sábado, 7 de novembro de 2009

CAPITULO 14 = INDIA UMA CIVILIZAÇÃO SINGULAR

CAPITULO 14
ÍNDIA UMA CIVILIZAÇÃO SINGULAR
Em 2.500 a.C., os dravidianos, um povo de pele morena que habitava a Península Indiana,
já cultivavam o arroz, alimento que rapidamente se espalhou para o resto da Ásia.
Por volta de 2.000 a.C., vindos do interior do continente, os arianos, De pele mais clara, invadiram o norte e dominaram a península.
Do confronto das culturas draviniana e ariana nasceu a civilização hindu.
Tinham como língua o sânscrito e como religião o vedismo.
De acordo com os textos sagrados, cada um nasce predestinado a pertencer a uma das seguintes
QUANDO A TERRA ESTAVA SE FORMANDO
a Índia era uma ilha e ao chocar com o continente deu-se a formação do Himalaia.
É incrível pensar que esta cadeia de montanhas tenha sido praia um dia, mas foram encontrados fósseis de animais marinhos e conchas em suas terras.
Isto ocorreu há vinte ou trinta milhões de anos atrás, antes do aparecimento de humanos na Terra.
Os três rios principais da Índia:
Indu,
Ganga (Ganges)
e Brahmaputra
Nascem no Himalaias.
O Indu começa no Tibete, perto do lago Mansarovar, e corre por 2880 km até encontrar o Mar da Arábia no leste de Karachi. É o mais longo dos três rios.
O Ganga Nasce nos Himalaias em Uttar Pradesh.
O Brahmaputra também nasce no Tibete, na região conhecida como Tsang Po.
O Ganga e o Brahmaputra se encontram antes de desaguar na Baía de Bengala.
Na planície entre o Ganga e o Induz há o Deserto Thar e as colinas Aravalli.
Os mais antigos sinais de vida humana na região foram encontrados em Rawalpindi (no actual Paquistão). Ferramentas de 2 milhões de anos foram achadas neste sítio e no estado de Maharashtra, em Bori. Nas colinas Shivalik, no Himalaya, foi encontrado o esqueleto de um "homem macaco" do tipo Ramapitecus de 10 a 14 milhões de anos.
Um sítio arqueológico interessante do período mesolítico é Bagor, no Rajastão.
Nas cavernas de Bhimbekta, em Madhya Pradesh, podemos ver pinturas rupestres.
Até este estágio da vida humana, os povos de todo o mundo viveram uma vida simples, caçando animais e colhendo frutos e sementes para comer.
Todos viviam da mesma maneira, até o período neolítico, quando mudaram o modo de vida para um modo mais seguro, passando a cultivar a terra e domesticar os animais.
Isso ocorreu por volta de 10 000 anos AC.

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Apesar da multiplicidade étnica e cultural que caracteriza a Índia, ela sempre possuiu uma tendência essencial à unidade, tendência essa que a manteve uma cultura viva até nossos dias.
O grande acontecimento histórico que fundamentou a cultura indiana foi a invasão dos ários que penetraram pelo noroeste da Índia, região do Punjab, entre 1500 e 800 A.C., ou mesmo antes disto.
Eles encontraram no Paquistão, no vale do Induz, uma das primeiras civilizações do mundo, maior que a do Egipto e Mesopotâmia juntas, com uma organização social grandemente desenvolvida. Provavelmente num período aproximado de 3000 a 2000 anos AC, floresceu no vale do Induz a civilização do mesmo nome.
De 1921 a 1931, escavações realizadas por John Marshal e sua equipe desenterraram as ruínas das cidades de Moenjodaro e harappa.
A civilização do Induz foi notadamente urbana e um ápice de cultura no mundo da época.
Toda dividida em bairros cortados por ruas formando quadras, geometricamente exaltas, Moenjodaro é chamada de "cidade moderna da antiguidade".
As casas eram simples, mas com infra-estrutura como cisternas, banheiros e andares superiores e inferiores. Havia também edifícios públicos e supõe-se, pelo que foi encontrado, que havia um sistema de troca de géneros e uma administração central, composta principalmente por autoridades religiosas.Harappa é também considerada outra "capital" do Império do Induz, mas tinha algumas diferenças, como o fato de o celeiro estar localizado fora da cidade, pois a proximidade com o rio Ravi permitia que toda a vizinhança transportasse por via fluvial os géneros para serem estocados. O tradicional banho ritual dos hindus é reflectido pelos intrincados sistemas de fornecimento de água de Harappa., assim como um organizado sistema de colecta de lixo. Vemos nesta civilização pré-védica, anterior à invasão dos ários, obras importantes de arquitectura. Situada na margem esquerda do agora seco rio Ghaggar, no Rajastão, Kalibangan revela o mesmo padrão das cidades citadas acima, mostrando grande desenvolvimento, assim como Lothal, situada não muito longe do Golfo de Cambay, e Surkotada, a 270 km de Ahmedabad, no Gujarat.
A cerâmica é muito presente nestes sítios todos, e além da utilitária, temos também objectos artísticos, como figuras de terracota delicadas mostrando o grau avançado da civilização.
