OUTRAS CIVILIZAÇÕES
CAPITULO 8
• SUMÉRIA
Antes da chegada dos sumérios, a baixa Mesopotâmia fora ocupada por um povo não pertencente ao grupo semita, modernamente conhecido como ubaida, termo derivado da cidade de al-Ubaid, onde foram encontrados seus primeiros vestígios.
Primeira força civilizatória presente na área, os ubaidas estabeleceram-se no território entre 4500 e 4000 a.C. Drenaram os pântanos para a agricultura, desenvolveram o comércio e estabeleceram indústrias, entre as quais manufacturas de couro, metal, cerâmica, alvenaria e tecelagem. Mais tarde, vários povos semitas infiltraram-se no território dos ubaidas e formaram uma grande civilização pré-suméria.
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O povo conhecido como sumério, cuja língua predominou no território, veio provavelmente da Anatólia e chegou à Mesopotâmia por volta de 3300 a.C.No terceiro milénio, haviam criado pelo menos 12 cidades-estados: Ur, Eridu, Lagash, Uma, Adab, Kish, Sipar, Larak, Akshak, Nipur, Larsa e Bad-tibira. Cada uma compreendia uma cidade murada, além das terras e povoados que a circundavam, e tinha divindade própria, cujo templo era a estrutura central da urbe.
Com a crescente rivalidade entre as cidades, cada uma instituiu também um rei.
O primeiro rei a unir as diferentes cidades, por volta de 2800 a.C., foi o rei de Kish, Etana.
Por muitos séculos, a liderança foi disputada por Lagash, Ur, Eridu e a própria Kish, o que enfraqueceu os sumérios e os tornou extremamente vulneráveis a invasores.
Entre 2530 e 2450 a.C., a região foi dominada pelos elamitas procedentes do leste. Teve maiores consequências a invasão, pelo norte, dos acadianos, cujo rei Sargão de Acad integrou a Suméria a seu império. Sargão conseguiu ainda submeter os elamitas, antes de lançar-se à conquista das terras ocidentais, até a costa síria do Mediterrâneo.
Criou assim um modelo unificado de governo que influenciou todas as civilizações posteriores do Oriente Médio Sua dinastia governou aproximadamente entre 2350 e 2250 a.C.
Após o declínio da dinastia acadiana, por volta do ano 2150 a.C. o território foi invadido e
devastado pelos gútios, povo semibárbaro originário dos montes Zagros, a leste da Mesopotâmia. Graças à relação do rei de Uruk, que expulsou os invasores, as cidades ficaram novamente independentes.
O ponto alto dessa era final da civilização suméria foi o reinado da terceira dinastia de Ur, cujo primeiro rei, Ur-Nammu, publicou o mais antigo código legal encontrado na Mesopotâmia.
Depois de 1900 a.C., quando os amorritas conquistaram todo o território mesopotâmico, os sumérios perderam sua identidade como povo, mas a cultura suméria foi assimilada pelos sucessores semitas.
A escrita cuneiforme surgiu na Mesopotâmia, no terceiro milênio anterior à era cristã.
Escrevia-se sobre tábuas de argila, com estiletes de bambu.
Depois, a tábula era endurecida ao sol ou em fornos. Graças a essa escrita, decifrada por lingüistas e arqueólogos, foi possível conhecer inúmeros aspectos da vida, religião e instituições da Suméria. Os sumérios possuíam uma rica literatura, que incluía poemas, epopeias, hinos, lamentações, provérbios etc. A criação poética mais notável foi o Gilgamesh, ao qual se somam os mitos de Tamuz e da deusa Nanai Ishtar de Uruk, do pastor Etana, do herói Adapa etc. Os templos e edifícios, em geral feitos de tijolos crus e cozidos, não se conservaram, pois os materiais empregados não resistiram ao passar dos séculos. Em compensação, além das tábuas, conservaram-se estelas e cilindros gravados, que eram utilizados como selos, além de esculturas em pedra. Os sumérios trabalhavam o bronze, o cobre, o ouro e a prata.
O MISTÉRIO DOS SUMÉRIOS
Os primeiros registros dos sumérios remontam mais de 2.300 anos antes de nossa era.
Sua origem ainda permanece desconhecida. O que sabemos no entanto, é que os Sumérios possuíam uma cultura superior, plenamente desenvolvida, a qual impunham aos semitas, em parte ainda bárbaros.Quanto aos seus deuses, estes os procuravam nos cumes da montanhas, ou, quando não haviam montanhas onde se encontravam, faziam aterros formando morros artificiais.
CONHECIMENTOS E TECNOLOGIA
A astronomia suméria era extremamente avançada.
Seus observatórios eram capazes de obter cálculos do ciclo lunar que diferiam somente 0.4 segundos dos nossos cálculos tatuais.
Foi encontrado também, na colina de Kuyundjick (a antiga Nínive), um cálculo com impressionantes 15 casas, com resultado final igual a 195.955.200.000.000.
Os gregos, no auge de seu saber, não se atreveram a ultrapassar o número 10.000, considerando tudo o que passasse deste valor como infinito.
Na cidade de Nipur, a 150 quilômetros de Bagdá, foi encontrada uma biblioteca sumeriana inteira, contendo cerca de 60.000 placas de barro com inscrições cuneiformes.
Suas tábuas de argila contém informações preciosas sobre o Sistema Solar.
O mais impressionante são os dados sobre Plutão – planeta só (re)descoberto em 1930! Eles possuíam conhecimentos sobre o tamanho, composições químicas e físicas de Plutão e afirmavam que este era na verdade um satélite de Saturno que se “desprendeu” e ganhou nova órbita. A Lua era por eles chamada de “pote de chumbo” e diziam que seu núcleo era uma cabaça de ferro. Durante o programa Apollo, a NASA confirmou estes dados…
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IDADES AVANÇADAS
Segundo os escritos cuneiformes encontrados, os sumérios conseguiram alcançar idades fantásticas. Segundo estes escritos, os dez primeiros reis governaram, no total, 456.000 anos e os vinte e três reis seguintes, 24.510 anos, 3 meses e 3 dias e meio – período o qual trouxe muitos aborrecimentos a estes reis, ocasionados pela era pós-dilúvio, tempo de reconstrução geral.
O Dilúvio Segundo os Sumérios: Influência Extraterrestre?
Reza um escrito cuneiforme sumério: “E depois veio o dilúvio e após o dilúvio a realeza tornou a descer mais uma vez do céu…”
Este trecho, de uma das placas encontradas, faz parte da mais antiga descrição do dilúvio que temos conhecimento. Mais antiga até que o poema épico de Gilgamés.
Na mais antiga das placas até hoje encontradas, o “Noé” dos sumerianos chamado Ziusudra, morava em Shuruppak e lá construiu sua arca. Os sumérios foram edificando ao longo dos séculos torres, pirâmides e casas com todo o conforto para seus “deuses” a quem ofereciam sacrifícios enquanto aguardavam o regresso – e a cada cem anos eles retornavam.
Seria possível que seres extraterrestres tivessem descido nesta região da terra, passado um pouco de seus conhecimentos para os sumérios e de tempos em tempos voltassem para saber como estavam seus “pupilos”? Isso explicaria a fantástica vida dos reis sumérios e sua incrível tecnologia.Na tradução das placas de barro sumérias encontradas, diz-se que a Terra teve origem extraterrestre, através da colisão de dois corpos celestes.
Parte dos destroços caíram aqui e no outro corpo celeste chamado Nibiru.
Os sumérios acreditavam que seus deuses vieram deste planeta – “o décimo segundo planeta” – que completa uma volta ao Sol a cada 3.600 anos.
A história diz ainda que após 35 milhões de anos, Nibiru corria risco de se acabar totalmente, então, como a Terra era o único planeta com condições favoráveis para a sua sobrevivência, fizeram misturas genéticas entre os primatas e a sua espécie.
Esta mesma história conta que estes eram seres humanóides gigantes que, com o passar do tempo, misturaram-se com os humanos, gerando assim novas raças e etnias: os “filhos dos deuses”. Estas plaquetas também contém advertências dos ET’s sobre as calamidades que o planeta iria passar. Segundo estas advertências, o planeta Nibiru passaria muito perto da Terra, fazendo com que a atracão gravitarias dos dois planetas provocasse um cataclismo.
Investigando a mitologia sumeriana e algumas plaquetas e quadros acádicos, temos que os “deuses” sumerianos não tinham forma humana, e o símbolo de cada um dos deuses era invariavelmente ligado a uma estrela.
Nos quadros acádicos, as estrelas estão reproduzidas assim como desenharíamos hoje.
O singular porém, é que estas estrelas são rodeadas de planetas de diversos tamanhos.
Como poderiam saber os sumérios que uma estrela possui planetas?
OS DEUSES SUMERIANOS
Os deuses sumerianos correspondiam a estrelas / astros. Seu deus supremo, Marduk (Marte), segundo o que se sabe, teve construída em sua homenagem, uma estátua em ouro puro, de oitocentos talentos de peso; isso correspondia a uma imagem de 24 toneladas de ouro puro!
Ninurta (Sírio) era o juiz do Universo.
Este pronunciava sentenças sobre os mortais. Há placas com inscrições dirigidas à Marte, Sírio e às Plêiades. Suas descrições sobre as armas utilizadas por estes deuses para combater os inimigos, nos remontam a bomba atómica!
Foram encontrados desenhos e até uma maquete de uma residência assemelhando-se a um abrigo anticatólico pré-fabricado, redondo e tosco e com uma única entrada estranhamente emoldurada.
Por que e como um povo de mais de 3 mil anos iria construir um abrigo antiaéreo?
CURIOSIDADES ENCONTADAS NAS TERRAS DOS SUMÉRIOS
Em Geoy Tepe, desenhos espirais, uma raridade há 6 mil anos;
Em Gar Kobeh, uma indústria de pedreneiras, a qual se atribuem 4 mil anos de idade;
Em Baradostian, achados idênticos com idade provável de 30 mil anos;
Em Tepe Asiab, figuras, túmulos e instrumentos de pedra com data anterior a 13 mil anos passados;No mesmo local foram encontrados excrementos petrificados de origem desconhecida (não humana); Em Karim Schair encontraram-se buris e outras ferramentas;
Em Barda Balka, foram desenterradas ferramentas e armas de pederneira;
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Na caverna de Schandiar foram encontrados esqueletos de homens adultos e de uma criança, que datam cerca de 47 mil anos, conforme avaliação realizada pelo processo de C-14.
Conclusão
Estas são somente algumas descobertas feitas no espaço geográfico de Súmer.
