CAPITULO 55
----CIVILIZAÇÃO INCA
Os incas viveram na região da Cordilheira dos Andes ( América do Sul ) nos atuais Peru, Bolívia, Chile e Equador. Fundaram no século XIII a capital do império: a cidade sagrada de Cuzco.
Foram dominados pelos espanhóis em 1532.
O imperador, conhecido por Sapa Inca era considerado um deus na Terra.
A sociedade era hierarquizada e formada por:
nobres ( governantes, chefes militares, juízes e sacerdotes),
camada média ( funcionários públicos e trabalhadores especializados)
e classe mais baixa ( artesãos e os camponeses). Esta última camada pagava altos tributos ao rei em mercadorias ou com trabalhos em obras públicas.
Na arquitetura, desenvolveram várias construções com enormes blocos de pedras encaixadas, como templos, casas e palácios. A cidade de Macchu Picchu ( Matchu Pitchu ) foi descoberta somente em 1911 e revelou toda a eficiente estrutura urbana desta sociedade.
A agricultura era extremamente desenvolvida, pois plantavam nos chamados terraços (degraus formados nas costas das montanhas).
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Plantavam e colhiam feijão, milho (alimento sagrado) e batata.
Construíram canais de irrigação, desviando o curso dos rios para as aldeias.
A arte destacou-se pela qualidade dos objetos de ouro, prata, tecidos e jóias.
Domesticaram a lhama (animal da família do camelo) e utilizaram como meio de transporte, além de retirar a lã , carne e leite deste animal.
Além da lhama, alpacas e vicunhas também eram criadas.
A religião tinha como principal deus o Sol (deus Inti ).
Porém, cultuavam também animais considerados sagrados como o condor e o jaguar.
Acreditavam num criador antepassado chamado Viracocha (criador de tudo).
Criaram um interessante e eficiente sistema de contagem : o quipo.
Este era um instrumento feito de cordões coloridos, onde cada cor representava a contagem de algo. Com o quipo, registravam e somavam as colheitas, habitantes e impostos.
Mesmo com todo desenvolvimento, este povo não desenvolveu um sistema de escrita.
•
• A SOCIEDADE INCA
A sociedade inca caracterizava-se por três grandes grupos sociais.
No ápice da pirâmide temos o grande Inca o qual realizava o culto ao Sol.
Os sacerdotes eram responsáveis por sacrifícios, adivinhações e também pela educação de jovens nobres.
Em seguida vinham os nobres que geralmente eram membros da família do Inca, ou descendentes dos chefes de clãs que passaram a integrar o império.
Foram chamados de orejones pelos espanhóis porque usavam olhereiras.
Os yanaconas eram uma espécie de escravos selecionados entre prisioneiros de guerra ou populares que eram encarregados de proteger seus senhores, administrarem terras do Templo do Sol e os armazéns de abastecimento.
Somente altos funcionários e chefes militares podiam ter a seu serviço os yanaconas os quais, é importante lembrar, podiam possuir bens, o que não nos permite confundi-los com escravos.
Apenas um dos filhos do yana era escolhido para continuar a atividade do pai.
Alguns viviam em meio ao fausto de Cuzco enquanto outros serviam curacas pobres em regiões distantes. Algumas mulheres também eram escolhidas para serem educadas nos monastérios do Sol por mulheres mais velhas e descendentes da etnia dos incas.
Algumas tornavam-se esposas secundárias do imperador, outras eram dadas em casamento a quem o imperador desejasse e outras permaneciam virgens para poder participar do culto solar.
Ao lado da atividade ritual estas mulheres também se dedicavam a fiar e a tecer.
O número delas por vezes era tão grande (perto de 2000 mil), que permitia uma produção que escapava a política de reciprocidades tradicionais. O mesmo ocorria com a produção dos yana favorecendo a desagregação das antigas formas de solidariedade social. Portanto as relações sociais estavam em transformação indicando uma tendência de transformação do Estado.
O povo tinha um papel extremamente importante na sociedade na medida em que era responsável pela sobrevivência alimentar através do cultivo da terra e, também, pelas guerras que faziam parte das formas de controle da produção em uma área bastante extensa.
As terras eram divididas em três partes.
Os produtos obtidos do cultivo da primeira parte eram oferecidos ao culto do Sol,
os da segunda parte para o Inca
e os da terceira parte para a comunidade.
• O COMÉRCIO
O comércio entre os indígenas era feito através de permutas.
