sexta-feira, 6 de novembro de 2009

CAPITULO 59 = INQUISIÇÃO

INQUISIÇÃO
CAPITULO 59
• HISTÓRIA DA INQUISIÇAO~
Pode-se dizer que a Igreja Católica foi a alma da sociedade feudal, onde o clero era constituído como a única classe letrada e, os servos e senhores, na maioria ignorantes e completamente analfabetos.
Os sacerdotes, arcebispos, padres e párocos constituiam o clero secular, porque seus membros viviam na sociedade ou no mundo (do latim seculum).
Os bispos governavam uma diocese constituída de várias paróquias e administravam em nome da Igreja.Já o clero regular era dividido em diversos grupos de comunidades e, cada comunidade de convento que obedecia à mesma regra, denominava-se , como ainda hoje denomina-se "ordem".
A importância do clero regular na cultura medieval foi enorme.
Bastaria dizer-se que as obras mestras da literatura latina chegaram até os nossos dias através dos manuscritos copiados pelos monges.
O respeito que impunham criava ao redor dos mosteiros uma zona de segurança, onde a massa campesina encontrava asilo e proteção.
A Igreja enaltecia a dignidade do trabalho, dando o exemplo com a operosidade de seus monges na agricultura: "Ora et labora" - reza e trabalha.
Os tribunais eclesiásticos eram importantíssimos na idade média, pois não julgavam somente os membros do clero, mas se pronunciavam sobre todos os assuntos que direta ou indiretamente se vinculavam à Igreja, tais como contratos celebrados sob juramento, testamentos, questões referentes à órfãos e viúvas, bruxarias, sacrilégios, etc.
A maneira de julgar dos tribunais eclesiásticos era sumamente mais justa que os processos bárbaros utilizados pela justiça feudal, como os "ordálios" e "juízos de Deus".
Nos tribunais ordálios exigia-se que o acusado provasse sua inocência colocando a mão no fogo ou água fervente. Os "juízos de Deus" submetiam o acusador e o acusado à luta, e tinha ganho de causa o vencedor.
O julgamento da Igreja Católica pautava-se por um conjunto de normas que constituíam o direito canônico, o qual proporcionava aos acusados defesa muito mais amplas e penas menos severas, razão por que a maioria das pessoas procurava estar sob jurisdição eclesiástica.
Também para coibir dissidências que pudessem eventualmente atingir os princípios básicos da sã doutrina, dispunha a Igreja da excomunhão. O excomungado era excluído da comunidade dos fiéis, não podendo receber os sacramentos e os católicos não podiam ter nenhuma relação ou contato com ele. Quando os senhores feudais excomungados persistiam em rebeldia , a Igreja lançava então a interdição, que significava a proibição da realização de qualquer cerimônia religiosa no feudo. Os princípios básicos da Inquisição remontam ao ano de 1184, quando, pelo Concílio de Verona , tornou-se órgão de investigação e combate às heresias.
O tribunal do Santo Ofício, a princípio, definiu as atribuições que seriam exercidas pelos bispos especialmente delegados, penetrando em diversos países da Europa, mas só adquiriu força na península ibérica, Itália, França e Alemanha.
Em 1231, através o Papa Gregório IX lança a bula Excommunicamus, que estabelecia a Santa Inquisição, tendo adquirido funcionamento próprio através de um decreto, de 1233, sistematizando leis e jurisprudências acerca dos crimes relativos à feitiçaria, blasfêmia, usura e heresias. Os processos eram constituídos a partir de denúncias e confissões, feitas muitas vezes para evitar de incorrer em um outro crime considerado pior: o de ser "fautor de hereges", isto é, acobertar ou fomentar as heresias. As penas aplicadas tinha uma gradação de penas que iam do jejum, multas, pequenas penitências e até a prisão.
