sido derivadas da migração dos mongóis asiáticos para tais regiões, dada a grande semelhança, inclusive, dos traços físicos comuns aos integrantes destes povos.
As teorias dizem ainda que o povo mongol talvez tenha migrado da Ásia para a América através das geleiras do Estreito de Behring.
Estas civilizações subsistiram até a chegada dos europeus, pelos quais foram dizimados devido à superioridade bélica e tecnológica européia da época.
A história cultural das civilizações meso-americanas pode ser dividida basicamente em três períodos principais:
os períodos
pré-clássico,
clássico
e pós-clássico.
Já o período clássico assistiu o desenvolvimento da cultura Teotihuacán e dos Maias.
O período pós-clássico foi marcado pelo militarismo e por impérios guerreiros: os Toltecas e os Astecas
A civilização Olmeca perdurou aproximadamente de 1.200 até 200 a. C..
Esta civilização deixou como legado para as que a sucederam elementos de grande importância, como a escrita em hieroglifos.
Artefatos produzidos pela cultura olmeca foram encontrados em todas as partes da América Central. Em tais artefatos observa-se o naturalismo e o simbolismo como elementos centrais da arte produzida por esse povo. A cultura Teothihuacán perdurou aproximadamente entre o período compreendido entre os anos 1 e 750 d. C..A cidade de Teotihuacán é a possuidora de uma das mais intrigantes paisagens urbanas antigas das Américas.
Tal cultura que aí se estabeleceu foi uma das mais influentes da América Central Pré-colombiana.
A civilização dos maias surgiu por volta de 1.000 anos a. C., estendendo-se, com seus últimos membros remanescentes, até o ano de 1697 d. C.. Algumas das características culturais dos maias são bastante peculiares: apesar de possuírem uma religião e uma cultura em comum, os membros do povo maia não possuíam uma única cidade-capital ou um único governante.
Cada cidade possuía autonomia administrativa em relação às outras, sendo chefiadas individualmente por líderes da nobreza local. A religião constituía uma das questões centrais na vida de cada membro das comunidades maias. Tal aspecto levou os povos maias à construção de suntuosos templos sacrificiais em homenagem a seus deuses.
Os toltecas tiveram sua existência situada entre o período que se estendeu de 900 a 1187 d. C.. A sociedade tolteca era eminentemente militarista e guerreira (aspecto verificado através das numerosas esculturas de representação de seus guerreiros), ao passo que, no campo das artes e da arquitetura, o povo tolteca é considerado um dos mais desenvolvidos em relação aos demais povos de sua contemporaneidade. Os toltecas, no período pós-clássico, exerceram grande influência no território correspondente aos maias.
O império Asteca tinha como capital a cidade de Tenochtitlán. Tal cidade foi fundada em localidade que, segundo a mitologia asteca, fora indicada por seu deus tribal Huitzilopochtli.
Segundo essa lenda, tal deus ordenou que seus adoradores encontrassem uma águia em cima de um cacto com uma serpente em seu bico.
Este seria o sinal que teriam encontrado sua terra prometida.
A cidade do México, hoje em dia, foi construída neste mesmo local.
A LENDA POSSUI ALGUM FUNDO DE VERDADE :
os astecas, anteriormente à fundação de sua capital, eram um povo nômade.
Com relação aos povos andinos, a civilização Inca desenvolveu sua mais importante capital em 1438, nos altiplanos da Cordilheira dos Andes.
Os incas desenvolveram seu domínio através de sucessivas conquistas de províncias adjacentes ao seus territórios, que foram assim incorporadas ao seu império.
A manutenção destas províncias sob seu domínio foi possível dada a grande eficiência administrativa dos incas.
De acordo com as esculturas que muito representaram os membros da sociedade incaica, pode-se observar que a tipologia média do homem inca possuía características comuns como a estatura baixa e a pele de tonalidade parda.