Nas feiras podiam encontrar alimentos (milho, mandioca, feijão, mel etc) cerâmica, tecidos e instrumentos agrícolas. Os indígenas muitas vezes utilizavam-se de uma espécie de "serviço de crédito", ou seja, já tendo trabalhado, podiam receber alimentos.Contudo, o comércio não era grande porque parte considerável da população produzia o que necessitava.
Não se conhecia o uso de moedas, embora os incas possuíssem um sistema numérico decimal pelo qual elaboravam sua contabilidade.
Para favorecer a memorização, utilizavam-se dos quipus que consistia em uma série de cordinhas que indicavam as dezenas, centenas e os milhares, permitindo que fossem feitos levantamentos que serviam para controle do Estado.
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Funcionários especializados manipulavam os "quipus".
A agricultura incaica, vale a pena lembrar, foi muito aperfeiçoada, especialmente com a introdução de canais de irrigação. Os excedentes produzidos eram armazenados em celeiros públicos, abastecendo a população em períodos de fome ou durante festejos públicos.
• O CASAMENTO
A idade para o casamento era aos 20 anos para o menino e 16 para a menina.
Quando chegavam a essa idade, eram dispostos em duas colunas e um funcionário os casava.
A escolha entre eles já havia sido feita anteriormente cabendo ao funcionário apenas resolver conflitos em caso de uma mesma mulher ser escolhida por dois homens.
Realizada a cerimônia, o casal recebia terras da comunidade a qual estavam ligados.
Se o procedimento desses casamentos não nos causa surpresa o mesmo não podemos dizer do processo pelo qual algumas mulheres eram escolhidas em uma comunidade para serem enviadas a Cuzco.De tempos em tempos reuniam-se em um distrito todas as meninas de 10 anos sendo escolhidas as mais inteligentes e bonitas. Em seguida eram mandadas para Cuzco onde iam aprender cozinhar, tecer e outras prendas mais que consideravam necessárias.
Depois de alguns anos, outra escolha definiria aquelas que seriam distribuídas como esposas secundárias (do Inca ou de nobres), e aquelas que deveriam permanecer em celibato.
O que é importante observar nesta política de casamentos é a criação de laços inter-étnicos, aproximando mulheres originárias de grupos étnicos diferentes do universo cuzquenho.
A EDUCAÇÃO
Entre os Incas existia uma elite formada por funcionários, chefes valorosos e mesmo por chefes vencidos que haviam sido integrados ao império. Os filhos desta elite eram educados nas escolas de Cuzco onde aprendiam história, astronomia, agrimensura, respeito a um deus supremo.
Também lutavam, corriam, fabricavam armas e sandálias.
A educação era severa, compreendendo jejuns e exercícios violentos que poderiam até resultar em morte. Terminado este período, o menino era apresentado ao Inca que lhe furava a orelha passando a ser este um símbolo de sua distinção social.
DANÇAS
Qamili: Uma dança praticada em grande escala, com vestimenta especial e originária das cidades de Maca e Cabanaconde.
Wit'iti: Dança para um grupo com vestes especiais, originária de Colca e Caylloma.
Saratarpuy Sara=milho, Tarpuy=colheita
.É uma variação da Qamili e é praticado quando é tempo de colheita do milho, eles dançam nesse evento especial o saratarpuy, desejando que a colheita seja boa.
Qhashwatinky: Competição de dança entre grandes grupos, com pessoas jovens que tocam grandes flautas chamadas pinkullos.
Sarawayllu Praticado em quase todas as cidades Kechwas cada vez que se termina de construir uma nova casa.
Não é uma dança, é somente cantado pelos convidados.
Kiyu-Kiyu: É uma dança sobre a chuva.
As pessoas, dirigindo-se para a cidade santa(varayuq) saem pelas ruas da cidade(ayllu) cantando e dançando na chuva.
• Llamera
Llamera é uma jovem que cuida de lhamas e vive nos Andes. Essas danças são muito bonitas e foram compostas pelas lhameras, que dançam e cantam enquanto suas lhamas pastam, ou enquanto viajam com as lhamas pelos solitários lugares dos Andes.
Atualmente não são somente elas que cantam e dançam "As llameras", também grupos de meninas de cada cidade dos Andes em qualquer evento ou celebração.
Tinkaches
Uma dança e canto praticados enquanto suas terras e animais são dedicados à Deus.
Ao som do tambor e da flauta eles dançam e cantam felizes, desejando que Deus cuide das suas terras e animais.
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Hailis:
Canções cantadas depois de terminar o trabalho no campo, ali não tem instrumento musical.