O povo do Induz desenvolveu também a tradição de esculturas em pedra, como a bela representação de um homem em estado de meditação em Mohenjo-daro e as esculturas representando jovens dançarinas em Harappa. O trabalho em metal é significativo, como a figura feminina de Mohenjo-daro com seus adornos finamente representados.
A fertilidade do vale proporcionava uma vida de abundância, provavelmente trabalhndo na agricultura, usando a bacia do Induz como meio de transporte, negociando por terra e, segundo indícios, também por via marítima com a Ásia Central, o Sul da Índia, com a Pérsia e o Afeganistão.
As causas do declínio e desaparecimento desta civilização podem ter sido enchentes, epidemias e secas. Mas a hipótese mais possível é de que sucessivas incursões de arianos vindos do Noroeste tenham, aos poucos, dizimado a população.
Os arianos viviam provavelmente na Ásia Central, no planalto que é hoje o deserto de Gobi. Segundo vários achados arqueológicos e também segundo as narrações Históricas budistas pensa-se que neste deserto havia um mar interior e que numa ilha deste mar existia uma cidade.
Era desta ilha que partiam os arianos, migrando em várias direcções e subjugando outros povos. Eles foram empurrados provavelmente por cataclismos naturais tornando-se assim invasores que impunham facilmente sua inteligência e força. Eles possuíam elevada estatura e pele clara e muitos excursionaram para o oeste, tornando-se antepassados dos gregos, celtas e latinos.
As origens do Hinduísmo podem ser traçadas desde esta precoce civilização.
A sociedade era dirigida mais pelos sacerdotes do que pelos reis, pois aqueles intercediam com os deuses, ditavam as regras sociais e também assuntos legais, como posse de terras.
Figuras de barro foram encontradas representando a Deusa Mãe, mais tarde personificada como Kali, e também uma representação masculina, com três faces sentada em atitude de yoga, rodeada por quatro animais, uma das mais antigas representações do deus Shiva.
Pilares de pedra preta (adoração ao falo de Shiva como princípio criativo) também foram encontrados. Estas são as mais antigas formas de adoração, mostrando rituais ainda simples, que depois foram substituídos pelos rituais dos brâamanes que passaram a ter exclusividade neste papel.Talvez a civilização do Induz já estivesse em declínio quando da invasão ária, e isso somente acelerou a derrocada.

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Isso pode explicar o porquê de os Vedas considerarem os dravidas como bárbaros e primitivos. Sabemos, entretanto que a língua dos dravidas do sul era falada antes da invasão, indicando a coexistência pré-ariana da escrita dravidiana e do Induz.
Talvez com a invasão ária, muitos drávidas tenham migrado para o sul, explicando a presença de tal língua fora do vale do Indus.Hoje a língua dravidiana é falada no sul da Índia e no Beluquistão Central, e tem o brahmi como um de seus ramos.
A civilização Védica foi criação dos ários, que elaboraram uma série de hinos religiosos que foram organizados e são conhecidos como os "Vedas". Essas escrituras são o fundamento do Hinduísmo, absolutamente intrínseco à própria história da Índia.
A ordem social que reflete a assimilação dos Ários e a supremacia dos sacerdotes se consolidou no sistema de castas, que sobrevive até hoje de certa forma. O controle sobre a ordem social foi mantido por regras estritas destinadas a assegurar a posição dos Brãmanes, os sacerdotes.
Foram elaborados tabus concernentes a casamentos, dietas, e convívio social.
Durante um curto período de tempo (séculos V a.C. a III a.C.) os persas tomaram o noroeste da Índia.Um jovem príncipe iniciou uma dinastia (o Império Mauna).e seu neto, Ashoka, acabou sendo o governante que mais marcou a Índia antiga, pois viajou por toda ela, tornando-se muito popular. Nos séculos seguintes, vários reinos se formaram, todos independentes, e com características culturais e línguas diferentes.
MAIORES INFLUÊNCIAS HISTÓRICAS
Civilização Harappa
A primeira grande civilização existiu ao redor do ano 2.500 a.C. no Vale do Rio Induz, onde é hoje o Paquistão. Suas grandes cidades foram Mohenjodaro e Harappa, as quais eram governadas por grupos religiosos e não por reis. Das escavações feitas, concluiu-se que eles tinham desenvolvido sistemas altamente sofisticados de engenharia. É desconhecido porque esta civilização entrou em colapso com a invasão dos arianos.
A invasão dos Arianos
Ao redor do ano 1.500 a.C, os Arianos invadiram a Índia vindos do norte.
Sua origem é desconhecida e também muito pouco é sabido sobre essas invasões.
Eles eram uma raça de pastores e muito provavelmente vieram das estepes do sul da Rússia.
No seu caminho pelo norte da Índia estabeleceram povoados e a dotaram a vida de agricultores, mas nunca abandonaram suas actividades pastoris. Também trouxeram com eles suas crenças religiosas e hierarquia social - as origens do sistema de castas.
Os Vedas - base do actual Hinduísmo - são 4 livros escritos pelos religiosos e xamãs da época.
Desses livros aprendemos muito sobre como eles explicavam seu mundo, sua espiritualidade e como se organizavam social e politicamente.