Nos casos considerados mais graves, os acusados eram entregues ao "braço secular", isto é, à autoridade civil, a qual geralmente aplicava a pena máxima da morte na fogueira, em um ato público, chamado, "auto de fé", isso em casos extremos em que o herege, voluntariamente negava-se a pedir perdão ou a retratar-se.

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O estabelecimento das leis do Santo Ofício firmaram-se, principalmente, por causa da reação da própria sociedade. Praticamente unânime de pensamento e espírito cristão, mobilizam-se contra fortes correntes que rejeitam e atacam a doutrina e organização da Igreja.
Tais movimentos heréticos organizam-se e influenciam fortemente o ambiente por intensa propaganda.
Destacando os cátaros e albingenses, que julgam descobrir radical oposição entre o Bom (almas puras) e o Mau (resto do mundo), além de consideraram o matrimônio e a procriação como invenção do demônio; rejeitam o juramento de fidelidade, bem como os sacramentos, a hierarquia da Igreja, os dias de festa, construção de igrejas, etc.
Antes de 1200, ocorrera, muitas vezes, que o povo linchasse a hereges presos, "porque tinha medo", assim reza o documento, "que o clero fosse demasiadamente clemente".
Posteriormente, após o assentamento das leis da inquisição, o bispo na qualidade de juiz papal assume os encargos da inquisição sobre determinados casos na sua jurisdição eclesiástica e, nesta fase, em inúmeros casos, tal poder eclesial assume caráter eminentemente político.
O rei tinha o poder de nomear bispos e padres e tal investidura, muitas vezes, representava interesse bilateral, onde a troca de favores podia ser uma inclinação natural para personalidades voltadas à planos terrenos, e não divinos, como deveriam ser. Em conseqüência disso, foram sendo desvirtuados os verdadeiros objetivos das leis do Santo Ofício.
Pessoas condenadas à fogueira, na maioria das vezes, eram sentenciadas por membros do clero em atendimento aos interesses dos soberanos, vezes sem par, à revelia do Papa.
A questão, portanto, sutilmente embaralhava questões políticas com religiosas e essa confusão ainda ecoa nos dias atuais. Sem dúvida, muitas barbaridades foram cometidas, a maioria delas em nome do Papa e da Santa Madre Igreja. Em nome da Igreja, e não pela Igreja.
Daí a necessidade de pelo menos tentarmos entender, mesmo que palidamente tais questões e seus reflexos exercidos por maus pastores atraídos aos cargos eclesiásticos, não por vocação, mas com a flagrante intenção de trocas de interesses e favores políticos.
Surpreendentemente, muitos destes homens que receberam tais investiduras, eram santos religiosos, piedosos. Pela inata nobreza de caráter, preferiram fidelidade a Roma a serem servis aos interesses do rei. Pagando com a vida, assumiram as honras dos altares.
Em 1542 a Inquisição foi restabelecida como órgão oficial da Igreja, revigorado e dirigido de Roma pelo Santo Ofício, sendo que seu objetivo era deter com violência o avanço protestante em Portugal,
Espanha e Itália. Tempos de significativas mudanças no mapa religioso e político da Europa.
Devemos ressaltar ainda que há muitas divergências entre os historiadores sobre a questão da inquisição. Tribunal da Igreja Católica instituído no século XIII para perseguir, julgar e punir os acusados de heresia – doutrinas ou práticas contrárias às definidas pela Igreja.
A Santa Inquisição é fundada pelo papa Gregório IX (1170?-1241) em sua bula (carta pontifícia) Excommunicamus, publicada em 1231.
No século IV, quando o cristianismo se torna a religião oficial do Império Romano, os heréticos passam a ser perseguidos como inimigos do Estado. Na Europa, entre os séculos XI e XV, o desenvolvimento cultural e as reflexões filosóficas e teológicas da época produzem conhecimentos que contradizem a concepção de mundo defendida até então pelo poder eclesiástico. Paralelamente surgem movimentos cristãos, como os cátaros, em Albi, e os valdenses, em Lyon, ambos na França, que pregam a volta do cristianismo às origens, defendendo a necessidade de a Igreja abandonar suas riquezas. Em resposta a essas heresias, milhares de albigenses são liquidados entre 1208 e 1229. Dois anos depois é criada a Inquisição.