Temos então que a cerca de 40 mil anos, na região de Súmer, vivia um aglomerado de seres humanos primitivos. De repente, por motivos até agora desconhecidos (ou não divulgados) pela nossa ciência, lá estavam os sumérios com sua astronomia, cultura e técnicas.
COSMOLOGIAS
.Os Sumérios foram entre cerca de 3.000 e meados do 2000 a.C os criadores da matriz das cosmologias e cosmogonias dos povos que habitaram a região da mesopotâmia,
Cosmologia: A Terra é um disco chato. O céu, um espaço vazio, fechado na parte superior e na parte inferior por uma superfície sólida com a forma de uma abóbada.
O material desta abobada seria provavelmente estanho, metal designado por "metal-do-céu".
Entre o céu e a terra existia uma substância chamada lil, o "vento"(ar, sopro, espírito)
.Da mesma matéria "vento" eram constituídos o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas, possuindo a propriedade da luminosidade. Rodeando o cosmos(céu-terra) por todos os lados, existia o oceano, no seu seio do qual este se encontrava.A manutenção, o controlo e o funcionamento do cosmos era assegurado por uma multiplicidade de seres sobrenaturais. Os deuses viviam numa montanha onde o sol nascia.
Cosmogonia: Ao princípio havia apenas o mar primordial.
A matéria era concebida como eterna. Este mar primordial produziu a montanha cósmica,
composta do céu e da Terra ainda unidos. Personificados e concebidos como deuses de forma humana, o céu, ou seja o Deus An, desempenhou o papel de macho e a Terra, isto é, Ki, o de fêmea. Da sua união nasceu o deus do ar, Enlil, o qual acabou por separar o céu da Terra.
Enquanto seu pai, An, levava o céu, Enlil levava a Terra, sua mãe.
Da união entre Enlil e sua mãe, a Terra, foi gerado o cosmos, os homens, os animais, plantas, etc. (Descrição a partir de Samuel Kramer).
O universo compõe-se de duas partes, uma celeste, outra terrena.
O céu é um hemisfério fixo que cobre o mundo e divide-se em três partes: o céu de Anu, o de Igigi (determinados deuses), no qual vive Bel-Marduk, e o das Estrelas.
Uma base sustém o céu como uma casa.
Cavilhas prendem-no ao oceano celeste e um dique protege-o das águas.
A Terra fica sob a abóbada celeste.
Também ela se divide em três partes: a terra dos humanos, reino de Enlil por debaixo da terra, Ea, o deus da água, e ainda mais abaixo a terra dos deuses inferiores, dos Anunnaki.
A terra está ligada ao céu por um cabo. Tem no centro uma grande montanha.
Um lugar serve de morada aos deuses.
O oceano que cerca a Terra e o céu é a origem de todos os rios e mares.
• HITITAS
Foi a chegada dos hititas, em torno do ano 2000 a.C., que deu unidade política à região da Anatólia. Até então, as populações que ali habitavam desde o neolítico haviam alcançado notável desenvolvimento cultural, mas mantinham-se independentes.
Os hititas foram um dos vários grupos indo-europeus que atingiram a Anatólia a partir do terceiro milênio a.C. Os hititas souberam assimilar as culturas autóctones da Anatólia para criar um estado poderoso, que resultou da extinção ou subordinação de comunidades isoladas, e uma notável civilização. A integração dos pequenos povos da região em um poderoso estado ocorreu ao tempo do rei Labarna. Seu filho Hattusilis I reconstruiu a antiga cidade de Hattusa (posteriormente Bogazköy, na Turquia) e dali organizou incursões para o sudeste, chegando até o Eufrates, com intenção de apoderar-se do norte da Síria.
Seu herdeiro e continuador, Mursilis I, chegou até a Babilônia, onde derrotou a dinastia amorrita em 1590 a.C. Com a morte de Mursilis I, ocorreram lutas dinásticas, das quais saiu vencedor Telipinus I, que mobilizou o exército hitita para defender suas possessões na Anatólia dos ataques de povos vizinhos.
No princípio, os hititas não participaram das lutas entre Egípcios e hurritas na Síria;
mais tarde intervieram contra os egípcios, de quem arrebataram Alepo. No entanto, os hurritas logo depois ocuparam a cidade e uniram-se aos egípcios.
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O império hitita perdeu o controle da Síria e entrou em processo de decadência, agravado por invasões dos hurritas e de outros povos, como os kaska, do norte.
A capital, Hattusa, foi incendiada durante um ataque. Entre 1380 e 1346 a.C., Suppiluliumas conseguiu reconquistar e repovoar a Anatólia e empreendeu a conquista da Síria.
Esse foi o reinado em que a civilização hitita alcançou o ponto culminante.
O novo império demonstrou a superioridade de seu exército frente aos egípcios e hurritas.
Durante o reinado de Muwatallis, entre 1320 e 1294 a. C., ressurgiu a luta pela conquista da Síria e houve um grande choque entre hititas e egípcios na batalha de Kadesh. Mesmo com a área sob domínio hitita, o faraó Ramsés II proclamou-se vitorioso; a batalha foi representada no famoso relevo do templo egípcio de Karnak.
Com Hattusilis III (1275-1250 a.C.), houve um período de estabilização, no qual empreenderam-se grandes construções em Hattusa e restabeleceu-se a amizade com o Egipto.
Pouco depois do ano 1200 a.C., o império hitita desfez-se, provavelmente devido a incursões dos chamados "povos do mar" e dos frígios no interior.
Algumas zonas da Cilícia e Síria mantiveram a identidade hitita e organizaram-se em pequenos principados independentes que, pouco a pouco, foram incorporados pelos assírios.
A história dos hititas foi reconstituída pelos arqueólogos a partir do século XIX, quando Archibald Henry Sayce começou a investigar a existência dos hittiim, a que o Antigo Testamento se refere como habitantes da zona palestina antes dos israelitas.
A documentação escrita revelou a história desse povo, mas os períodos mais antigos, anteriores à escrita, permaneceram desconhecidos até achados arqueológicos mais completos. Os documentos hititas, gravados em tábulas e esculturas, demonstraram que a região da Anatólia teve uma notável organização política e social. A principal forma de escrita, de origem Mesopotâmica, era a cuneiforme, embora no norte da Síria também se empregasse um tipo de hieróglifo. A língua hitita era indo-européia, ainda que com raízes de outros ramos lingüísticos.
Desde os tempos mais remotos, os chefes de estado a dotavam o título de reis com carácter hereditário. O monarca era legislador, chefe do exército e juiz supremo.
A assembleia de nobres, pankus, a cuja jurisdição estava submetido o monarca, foi criação de Telipinus, e sua função era a de um tribunal especial, que regulava a sucessão ao trono.
O estado era do tipo feudal, sendo os familiares do rei os príncipes das cidades e estados vassalos. Em um nível inferior estavam os sacerdotes e os funcionários civis e militares e, abaixo desses, os artesãos e comerciantes das cidades. Nas zonas rurais encontravam-se os agricultores e os pastores, esses últimos habitualmente nómadas. Os deportados, reféns de guerra e escravos chegaram a formar um contingente considerável na sociedade hitita. Os colonos povoavam as zonas rurais e recebiam do governo sementes e animais para trabalhar a terra.
A administração das aldeias estava a cargo dos anciãos ou notáveis.
O exército era numeroso e constava de unidades de infantaria e de carros ligeiros.
Hábeis na arte da cavalaria - sobre a qual escreveram um tratado - os hititas alcançaram grande perfeição no manejo de carros dotados de arqueiros, com que atacavam de surpresa seus inimigos e deslocavam-se silenciosamente à noite.
Consideravam a guerra como uma decisão divina, se bem que não deixassem de mostrar grande interesse pela justiça e acordos internacionais, como testemunham os numerosos textos legais encontrados. Os hititas respeitaram e toleraram as formas religiosas dos povos autóctones e chegaram a integrar em seu panteão inúmeros deuses de outras procedências.
Os mais importantes eram a deusa solar e o deus da tempestade.
O rei era também sumo sacerdote, considerado intermediário entre as divindades e os homens.
Diversos documentos descrevem as preces e os rituais nos grandes festivais religiosos.
A arte hitita que sobreviveu está ligada geralmente ao culto religioso.
Não foram encontrados restos anteriores a 1.400 a.C. Excreção feita para a arquitectura, de tipo ciclópica, da qual existem restos nas tumbas de Alaca Hüyük, bem como nas muralhas e na acrópole de Hattusa, a arte é especialmente abundante em esculturas.
Nela manifesta-se a influência de egípcios e babilónios, povos mais avançados.
No período do novo império, a escultura destacou-se por apresentar maior originalidade, ainda que conservando a rusticidade do estilo; maior volume e naturalismo aparecem em relevos de um deus da Porta do Rei, em Hattusa.
Da Síria os hititas copiaram as esculturas monumentais de animais, como leões e esfinges, protectores das portas das cidades. Alcançaram alto nível artesanal na cerâmica e no trabalho de metais preciosos, assim como na carpintaria.
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ETRÚRIA
Antes do florescimento da Civilização Romana, desenvolveu-se na Etrúria uma das mais originais culturas do mundo antigo. O domínio dos etruscos sobre grande parte da península itálica, inclusive a região de Roma, perdurou por mais de seis séculos.
O núcleo inicial da Etrúria, no noroeste da península italiana, limitava-se ao norte pelo rio Magra e os Apeninos, a leste pelo rio Tibre e ao sul e oeste pelo mar Tirreno.
No início e no fim do segundo milénio a.C., a península itálica foi invadida pelo norte por povos da idade do bronze, que originaram respectivamente a cultura das terramaras, mais antiga, e a apeniniana. Por volta de 1000 a.C., outros invasores vindos do norte, por terra, ou dos Balcãs, através do mar Adriático, difundiram o uso do ferro e estabeleceram a cultura vilanoviana na região entre o Pó e o Tibre. Povos itálicos, de línguas indo-européias - samnitas, latinos, picentinos, messápios - fixaram-se no Lácio em direcção ao sul e na costa adriática. No século VIII a.C. emergiram, nesse complexo de povos, línguas e culturas, três grandes potências navais expansionistas e colonizadoras: os gregos, que ocuparam o sul da Sicília e da península, e formaram a Magna Grécia; os cartagineses, que se fixaram no norte da Sicília e na Sardenha; e os etruscos, chamados tirrênios pelos gregos, que se estabeleceram na ilha de Elba e na costa italiana, do Arno ao Tibre, e dominaram os vilanovianos.
Dada a riqueza das minas de ferro, cobre, zinco e estanho da Toscana e sua posição de ponte no comércio do Mediterrâneo com a Europa central, os etruscos prosperaram no século VII a.C. Organizados em cidades-estados, as lucomunias, estenderam sua hegemonia sobre a península. Dominaram dos Alpes a Rimini, no Adriático, e de Pisa a Salermo, no Tirreno.