Mahabarata e Ramayana
O Mahabarata e o Ramayana são épicos escritos nos últimos estágios do processo de sedentarização dos Arianos.Ambos descrevem eventos que marcam um estágio crucial na consolidação moral e material das comunidades Arianas no Sub-Continente (Índia, Paquistão e Bangladesh) .O Mahabarata é o mais antigo dos dois épicos e lida com o estilo de vida das tribos Arianas após elas se estabelecerem nos Vales do Ganges e do Yamuna. O texto original foi escrito ao redor do ano 1.000 a.C, mas teve muitas adições posteriores. Sua parte mais importante é uma longa descrição filosófica conhecida por Bhagavad Gita, ou simplesmente Gita, que significa canção. O Ramayana foi escrito um pouco mais tarde e descreve as tribos Arianas e sua vida política na área da atual cidade de Ayodhia.
O épico descreve as guerras e a penetração das primeiras tribos nesta nova área.
O APARECIMENTO DO HINDUÍSMO
Ao redor do ano 500 a.C. a estrutura social, política e filosófica no norte da Índia havia mudado. Nesta época existiam cerca de 12 povos no norte da Índia com governos republicanos ou monárquicos. As mudanças na economia, agricultura e o aparecimento de governos regionais foram acompanhadas de uma nova moral.
Os Brâmanes, tradicionalmente os líderes espirituais das comunidades, ampliaram suas reflexões, até então relativamente simples, do mundo e do pós-vida.
Essas reflexões foram incorporadas em uma nova literatura chamada de Brahamans e Upanishads.

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Dessa literatura vieram os temas centrais do Hinduísmo, as ideias de Brahman, Atman, Moksha, Dharma, Samsara e Karma. Essas ideias foram acrescentadas às crenças das classes baixas arianas e dos aborígenes pré-arianos, criando assim uma grande diversidade de crenças religiosas. A mistura dessas ideias significou uma base ideológica comum para todos e contribuiu para uma ordem social mais coesa.
Com isso temos a criação da filosofia Hindu, com seu enorme panteão de deuses e divindades
Ashoka e os Mauryas
Após a partida de Alexandre, o Grande da Índia, criou-se um vácuo de poder, o qual foi preenchido pelos Mauryas em 321 a.C, que ampliaram sua esfera de influência a partir de sua capital em Patna. Sob o governo do imperador Ashoka, o império se expandiu até que todo o Sub-Continente estivesse sob seu governo. Para promover a paz social neste vasto estado,
Ashoka difundiu a lei moral do Budismo.
Durante seu governo, a arte e a escultura floresceram e ainda hoje encontramos muitos vestígios da grandiosidade desta época, como stupas (templos budista construídos sobre relíquias) e pilares, frequentemente enfeitados com esculturas de leões ou touros.
Durante essa época, Buda somente podia ser representado através de símbolos como stupas, árvores (Banian) ou elefantes, nunca como um homem. No reinado de Ashoka foram enviados inúmeros mensageiros aos países vizinhos levando a palavra de Buda.
O império Maurya entrou em declínio após a morte de Ashoka, no ano 232 a.C, e finalmente teve seu fim em 184 a.C.
Os Guptas
Após um período onde vários impérios apareceram e desapareceram rapidamente, em 319 d.C Vhandragupta II fundou o Império Gupta.
No começo desta era, o Budismo e o Jainismo (religião minoritária com preceitos semelhantes ao Budismo) floresciam, mas ao redor do ano 600 d.C o Hinduísmo estava renascendo.
Essa mudança pode ser acompanhada através das cavernas de Ajanta e Ellora, próximas a Aurangabad, em Maharastra. No final do período Gupta, começou-se a representar deuses e deusas hindus com formas humanas, tendo como consequência a construção de templos para abrigar esses deuses e o aparecimento da arquitectura Hindu.
Alguns de seus exemplos mais finos podem ser encontrados em Kajuraho, onde os templos têm as perfeitas proporções da arquitectura Gupta.
O declínio do império Gupta ocorreu ao redor do século IX e se deveu ao aumento de poder de chefes regionais e à invasão dos Huns. O império, então, fragmentou-se em pequenos reinos Hindus governados por chefes regionais conhecidos por Rajputs.
AS INVASÕES MUÇULMANAS
No ano de 630 começou o período de expansão rápida do Islamismo no Oriente Médio.
Por volta do ano 1.000, os árabes estavam conduzindo ataques ao Sub-Continente em um esforço para difundir a palavra do Corão e também para aumentar suas riquezas.
Esses ataques iniciais não passavam de actos de banditismo contra os príncipes Rajputs, que não dispunham da mesma tecnologia bélica.