A responsabilidade pelo cumprimento da doutrina religiosa passa dos bispos aos inquisidores – em geral franciscanos e dominicanos –, sob o controle do papa.
As punições variam desde a obrigação de fazer uma retratação pública ou uma peregrinação a um santuário até o confisco de bens e a prisão em cadeia.
A pena mais severa é a prisão perpétua, convertida pelas autoridades civis em execução na fogueira ou forca em praça pública.
Em geral, duas testemunhas constituem prova suficiente de culpa.
Em 1252, o papa Inocêncio IV aprova o uso da tortura como método para obter confissão de suspeitos.


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A condenação para os culpados é lida numa cerimônia pública no fim do processo, no chamado auto-de-fé. O poder arbitrário da Inquisição volta-se também contra suspeitos de bruxaria e todo e qualquer grupo hostil aos interesses do papado.
Nos séculos XIV e XV, os tribunais da Inquisição diminuem suas atividades e são recriados sob forma de uma Congregação da Inquisição, mais conhecida como Santo Ofício.
Passam a combater os movimentos da Reforma Protestante e as heresias filosóficas e científicas saídas do Renascimento.
Vítimas notórias da Inquisição nesse período são a heroína francesa Joana D''Arcjump: BAHFE (1412-1431), executada por se declarar mensageira de Deus e usar roupas masculinas, e o italiano Giordano Bruno (1548-1600), considerado pai da filosofia moderna, condenado por concepções intelectuais contrárias às aceitas pela Igreja.
Processado pela Inquisição, o astrônomo italiano Galileu Galilei prefere negar publicamente a Teoria Heliocêntrica desenvolvida por Nicolau Copérnico e trocar a pena de morte pela de prisão perpétua.
Após nova investigação iniciada em 1979, o papa João Paulo II reconhece, em 1992, o erro da Igreja no caso de Galileu.
A INQUISIÇÃO
A Inquisição é tema que não se esgota. Instituída em 1232 pelo papa Gregório IX ela vigorou até 1859, quando o papado extinguiu definitivamente o Tribunal do Santo Ofício. Portanto, funcionou durante longos seis séculos.
Devido a esta complexidade é que se optou por explorar o campo do confisco dos bens dentro do Tribunal do Santo Ofício, instituição que tão bem se utilizou do poder para manter-se viva no seio da sociedade durante um longo período histórico.
Entretanto, o assunto em questão aparece em todos os momentos da atuação do Santo Ofício, ficando por demais difícil fazer uma boa análise dentro de um período tão longo.
Devido a isto delimitei um pouco mais meu campo de atuação e me restringi ao solo português, tentando entender a questão de forma mais precisa.
A Inquisição em Portugal foi instituída em 1536, nos moldes medievais sob a liderança do poder régio. Diferentemente da Inquisição medieval, que possuía como objetivo maior o combate às heresias, a Inquisição portuguesa era comandada pelo rei que centralizava, fortificava e solidificava seu poder através do confisco dos bens.
Afinal alguém teria que manter tão complexa estrutura.
O alvo maior em solo lusitano era o cristão-novo, judeus convertidos a fé cristã, que a Inquisição julgava manter seus ritos judaicos secretamente.
Acusados de profanar as hóstias e desvirtuar muitos cristãos do caminho de Deus, esse povo pagou com a vida e com seus bens a manutenção do equilíbrio do reino.
Ë bem verdade que antes da Inquisição se oficializar em terras portuguesas os judeus tiveram proteção e abrigo em troca de alguns tributos especiais do próprio Estado, mas isso só durou enquanto isso trazia algum benefício ao poder régio.