A dinastia etrusca dos Tarqüínios, que vai de 616 a 509 a.C., exerceu influência decisiva na história de Roma, que era então um conjunto de aldeias, e transformou-se numa cidade cercada de muralhas, dominadas pelo Capitólio. Os etruscos foram assim os fundadores de Roma, à qual legaram conhecimentos de engenharia e agrimensura e vários símbolos de autoridade, como a coroa de ouro, o feixe dos lictores e a cadeira curul. A expansão etrusca começou a ser bloqueada a partir da derrota de Cumas, infligida pelos gregos em 524 a.C.
Expulsos de Roma, entraram em decadência: perderam Cápua para os samnitas, Fidena foi destruída pelos romanos e Marcus Furius Camilus tomou Veios. Ao mesmo tempo, a expansão celta lhes tirou o vale do Pó. Romanos e gregos ocuparam as ilhas de Cervetri, Perúgia e Santino. Sua última cidade, Volsínios, foi tomada em 265 a.C., mas muito tempo depois os etruscos ainda mantinham suas tradições e o sentimento de nacionalidade.
Os etruscos eram muito dados a práticas religiosas, que consistiam sobretudo em oráculos para conhecer os desígnios dos deuses. O deus supremo Tinia (ou Tin, Tina) constituía com Uni (Juno) e Minrva (Minerva) a tríade que integrava o conselho divino.
As cidades-estado etruscas formavam uma confederação religiosa que se reunia anualmente no santuário de Voltumma, perto do lago de Bolsena. Essa convenção propiciava também a prática de competições, assembléias políticas e a escolha anual de um rei, cujas funções eram provavelmente nominais. As lucumonias, a princípio monárquicas, passaram a ser oligárquicas, com vasta população de escravos, o que explica o número e a violência dos conflitos sociais que, a partir de 300 a.C., ensanguentaram as grandes cidades de Toscana.
Para dominar a revolta de Volsínios, que em 265 a.C. deu o poder aos escravos, os etruscos solicitaram a intervenção dos romanos, que aproveitaram a ocasião para se apossar da cidade.
O primeiro indício de influência grega é a presença de Centauros, talvez copiados de vasos Coríntios, mas num estilo oriental que lhes dava corpo esguio e pernas longas, o que parece revelar inspiração cretense. Por volta de 550 a.C., o estilo da arte etrusca tornou-se nitidamente jônico, como demonstram as esculturas de terracota de Veios.
Os etruscos tinham também grande apreço pelos baixos-relevos, visíveis nos sarcófagos dos séculos VI e V a.C., como os de Clúsio, que representam danças, cerimónias fúnebres e banquetes, e constituem fonte importante de informação.A pintura foi estudada principalmente por meio dos túmulos descobertos na Tarqüínia e em Clúsio, Cere, Veios, Orvieto e Vulci.
Os monumentos mais famosos são os túmulos dos Áugures e da Leoa.
A influência dos costumes jônicos sobre a Tarqüínia e Clúsio reflete-se nas pinturas de cenas báquicas, como no túmulo dos Leopardos, e no triclínio, na urna funerária e no túmulo de Justiniani.
A arte ática (490-470 a.C.) também exerceu influência sobre as pinturas de um novo estilo clássico, como as do túmulo do Macaco, em Clúsio.
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À submissão da Etrúria a Roma seguiu-se um renascimento da pintura, que a dotou estilo Helenístico. Os etruscos eram bons construtores, mas pouco restou de suas edificações, erigidas preferentemente em madeira. Entre o que resistiu, por ser de pedra, destacam-se fundações de muralhas, conjuntos de casas cuidadosamente pavimentadas, túmulos, e também ruas pavimentadas, que formam verdadeiras cidades dos mortos.
Réplicas do interior das casas, esses túmulos têm molduras, arcos e abóbadas - estas importadas do Oriente pelos etruscos, que as transmitiram a Roma, depois de aperfeiçoá-las.
A técnica do bronze batido ou laminado herdada dos vilanovianos, usada pelos etruscos em túmulos do século VII a.C. e para manufactura de tronos, suportes de caldeirões e outros objectos, foi gradualmente substituída, no século V a.C., pela fundição do metal.
No mesmo século tornou-se comum a prática da gravura no bronze, que também era usado, de preferência ao ferro, para fabricar espadas, lanças e elmos. Os etruscos empregavam o marfim em vários objectos. O uso do âmbar popularizou-se para o fabrico de contas, amuletos e miniaturas montadas em broches.
LÍDIA
A localização geográfica entre a Mesopotâmia e a Jônia conferiu naturalmente à Lídia, no primeiro milénio antes da era cristã, o papel de intermediária comercial e cultural entre o Oriente Médio e a Grécia, especialmente a Anatólia.
Lídia é o nome de uma antiga região da Anatólia ocidental, limitada a oeste pelo mar Egeu, ao norte pela Mísia, a leste pela Frígia e ao sul pela Cária.
Tinha capital em Sardes, às margens do rio Pactolo.
O acesso da região lídia à Capadócia e à Mesopotâmia se fazia por duas grandes vias: a do norte, por Bogazköy, e a do sul, pelo vale do Meandro, por onde se atingia o alto Eufrates e a Síria do norte.
No século VII a.C., o legendário rei Giges fundou uma dinastia em Sardes e iniciou uma política agressiva em relação à Jônia. Aliates, sucessor do filho de Giges, Ardis, estendeu as fronteiras do império lídio até o rio Hális e submeteu as cidades gregas da Jônia.
A dominação imposta aos gregos, no entanto, manifestou-se sob a forma de uma espécie de protectorado, com vantagens comerciais para ambas as partes. Os gregos pagavam taxas e forneciam contingentes militares. Em 543 a.C., Ciro II da Pérsia derrotou Croesus, filho de Ardis e o mais rico soberano lídio, e fez de Sardes a capital ocidental do império persa.
Após ser conquistada por Alexandre o Grande, a Lídia passou a integrar o Império Selêucida e, no período romano, tornou-se parte da província proconsular da Ásia.
Os lídios cultivavam cereais, uva e açafrão, entre outros produtos. Também exploravam as reservas de pedras preciosas e as areias auríferas de Pactolo, produziam tecidos, lã, couro e artigos de ourivesaria. Tributos vindos do exterior, impostos pagos internamente e pedágios cobrados ao longo das rotas caravaneiras contribuíam para enriquecer o tesouro do governo.
Os lídios foram os primeiros a cunhar regularmente uma moeda forte, primeiramente em electro (liga de ouro e prata) e, mais tarde, em ouro e em prata.
Sua cultura apresentava uma mescla de elementos frígios, Hititas, gregos e sírios.
A língua, semelhante ao indo-europeu, era escrita em alfabeto grego acrescido de nove símbolos. Os lídios eram admirados por sua música e perfeição na ginástica, e a eles se atribui a invenção do jogo de dados.
PÉRSIA *
A civilização persa conheceu grande esplendor com a dinastia aquemênida, que manteve longa disputa com as cidades gregas pela hegemonia na Anatólia e no Mediterrâneo oriental.
O território central da civilização persa foi o planalto do Irã, entre o mar Cáspio e o golfo Pérsico, um dos grandes focos de civilização do rio Indo e da Mesopotâmia.
Segundo Heródoto e outros historiadores gregos da antiguidade, o nome Pérsia deriva de Perseu, antepassado mitológico dos soberanos daquela região.
Desde tempos ancestrais, sucessivos grupos étnicos estabeleceram-se na região.
Ao longo do terceiro e do segundo milênios anteriores à era cristã foram formados os reinos dos guti, dos cassitas e dos elamitas, entre outros. No segundo milénio surgiram também as primeiras tribos indo-européias, provavelmente originárias das planícies do sul da Rússia, e no início do primeiro milénio ocorreu a segunda chegada de povos indo-europeus procedentes da Transoxiana e do Cáucaso, entre os quais estavam os medos e os persas.
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Os dois grupos são mencionados pela primeira vez em inscrições da época do rei assírio Salmanasar III, por volta do ano 835 a.C. Entre os séculos IX e VII a.C. ocorreu o estabelecimento, em solo iraniano, de povos citas chegados através do Cáucaso.
Acredita-se que os citas já tivessem se diluído entre os povos árias quando surgiu a figura de Ciaxares, que levou os medos ao auge de seu poderio. Rei dos medos entre 625 e 585 a.C., Ciaxares reorganizou o exército - com a adopção de unidades de arqueiros montados - e, depois de unir suas forças às da Babilónia, enfrentou o poder hegemônico da região, o da Assíria, cuja capital, Nínive, foi destruída em 612. Medos e babilónios dividiram entre si o império assírio.
Astíages, que reinou de 585 a 550 a.C., herdou do pai um extenso domínio, que compreendia a planície do Irã e grande parte da Anatólia.
DINASTIA AQUEMÊNIDA
O rei persa Ciro o Grande, da dinastia aquemênida, rebelou-se contra a hegemonia do império medo e em 550 a.C. derrotou Astíages, apoderou-se de todo o país e em seguida empreendeu a expansão de seus domínios.
A parte ocidental da Anatólia era ocupada pelo reino da Lídia, ao qual estavam submetidas as colónias gregas da costa da Anatólia. Uma hábil campanha do soberano persa, que enganou o rei Ilídio Cromemos com uma falsa operação de retirada, teve como resultado sua captura, em 546 a.C. A ocupação da Lídia se completou mais tarde com a tomada das cidades gregas, as quais, à excreção de Mileto, resistiram durante vários anos.
A ambição de Ciro voltou-se então para a conquista da Babilónia, a poderosa cidade que dominava a Mesopotâmia. Ciro tirou proveito da impopularidade do rei babilónio Nabonido e apresentou-se como eleito pelos deuses da cidade para reger seu destino, e, apoiado pela casta sacerdotal, dominou-a facilmente em 539 a.C. Sucedeu a Ciro o Grande seu filho Cambises II, que em seu reinado, de 529 a 522 a.C., empreendeu a conquista do Egipto, então governado pelo faraó Ahmés II, da XXVI dinastia. Ahmés tentou defender suas fronteiras com a ajuda de mercenários gregos, mas, traído por estes, abriu as portas do Egipto a Cambises, que cruzou o Sinai e destroçou o exército de Psamético III, sucessor de Ahmés, na batalha de Pelusa.
A capital egípcia, Mênfis, caiu em poder dos persas e o faraó foi aprisionado e deportado.