Em 1192, o poder muçulmano chegou de forma mais permanente quando Ajmer foi conquistada, seguindo-se então o ataque a Varanasi e finalmente Delhi. Durante os séculos XIII e XIV, a Planície Gangética foi dominada pelos muçulmanos, criando o que se chamou de “Sultanato de Delhi”.Cada subsequente sultão tentou expandir seu território rumo ao sul, mas nenhum foi bem sucedido. No século XVI, o Sultanato foi derrubado por Babur (que tinha vindo do actual Uzbekistão) e com isso começou o que se chama de Período Mongol
Na realidade, o início desta dinastia pode ser atribuído a seu neto, o grande Akbar, que reinou de 1556 a 1605. A primeira parte do seu reinado foi gasta na consolidação do poder, mas uma vez atingido esse objectivo, ele começou a complexa construção da infra-estrutura económica, social e política do grande império. Talvez o maior mérito de Akbar tenha sido a opção de chamar os Rajputs para ajudá-lo na administração, ao invés de combatê-los.
Além disso, Akbar era um grande amante da filosofia e das artes e acreditava na tolerância religiosa. Esse fato estabeleceu a coexistência pacífica do Islamismo e Hinduísmo.
A maior parte da grande arquitectura que vemos hoje na Índia são exemplos da incrível habilidade na engenharia e nas artes dos Mongóis.

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Também é desta época a criação de um estilo de pintura chamado Miniature Painting, uma mistura de tradições locais e persas.
Esse tipo de arte foi praticada na corte de Agra e Delhi e também nas cortes Rajputs, agora sob influência Mongol.
OS COLONIZADORES
Então, por que um império tão forte acabou sendo colonizado?
A resposta está nas tensões que sempre estiveram presentes na estrutura política indiana.
O peso dos impostos para os pequenos agricultores levou a revoltas que contribuíram para a quebra da estrutura política.
Também a ineficácia dos últimos imperadores Mongóis contribuiu para a dissolução do império, a criação de novo vácuo político e o progressivo aumento da influência económica e política das companhias de comércio europeias, principalmente a Companhia das Índias Orientais inglesa
Em 1825, os ingleses tinham a Índia praticamente sob seu domínio e, finalmente, em 1858, a coroa inglesa assumiu o controle do país enquanto colónia. A maior razão para a colonização, pelo menos a princípio, foi a exploração das riquezas locais.
Posteriormente, com a revolução industrial inglesa, a Índia se tornou um enorme mercado para os produtos industriais ingleses. A Inglaterra passou a proibir que a Índia continuasse a manufacturar produtos que competissem com os produtos da matriz. Outra motivação dos ingleses foi o carácter civilizador da colonização, onde os padrões morais, éticos e até religiosos ingleses eram colocados como superiores aos padrões de conduta local.
Durante o período colonial, a Inglaterra estabeleceu uma infra-estrutura de serviços, estradas de ferro, sistema de correios e telégrafos, jornais de circulação nacional, possibilitando a união do país. A partir disso brotou um sentimento nacionalista, principalmente entre a nascente classe média. A pobreza generalizada também gerou um sentimento anti-imperialista. Esses sentimentos foram usados por Ghandi para unir pobres e ricos contra a dominação inglesa.
A era do colonialismo inglês teve seu fim à meia noite de 14 de Agosto de 1947.
SOCIEDADE CASTA E RELIGIÂO
O sistema de castas indiano é um sistema hierárquico que os hindus usam para ordenar sua sociedade. Acredita-se que se trata de um dos mais antigos sistemas sociais do mundo e que teve seu início durante as invasões arianas.
A sociedade indiana está dividida em 4 castas (varnas),
os Brâmanes, ou religiosos,
os Kshatriyas, ou guerreiros,
os Vaisyas, ou comerciantes
e os Sudras, ou serventes e trabalhadores braçais.
Fora do sistema de castas estão os “intocáveis”.
Dentro de cada casta existem milhares de sub-castas.
Tradicionalmente, cada indiano tem sua profissão (que é passada de pai para filho), de acordo com sua sub-casta.
As castas são ordenadas em ordem crescente de pureza religiosa.
O sistema sempre gerou críticas e movimentos religiosos e políticos tentaram aboli-lo.
A constituição proibiu o conceito de intocáveis, mas na realidade ele é muito arraigado e se mantém principalmente nos vilarejos.
Castas sociais.
I Brâmanes –
Líderes espirituais que exerciam também actividades médicas ou administrativas.
Eram venerados como a casta mais pura.II.
IIGuerreiros –
Ocupavam altos cargos, militares ou civis
III. Artesãos – formavam, ao lado dos mercadores e dos camponeses, o grupo dos trabalhadores braçais. Alguns artesãos enriqueciam como exportadores de jóias, metais e especiarias.
IV. Servidores – trabalhadores menos qualificados
.V. Intocáveis – considerados "impuros" pela religião: eram aqueles que lidavam com restos de animais mortos, dejectos humanos (curtidores, sapateiros, coveiros e limpa-fossas).


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CASAMENTO , DOTE , MULHER E O DILEMA DA SUPERPOPULAÇÃO
Você pode achar essa combinação de tópicos um pouco estranha, mas analisando com mais cuidado eles estão muito interligados. O status da mulher na Índia tem mudado de forma significativa desde a independência, mas isso varia bastante de acordo com a classe social que você está analisando. Uma pequena, porém visível minoria conquistou grandes mudanças em relação à educação e à renda familiar, mas isso se restringe à classe média.
A maioria das mulheres indianas continua pobre, analfabeta e oprimida.