Instaurada a Inquisição era preciso que se tivesse hereges a serem perseguidos e nada mais cômodo do que unir o útil ao agradável, ter quem se queimasse na fogueira deixando todos seus bens para a santa madre igreja.
É claro que a fórmula não é tão simplista assim, mas devido as circunstâncias tudo leva a crer que abusos dessa ordem eram cometidos, pois quando da instalação da Inquisição em solo lusitano, tentou se conter abusos no tocante ao confisco de bens.
Tanto que pela bula de 23 de maio de 1536, a qual instituí o Tribunal do Santo Ofício em Portugal, se determinava que não deveria haver confisco de bens em todo o território por pelo menos dez anos.
Em 1576, nova tentativa de se conter abusos decretando-se que seria excomungado aquele que tomasse os bens de judeus confiscados pelo poder da Inquisição.
Neste sentido, pode-se dizer que se havia leis e decretos tentando coibir a ação da Inquisição sobre os bens de seus condenados é porque os abusos existiam e muitos foram os sacrificados em favor da permanência do poder régio e eclesiástico.
O presente estudo teve como fonte histórica o Manual dos Inquisidores, obra escrita em 1376 por Nicolau Eymerich e revisado em 1576 por Francisco de la Peña.
A obra se delimita a ação do Santo Ofício, esclarecendo o funcionamento, a estrutura e a atuação da Inquisição sob os auspícios da Igreja católica.
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A Inquisição foi criada na Idade Média (século XIII) e era dirigida pela Igreja Católica Romana.
Ela era composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça às doutrinas (conjunto de leis) desta instituição.
Todos os suspeitos eram perseguidos e julgados, e aqueles que eram condenados, cumpriam as penas que podiam variar desde prisão temporária ou perpétua até a morte na fogueira, onde os condenados eram queimados vivos em plena praça pública.
Aos perseguidos, não lhes era dado o direito de saberem quem os denunciara, mas em contrapartida, estes podiam dizer os nomes de todos seus inimigos para averiguação deste tribunal medieval.
Com o passar do tempo, esta forma de julgamento foi ganhando cada vez mais força e tomando conta de países europeus como: Portugal, França, Itália e Espanha. Contudo, na Inglaterra, não houve o firmamento destes tribunais.
Muitos cientistas também foram perseguidos, censurados e até condenados por defenderem idéias contrárias à doutrina cristã.
Um dos casos mais conhecidos foi do astrônomo italiano Galileu Galilei, que escapou por pouco da fogueira por afirmar que o planeta Terra girava ao redor do Sol (heliocentrismo).
A mesma sorte não teve o cientista italiano Giordano Bruno que foi julgado e condenado a morte pelo tribunal.
As mulheres também sofreram nesta época e foram alvos constantes.
Os inquisidores consideravam bruxaria todas as práticas que envolviam a cura através de chás ou remédios feitos de ervas ou outras substâncias.
As "bruxas medievais" que nada mais eram do que conhecedoras do poder de cura das plantas também receberam um tratamento violento e cruel.
Este movimento se tornava cada vez mais poderoso, e este fato, atraía os interesses políticos.
Durante o século XV, o rei e a rainha da Espanha se aproveitaram desta força para perseguirem os nobres e principalmente os judeus.
No primeiro caso, eles reduziram o poder da nobreza, já no segundo, eles se aproveitaram deste poder para torturar e matar os judeus, tomando-lhes seus bens.
Durante a esta triste época da história, milhares de pessoas foram torturadas ou queimadas vivas por acusações que, muitas vezes, eram injustas e infundadas.
Com um poder cada vez maior nas mãos, o Grande Inquisidor chegou a desafiar reis, nobres, burgueses e outras importantes personalidades da sociedade da época.
Por fim, esta perseguição aos hereges e protestantes foi finalizada somente no início do século XIX. A religião não é culpada pelos maus atos de seus administradores"
"A pior heresia é não acreditra na bruxaria"
INQUISIÇÃO OU SANTO OFÍCIO (1231 – 1820 )
• Instituição medieval que atravessou a era moderna.