Um começa a cantar e o outro responde: Haili!
• Yarqha Haspiy:
Canções cantadas por mulheres que trabalhavam nos canais de água, trabalho muito importante, pois de lá depende o abastecimento de água para a cidade;
este trabalho pode ser de duas vezes ao ano de acordo com a vazão.
Note: Quando os Quíchuas cantam essas canções, contam histórias e lendas. Se ninguém mudar as letras das músicas, elas serão folclóricas autênticas
•
• RELIGIÃO
Quando os Incas conquistaram os Andes, impuseram o culto ao deus Sol.
Todas as tribos construíram um templo em homenagem ao Sol, mas o principal templo ficava em Cuzco capital do Império Inca.
Outros deuses também eram adorados: a Lua, os deuses do arco-íris, do trovão, porém sobre todos eles reinava Viracocha, o criador, que era o pai e a mãe do Sol e da Lua.
A religião Inca era de caráter politeísta, havia sacrifícios humanos para a satisfação dos deuses.
OS DEUSES DOS INCAS
VIRACOCHA:
(Ilha Viracocha Pachayachachi), (Esplendor originário, Senhor, mestre do mundo), foi a primeira divindade dos antigos Tiahuanacos, proveniente do Lago Titicaca. Como o seu homônimo Quetzalcoatl, surgiu da água, criou o céu e a Terra e a primeira geração de gigantes que viviam na obscuridade. O culto do Deus criador supunha um conceito intelectual e abstrato, que estava limitado à nobreza. Semelhante ao Deus Nórdico Odín,
Viracocha foi um deus nômade, e como aquele, tinha um companheiro alado, o condor Inti, grande profeta.
INTI:
(o Sol), chamado "Servo de Viracocha", exercia a soberania no plano superior ou divino, do mesmo modo que um intermediário, o Imperador, chamado "Filho de Inti", reinava sobre os homens.
Inti era a divindade popular mais importante: era adorado em muitos santuários pelo povo inca, que lhe rendiam oferendas de ouro, prata e as chamadas virgens do Sol.
MAMA QUILLA:
(Mãe Lua), Esposa do Sol e mãe do firmamento, dela se tinha uma estátua no templo do Sol.
Essa imagem era adorada por uma ordem de sacerdotisas, que se espalhava por toda a costa peruana.
PACHA MAMA
"A Mãe Terra", tinha um culto muito idolatrado por todo o império, pois era a encarregada de propiciar a fertilidade nos campos.
MAMA SARA: (Mãe do Milho).
MAMA COCHA: (Mãe do Mar)
AS LENDAS INCAS
A PRIMEIRA CRIAÇÃO :
"Caminhava pelas imensas e desertas pampas da planície, Viracocha Pachayachachi, 'o criador das cosas', depois de haver criado o mundo em um primeiro ensaio (sem luz, sem sol e sem estrelas). Mas quando viu que os gigantes eram muito maiores que ele, disse:
- Não é conveniente criar seres de tais dimensões;
parece-me melhor que tenham minha própria estatura!
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Assim Viracocha criou os homens, seguindo suas próprias medidas, tal como são hoje em dia, mas aqueles viviam na obscuridade". A Maldição:
Viracocha ordenou aos hombres que vivessem em paz, ordem e respeito.
Entretanto, os homens se rendeream à vida ruim, aos excessos, e foi assim que Deus criador os maldisse. E Viracocha os transformou em pedras ou animais, alguns caíram enterrados na Terra, outros foram absorvidos pelas águas.
Finalmente, despejou sobre os homens um dilúvio, no qual todos pereceram.
A SEGUNDA CRIAÇÃO :
Somente três homens restaram com vida, e com o objetivo de ajudar Viracocha em sua nova criação. Assim que o dilúvio passara, "o mestre do mundo" decidiu dotar a Terra com luz e foi assim que ordenou que o sol e a lua brilhassem.
A lua e as estrelas ocuparam seu ligar no vasto firmamento.
VALE SAGRADO DO INCAS
À curta distância da cidade de Cuzco se encontra um dos vales de maior riqueza paisagística e cultural do Peru. Foi formado há milhares de anos pelas correntezas do rio Vilcanota, o mesmo que no passado era chamado de Willkañuta (casa do Sol) ou Willcamayu (rio sagrado).
A área, denominada Vale Sagrado dos Incas, se prolonga por mais de 100 quilômetros (sendo seus extremos as cidades de Pisac e Machu Picchu), e possui numerosos povos (entre eles Ollantaytambo) e impressionantes centros administrativos que testemunham sua milenar ocupação.