Elas normalmente trabalham período integral em empregos não especializados e mal pagos e também cuidam da casa e dos filhos. Em alguns estores, as mulheres contribuem com 53% do trabalho, os homens com 31% e as crianças com 16%.
A preferência por meninos é uma realidade muito arraigada na cultura indiana.
Meninas são vistas como problemas, pois no momento em que começam a trabalhar, casam-se e passam a morar na casa do marido. Além disso, os pais têm a obrigação religiosa de casarem suas filhas, sem o que não obtêm um bom karma para a próxima vida.
Para tal, é necessário um bom dote, problema que é cada vez mais sério na sociedade indiana.
Para muitas famílias com poucos recursos não faz sentido criar, alimentar e educar meninas da mesma maneira que os meninos.
Casamentos arranjados e dotes são normas na sociedade indiana.
Os casamentos são arranjados pelos pais nos vilarejos e através de anúncios de jornal entre a classe média. A maioria dos jovens sente que esse é o método corretor de escolha do seu parceiro para a vida. Ao se procurar um parceiro para o seu filho ou sua filha, alguns fautores são levados em consideração pelos pais:
casta, status social, carta astrológica, educação e, infelizmente, dote.
Este é universalmente condenado e universalmente praticado.
No passado, era uma forma da mulher ter algum bem seu e era, portanto, visto de uma forma positiva, mas hoje em dia, em grande parte devido à ganância, o valor do dote escalou para quantias astronómicas, com frequência 2 ou 3 vezes a renda anual da família.
Esses problemas citados acima são directamente relacionados com a superpopulação indiana.
Tem sido sugerido que a superpopulação é o fautor mais importante na lentidão do desenvolvimento da Índia! As famílias pobres têm em média 5 crianças, enquanto as de classe média têm duas. O problema não se resolve simplesmente com a introdução de programas de planeamento familiar, ele tem raízes bem mais profundas.
Para a maioria da população rural indiana (75% da população), uma família grande significa uma segurança para a velhice, mais mãos para ajudar na terra e a segurança de que alguns filhos sobreviverão em regiões com grande taxa de mortalidade infantil.
A ideia de planeamento familiar só funcionará se estiver acompanhada de programas de educação, saúde, melhoria do status da mulher e melhor distribuição de renda.
CIVILIZAÇAO HINDU E O ESPIRITO DA TOLERÂNCIA
• Carlos Alberto Iglesia Bernardo
Há mais de 4.000 anos, começou a surgir uma civilização que marcaria profundamente o desenvolvimento espiritual da nossa humanidade.Entre os vales do Indus e do Ganges, arqueólogos modernos desenterraram cidades, que de tão velhas,estavam esquecidas da história. Revelaram impressionantes remanescentes de uma vida social organizada e fragmentos de uma das mais antigas escritas já encontradas, infelizmente indecifrada.
Entre as ruínas, provas de contanto comercial com povos distantes, que também começavam a dar os primeiros passos rumo a civilização. Permanece o mistério de quem exactamente eram e do que lhes aconteceu - desapareceram silenciosamente, por volta do 2º milénio antes de nossa era.
Substituídos por outros povos, possivelmente em migrações sucessivas, que aos poucos introduziram uma nova língua e nova estrutura social.
Não se sabe o quanto de sua visão do mundo passou para seus sucessores, mas há indícios nos fragmentos encontrados e em textos posteriores, de que ali nasceram muitas das antigas tradições. Assim aos deuses trazidos nas migrações, se juntou um substrato filosófico que fermentaria novas concepções:
Os hinos sagrados dos Vedas, os comentários filosóficos das Upanishads, as concepções religiosas registradas nos épicos (Ramayana eMahabharata) e a obra prima, o "Baghavad Gita" - a sublime canção do senhor Krisnha (inserida no texto do Mahabharata).

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Por volta de 500 a.c., surge Sidharta Gautama, o Iluminado (Buda), que, ensinando um novo caminho para a libertação do sofrimento, abandona as fórmulas dos Vedas e a estrutura de castas - que tinha a casta sacerdotal, os brahmans, no topo - mas sem repudiar os conceitos filosóficos básicos e a postura central destes conceitos: a tolerância.
Também como alternativa de libertação espiritual surgem os Jainas, que com um respeito profundo a toda manifestação da vida, se recusam a matar até mesmo os insectos.
Do quinto século antes de Cristo até o sexto século de nossa era, diversas filosofias se misturam pacificamente no sub continente indiano e se espalham pelo Oriente distante.
Da renovação filosófica da classe sacerdotal (principalmente na filosofia Vedanta), surge o hinduismo na forma em que o entendemos hoje. Brahmans, Jainas e Budistas se espalham pelas trilhas e mares - Sul da Índia, China, Sri Lanka, Camboja e além.
Persas e gregos chegam as margens desse mundo distante e voltam para o Ocidente com notícias espantosas sobre os conhecimentos dos sábios exóticos (conta-se que um Jaina - da corrente mais radical, que não aceita nem mesmo usar roupas para não esmagar acidentalmente algum insecto oculto - retornou com a expedição de Alexandre e causou profunda impressão nos pensadores helénicos). Por trás de alguns mitos ocidentais posteriores - Pitágoras aprendendo reencarnação da Índia; Jesus peregrinando entre Brahmans e Budistas antes dos 30 anos; etc ... - está o reconhecimento do avanço na compreensão espiritual para lá do Sindhu ("rio" em sânscrito, em particular o "Induz", o rio por excelência).