Do Egipto, Cambises tentou levar a cabo a conquista de Cartago, o poderoso império comercial do Mediterrâneo ocidental, mas a frota fenícia negou-se a colaborar com a campanha, o que a inviabilizou. Ao retornar de uma vitoriosa expedição à Núbia, o exército persa foi dizimado pela fome.Enquanto isso, um impostor, fazendo-se passar por irmão de Cambises, apoderou-se da parte oriental do império. Cambises morreu quando descia o Nilo com o resto de suas tropas. Dario I reinou entre 522 e 486 a.C. Um conselho de nobres persas decidiu reconhecer como herdeiro de Cambises um príncipe da casa real,
Dario, que se distinguira como general dos exércitos imperiais por mais de um ano.
Os esforços para consolidar-se no trono ocuparam o novo "rei dos reis", que soube manejar habilmente o castigo e o perdão, até que as forças inimigas foram dizimadas em todo o império.
Tão logo se livrou de seus adversários, Dario prosseguiu com a política de expansão e incorporou a seus domínios grandes territórios do noroeste do sub continente indiano (mais tarde o Paquistão).Depois, as tropas persas tentaram, com pouco êxito, estabelecer o controle das terras litorâneas do mar Negro, para opor obstáculo ao comércio grego. Em 500 a.C., as colónias helénicas da Anatólia se rebelaram contra a autoridade imperial, apoiadas por Atenas.
A relação tardou vários anos, mas depois da derrota da frota grega em Mileto, o exército persa recuperou todas as cidades rebeldes. Quando, no entanto, o imperador persa tentou tomar as cidades da Grécia europeia, sofreu a derrota de Maratona, em Setembro de 490 a.C.
Dário começou a recrutar um enorme exército para dominar a Grécia, mas morreu em 486, ao tempo em que a rebelião do Egipto proporcionava um repouso aos helénicos.
As principais actividades de Dário o Grande à frente do império persa foram as de organização e legislação. Dividiu o império em satrapias (províncias), a cada uma das quais fixou um tributo anual. Para desenvolver o comércio, unificou a moeda e os sistemas de medidas, construiu estradas e explorou novas rotas marítimas. Respeitou as religiões locais e parece ter, ele mesmo, introduzido o zoroastrismo como religião estatal.
Deslocou a capital para Susa e construiu um palácio em Persépolis.
O exército persa, antes formado mediante recrutamento em tempo de guerra, foi reorganizado por Ciro e depois por Dário, que criaram um exército profissional e permanente, só reforçado por recrutamento geral em caso de guerra.
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A elite do exército profissional era constituída pelos "dez mil imortais", guerreiros persas ou medos, dos quais mil integravam a guarda pessoal do imperador.
Imperador entre 485 e 465 a.C., Xerxes, filho de Dário I, reprimiu duramente a revolta que abalou o Egipto no momento em que subiu ao trono, e abandonou a atitude respeitosa de seu pai frente aos costumes das províncias. Nova revolta, na Babilónia, foi dominada em 482 a.C. Conseguida a pacificação do império, o exército de Xerxes invadiu a Grécia dois anos mais tarde.
Depois de vencerem a resistência grega nas Termópilas, os persas tomaram e incendiaram Atenas, mas foram derrotados na batalha naval de Salamina.
A derrota de Platéias, em 479 a.C., conduziu ao abandono da Grécia pelas tropas persas.
O próprio imperador perdeu o interesse por novas conquistas e dedicou-se à vida palaciana nas capitais do império até 465 a.C., quando foi assassinado.
Artaxerxes I, imperador de 465 a 425 a.C., teve que enfrentar uma nova rebelião no Egipto, que levou cinco anos para ser dominada.
Depois do breve reinado de Xerxes II, que governou de 425 a 424 a.C., subiu ao poder Dário II, ocasião em que os governadores da Anatólia souberam aproveitar habilmente a rivalidade entre Esparta e Atenas. Nas guerras do Peloponeso, inicialmente a Pérsia ajudou Atenas, mas depois da desastrosa campanha ateniense contra a Sicília, o império aquemênida contribuiu para o triunfo final de Esparta.
Artaxerxes II reinou de 404 a 359 a.C. e manteve a política de dividir as cidades gregas.
Uma revolta levou à independência do Egipto, e o império começou a se debilitar.
No ano 401 a.C., pela primeira vez uma força militar grega internou-se até o centro do império persa. Dez mil mercenários, sob o comando de Xenofonte, deram apoio a Ciro o Jovem, que se rebelara contra Artaxerxes II.
Depois da derrota de Cunaxa, tiveram que empreender uma longa retirada, narrada por Xenofonte em Anábasis, até voltarem a sua pátria. Durante seu reinado, de 359 a 338 a.C., Artaxerxes III conseguiu reconquistar o Egipto, o que levou o faraó a fugir para a Núbia.
Enquanto isso, uma nova potência, a Macedónia, surgia nas fronteiras ocidentais do império.
Seu rei, Felipe II, depois de derrotar os gregos em Queronéia, em 339 a.C., conseguiu manter toda a Grécia sob sua hegemonia. Concluído o curto reinado de Arses (de 338 a 336), subiu ao poder o último rei aquemênida, Dário III (336 a 330).
A batalha de Granico, em Maio de 334, pôs o império persa em mãos do filho de Felipe,
IMPÉRIO SELÊUCIDA
Depois da morte de Alexandre, ocorrida na Babilónia em 323 a.C., o enorme império por ele conquistado foi dividido entre seus generais.
Seleucos I subiu ao poder na Síria, na Pérsia, na Mesopotâmia e no noroeste do sub continente indiano, mas a Dinastia Selêucida, por ele fundada, não conseguiu manter um controle eficaz sobre tão vasta área, que ficou reduzida com a separação da região do Indo.
Em 247 a.C., a província de Pártia tornou-se independente, e o soberano Ársaces fundou uma dinastia que com o tempo haveria de reinar sobre a Pérsia.
O mais destacado dos imperadores selêucidas foi Antíoco III o Grande, que reinou de 223 a 187 a.C. e estendeu os limites do império a leste e a oeste. Em sua expansão para a Anatólia, ele entrou em conflito com Roma.
Depois da derrota sofrida em Magnésia frente aos romanos, em 190 a.C., o império selêucida, pressionado em sua parte ocidental por Roma e na oriental pelo reino dos partas, foi progressivamente se decompondo.
CIRO O GRANDE
Ciro o grande (560 a 529 a.C.). Segundo a tradição, Ciro o fundador do Império Persa, era neto de Astíages e filho da princesa Mandane, casada com Combises, príncipe persa.
Educado por pastores, tornou-se posteriormente guerreiro.
Notável administrador, recebeu o titulo de "rei do mundo" Fundou Pasárgada.
Estabeleceu um sistema de correios. Tratou bem os vencidos, respeitando sua religião e seus costumes. Suas conquistas militares mais notáveis foram:
Reino da Lídia, onde se apoderou da fabulosa riqueza do rei Creso, nomeado seu conselheiro;
Babilónia, onde foi auxiliado pelos aristocratas, sacerdotes e mercadores babilónicos, que lhe abriram as portas da cidade. Os cativos foram libertados;
Cidades Gregas do litoral do Mar Egeu.
Ciro morreu em 529 a.C. combatendo os massagetas, nômades da Ásia Central.
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Cambises - era filho de Ciro – auxiliado pelos fenícios, cipriotas e semianos, conquistou o Egipto, em 525 a.C. na batalha da Pelusa. Saqueou túmulos, surrou a múmia de um faraó e matou o Boi Ápis. Tentou conquistar a Etiópia cujas riquezas eram lendárias .
Cambises morreu em 523 a.C. a caminho da Média em circunstância misteriosas.
Dario I, o Grande (521 a 485 a.C.) Filho de Histaspes, conselheiro de Ciro, foi notável administrador e guerreiro.
Venceu a Trácia e a Macedónia. Formou uma satrapia na região ocidental do Rio Indo.
Combateu os gregos na primeira guerra média. Realizou grandes obras administrativas, entre as quais: Pacificou e reorganizou o Império, Dividindo-o em satrapias para facilitar a administração;
PERSIA NA GENERALIDADE
A Pérsia está situada entre a Mesopotâmia, o Golfo Pérsico e o Oceano Índico, a Índia e o Turquestão, na Ásia Central. Seu clima é seco e quente. Quase não chove ali. O solo é árido, com pequenas faixas férteis nos vales, onde se formam oásis.
Os povos medos e os persas , habitantes do planalto iraniano, pertenciam ao grupo dos indo-europeus que viviam nas estepes orientais do Mar Cáspio e denominavam-se ários, que quer dizer nobres. Os medos (povos) estabeleceram-se na parte setentrional dos Montes Zagros, próximos da Assíria , por volta do século IX a.C. .Eram altos, bons cavaleiros, valentes.
Dedicavam-se à agricultura e ao pastoreio. Trabalhavam o cobre, o bronze e o ouro.
DECADÊNCIA
A decadência ocorreu em virtude das:
Guerras contínuas; Grande extensão do Império; A incapacidade dos sucessores de Dário I;
Intrigas palacianas.
No reinado de Dário III (336 a 330) , o império Persa caiu sob o domínio de Alexandre Magno, rei macedónio.
ORGANIZAÇÃO POLÍTICA
O governo Pérsico era estruturado na monarquia até o surgimento de Dário I. Com os seus sucessores o poder real decaiu, passando o monarca a dividi-lo como os nobres.
Rei Persa - era chamado "rei dos reis" , residia alternadamente em ecbátana, Susa, Pasárgata e Persépolis, Sua corte era deslumbrante.
Satrapas- eram os governadores de satrapias, eram representantes do rei com poderes para recrutar soldados, praticar justiça, cobrar impostos e realizar obras públicas.
O general - comandava as tropas de ocupação e seu poder contrabalançava com o do sátrapa.
Secretário Real - era o delegado pessoal do rei junto ao sátrapa.
Visão do Rei - eram inspectores reais, que fiscalizavam as satrapias.
ORGANIZAÇÃO SOCIAL
Os nobres eram privilegiados, donos de vasta propriedades, exerciam grande influência na direcção dos negócios políticos e sobre os camponeses.
Os sacerdotes eram chamados de magos , tinham grande influência social, Não só pela função que desempenhavam mas também pelas suas riquezas e sabedoria.
Os camponeses eram fortes , rústicos, constituíam a maioria da população. Viviam simplesmente como agricultores ou nómadas nas planícies e montes da meseta do Irã.
RELIGIÃO
MASDEÍSMO: Organizado por Zoroastro ou Zaratustra.
Com excelentes normas de moral, tem seus fundamentos fixados no "Avesta" livro sagrado.