Se encontra à uma altura média de 2800 metros sobre o nível do mar, e apresenta condições excepcionais, tais como um clima benéfico (18º C de temperatura média anual), rica flora e fauna, terra fértil e inumeráveis riachos que, nascendo das cordilheiras nevadas que o rodeiam, se precipitam em cachoeiras por entre os bosques nativos mais altos do mundo (4200 metros de altitude), provendo-o de abundante água e alimentando o rio sagrado.
A VIA LÁCTEA E O VALE SAGRADO DOS INCAS
A Via Láctea é uma nuvem esbranquiçada e difusa que atravessa de forma oblíqua a esfera celeste e engloba muitas constelações.
Dentre elas podemos citar Orion, o Escorpião e o Cruzeiro do Sul.
É formada por milhões de estrelas e nuvens escuras de poeira e gás que podemos observar em noites de céu limpo. Se a Terra fosse transparente, poderíamos constatar que ela nos rodeia por completo. Conhecida no mundo andino como Mayu ou rio celestial, serviu aos Incas como eixo de orientação ritual.
O cronista Cristóbal de Molina disse que os sacerdotes Incas realizavam durante o Solstício de Inverno uma peregrinação cerimonial anual em função da Via Láctea:
partiam de Cuzco em direção Sudeste, seguindo o movimento aparente da Via Láctea, até um lugar hoje denominado La Raya (onde nasce o rio Vilcanota), e onde, segundo a mitologia Inca, nascia o Sol. Deste lugar regressavam à Cuzco, dirigindo-se à Noroeste, mas agora seguindo a direção do "rio sagrado" (Vilcanota), que também flui de Sudeste à Noroeste.
É nesta peregrinação ritual que o rio celestial (Mayu) se relacionava com o rio terrestre (Vilcanota), já que na antigüidade existia a idéia de que tudo que fosse sagrado sobre a Terra possuía sempre um reflexo no céu.Atualmente, nas comunidades agrícolas, acredita-se que as forças cósmicas interferem substancialmente na vida diária.
O Mayu não foi apenas um eixo de orientação importante, mas sim um plano de referência para o entendimento do clima terrestre. Todo o conhecimento da época era proveniente das constelações, e existiam três classes delas: as "constelações brilhantes", formadas por um conjunto de estrelas unidas imaginariamente para formar uma determinada figura, as "constelações escuras", formadas por manchas escuras da Via Láctea (conhecidas atualmente como nebulosas), e as "constelações mistas", uma mistura de ambas.
As constelações escuras se encontram na região do rio celestial, ou Mayu, onde a densidade e o brilho maior desta região fazem com que as manchas escuras da Galáxia pareçam sombras de enormes silhuetas, geralmente de animais, os quais, no pensamento andino estavam encarregados de gerar fertilidade e abundância na Terra.
Devido à tudo isso, e em função dessas idéias, foram edificados, em todo o Vale Sagrado dos Incas, enormes construções que delimitaram espaços rituais, nos quais se recriou em suas formas respectivas as principais constelações andinas (Árvore, Lhama, Condor, Perdiz, Pontes, etc.), como se o vale e seu rio fossem reflexos, um do outro
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Logo, o Vale Sagrado dos Incas, não é apenas um nome, uma frase, ou muito menos um lugar comum, normal. È na verdade um sentimento, uma maneira de se situar no mundo, uma forma de compreender a vida, um conceito.
A arquitetura do Vale, tal qual sua simetria, parece nos revelar que o mesmo tinha a exclusiva função de servir de espelho da Via Láctea para os Incas.
No passado, durante o Equinócio de Primavera (23 de Setembro) se realizava um ritual denominado Mayucati, no qual os Incas entregavam oferendas ao rio Huatanay em Cuzco, para que suas águas, ao unir-se com as do rio Vilcanota, as levassem até Ollantaytambo.
Atualmente entregam oferendas ao rio Vilcanota ou Willcamayu (rio sagrado), pois existe a crença de seus desejos são realizados através da chuva.
A ARQUITECTURA
Os Incas possuíam uma organização econômico social bastante complexa.
A ela se vinculava uma arte monumental, que merece ser conhecida especialmente pela capacidade que tiveram de superar as dificuldades impostas pelo relevo.