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Os incas eram grandes artesões do ouro, da prata e do cobre. Algumas esculturas em ouro representando figuras femininas foram encontradas junto a oferendas aos seusdeuses._
Antes da conquista européia, a América conheceu o desenvolvimento de importantas civilizações, que formaram-se ao longo de milhares de anos e que possuiam complexa organização social, econômica e política, que realizaram grandes obras públicas:
sistema de irrigação, assim como palácios e templos, tanto na mesoamérica, onde encontravam-se Maias e Astecas, como no Altiplano Andino, onde desenvolveu-se o Império Inca. Essas três civilizações tinham como base as características gerais do Modo de Produção Asiático, possuindo portanto semelhanças com civilizações mais antigas do Oriente Próximo, mas também diferenças significativas entre si.A economia era essencialmente agrária, sendo a terra considerada como propriedade do Estado e trabalhada pelas comunidades camponesas, existindo atividades complementares como a criação de animais, o comércio e a mineração, esta última especialmente entre ao Astecas no México e os Incas no Altiplano Andino.
Os Astecas desenvolveram um sistema de plantio baseado nos "jardins flutuantes", em região pantanosa que passou então a produzir. As comunidades camponesas conservavam pequena parcela de terra para uso familiar, mas a maior parte das terras pertencia à sacerdotes e elites locais (líderes dos clãs) no caso de Maias a Astecas.
Entre os Incas a terra era divida em:
Terra do Estado,
Terra dos sacerdotes
e Terra comunitária,
onde cada família possuía um lote para cultivo próprio, onde produziria após trabalhar as terras do imperador e dos sacerdotes. A exploração do trabalho dos camponeses pelo Estado ainda era realizada através da mita , ou seja, toda comunidade estava obrigada a fornecer homens para as obras públicas ou para o trabalho nas minas.
Apenas os Incas desenvolveram de fato um Império centralizado e teocrático, onde o Imperador, chamado Sapa Inca era considerado um deus, descendente direto do sol, supremo legislador e comandante do exército, suplantando a antiga unidade social, o Ayllu, (clã).
Na Península do Iucatã, os Maias desenvolveram um tipo de organização, onde cada centro urbano possuía autonomia e comandava as comunidades camponesas ao seu redor.
Na região do México, em uma ilha do Lago Texcoco, os mexicas ou astecas construíram uma grande cidade, capital do Império - TENOCHTITLAN - onde havia palácios, templos, mercados e canais de irrigação, demonstrando grande desenvolvimento.
Apesar de considerado um Império, em parte por suas conquistas e o domínio sobre vários povos, O imperador possuía representação religiosa e militar, mas não necessariamente política, na medida em que havia anteriormente um grupo de uma camada de militares e sacerdotes originários dos líderes das aldeias
Na medida em que líderes locais e sacerdotes se fortaleceram, essas sociedades viram a formação de classes sociais, rigidamente estratificada, consideradas portanto como estamental. Entre esses três povos havia uma elite de sacerdotes, militares e artífices do Estado e uma grande massa de camponeses responsável pela produção de excedentes, que concentravam-se nas mãos da elite.
A religiosidade caracterizava-se pela crença em vários deuses, normalmente vinculados a elementos da natureza, como sol, chuva ou fertilidade, influenciando suas manifestações artísticas, principalmente a construção de grandes templos.
Os povos da Mesoamérica realizaram obras arquitetônicas colossais, representadas por templos e palácios em terraços com forma piramidal, assim como produziram objetos com carater decorativo, obras de ourivesaria de prata, ouro e pedras preciosas dos astecas, utilizadas para decorar palácios e templos.
No Altiplano Andino, os testemunhos mais importantes dessa cultura encontram-se na arquitetura monolítica e despojada de ornamentos, na qual demonstraram tanto uma técnica impecável quanto uma grande frieza expressiva. Atribuíram também grande importânica à indústria metalúrgica, principalmente na fabricação de armas, ao artesanato têxtil e à cerâmica. Nessa última, dedicaram-se às peças pequenas e às estatuetas antropomórficas.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
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