Admite a existência de duas divindades independentes, hostis e opostas: ORMUZ-MAZDA e ARIMÃ. Ormuz-Mazda - criador de tudo que é bom na terra:O direito, a justiça, a felicidade dos homens, o sol, a água, as árvores, os animais domésticos, os pássaros, porque vivem na luz, e o gato, que anuncia o dia. Concedia favores aos que : não mentissem, não contraíssem dividas, não concebessem maus pensamentos, cultivassem a terra, fossem chefes de família.
ARIMÃ –
Fonte de todo o mal: escuridão, doenças, vícios, crimes, miséria, secas, serpentes, parasitas, aves de rapina.Na luta entre o bem e o mal o espírito do Bem, auxiliado pelos "génios benéficos" , devia
sustentar luta contra o espírito do Mal, ajudado pelos "demónios infernais".
Esta luta terminaria com a vitória de Ormuz-Mazda. As características do Masdeísmo são:
Dualismo;
Crença na imortalidade da alma, na vinda de um Messias, na ressurreição dos mortos, no juízo final; Condenação da cobiça, calúnia, usura, ascetismo, jejum;
Divindades não representadas em escultura; Inexistência de templos
ECONOMIA
A agricultura ocupou o primeiro lugar entre as actividades económicas dos persas. Cultivaram grandes variedades de frutos, cereais e flores.Na industria, fabricavam tecidos de luxo, jóias, armas, mosaicos esmaltados, móveis finos.O comércio persa estendeu-se por terra, até a Fenícia, Egipto e Índia. Por mar, pelo Golfo Pérsico e mares da Índia, reduzindo-se as operações ao intercâmbio com produtos naturais e manufacturados.
ARTES
Nas artes os persas não foram originais. Receberam influência dos assírios, dos hititas, dos babilónios e dos egípcios.Na arquitectura foi a mais importante arte dos persas. Construíram palácios, com egípcias, porém mais leves. As principais construções foram:
Palácios de Ciro, em Pasárgata; Palácio de Dário, em Persépolis.
Os Persas também foram ó timos escultores - as estátuas de touros alados dos persas lembraram as da Assíria.
CIÊNCIAS E AS LETRAS
Os persas não foram bons em ciências.
A literatura era pobre e de carácter religioso. Deixaram apenas algumas inscrições lacónicas.
A escrita - receberam a escrita cuneiforme dos sumerianos e adaptaram-na à sua própria língua.
CONTRIBUIÇÕES
Forma despótica de governo;
E uma religião mais coerente e de bons valores moral.
A civilização persa conheceu grande esplendor com a dinastia aquemênida, que manteve longa disputa com as cidades gregas pela hegemonia na Anatólia e no Mediterrâneo oriental.
O território central da civilização persa foi o planalto do Irã, entre o mar Cáspio e o golfo Pérsico, um dos grandes focos de civilização do rio Indo e da Mesopotâmia. Segundo Heródoto e outros historiadores gregos da antiguidade, o nome Pérsia deriva de Perseu, antepassado mitológico dos soberanos daquela região.
Desde tempos ancestrais, sucessivos grupos étnicos estabeleceram-se na região.
Ao longo do terceiro e do segundo milénios anteriores à era cristã foram formados os reinos dos guti, dos cassitas e dos elamitas, entre outros.No segundo milénio surgiram também as primeiras tribos indo-européias, provavelmente originárias das planícies do sul da Rússia, e no início do primeiro milénio ocorreu a segunda chegada de povos indo-europeus procedentes da Transoxiana e do Cáucaso, entre os quais estavam os medos e os persas.
Os dois grupos são mencionados pela primeira vez em inscrições da época do rei assírio Salmanasar III, por volta do ano 835 a.C. Entre os séculos IX e VII a.C. ocorreu o estabelecimento, em solo iraniano, de povos citas chegados através do Cáucaso.
Acredita-se que os citas já tivessem se diluído entre os povos árias quando surgiu a figura de Ciaxares, que levou os medos ao auge de seu poderio.
Rei dos medos entre 625 e 585 a.C., Ciaxares reorganizou o exército - com a adopção de unidades de arqueiros montados - e, depois de unir suas forças às da Babilónia, enfrentou o poder hegemónico da região, o da Assíria, cuja capital, Nínive, foi destruída em 612. Medos e babilónios dividiram entre si o império assírio. Astíages, que reinou de 585 a 550 a.C., herdou do pai um extenso domínio, que compreendia a planície do Irã e grande parte da Anatólia.
FENÍCIOS
Os fenícios assimilaram as culturas do Egipto e da Mesopotâmia e as estenderam por todo o Mediterrâneo, do Oriente Médio até as costas orientais da península ibérica.
O maior legado que deixaram foi um alfabeto do qual derivam os caracteres gregos e latinos.
Chamou-se Fenícia à antiga região que se estendia pelo território do que mais tarde seria o Líbano e por parte da Síria e da Palestina, habitada por um povo de artesãos, navegadores e comerciantes. Biblo (futura Jubayl), Sídon (Saída), Tiro (Sur), Bérito (Beirute) e Árado foram as suas cidades principais.
O nome Fenícia deriva do grego Phoiníke ("país da púrpura" ou, segundo alguns, "terra das palmeiras").
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Na Bíblia, parte da região recebe o nome de Canaã, derivado da palavra semita kena'ani,"mercador". Os fenícios chegaram às costas libanesas por volta de 3000 a.C. Sua origem é obscura, mas sabe-se que eram semitas, procedentes provavelmente do golfo Pérsico.
No começo, estiveram divididos em pequenos estados locais, dominados às vezes pelos impérios da Mesopotâmia e do Egipto. Apesar de submetidos, os fenícios conseguiram desenvolver uma florescente actividade económica que lhes permitiu, com o passar do tempo, transformar-se numa das potências comerciais hegemónicas do mundo banhado pelo Mediterrâneo.
A dependência dos primeiros fenícios em relação ao poderio egípcio iniciou-se com a IV dinastia (2613-2494, aproximadamente), e é notada pela grande quantidade de objectos de influência egípcia encontrados nas escavações arqueológicas.
No século XIV a.C., a civilização grega de Micenas fez seu aparecimento na Fenícia, com o estabelecimento de comerciantes em Tiro, Sídon, Biblo e Árado.
As invasões dos chamados povos do mar significaram uma grande mudança para o mundo mediterrâneo: os filisteus se instalaram na Fenícia, enquanto Egipto e Creta começavam a decair como potências. Dessa forma, a Fenícia estava preparada no século XIII a.C. para iniciar a sua expansão marítima. A cidade de Tiro assumiu o papel hegemónico na região.
Em pouco tempo, seus habitantes controlaram todas as rotas comerciais do interior, comercializando principalmente madeira de cedro, azeite e perfumes.
Quando dominaram o comércio na área, iniciaram a expansão pelo Mediterrâneo, onde fundaram muitas colónias e feitorias. Os fenícios escalaram primeiro em Chipre, ilha com a qual há muito mantinham contanto, e no século X a.C. se estabeleceram em Cício ou Kítion (Larnaca).
A faixa costeira da Anatólia também conheceu a presença fenícia, embora lá não se tenham estabelecido colónias permanentes.
No sul da Palestina, sob domínio judeu desde o fim do século XI a.C., assentaram-se colónias comerciais estáveis, assim como no Egipto, sobretudo no delta do Nilo.
O Mediterrâneo ocidental foi, no entanto, a região de maior atracão para os fenícios, que mantiveram relações económicas com Creta, mas a presença dos gregos os induziu a dirigirem-se mais a oeste, chegando à Sicília, onde fundaram Mócia (Mótya), Panormo (Panormum) e Solos (Sóloi). No norte da África, os fenícios tinham-se estabelecido em Útica no século XII a.C. e fundaram outros núcleos no século IX a.C., entre os quais Cartago.
Na península ibérica, Gades (Cádiz), fundada no século XII a.C., foi o porto principal dos fenícios, que ali adquiriam minerais e outros produtos do interior.
Na ilha de Malta, a Fenícia impôs seu controle no século VIII a.C., e a partir de Cartago fez o mesmo em relação a Ibiza no século VI a.C.
O esplendor económico e cultural da Fenícia viu-se ameaçado a partir do século IX a.C., quando a Assíria, que precisava de uma saída para o mar a fim de fortalecer sua posição política no Oriente Médio, começou a introduzir-se na região.
O rei assírio Assurbanipal estendeu sua influência a Tiro, Sídon e Biblo, cidades às quais impôs pesados tributos. A dominação assíria obrigou as cidades fenícias a firmarem uma aliança: em meados do século VIII a.C., Tiro e Sídon se uniram para enfrentar os assírios, aos quais opuseram tenaz resistência; mas, apesar desses esforços de independência, a Assíria manteve sua hegemonia. Os egípcios, também submetidos à influência assíria, estabeleceram um pacto defensivo com Tiro no início do século VII a.C., mas foram vencidos.
No fim desse século, Nabucodonosor II impôs a hegemonia da Babilónia no Oriente Médio.
O rei babilónico conquistou a região da Palestina e, depois de longo assédio, submeteu Tiro em 573 a.C. A Pérsia substituiu a Babilónia em 539 a.C. como poder hegemônico.
A partir de então, Sídon passou a ter supremacia sobre as outras cidades fenícias e colaborou com o império persa contra os gregos, seus principais inimigos na disputa do controle comercial do Mediterrâneo.Os persas incluíram a Fenícia em sua quinta satrapia (província), junto com a Palestina e Chipre. Sídon procurou então uma aproximação com os gregos, cuja influência cultural se acentuou na Fenícia. No século IV, o macedónio Alexandre o Grande irrompeu na Fenícia; mais uma vez, Tiro foi a cidade que apresentou a resistência mais forte, mas, esgotada por anos de lutas contínuas, caiu em poder de Alexandre em 322 a.C.
Depois da derrota, toda a Fenícia foi tomada pelos gregos. Finalmente, Roma incorporou a região a seus domínios, como parte da província da Síria, em 64 a.C.
A Fenícia foi um dos países mais prósperos da antiguidade. Suas cidades desenvolveram uma florescente indústria, que abastecia os mais distantes mercados.
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Objectos de madeira talhada (cedro e pinho) e tecidos de lã, algodão e linho tingidos com a famosa púrpura de Tiro, extraída de um molusco, foram as manufacturas fenícias de maior prestígio e difusão. Também eram muito procurados os objectos de metal; o cobre, obtido em Chipre, o ouro, a prata e o bronze foram os mais utilizados, em objectos santuários e em jóias de fino valor. Os trabalhos em marfim alcançaram grande perfeição técnica na forma de pentes, estojos e estatuetas. Os fenícios descobriram ainda a técnica de fabricação do vidro e aperfeiçoaram-na para confeccionar belos objectos.