Sendo essa região marcada pela presença de terremotos, convém observar que mesmo as construções de grande porte, resistiram muito bem a fortes abalos, ao contrário de diversas edificações feitas pelos europeus e que desabaram com os terremotos.
Neste sentido, podemos dizer que as obras de irrigação em direção aos vales desertos, a construção de pontes pênseis, entre grandes precipícios, e de aterros em pântanos atestam altos níveis de conhecimentos técnicos.
Para construir estradas em terrenos com grandes declives usavam do desenho em zigue-zague facilitando a circulação ou, se necessário, escadas.
As estradas eram estreitas já que circulavam nelas apenas homens e lhamas com carregamentos. Erguiam-se muros de arrimo em lugares mais perigosos para evitar desabamentos.
As estradas desempenhavam uma função mais ligada ao controle do império do que aos comércio.Ao todo calcula-se que eram mais de 4 000 Km de estradas cortando todo o império.
Em meio às cordilheiras muitas vezes era necessário construir pontes.
Elas eram feitas de cordas e exigam uma cuidadosa manutenção já que os cabos deviam ser substituídos todos os anos. Ao longo das estradas podiam ser encontradas construções onde pernoitavam viajantes que faziam parte do exército ou que eram funcionários em serviço oficial.
Nestes alojamentos ficavam os corredores que eram encarregados de levar mensagens de um canto a outro do império, tornando possível, por exemplo, que um destacamento do exército fosse informado com extrema rapidez sobre uma rebelião, podendo atuar com rapidez.
O URBANISMO
O urbanismo dos Incas tem uma longa história.
Seu grande desenvolvimento ocorreu na época Chavin e teve como expoente Tiahuanaco.
A pedra é o elemento básico das construções nas regiões mais altas, enquanto que no litoral utiliza-se um tijolo de terra. No norte e no centro das cordilheiras o estilo "cuzquenho" prevalece, enquanto no litoral do Peru e da Bolívia torna-se bem mais raro.
Estas diferenças no urbanismo sugerem que a "atuação política no território do Estado Chimu e das grandes chefias aymaras fosse mais fraca" conforme observou o antropólogo francês Henri Favre. Os edifícios Incas, templos e palácios especialmente, caracterizavam-se por uma aparência pesada. As aberturas em forma trapezoidal garantiam a majestade mas não amenizavam o volume.
Os Incas, ao contrário dos construtores da cultura Chavin e de Tiahuanaco, não se destacaram pelas suas esculturas.
Quanto às construções militares, destacam-se as fortalezas de Cuzco e do vale de Urubamba.
São edificações admiráveis por não disporem seus construtores de recursos técnicos, como a roda por exemplo. Apesar disso utilizavam-se de grandes blocos de pedra.
Os ajustes entre as pedras eram perfeitos. Uma das provas da habilidade dos construtores reside no fato que essas paredes monumentais resistem até hoje aos terremotos.
As casas eram circulares, cobertas de palha ou com uma espécie de abóboda de pedra.
A porta de entrada era única, sendo apenas coberta por uma pele ou palha.
Contudo, o que é mais importante observar, ao estudar o urbanismo da área andina, é que a arquitetura civil dos Incas não se difundiu pelo império, ao contrário da arquitetura responsável por construções com fins militares ou religiosos.
A cidade de Machu Picchu no Peru é uma obra admirável.
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Localiza-se a uma altura de 600 metros do rio Urubamba e ocupa uma área de 40 hectares.
A floresta preservou a cidade permitindo estudos sobre as formas de construção civil.
A maneira como foi construída demonstra a enorme habilidade dos seus construtores.
São enormes blocos de pedra com os quais se construíram palácios, praças, fontes, aquedutos, escadarias. A construção de alguns terraços serviam para a agricultura e diversos muros à beira das encostas deveriam proteger a cidade.
Nenhum documento da época da conquista espanhola se refere a Machu Picchu.
Sómente em 1911 uma arqueólogo norte-americano descobriu as ruínas, permitindo conhecer um pouco mais de uma grande cidade.
• .LOCALIZAÇÃO
Situado na América do Sul, nas encostas da cordilheira dos Andes, o império inca - palavra que significa chefe ou nobre - ocupou terras dos atuais Equador, Peru, parte do Chile e da Bolívia.
O território inca chegou a atingir cerca de 4 000 quilômetros de comprimento por 650 quilômetros de largura. Era cortado de norte a sul por duas estradas –
uma no litoral e outra nas montanhas - ligadas entre si por estradas menores que iam de leste a oeste, unindo todas as cidades.Em aproximadamente 400 anos, do seu início, no século XII, à consquista pelos espanhõis, em 1533, os incas foram um modelo de organização social e política, com grandes cidades, templos e edifícios, um eficiente sistema de transporte e comunicações e uma arte que ainda hoje desperta admiração.