Foi o legado da histeria e paranóia da imaginação religiosa e política da igreja contra as heresias que ameaçavam seus domínios, oficializada pelo papa Gregório IX (1227-1241).
Inicialmente, tinha o intuito de salvar a alma dos hereges.
Mais tarde, entretanto, passou a empregar a tortura e a fogueira como forma de punição, com autorização do papa Inocêncio IV, em 1254.
No auge de seu furor, cerca de 50 mil pessoas foram condenadas à morte no período entre 1570 e 1630, em toda Europa.
Através da colonização, essa prática odiosa estendeu–se ao Novo Mundo, sendo aplicada até mesmo pelos reformadores protestantes na América do Norte.
Não poupou mulheres, crianças, velhos, santos, cientistas, políticos, loucos e até mesmo gatos que foram vítimas do auto de fé promovido pelos bondosos cristãos!
Muitas controvérsias surgiram acerca deste melindroso e delicado assunto.
Se por um lado a história registra excessos e atrocidades, muitas mentiras também foram levantadas com o único objetivo de caluniar a Igreja Católica.
Foram períodos duros para a Igreja, que teve de agir com veemência diante do surgimento de heresias que ameaçavam destruir os princípios básicos da Sã Doutrina.
Entretanto, para entendermos os excessos e grandes abusos na aplicação do regimento da Santa Inquisição, devemos estudar também a questão da investiduras, que será tratado num tópico à parte.

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Resumidamente, podemos dizer que naquela ocasião os soberanos exerciam forte interferência política nas decisões regionais da Igreja, muitas vezes influenciando diretamente na escolha de bispos e padres. Muitos deles santificaram-se nos cargos em que foram investidos.
Outros, porém, sem o menor resquício de vocação religiosa, aceitavam tal condição unicamente para atender os interesses dos nobres.
Um tipo de influência política semelhante a história registrou no caso do julgamento de Santa Joana D'Arc, apesar de nesta época a questão das investiduras ser já uma página virada.
Ao ser aprisionada quando tentava libertar a cidade de Compiègne, foi sumariamente sentenciada sem que pudesse recorrer às instâncias superiores da Igreja.
Assim, apoiada pelo clero francês, acabou sendo condenada à morte como herética pelo clero inglês e, ao apelar para o Papa, o Bispo francês Pedro Cauchon, simpático à coroa inglesa, retrucou: "O Papa está muito longe".
Aplicou-se , assim a pena capital através de uma decisão iníqua, maliciosa e política, sem direito à apelação, sem o conhecimento do Papa.
Não é à toa ser notório que muitos acusam e responsabilizam a Santa Igreja por tais excessos.
Sem conhecimento de causa, ignoraram a má conduta daqueles falsos pastores, políticos e iníquos que, usurpando suas funções eclesiais, aplicavam penas capitais baseada nos seus interesses escusos.
Não fosse assim Santa Joana D'Arc não teria sido elevada aos altares, para honra dos católicos e glória de Deus.
• TORTURAS APLICADAS AOS PAGÃOS
Aos poucos a perseguição ia tomando proporções maiores.
Até que em 1484, o Papa Inocêncio VIII, declarou deliberadamente que a Bruxaria era uma grave heresia, redigindo uma bula papal que liberava o poder da Inquisição contra as pessoas que praticassem Feitiçaria, Magia ou Bruxaria.
Com o passar do tempo, a prática da Bruxaria tornou-se uma ilegalidade.
O Catolicismo medieval transformou o culto à Grande Deusa Mãe, num culto satanista, fazendo as pessoas acreditarem que quem cultuava os Deuses pagãos, estava servindo a Satã.
Inquisidores e informantes eram muito bem pagos.
Todos os que testemunhassem contra uma pessoa supostamente herege, recebiam uma parte de suas propriedades e riquezas, caso a vítima fosse condenada.