O comércio se fez principalmente pelo mar, já que o transporte terrestre de grandes carregamentos era dificílimo. Essa exigência contribuiu para desenvolver a habilidade dos fenícios como construtores navais e os transformou em hábeis navegadores.
SOCIEDADE E POLÍTICA
Para a construção de suas cidades e feitorias, os fenícios escolhiam zonas estratégicas do ponto de vista comercial e da navegação. Erguiam-nas sempre em portos protegidos, amplas baías que permitiam aos barcos atracar com facilidade e penínsulas abrigadas.
As cidades eram geralmente protegidas com muralhas, e os edifícios chegavam a uma altura considerável. A classe dos comerciantes ricos exercia o domínio político em cada cidade, governada por um rei. A diversidade arquitectónica das casas fenícias que foi possível conhecer revela a existência de uma marcada diferenciação social entre a oligarquia de mercadores e o conjunto dos trabalhadores artesanais e agrícolas.
A religião dos fenícios era semelhante à de outros povos do Oriente Médio, embora também apresentasse características e influências de religiões e crenças de outras áreas como o mar Egeu, o Egipto e mais tarde a Grécia, em consequência dos contratos comerciais.
A religiosidade se baseava no culto às forças naturais divinizadas.
A divindade principal era El, adorado junto com sua companheira e mãe, Asherat ou Elat, deusa do mar.Desses dois descendiam outros, como Baal, deus das montanhas e da chuva, e Astarte ou Astar, deusa da fertilidade, chamada Tanit nas colónias do Mediterrâneo ocidental, como Cartago. As cidades fenícias tinham ainda divindades particulares; Melqart foi o deus de Tiro, de onde seu culto, com a expansão marítima, passou ao Ocidente, concretamente a Cartago e Gades. Entre os rituais fenícios mais praticados tiveram papel essencial os sacrifícios de animais, mas também os humanos, principalmente crianças.
Em geral os templos, normalmente divididos em três espaços, eram edificados em áreas abertas dentro das cidades. Havia ainda pequenas capelas, altares ao ar livre e santuários com estelas decoradas em relevo. Os sacerdotes e sacerdotisas frequentemente herdavam da família o ofício sagrado. Os próprios monarcas fenícios, homens ou mulheres, exerciam o sacerdócio, para o que se requeria um estudo profundo da tradição.
A civilização ocidental deve aos fenícios a difusão do alfabeto, cuja origem é incerta.
Povo pragmático por natureza, os fenícios parecem haver a dotado e simplificado formas de escrita mais complexas, talvez de procedência egípcia, para criar um alfabeto consonântico de 22 letras, que se escreviam da direita para a esquerda.
Os gregos foram os primeiros a receber essa importante herança fenícia, que remonta ao século XIV a.C.; a exemplo dos latinos e outros povos da antiguidade, transformaram esse alfabeto e lhe incorporaram as vogais.
A arte fenícia constituiu um sincretismo de elementos egípcios, egeus, micênicos, mesopotâmicos, gregos e de outros povos, e tinha um carácter essencialmente utilitário e comercial. A difusão dos objectos fenícios pelo Mediterrâneo contribuiu para estender as influências orientalizantes à arte dos gregos, dos etruscos, dos iberos e outros.
A peça mais destacada da escultura fenícia é o sarcófago de Ahiram, encontrado em Biblo, cuja decoração apresenta motivos talhados em relevo.
CRONOLOGIA DAS CIVILIZAÇÕES ANTIGAS
4000 a.C. –
O marco da Antiguidade é o surgimento da escrita.
O primeiro sistema de escrita, o pictográfico, aparece na Mesopotâmia (actual Iraque) e utiliza pequenos desenhos simplificados (pictogramas) para representar a realidade.
3250 a.C.-1950 a.C. –
Os sumérios instalam-se no sul da Mesopotâmia.
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Colonizam o vale do rio Eufrates e dão origem às primeiras cidades-estados do Crescente Fértil: Ur, Uruk, Eridu, Nippur, Kish e Lagash . Estabelecem técnicas de irrigação e drenagem do solo, constroem canais, diques e reservatórios. Criam a escrita cuneiforme – gravação de figuras com estilete sobre tábua de argila, fazem cerâmica e escultura de pedra e metal.
Utilizam templos de elaborada arquitectura como centro político, económico e religioso.
Politeístas, cultuam divindades da natureza e deuses associados aos sentimentos.
Em 2300 a.C. os sumérios são dominados pelos acadianos.
Recuperam o poder em 2050, mas são derrotados pelos amoritas (povo semita do norte) e pelos elamitas (originários da Pérsia).
3200 a.C.
– Início da civilização egípcia com a unificação das cidades-estados habitadas por tribos nómadas no vale do rio Nilo. É instituída uma monarquia centralizada na figura do faraó, soberano com poder absoluto e hereditário e considerado a encarnação divina.
A agricultura, impulsionada pela irrigação, e o comércio de produtos primários são a base da economia. Politeístas, os egípcios cultuam dezenas de deuses, entre eles Atum, Osíris e a Novena de Heliópolis Realizam grandes avanços na área das ciências.
Lançam os fundamentos da geometria e do cálculo; traçam mapas celestes; situam os pontos cardeais; e elaboram um calendário solar cujos princípios permanecem válidos até hoje.
Para medir os períodos de inundações do Nilo, inventam os relógios de sol e de água.
Criam a escrita hieroglífica (em ideogramas figurativos) decifrada após o estudo da pedra de Roseta, descoberta em 1799.
Também desenvolvem a técnica de mumificação dos corpos e são os principais construtores da Antiguidade, como atestam as monumentais pirâmides de Gizé e os templos de Karnak e de Luxor. A conquista persa, em 525 a.C., põe fim ao Egipto independente
. Em 332 a.C. passa a integrar o Império Macedónico e, a partir de 30 a.C., o Império Romano.
3000 a.C.-146 a.C. –
Povo de origem semita da costa norte do mar Vermelho (actual Líbano), os fenícios vivem em cidades-estados independentes, como Ugarit, Biblos, Sídon e Tiro, governadas por um rei indicado pelas famílias mais poderosas.
Criam um alfabeto, posteriormente modificado pelos gregos, que dá origem ao alfabeto latino.
Sua religião é politeísta, com cultos e sacrifícios humanos.
Célebres pelo comércio marítimo, desenvolvem técnicas de navegação e de fabricação de barcos. Estabelecem várias colónias na costa mediterrânea que servem de entrepostos comerciais, como a cidade de Cartago, no norte da África.
Sua conquista pelos romanos marca o fim da hegemonia fenícia.
-2600 a.C.-1450 a.C. –
Descendentes de povos heterogéneos (sobretudo arianos), os cretenses formam vilas portuárias, entre as quais Cnossos e Maliá, na ilha de Creta.
Praticam um dativo comércio marítimo de produtos manufacturados com o Egipto e Estados do Oriente Médio, base da economia.
Trabalham na metalurgia do bronze e do ouro e constroem grandes palácios, como o de Cnossos – onde, segundo a lenda, fica o labirinto habitado pelo minotauro. Em sua organização social há pouca distinção entre classes e igualdade de direitos entre mulheres e homens. Os cretenses dedicam-se ao afresco, à cerâmica, aos esportes e à dança. Cultuam deuses humanos e animais e utilizam dois tipos de escrita pictográfica em placas de argila. São conquistados pelos aqueus em 1450 a.C.
2400 a.C.-2180 a.C. –
Os acadianos ocupam o norte da Mesopotâmia e dominam os sumérios, enfraquecidos por guerras internas. Originários de tribos semitas, os acadianos aperfeiçoam a arte militar, com tropas de grande mobilidade no deserto e armamentos leves, como o venábulo (lança). Sob o reinado de Sargão, unificam as cidades-estados sumérias, inaugurando o I Império Mesopotâmico, que chega ao fim após as invasões dos gutis, povos asiáticos das montanhas da Armênia.
2000 a.C. –
A migração de povos nómadas de origem indo-européia para a região dos Bálcãs (como aqueus, jônios, eólios e dórios) dá origem à civilização grega.A partir do século VIII a.C. surgem as cidades-estado com instituições políticas, organização social e divindades protectoras próprias.
As principais são Atenas (democrática e comercial) e Esparta (oligárquica e agrícola). A mão-de-obra escrava é utilizada em todos os estores da economia, baseada no comércio marítimo. Também importante é o cultivo de oliveiras, trigo e videiras.
Os gregos criam as Olimpíadas, desenvolvem a filosofia, a dramaturgia, a poesia, a história, as artes plásticas, a arquitectura e a narrativa mitológica – entre elas a Teogonia, principal fonte sobre a origem e história dos deuses gregos . Dedicam-se ao estudo das ciências, como astronomia, física, química, medicina e geometria.
2000 a.C. –
A chegada dos hebreus à Palestina (chamada de Canaã, a Terra Prometida por Deus), sob a liderança do patriarca Abraão, marca o início da civilização hebraica. Os hebreus criam a primeira religião monoteísta da história, o judaísmo. Destacam-se ainda na literatura, contida em parte na Bíblia e no Talmude.
1750 a.C. –
Os arianos invadem o norte da Índia e dominam o povo local, os dravidianos, dando origem à civilização hindu.
O hinduísmo (religião politeísta fundamentada em antigos textos sagrados, os vedas) modela a civilização hindu ao lado do budismo (influente na região a partir do século VI a.C.).
Os sacerdotes (brâmanes) ditam as regras sociais por meio do Código de Manu e instituem o sistema de castas com base em critérios de pureza espiritual. Abaixo dos sacerdotes estão os guerreiros (xátrias), os comerciantes e camponeses (vaixás) e, por último, os servos (sudras).
Os marginalizados (párias) não pertencem a nenhuma casta e podem ser escravizados.
Os hindus possuem agricultura avançada, utilizam a metalurgia e o comércio fluvial.
Usam formas geométricas, animais e motivos religiosos em gravuras, cerâmicas e edificações. A civilização hindu se dissolve em diversos reinos independentes entre 185 a.C. e 320. No período seguinte, os reinos são unificados sob a hegemonia da dinastia Gupta, que é destruída em 535.
-1728 a.C.-1513 a.C. –
Sob o reinado de Hamurabi, um dos reis amoritas, a Mesopotâmia é mais uma vez unificada e tem início o I Império Babilónico, que se estende da Suméria até o golfo Pérsico. Hamurabi organiza um Estado centralizado, hereditário e despótico com capital em Babel, pólo cultural e económico.
Os babilónicos impulsionam a agricultura, instituem impostos em benefício de construções públicas, restauram templos e transcrevem obras literárias mesopotâmicas para o acadiano.