A ORGANIZAÇÃO SOCIAL INCA
• Os incas eram muito organizados, cada um tinha o seu lugar dentro da sociedade:
• REI–
chefe supremo - era o Sapa Inca, temido e adorado como um deus, descendente direto do Sol. Ao seu lado ficava a rainha (Coya), sua irmã mais velha e esposa.
Em seguida vinham os nobres, que eram parentes do rei e pessoas por ele escolhidas para governar: governadores e províncias, chefes militares, sábios, sacerdotes e juízes.
Abaixo dos nobres ficavam os funcionários públicos e os trabalhadores especializados: marceneiros, ourives, pedreiros, etc.
Por último, vinha o grosso da população, principalmente os agricultores que viviam e trabalhavam nas aldeias, cultivando a terra e criando o gado.
Manco Capac, considerado o primeiro imperador inca, aparece naXII, comandados por Manco Capac, os incas estabeleceram-se em Cuzco e deram início à construção de um grande império, conquistado e destruído pelos espanhóis cerca de 400 anos mais tarde.
Na sociedade inca, cada grupo de dez pessoas tinha um chefe;
dez chefes tinham um capataz;
dez capatazes obedeciam a um supervisor;
dez supervisores eram subordinados ao curaca (o mais idoso), geralmente um nobre.
O curaca recebia ordens do governador.
A vida da população era rigorosamente controlada por leis que determinavam o tempo de semear e de colher e, até, os dias de ir ao mercado e os dias de diversão.
• Os incas também tinham muitos deuses.
Os principais representavam as forças da natureza, principalmente o Sol (Inti) e a Lua (Quilla). havia tatmbém os deuses do trovão, do arco-íris e dos planetas brilhantes.
O maior de todos era Viracocha, o Criador, ao mesmo tempo pai e mãe do Sol e da Lua. Os incas eram muito supersticiosos.
Muitos locais e objetos estranhos - pedras de formato irregular, cavernas, túmulos, etc. - eram venerados, pois se achava que tinham forças sobrenaturais.
• A sociedade inca caracterizava-se por três grandes grupos sociais.
No ápice da pirâmide temos o grande Inca o qual realizava o culto ao Sol.
Os sacerdotes eram responsáveis por sacrifícios, advinhações e também pela educação de jovens nobres.
Em seguida vinham os nobres que geralmente eram membros da familia do Inca, ou descendentes dos chefes de clãs que passaram a integrar o império.
Foram chamados de orejones pelos espanhóis porque usavam olhereiras.
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Os yanaconas eram uma espécie de escravos selecionados entre prisioneiros de guerra ou populares que eram encarregados de proteger seus senhores, administrarem terras do Templo do Sol e os armazéns de abastecimento.
Somente altos funcionários e chefes militares podiam ter a seu serviço os yanaconas os quais, é importante lembrar, podiam possuir bens, o que não nos permite confundi-los com escravos.
Apenas um dos filhos do yana era escolhido para continuar a atividade do pai. Alguns viviam em meio ao fausto de Cuzco enquanto outros serviam curacas pobres em regiões distantes.
Algumas mulheres também eram escolhidas para serem educadas nos monastérios do Sol por mulheres mais velhas e descendentes da etnia dos incas.
Algumas tornavam-se esposas secundárias do imperador, outras eram dadas em casamento a quem o imperador desejasse e outras permaneciam virgens para poder participar do culto solar.
Ao lado da atividade ritual estas mulheres também se dedicavam a fiar e a tecer.
O número delas por vezes era tão grande (perto de 2000 mil), que permitia uma produção que escapava a política de reciprocidades tradicionais. O mesmo ocorria com a produção dos yana favorecendo a desagregação das antigas formas de solidariedade social. Portanto as relações sociais estavam em transformação indicando uma tendência de transformação do Estado.
O povo tinha um papel extremamente importante na sociedade na medida em que era responsável pela sobrevivência alimentar através do cultivo da terra e, também, pelas guerras que faziam parte das formas de controle da produção em uma área bastante extensa.
As terras eram divididas em três partes. Os produtos obtidos do cultivo da primeira parte eram oferecidos ao culto do Sol, os da segunda parte para o Inca e os da terceira parte para a comunidade.