A caça às Bruxas tornou-se muito lucrativa.
Em 1486 era publicado um livro chamado Malleus Maleficarum, com uma lista de requerimentos e indícios para condenar um Bruxo:
Difamação notória por várias pessoas que afirmassem ser o acusado um Bruxo;
Se um Bruxo desse testemunho de que o acusado também era Bruxo;
Se o suspeito fosse filho, irmão, servo, amigo, vizinho ou antigo companheiro de um Bruxo;
Se fosse encontrada a suposta marca do Diabo no suspeito.
Se fosse encontrada a suposta marca do Diabo no suspeito.
O tratado afirmava que as mulheres deveriam ser as mais visadas, pois são naturalmente propensas à feitiçaria.
E com o Malleus Maleficarum, os inquisidores saiam à procura de vítimas para o louco movimento imposto pelas autoridades eclesiásticas.
Quando um suspeito era acusado, em geral, não poderia ser executado antes de confessar que era Bruxo, o que era obtido através de torturas.
Diversos métodos foram adotados. Entre eles a perfuração da língua, enforcamento lento, imersão em água quente, cadeiras de ferros em brasa, tornos para a perna; entre inúmeras outras formas de tortura.
Os julgamentos em Toulouse, na França, em 1335, levaram diversas pessoas à fogueira; setecentos Feiticeiros foram queimados em Treves, quinhentos em Bamberg.
Com exceção da Inglaterra e dos EUA, os acusados eram queimados em estacas. Na Itália e Espanha, as vítimas eram queimadas vivas.
Na França, Escócia e Alemanha, usavam madeiras verdes para prolongar o sofrimento dos condenados.
No século XVIII chega ao fim as perseguições aos pagãos, sendo que a lei da Inquisição permaneceu em vigor até meados do século XX, mesmo que teoricamente.
Na Escócia, a lei foi abolida em 1736, na França em 1772 e na Espanha em 1834.
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O pesquisador Justine Glass afirma que cerca de 9 milhões de pessoas foram acusadas e mortas, entre os séculos em que durou a perseguição contra a Bruxaria.
As mesmas pessoas (juízes, governantes e clérigos) que concluíram que existia a prática da Bruxaria, decidiram que isso não mais poderia ser considerada uma heresia criminosa.
Quando Jesus Cristo morreu, o apostolo Paulo saiu pelo mundo pregando os ensinamentos de amor ao próximo que o filho de Deus havia deixado, inclusive a 'Boa Nova' ou seja, redenção através da fé em Jesus.
Por um certo tempo, a fé cristã foi proibida, mas em 313 D.C o Império Romano reconheceu o cristianismo como religião e em 380 ela se tornou oficial, e foi precisamente depois da queda do Império Romano, e de suas crenças pagãs, que a primeira ordem religiosa cristã foi formada 'Ordem dos Beneditinos', daí então a Igreja Católica entra com toda sua força no cenário histórico e inicia-se então a Idade Média.
Nessa época, a maioria da população era muito ignorante e supersticiosa, pois a Igreja detinha todo o conhecimento nos mosteiros, e a filosofia base desse período era o 'Teocentrismo', ou seja, Deus no centro de tudo.
Mas entre os séculos XV e XVI as coisas começam a mudar, e o 'Teocentrismo' decaí, dando lugar ao 'Antropocentrismo', ou seja, homem como o centro de tudo.
Daí então, a Arte, a Ciência, Filosofia, tudo, ia se desvinculando mais e mais da teologia cristã, e foi inclusive nessa época que se inventou a imprensa o que foi muito importante, pois tornava os livros mais acessíveis à população, sem contar que poderia se ter a Bíblia em casa, e não mais somente em latim, o que possibilitava a interpretação pessoal de Deus e da religião.
Foi nesse cenário também, que Lutero questionou a religião dominante e criou seu próprio culto.