Eles seguem o Código de Hamurabi, o mais antigo código penal da história. A destruição de Babel pelos hititas põe fim ao império.
OLHO POR OLHO –
Criado pelo rei Hamurabi (1728-1686 a.C.), o Código de Hamurabi tem suas penas baseadas no princípio "olho por olho, dente por dente", conhecido como Lei de Talião.
Ao autor do delito é infringido o mesmo castigo que impôs à vítima. Baseado em antigas leis sumérias, compõe-se de 282 artigos. Representa um avanço para a época, pois acaba com a arbitrariedade dos juízes ao classificar delitos e impor regras para a aplicação de penas.
-1640 a.C.-1200 a.C.–
Procedentes das montanhas do Cáucaso, os hititas estabelecem um reino na Capadócia (actual Turquia), com capital em Kussar. Desenvolvem a mineração de ferro, a agricultura, o artesanato e o comércio. Ricos comerciantes e a nobreza administram os negócios do Estado, enquanto servos e escravos se encarregam do trabalho.
O rei centraliza o poder: é juiz supremo, sumo-sacerdote e chefe do Exército. Eles possuem normas que prevêem penas pecuniárias (pagas com dinheiro), privação de liberdade e escravidão. Criam uma escrita hieroglífica e outra cuneiforme.São politeístas e cultuam divindades da natureza. Expandem-se em direcção à Síria, à Babilónia e ao Egipto e acabam dominados pelos gregos (aqueus).
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1600 a.C.
– Surgimento do I Reino Dinástico Chinês, que tem o imperador como pai de todos os súbditos. Posteriormente, o reino se subdivide em cerca de 1,5 mil principados, que buscam maior autonomia por meio de guerras civis. Os chineses desenvolvem a agricultura, a metalurgia de cobre e bronze, o comércio e a fabricação de seda, tecidos e cerâmica. Inventam o papel, a bússola, a pólvora e os sistemas monetário e de pesos e medidas.
Possuem uma escrita com ideogramas e literatura rica, na qual se destacam Confúcio (Kung Fu-tseo) e Lao-Tsé, cujos ensinamentos se transformam em religião no século VI a.C..
Já o budismo é difundido a partir do século I a.C.
-1300 a.C. –
Ascensão da civilização olmeca no golfo do México, que expande seus domínios até o litoral do Pacífico, de El Salvador e da Costa Rica.
Construtores de grandes centros cerimoniais, como o de San Lorenzo e o de La Venta, os olmecas esculpem colossais cabeças de jade e pedra, normalmente representando seus líderes.
Usam a escrita pictográfica e fornecem a base cultural para os povos que habitariam a região nos séculos seguintes, com destaque para os maias e os astecas.
1250 a.C.-1240 a.C. –
Gregos e troianos disputam o domínio da cidade de Tróia na Guerra de Tróia, narrada pelo poeta grego Homero. Em razão de sua localização, no estreito de Dardanelos, entre os mares Egeu e de Mármara, a cidade possui um porto estratégico para o comércio da região. Insatisfeito com os pesados impostos cobrados pelos troianos, o Exército grego destrói a cidade e passa a controlar o comércio marítimo regional.
-ILÍADA–
Segundo o poema épico Ilíada, de Homero, o estopim da guerra é o rapto de Helena, mulher de Menelau (rei de Esparta), pelo príncipe troiano Páris. Liderado por Ulisses, o exército grego finge retirada e deixa diante das muralhas de Tróia um gigantesco cavalo de madeira que escondia soldados em seu interior.Os troianos recolhem o presente por considerar o cavalo um animal sagrado e, dessa forma, a cidade é invadida, saqueada e queimada.
-1250 a.C. ? –
Os hebreus deixam o Egipto – onde foram escravizados – e migram para a Palestina, guiados pelo patriarca Moisés, no episódio bíblico conhecido como Êxodo.
De acordo com a crença judaica, é durante o retorno, no monte Sinai, que Moisés recebe a revelação dos Dez Mandamentos.
1010 a.C.-926 a.C.
– Pressionadas pelas guerras com povos da região, as 12 tribos hebraicas unificadas elegem um rei, Saul, para se defender.
Durante o reinado de Davi (1006 a.C.-966 a.C.) a monarquia se consolida: cobre toda a Palestina e Jerusalém torna-se a capital . No reinado de Salomão (966 a.C.- 926 a.C.), atinge o apogeu.
Após sua morte, as tribos dividem-se nos reinos de Israel e de Judá, no chamado Cisma Hebreu. A nova estrutura enfraquece a unidade hebraica e possibilita sua conquista pelo Império Babilônico em 586 a.C..
A HIERARQUIA NAS TRIBOS –
Inicialmente, as tribos hebraicas são dirigidas de forma absoluta por chefes de família denominados patriarcas. Para garantir a integração, são eleitos juízes que vigiam o cumprimento do culto e da lei. Em 1010 a.C., Samuel, o último juiz, promove a unificação sob a liderança de Saul. -Os patriarcas: Abraão, Isaac, Jacó (ou Israel), José, Moisés e Josué -Os juízes: Otoniel, Barac, Gedeão, Jefté, Sansão, Heli e Samuel -Os reis: Saul, Davi e Salomão
-883 a.C.-612 a.C. –
A fundação da cidade de Assur, na Mesopotâmia, dá origem ao Império Assírio. O apogeu ocorre durante o reinado de Sargão II, com a conquista da cidade egípcia de Tebas.
Os assírios formam o primeiro exército organizado:
utilizam armas de ferro, carros de combate e impõem penas cruéis aos vencidos, como a tortura e a mutilação. Politeístas, adoram um deus supremo denominado Assur.
O império chega ao fim com a destruição de Nínive, sua capital, pelos babilónicos.
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-776 a.C. –
Os gregos organizam a primeira Olimpíada na cidade de Olímpia, onde constroem um estádio para 40 mil pessoas e um hipódromo. Durante a competição instituem a "trégua sagrada" – interrupção das guerras entre as cidades.
753 a.C. –
O marco inicial do Império Romano, o mais vasto da Antiguidade, é a fundação lendária de Roma. Historicamente, a cidade é formada pelo encontro de três povos da península Itálica: os gregos, os etruscos, de origem asiática, e os italiotas, de descendência indo-européia.
A sociedade divide-se em duas classes principais – patrícios (nobreza territorial e militar) e plebeus (artesãos, comerciantes e pequenos proprietários). Até 509 a.C., o governo é exercido por reis vitalícios e pelo Senado, composto apenas de patrícios .
Nas artes, os romanos desenvolvem a arquitectura com arcos e abóbadas, o mural decorativo, a pintura de afrescos e a escultura. A religião é politeísta e sua prática inclui sacrifícios rituais;
seus deuses equivalem às divindades gregas.
O SURGIMENTO DE ROMA –
De acordo com a lenda, Roma é fundada por Rômulo em 21 de abril de 753 a.C. Rômulo e seu irmão gémeo, Remo, eram netos de Numitor, rei de Alba Longa. Numitor fora destronado por seu irmão, Amúlio, que mandara atirar os gémeos no rio Tibre ao nascer.
O encarregado do assassinato abandona-os na floresta, onde são amamentados por uma loba e criados por uma família de pastores. Ao crescer, os gémeos depõem Amúlio e reconduzem Numitor a seu cargo. O avô concede aos netos o direito de fundar uma cidade.
Mais tarde, Rômulo mata Remo e torna-se rei de Roma.
621 a.C. –
A prosperidade mercantil de Atenas coloca em conflito os eugitos, ricos comerciantes, e os eupátridas, proprietários de terra.
Nesse contexto surgem os legisladores, encarregados de reformar as leis atenienses para aliviar a tensão política e manter a continuidade de poder dos eupátridas.
Mais tarde serão responsáveis pelo surgimento da democracia ateniense.
LEGISLADORES ATENIENSES –
Entre os responsáveis pelas reformas em Atenas destacam-se:
Drácon (621 a.C.) –
Elabora as primeiras leis escritas de Atenas. São severas e favoráveis aos eupátridas.
-Sólon (594 a.C.) – Inicia certa abertura política: abranda as leis draconianas, abole a escravidão por dívidas e impõe um tamanho para as propriedades agrárias. Sólon permite a todos os cidadãos exercer a magistratura, mas essa função acaba restrita aos mais ricos, já que não é remunerada e exige dedicação exclusiva.
-Pisístrato (561 a.C.) –
Estabelece uma tirania: enfraquece o poder da aristocracia por meio do confisco de suas terras e monta uma poderosa frota naval. É sucedido por seus filhos Hiparco e Hípias.
Clístenes (508 a.C.) –
Conduz Atenas à condição de uma democracia, promovendo a igualdade política dos cidadãos e a participação directa na estrutura governamental.
614 a.C.-539 a.C.–
Sob a liderança do rei Nabopalasar surge o II Império Babilónico na Mesopotâmia, que alcança o apogeu no reinado de seu filho, Nabucodonosor. O progresso económico leva ao embelezamento das cidades, com a construção de palácios e templos, como a Torre de Babel e os Jardins Suspensos da Babilónia, considerados uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo . No final deste período, a Babilónia é incorporada ao Império Persa.
-586 a.C. –
Dominados pelos babilónios, os hebreus são deportados e escravizados no episódio conhecido como Cativeiro da Babilónia. Inicia-se, assim, o primeiro momento da diáspora judaica, a dispersão dos judeus pelo mundo.
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-539 a.C.-331 a.C. –
Sob a liderança de Ciro II, os persas derrotam os medas, povo que habitava o planalto do Irã, e fundam o Império Persa, que chega a estender-se do Egipto até a Índia. Realizam intensos intercâmbios comerciais e constroem estradas de pedra e canais para facilitar o transporte.
Praticam a agricultura, a pecuária, o artesanato e a mineração de metais e pedras preciosas. Implantam uma economia monetária, um sistema de pesos e medidas e instituem impostos fixos. No topo da estrutura social está uma nobreza, militar e
burocrática e, na base, servos e escravos. Criam uma literatura diversificada, particularmente a religiosa, e seguem os ensinamentos do profeta Zaratustra, fundador do zoroastrismo.
509 a.C.-27 a.C. –
Reagindo à centralização do poder nas mãos dos reis etruscos, os patrícios derrubam a monarquia e implantam a República Romana.
Essencialmente aristocrática, a República tem o Senado como órgão supremo de governo: os senadores são vitalícios, supervisionam as finanças públicas, dirigem a política externa e administram as províncias. As conquistas políticas dos plebeus ocorrem com a Greve do Monte Sagrado, em 494 a.C., e a sucessiva criação dos Tribunos da Plebe.