MACHU PICCHU A CIDADE DE PEDRA
Machu Picchu (cume velho) é a cidade sagrada dos incas, localizada em uma das regiões dos Andes de mais difícil acesso. Teria sido construida há cera de 6000 anos, mas só foi descoberta em 1911, tendo permanecido a salvo dos conquistadores espanhóis e ignorada por muito tempo.
Toda de pedra, Machu Picchu possui casas, torres, escadarias, altares para sacrifícios aos deuses e capacidade para 10000 habitantes.
No centro da cidade existe uma grande praça chamada Inti-Pampa, que significa campo do Sol.
No Inti-Pampa localiza-se uma imensa torre redonda - o Torreão -, o mais belo monumento de Machu Picchu. Grandes degraus levam ao alto da torre, onde se encontra uma pedra achatada, que seria o local dos sacrifícios.
MACHU PICCHU A CIDADE SAGRADA DOS INCAS
Toda construída com blocos de pedra, perfeitamente encaixados,
Machu Picchu mostra-nos o grande desenvolvimento alcançado pela arquitetura e pelas técnicas de construção dos incas. Assim como os maias, os astecas e outros povos das Américas, os incas também foram conquistadores e dominados pelos europeus, que destruíram tudo o que puderam de sua avançada civilização.
Abaixo da praça, comunicando-se com ela por meio de escadas e patamares, podem ser vistos jardins, palácios, fortificações e outras construções.
Uma escadaria construída entre abismos, com 64 patamares e milhares de degraus –
um dos membros da expedição de Hiram Bingham, que descobriu Machu Picchu, parou de contá-los quando chegou aos 3 200 - conduz ao Mirante do Sol, o ponto mais alto da cidade, de onde se pode ver toda a região: as planícies, os vales e as montanhas com suas geleiras.
Ao lado dos diques que construiram para represar rios, dos grandes degraus para agricultura nas encostas das montanhas, dos tanques e canais para irrigação e de outras cidades construídas com enormes blocos de pedra, Machu Picchu é o mais destacado exemplo da grandiosidade da arquitetura dos antigos habitantes das Américas.
• O ARTESANATO
A cerâmica - A importância da cerâmica nos estudos das civizações pré-colombianas é muito grande. Através dela podemos descobrir as áreas de expansão de uma determinada cultura, os processos de assimilação ou mesmo o desaparecimento de determinados grupos étnicos.
No caso dos Andes, podemos dizer que a produção começou por volta do II milenio.
Mas, só no início de nossa era, o torno permitiu produção em série.
Na costa meridional do Peru a cerâmica Nasca caracterizou-se pelas abundância de cores e a presença de representações estilizadas de animais.
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Os indígenas produziam pratos e inúmeros recepientes de formas diversas variando o estilo que poderia ser Mochica ou Chimu.É interessante observar através da cerâmica que a presença de Cuzco sobre as diversas etnias andinas que viviam sob o domínio Inca é pequena.
Apenas em torno de Cuzco e das capitais regionais observa-se uma influência mais ativa da capital. A tecelagem - Os tecidos foram produzidos na área andina antes mesmo da cerâmica.
Utilizavam o algodão, produzido no litoral, e a alpaca e a vicunha produzida nas terras altas.
Os fios eram tingidos de diversas cores e em seguida através do uso de teares bastante primitivos, teciam. Diversas espécies de tecidos eram confecionadas.
Os mais simples serviam para vestir a população.
Os homens usavam uma espécie de tanga e cobriam-se com o conhecido poncho e as mulheres usavam túnicas e chalés. Os tecidos mais ricamente bordados e a tapeçaria eram utlizados em rituais religiosos.Grande parte da produção desses tecidos vinham dos monastérios.
Os motivos geométricos, geralmente em tres cores, são repetidos constantemente da mesma forma que os desenhos da cerâmica.
• A METALURGIA
Acredita-se que os ourives de Chavin de Huantar desde 800 a.C, já martelavam ouro para fazerem placas onde incrustravam pedras e conchas.
Essas placas podiam recobrir as paredes dos templos.
Os Andes correspondeu ao maior centro de metalurgia da América pré-colombiana
. Os indígenas conheciam o ouro, a prata e o cobre e também sabiam ligar o estanho para produzir bronze.Mas desconheciam o ferro. Para modelarem um objeto utilizavam-se da cera para esculpi-lo depois recobriam com uma camada de argila. Colocavam o objeto no forno derretendo a cera e em seguida substituiam a cera por um metal. Depois de frio, quebrava-se o objeto feito de argila e dentro dele estava o objeto fundindo em metal.