Era natural que com todo esse fervilhar de acontecimentos, que descentralizavam mais e mais o poder da Igreja Católica, ela quisesse arranjar um jeito de acabar com tudo isso e ser novamente o centro das atenções, então adivinhem o que ela fez?
Em 1231, a Igreja já havia decretado uma lei contra a bruxaria, mas suas atividades eram muito reduzidas, mas foi no século XVI que ela foi reavivada.
Já deu para perceber por aí, que os Tribunais foram restaurados não pela Bruxa em si e sim para conter o avanço da perda de autoridade cristã.
A FÉ CATÓLICA TAMBÉM USAVA A MAGIA
São Jerônimo pregava que "Um amuleto de Safira consegue os favores de príncipes, pacifica os inimigos e obtém a liberdade do cativeiro" e não quis dizer com isso que a pedra poderia ser usada como dinheiro.
O Papa Urbano V incentivava o uso de um bolo de cera chamado Agnus Dei, que protegia contra o perigo de raios, fogo e água. - Existia também uma crença, que se a Missa dos Defuntos fosse rezada para alguém ainda vivo, essa pessoa morreria.- Autoridades civis e padres utilizavam bruxas para provocar tempestades contra seus inimigos e durante batalhas.-
Ainda no final do Século XX , temos resquícios da magia cristã, observe as medalhinhas, fitinhas para colocar nos automóveis, água benta e etc...
Esse clima todo de superstição e medo contribuiu para o surgimento de várias lendas, e vocês sabem por que o Demônio segundo a concepção cristã possui cifres?
Isso é explicado, porque muitos povos tinham como Deus é usava chifres, que, aliás, eram símbolo de fertilidade, luz, sabedoria e conhecimento divino.
Vejam essa citação: "Glória de Moisés é como o primogênito de seu novilho, e seus chifres são como chifres de unicórnio" (Deuteronômio)
.Outra coisa que ajudou muito a prejudicar a imagem da Deusa Mãe, foi a visão de que se tinha da mulher, ou seja, que ela era origem de todo o Mal, começando por Eva que havia conspirado com a Serpente.
Os protestantes tiveram também sua parcela de culpa, e atribuíam o canto, a dança, o sexo e tudo mais que fosse motivo de alegria e prazer à intervenção direta do Demônio.
Enquanto que na Bruxaria isso é uma forma de celebrar os Deuses "todos os atos de amor e prazer são os meus rituais".
Tudo era motivo para se acusar alguém (principalmente uma mulher) de bruxaria:
clitóris grande, marcas de nascença, cabelos avermelhados, olhos azul pálidos, mamilos avantajados e etc...
E o pior é que esses exames muitas vezes eram realizados em público, e muitos observadores estavam mais interessados em verem mulheres nuas que procurarem 'marcas do diabo
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As parteiras, as mulheres que utilizavam ervar, pessoas que tratavam de dores, muitas e muitas foram todas queimadas, pois a Inquisição era um grande negocio (bens confiscados).
O pior de tudo é que bastavam boatos para que alguém fosse condenado, mas uma das piores partes era a tortura, que durava até 24h por dia.
Os tornozelos eram quebrados, seios decapitados, enxofre entornado nos cabelos, tendões desfibrados, espáduas deslocadas, e muitas vezes as vítimas eram estupradas com objetos cortantes, e ainda por cima, na hora da execução, adicionava-se enxofre nas fogueiras para que a vítima não morresse sufocada e sim queimada.
À medida que o século XVII avançava, as pessoas ficavam mais céticas em relação à Bruxaria, e em 1712 a ultima pessoa foi morta pela Inquisição na Inglaterra, embora as
leis foram até meados do século XX, deixando saldo de milhões de mortos, a maioria mulheres.
E inclusive uma anciã foi espancada na Hungria por ser Bruxa e as pessoas envolvidas no caso foram absolvidas.
E assim se encerra um triste episódio da história da humanidade, mas apesar de não termos mais fogueiras temos o preconceito.

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