Com o sétimo século de nossa era, se inicia um novo período para a Índia.
O Islã começa a avançar sobre o sub continente e aos poucos torna-se a força dominante (séc. XIII). Nos séculos posteriores, mongóis e europeus também constroem impérios por lá.
A civilização hindu, outrora tão admirada, torna-se vitima da dominação estrangeira.
Não mais espíritos curiosos como os filósofos gregos que acompanharam Alexandre o Grande, mas seguidores de religiões exclusivistas, orgulhosos de sua superioridade e dispostos a converter os demais a qualquer preço, ou melhor, se possível espoliando-os ao máximo de seus tesouros. É assim que os hindus aprendem o que é a intolerância religiosa, sentindo-a na própria pele. Como parênteses, fica a observação de que os hindus, nesses contratos forçados, não tiveram a oportunidade de conhecer verdadeiros seguidores de Jesus de Nazaré, trazendo a Boa Nova do reino de Deus, nem mesmo do Islã culto dos filósofos de Bagdá e da Andalusia, que podiam compreender em profundidade os ensinamentos do Profeta Maomé.
Tiveram contanto com representantes de exércitos invasores, que fanaticamente reflectiam em suas crenças os seus interesses de dominação.
O resto é história recente, que teve momentos dignos de um povo milenar quando Gandhi, munido apenas da não-violência (Ahimsa), libertou milhões do jugo colonial.
Desde Ashoka, um dos grandes reis da Índia (por volta de 300 a.c.) , que governou um próspero e grande reino baseado no Dhamma (de muitas traduções possíveis, entre elas: dever, piedade, boa-conduta e decência), nunca tão grande espírito (Mahatma) tinha orientado os rumos políticos da nação. Naturalmente um milénio de invasões e de submissão forçada a outras culturas, criou cicatrizes que se reflectiram na tumultuada divisão (pós-independência) em um pais muçulmano e outro hindu. Apesar de todo esforço de Ghandi, e da tradição milenar de tolerância, hoje a Índia compartilha, com o Ocidente e com o mundo Islâmico, a existência de pequenos grupos fundamentalistas e os violentos conflitos decorrentes.
Também a miséria e a ineficácia em levar os serviços sociais básicos a uma população numerosa, resultam nos mesmos problemas de outros países do 3º Mundo, incluindo-se entre eles a criminalidade. Mas enfim, abstraindo-se os problemas recentes, onde no substrato filosófico desta civilização se encontra a razão para a tolerância que a caracterizou ?
De onde seus grandes pensadores tiraram o conceito de que não deveriam hostilizar-se mutuamente ? De quais dos ideais Védicos surge essa postura perante o mundo ?
Diria que de dois pontos principais: Da ênfase na vivência - para um hindu, a filosofia só faz sentido se reflectida no comportamento de quem a dota - e da compreensão de que a realidade última está muito além das nossas possibilidades de descrição.
De que é impossível descrever a Brahman (a Causa Primária de todas as coisas) e compreendê-lo com nossa mente finita e, assim, todas as descrições são aproximações.
Desta última posição, da que está além da nossa capacidade de raciocínio descrever o infinito, de que nossa percepção se perde nos efeitos e não consegue perceber a causa (escondida pela Maya - a ilusão dos sentidos poeticamente representada pela magia de uma deusa), resulta principalmente a consequência de que todas as descrições são válidas –
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apenas aproximações da verdade. A investigação da realidade, realidade da qual participa o espírito de cada um, levou a uma busca interior - desenvolvida nas escolas de meditação - que permitiu uma compreensão bastante precoce da psicologia humana.
Conhecendo a psicologia, não fazia sentido forçar condutas exteriores.
Também da investigação da realidade surgiu a convicção de um ordenamento moral do universo, tal qual o ordenamento promovido pelas leis físicas - ordenamento reflectido na lei de acção e reacção (Karma) e no dever de cada um em cumprir o melhor possivel o seu papel na vida (Dahrma). Ora, o Karma é intrinsecamente resultado da acção de cada um e portanto jamais passaria pela cabeça de um filósofo Hindu a ideia de queimar alguém para lhe salvar a alma.
Finalmente, essa realidade última - a Causa Primária de todas as coisas –
omnisciente e infinitamente além das nossas limitações, de modo algum pode ser atingida pela nossa ignorância. Infinito amor não tem como se ofender porque alguém crê que é desta ou daquela forma, que se chega a ele por tal ou qual caminho.
Os que lhe conhecem - através da busca interior - não só não o conseguem descrever exactamente - por estar além das nossas palavras - como não precisam se preocupar em defende-lo, pois não há como feri-lo ou ofendê-lo.