AGRICULTURA TRANSPORTE E COMUNICAÇÕES
• O trabalho coletivo foi a base da economia dos incas.
Todos deviam trabalhar, desde que não fossem doentes, nem muito velhos, nem muito jovens. Todos os anos eram distribuídas terras ao povo, de acordo com a necessidade de cada família.
A agricultura era a principal atividade, desenvolvida principalmente nas montanhas.
Nas florestas eram colhidos frutos silvestres e caçados animais, cujas peles eram curtidas para diversas finalidades, como vestuário.
No litoral vivia-se principalmente da pesca e os peixes eram conservados em água salgada.
• Calcula-se que a população inca era mais numerosa que a do Peru atual.
E para que não faltassem alimentos, todo e qualquer pedaçõ de terra disponível era cultivado, até as encostas das montanhas, onde plantavam em terraços (andinos):
faziam degraus com paredes de pedra, enchiam os patamares com terra vegetal e nela plantavam.
A montanha parecia uma grande escada, que se tornava verde sempre que as plantas cresciam.Na parte alta das montanhas, cultivavam batata, coca e outros produtos resistentes ao frio; nas zonas intermediárias, plantavam feijão e milho - base da alimentação inca;
nas partes inferiores, cultivavam pimenta e frutas, principalmente o abacate.
Para aumentar a produção, os incas adubavam as terras com o esterco de lhamas e de alguns pássaros e irrigavam as plantas por meio de tanques e canais.
Nos tanques recolhiam a água das chuvas e do degelo dos Andes, que levavam até as plantações por meio de canais.Os incas foram o único povo pré-colombiano que criou gado. Domesticaram a lhame que, além de servir como meio de transporte, fornecia couro, carne e esterco.
Criavam também a alpaca e a vicunha, das quais tiravam uma lã de excelente qualidade.
Para interligar os vários pontos do império, os incas construíram um vasto sistema de estradas e pontes, além de balsas para cruzar os rios e jangadas de troncos e barcos de junco para locomover-se nos lagos e no mar. Na beira das estradas chegaram a construir albergues para guardar alimentos, roupas, ferramentas e armas para os viajantes.
Assim como os astecas, os incas também tiveram uma agricultura bastante desenvolvida.
Só que, enquanto os astecas viviam num grande vale e plantavam em chinampas sobre as águas do lago, os incas viviam nas encostas da cordilheira dos Andes e plantavam em andinos, degraus e terraços construídos nas encostas das montanhas; utilizavam tanques e canais para armazenar a água e irrigar as plantações.
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Um bem organizado sistema de correio facilitava a transmissão rápida de mensagens de um ponto a outro do território: cada mensageiro (chasquí), depois de percorrer um certo trecho do caminho, entregava a mensagem ao corredor seguinte e descansava numa cabana ao lado da estrada, até que chegasse nova mensagem.
• UM POVO DE TÉCNICAS AVANÇADAS
Os incas não conheciam a escrita.
Sua história chegou até nós através de relatos orais feitos de geração a geração por sacerdotes e poetas. desenvolveram técnicas tão avançadas que até hoje causam admiração.
Para registrar o número de habitantes, de cabeças de gado ou de produtos armazenados, criaram um sistema de numeração chamado quipu:
um cordão principal no qual prendiam numerosos cordões de cores diferentes em que faziam nós.
Cada informação era identificada pela cor do cordão, número e posição dos nós.
Na agricultura, além de plantação em andinos, selecionavam os produtos mais adequados:
cultivavam cerca de vinte espécies de milho e quarenta variedades de batata.
Além disso, adaptavam o cultivo às estações do ano, que determinavam pela observação dos astros.
O quipu, sistema de numeração baseado em cordões coloridos e nós, é apenas um entre tantos outros exemplos das avançadas técnicas desenvolvidas pelos incas.
Os incas foram também grandes artesãos, sabiam trabalhar o barro, a pedra, a madeira, o tecido, o cobre, a prata e o ouro.
Na medicina, utilizavam ervas medicinais e a técnica da sangria.
Há quem diga que faziam cirurgias com perfuração do crânio (trepanação).
Mas foi na arquitetura que os incas mais se destacaram, trabalhando grandes blocos de pedra como nenhum outro povo.
Além dos terraços para plantio, construíram grandes palácios, templos e fortalezas, em cidades como Machu Picchu, hoje visitada por turistas do mundo inteiro.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
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