A partir de VI a.C., a política expansionista provoca mudanças profundas em Roma.
A economia deixa de ser agrária e torna-se mercantil, urbana e luxuosa.
O Exército transforma-se numa instituição poderosa e o escravismo passa a ser o meio de produção dominante. Nos séculos III e II a.C., as reformas defendidas pelos irmãos Tibério e Caio Graco em benefício da plebe e as lutas entre patrícios e plebeus enfraquecem o Senado.
CONQUISTAS PLEBÉIAS
– No decorrer da história de Roma, sucessivas leis concedem maior direito político aos plebeus:
-Lei das Doze Tábuas (450-448 a.C.) –
São redigidas por uma comissão de dez juízes e afixadas no Fórum Romano.
Até então, as leis eram transmitidas oralmente e manipuladas pelos patrícios. Com o registro, os plebeus passam a ter meios de se defender, já que a legislação se torna pública.
-Lei Canuléia (445 a.C.) –
Permite o casamento entre patrícios e plebeus.
-Lei Licínia Sextia (367 a.C.) –
Concede aos plebeus o direito de participar do consulado e extingue a escravidão por dívidas. Em 300 a.C. os plebeus já participavam de todas as magistraturas.
492 a.C.-448 a.C. –
O choque de interesses expansionistas entre gregos e persas na região do Mediterrâneo provoca as Guerras Médicas. Dário, o Grande, um dos principais governantes do Império Persa, lidera a invasão da Jônia, colonizada pelos gregos, e do norte da Grécia. A I Guerra Médica tem início com o desembarque dos persas em Atenas e é vencida pela Grécia.
Na II Guerra Médica, os soldados persas, comandados por Xerxes, avançam sobre a Grécia:
Atenas é incendiada, mas os persas são novamente derrotados. Após essas duas vitórias, os gregos criam uma aliança marítima de defesa, a Confederação de Delos.
Na III Guerra Médica, os gregos reconquistam as ilhas do mar Egeu e a costa da Ásia Menor, ainda sob domínio persa. O Tratado de Susa, ou Paz de Kallias, reconhece definitivamente a hegemonia grega na Ásia Menor e nos mares Egeu e Negro.
443 a.C.-429 a.C. –
o Governo de Péricles transforma Atenas num império naval e comercial. O dirigente também estimula o desenvolvimento literário e artístico, datando desse período a construção do Pártenon, uma das mais famosas obras arquitectónicas dos gregos. Sua influência é tão ampla que o século V a.C. é chamado de século de Péricles.
431 a.C.-404 a.C. –
As rivalidades políticas, económicas e culturais entre as duas principais cidades-estados gregas, Atenas e Esparta, provocam a Guerra do Peloponeso. O estopim é um conflito comercial e marítimo entre Atenas e Corinto, aliada espartana. Atenas, democrática, mercantil e imperialista, disputa com Esparta, oligárquica, agrária e autonomista, a hegemonia no território grego.
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Ao final do confronto, Atenas é derrotada. A Grécia sai da guerra devastada e começa a decadência da civilização grega.
359 a.C.-31 a.C. –
Com o vazio de poder deixado pelo declínio das cidades-estados gregas, Felipe II, rei da Macedónia, inicia a conquista da Grécia e dá origem ao Império Macedónico.
Felipe é assassinado em 336 a.C. e seu filho, Alexandre, o Grande, assume o trono.
Depois de estabelecer o domínio completo sobre a região, parte rumo ao Oriente e forma um dos maiores impérios territoriais conhecidos até então, compreendendo Macedónia, Grécia Balcânica, Ásia Menor, Fenícia, Palestina, Mesopotâmia, Egipto, Pérsia e parte da Índia. Alexandre estimula a fusão da cultura grega (helénica) com a dos povos conquistados do Oriente Médio (principalmente egípcios e persas), originando a civilização helenística.
O pólo irradiador dessa cultura é Alexandria, fundada no delta do rio Nilo (actual Egipto).
Após sua morte, o império divide-se em três grandes reinos: Macedónia, Ásia Menor e Egipto, enfrentando diversas crises até cair sob domínio romano em 31 a.C.
264 a.C.-146 a.C. –
A disputa pela hegemonia comercial no Mediterrâneo opõe Roma a Cartago nas Guerras Púnicas. O termo púnico deriva de poeni, nome que os romanos davam aos cartagineses, descendentes dos fenícios e fundadores de Cartago.As três guerras terminam com a vitória dos romanos: na I Guerra Púnica, Sicília, Sardenha e Córsega são anexadas, limitando a influência cartaginesa no norte da África.Na segunda, os cartagineses conquistam Sargento (Espanha) e chegam às portas de Roma, sob a liderança do general Aníbal, um dos maiores estrategistas militares da Antiguidade. Mas acabam vencidos e obrigados a entregar a Espanha. Na III Guerra Púnica, fomentada pelo persistente sucesso comercial dos cartagineses, Roma vence e anexa Cartago como província.
-221 A.C. –
A unificação da China tem início com a dinastia Chin: os chineses expandem-se pela Ásia Central e pelo Sudeste Asiático e, no século I, ampliam seu domínio até o golfo Pérsico. Nesse período, é construída a Muralha da China, com o objectivo de defender o império dos ataques dos povos do norte (tártaros). Símbolo da autoridade do soberano, a grande muralha possui mais de 2,5 mil quilómetros de comprimento por 4 metros de largura.
60 a.C.-40 a.C. –
O declínio do Senado leva à formação dos Triunviratos em Roma, para garantir maior estabilidade política. No I Triunvirato (60 a.C.-46 a.C.), Crasso, Pompeu e Júlio César dividem o poder. Em 46 a.C., Julio César põe fim a República e instala a ditadura.Seu governo realiza várias reformas: distribui terras entre soldados pobres, estimula o trabalho livre, constrói obras públicas, ajusta as finanças, funda colónias e procura unificar o mundo romano. Júlio César também altera o calendário, dando o seu nome ao sétimo mês (Julho). Em 44 a.C. é assassinado a punhaladas por um grupo de senadores que defendem a República. Emílio Lépido, Marco António e Octávio compõem
o II Triunvirato em 43 a.C., mas disputas internas provocam a repartição dos domínios de Roma em 40 a.C: Marco António fica com o Oriente, Lépido com a África e Octávio com o Ocidente.
27 a.C.-192 –
Otávio recebe o título de Augusto (filho divino) e torna-se o primeiro imperador de Roma .
Depois da dinastia de Augusto, seguem-se as dinastias dos Flávio (69-96) e dos Antonino (96-192). Durante as três dinastias, o império vive um período prolongado de ordem e prosperidade, denominado Pax Romana. Alcança a pacificação, faz uma reestruturação política, militar e administrativa, codifica o direito romano e investe na construção de grandes obras públicas .
Também atinge sua maior extensão territorial : Macedónia, Grécia, Ásia Menor, Egipto, Cirenaica (actual Líbia), península Ibérica, Gália (França), Germânia (Alemanha), Ilíria (Albânia), Trácia, Síria e Palestina.
Ano 1 d.C. – Início da Era Cristã.
54-68 – A popularidade do cristianismo no Império Romano aumenta durante o governo de Nero. De cunho monoteísta, a doutrina não aceita o carácter divino do imperador ("A César o que é de César, a Deus o que é de Deus") e promete vida após a morte ("Quem vive morre, quem morre vive" – apóstolo Paulo).
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Para fugir das perseguições, o cristianismo passa a ser cultuado nas catacumbas.
70 –
Os romanos destroem o Templo de Jerusalém e expulsam os judeus da Palestina, dando início à segunda diáspora judaica. Eles migram para diversos países da Ásia Menor e do sul da Europa, onde formam comunidades com o intuito de preservar sua religião e seus hábitos culturais.
193-395 –
A dinastia romana dos Severo (193-235) marca o início do declínio do Império Romano.
Com o fim da expansão territorial, o número de escravos diminui, afretando a produção agrícola e o comércio e gerando fome nas cidades. O império, que vivia basicamente de tributos, é obrigado a emitir moeda, desencadeando um processo inflacionário.
A deterioração do exército facilita a invasão de povos bárbaros. Diocleciano (285-305) procura conter as forças desintegradas partilhando o poder entre quatro generais (Tetrarquia).
Constantino (306-337) dá liberdade de culto aos cristãos e unifica o império com seu apoio.
Constrói uma nova capital, Constantinopla, na entrada do mar Negro, onde antes se localizava a cidade grega de Bizâncio. A crise, porém, persiste, levando à cisão do império em 395.
395 – O imperador Teodósio realiza a divisão do Império Romano em Império Romano do Ocidente, sediado em Roma, e Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, com capital em Constantinopla.
395-1453 –
O Império Bizantino atinge o apogeu sob o comando de Justiniano (527-565). O imperador estimula a arte bizantina na produção de mosaicos e o desenvolvimento da arquitectura de igrejas, misturando elementos orientais e romanos. Como legislador, elabora o Código de Justiniano, que revisa e actualiza o direito romano.
Após sua morte, o império estende-se ainda por vários séculos, abrangendo a península Balcânica, a Ásia Menor, a Síria, a Palestina, o norte da Mesopotâmia e o nordeste da África. Em 1204, Constantinopla é conquistada pelos cruzados. O restante do território é repartido entre príncipes feudais. Em 1453, o império termina com a tomada de Constantinopla pelos turcos
400-1087 –
Desenvolvimento do Reino de Gana, entre o sudeste da Mauritânia e o sudoeste de Mali, na África Ocidental. O reino é organizado politicamente em torno de um tipo de matriarcado no qual o rei é sempre sucedido pelo filho de sua irmã mais velha, e não pelo próprio filho.
Tem a economia centrada no controle do comércio de ouro e sal nas rotas para Líbia, Marrocos e lago Chade. Em 1076 sofre um ataque de um exército berbere do Marrocos e, 11 anos depois, já subjugado pelo império dos solinquês, desintegra-se em diversos Estados menores.
455 – O imperador Valentiniano III promulga o Édito de Supremacia Papal, que confirma o papa como suprema autoridade da Igreja .
476 –
O fim do Império Romano do Ocidente marca a transição da Antiguidade para a Idade Média.
O império enfrenta grave crise, com a diminuição da mão-de-obra escrava, o aumento das despesas do Estado e a estagnação da produção. Cristãos e pagãos se envolvem em conflitos religiosos. Cidadãos romanos e povos emigrados de áreas conquistadas entram em choque. O desgaste da estrutura interna de poder e o avanço de povos bárbaros acabam minando a resistência do exército romano . Rômulo Augústulo, o último imperador romano do Ocidente, é deposto por Odoacro, chefe germânico (bárbaro).
domingo, 8 de novembro de 2009
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