"Sejam quais forem os deuses a que seu coração sirva, sempre sou eu o escopo da fé que o anima". cap 7, verso 21 - Bhagavad Gita
PANORAMA HISTÓRICO
A primeira grande cultura existente no território da actual Índia, devidamente comprovada pela Arqueologia, foi a civilização centrada em torno das três cidades-estados de Mohenjodaro, Harappa e Chanhudaro, civilização essa cujo apogeu ocorreu na primeira metade do segundo milénio antes de Cristo.A cultura em tela, localizada em torno do Rio Indo, foi destruída por volta de 1.500 a. C., muito provavelmente devida a invasão e conquista de boa parte do actual território indiano por um grupo étnico que se auto-identificava como "arianos" e falava um idioma indo-europeu: o sânscrit Dessa conquista e colonização ariana da actual Índia, cujos pálidos ecos podem ser inferidos no mais antigo documento literário indiano (o Rig Veda), nasceu a actual Civilização Hindu.
Durante a Dinastia Mauria (séculos IV a. C. - III a. C.) foi estabelecido o assim denominado Primeiro Império Hindu, e muitos especialistas consideram que tal dinastia marcou o apogeu da cultura clássica hindu, sobretudo devido as suas realizações políticas, artísticas e científicas De fato, nesta dinastia, muitos dos aspectos essenciais da sociedade hindu actual já estavam presentes, ainda que de maneira embrionária. (2)
No decorrer do século X da Era Cristã amplas porções territoriais do Leste, Norte e partes da região central da actual Índia foram ocupadas por conquistadores de fé islâmica, ocupação essa que resultou, com o tempo, na conversão de parcelas significativas da população desses territórios hindu ao credo muçulmano. Desse fenómeno histórico deriva, nos dias actuais, um dos problemas mais graves da Índia, qual seja os violentos conflitos etno-religiosos entre a maioria hindu e a minoria muçulmana, em especial no território da actual Cachemira Hindu que detém uma população de maioria islâmica.
No decorrer da segunda metade do século XVIII d. C. a Inglaterra assume paulatinamente o controle sobre a actual Índia aproveitando-se do declínio do Império Mogul então estabelecido no território daquele país. Realmente, os mongóis de fé muçulmana nunca conseguiram se integrar totalmente à cultura hindu, em grande parte devido a sua origem etno-cultural indo-persa, totalmente distinta das tradições culturais e religiosas hindus.
A Índia só ganhou a sua independência política na segunda metade do século XX d. C., graças aos esforços de uma das figuras mais notáveis da última centúria: M. Gandhi.
• 2.CARACTERÍSCAS PRINCIPAIS DO DIREITO HINDU
Iniciamos o presente tópico advertindo que "não se pode confundir [o direito hindu com] o direito indiano, que é o direito territorial da Índia, enquanto estado moderno;
o direito indiano é constituído sobretudo por leis da República Indiana, teoricamente aplicado a todos os habitantes do território; mas de facto, em muitos domínios, os direitos das comunidades religiosas subsistem, quer se trate do direito hindu quer se trate do direito dos Muçulmanos, quer se trate dos Cristãos, etc." A primeira e mais importante característica do direito hindu é que ele se constitui num direito de substrato religioso, muito embora não seja um direito advindo de uma "fé revelada", como é o direito muçulmano

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.Tal como o direito muçulmano, o direito hindu é um direito extremamente conservador e, enquanto tal, não incentiva mudanças sociais abruptas.
Enquanto tal, é um sistema jurídico composto de normas extra-estatais de composição dos litígios sociais, notadamente as e cunho religioso.Por ser um sistema legal de origem religiosa o direito hindu pretende ir além e acima do Estado laico, ou seja, é um direito cujas normas são, exclusivamente, voltadas para a sua comunidade étnica-religiosa.
O direito hindu assenta-se numa visão hierarquizada da sociedade e, por via de consequência, os princípios legais que regem tal sistema jurídico estão longe de propriciar um tratamento jurídico-legal igualitário.
O professor John Gilissen preleciona que "a palavra "direito", no sentido que os Ocidentais lhe dão, não existe em sânscrito; os Hindus não conhecem o conceito das regras de comportamento sancionadas por um constrangimento físico.
O que corresponde melhor à nossa noção de direito é o dharma, que se pode traduzir duma forma muito aproximativa, por dever.
O dharma é o conjunto das regras que o homem deve seguir em razão da sua condição na sociedade, isto é, o conjunto de obrigações que se impõem aos homens, por derivarem da ordem natural das coisas. O dharma, portanto, compreende regras que, segundo a nossa óptica, relevam umas da moral, outras do direito, outras ainda da religião, do ritual ou da civilidade."
Por sua vez, o professor René David destaca que, "mais que um direito, o dharma é um simples modelo que se adapta às derrogações e pede mesmo certas adaptações, dentro do espírito de realismo e, mais ainda, de tolerância, que constitui a marca instintiva do hinduísmo." (6)
As fontes do dharma são três, a saber:
1)o Veda que, em suma, é o somatório de todo o saber ou verdades de cunho moral e religioso reduzidos a determinados preceitos escritos contidos nos livros sagrados, dos quais o mais importante é o Rigveda;
2)a tradição;
3)o costume. O professor John Gilissen indica que "há um número infinito de costumes, diferentes não somente de uma região para outra, mas sobretudo de uma casta para outra: cada casta tem, em cada região, o seu costume próprio, a sua "maneira de viver das pessoas de bem (sadacara)."
O DIREITO HINDU E INDIANO
sofreu, nos dias actuais, profunda reformas. Continua a ser um direito unicamente aplicável à parte hindu da população da Índia; mas numerosos costumes que comprometiam a unidade deste direito foram abolidos. Em relação ao passado, esta é uma importante modificação." (8)
O direito hindu, na Índia actual, tende a ser substituído por um direito laico de aplicação nacional, direito esse inspirado em grande parte pelo common law.
De fato, a criação de um Estado moderno e eficiente, bem como a instituição de uma verdadeira Democracia num país de mais de um bilhão de pessoas, com a correspondente superação das gigantescas desigualdades sociais, económicas e etno-culturais que ainda persistem por todo aquele país, demanda a criação de um sistema jurídico laico de abrangência nacional.
Neste sentido, o actual direito indiano é, antes de mais nada, um sistema jurídico de origem estatal que extrapola as diversas etnias e comunidades religiosas que formam a Índia contemporânea para ser um Direito supra-étnico e desvinculado desta ou daquela fé religiosa.
CRONOLOGIA SUMÁRIA
Aproximadamente 1.500 a.C.: Invasão das tribos arianas da Índia à início da Civilização Hindu.
1498-1510: Inicia-se o contanto direito entre a Europa e a Civilização Hindu com a chegada dos portugueses ao território da actual Índia com a expedição capitaneada pelo português Vasco da Gama em 1498.
1526-1707: Período da Dinastia Mogul na actual Índia.
1612: Início da colonização inglesa da Índia coma instalação de entrepostos comerciais ingleses no território hindu, em especial nos litorais leste e oeste daquele país.
1746-1763: Luta ferrenha entre forças militares inglesas e francesas pelo domínio da actual Índia.
Pelo Tratado de Paris (1763) a Grã-Bretanha assegura a posse da maior parte do território do sub continente indiano.
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1850-1930: Apogeu do domínio inglês na Índia.
1947: Independência da Índia.
COSMOLOGIA E COSMOGONIA
No século VI a.C a Índia estava dividida em vários estados que permanentemente estavam à guerra entre si. É neste contexto político que ocorre quer a reforma do Hinduísmo ou bramanismo(a religião tradicional), quer se assiste ao nascimento de duas importantes religiões o Jainismo e o Budismo.
6.1.Hinduísmo. O Hinduísmo não se trata propriamente de uma religião, mas de um conjunto de crenças religiosas, entre as quais se destaca o bramanismo.
Esta religião começa a formar-se por volta do ano 1.500 a.C, quando os arianos conquistam o Panjabe no sub continente indiano. Os textos mais antigos do bramanismo, os Vedas datam da época de conquista dos arianos, e foram escritos em sanscrito.
Trata-se de uma colecção de cânticos e sentenças onde está presente uma concepção marcadamente politeísta e sacrificial da religião.
Por volta do ano 1000 a.C. os sacerdotes (brãmanes) começam a produzir importantes textos sagrados, os brãhmana.. Descendentes dos antigos conquistadores arianos são agora a casta mais elevada na sociedade indiana. Formam um grupo muito fechado, cujos cargos são hereditários, sendo proibidos, sob pena de repúdio, o casamento do seus membros com indivíduos de outra casta. A mistura de sangues é declarada o crime dos crimes.
Toda a religião passa a concentra-se em torno de um tríada de deuses: Brama, o criador do mundo, Vishnu, o deus do bem,
e Shiva o deus do mal .
O grande objectivo da vida dos indivíduos é a libertação do ciclo das reencarnações. As variações no bramanismo, são sobretudo no modo como o indivíduo pode atingir esta libertação. No século VII a.C., numa altura de intensas discussões teológicas, começam a ser redigidos os Upanishad ("comunicações confidenciais"), onde surge uma concepção filosófica da religião. Os Upanishad rompem com as ideias originais da divindade e vêem em o brâman como espírito da realidade presente em tudo. Cada homem devia purificar a sua alma (Atmã) para se identificar com o absoluto, o Brahman, dissolvendo-se na sua força que opera nos indivíduos, como no universo. Estabelece-se então o princípio da libertação do ciclo das reencarnações, através das boas acções.
Cosmogonia:
O cosmos é concebido como eterno, embora esteja em evolução.
Os muitos mundos que o compõem (ovos de brahmã) estão sujeitos a ciclos periódicos de nascimento, existência e morte.
A forma como esta criação se processa varia conforme a corrente religiosa.
Cosmologia: O mundo é formado por um terra, onde vive os homens e os animais.
Esta está rodeada pelo mar
.Por debaixo de tudo encontra-se o mundo subterrâneo, onde moram os demónios e existem os infernos. É aqui aqui que os maus expiam temporariamente os seus pecados.
Por cima da terra encontram-se sobrepostas as diversas moradas celestiais dos seres divinos.
Todos os seres vivos possuem almas imortais, que estão obrigadas a vaguear de uma existência para outra.

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