• CAPITULO 44
FRANCOS
A partir do século V, os anglos e os saxões desembarcam nas ilhas britânicas, expulsando os celtas que lá viviam.
Suevos e visigodos instalam-se na península Ibérica, borguinhões ocupam a Gália, ostrogodos migram para a península Itálica e os vândalos assentam-se no norte da África.
Os francos avançam primeiro sobre os borguinhões, gauleses e visigodos, na Gália e na península Ibérica e, depois, atacam os lombardos ou longobardos na península Itálica.
Vivem na planície norte do Reno até o século IV. No século seguinte, com a eliminação dos pequenos reinados existentes, unificam-se sob o reinado de Clóvis.
• DINASTIAS DOS FRANCOS
Clovis (481 a 511 ) - O maior rei da dinastia, fundada por Meroveu, foi Clóvis, o fundador da monarquia franca. Lutou contra os alamanos e os derrotou na batalha de Tolbiac, o que concorreu para a unificação das tribos francas. Clóvis depois da batalha de Tolbiac, por influência de sua esposa Clotilde, cristã ortodoxa, e visando ao apoio da igreja para as suas conquistas, converteu-se ao cristianismo. Foi batizado em Reims, pelo bispo Remígio. Morreu em 511.
Reis Cabeludos - Os sucessores de Clóvis foram denominados cabeludos, porque usavam uma cabeleira comprida, símbolo de sua alta dignidade e do vigor de seu governo.
O melhor rei cabeludo foi Dagoberto (628 a 638), que procedeu à revisão da "Lei Sálica", código dos francos sálios, que num dos seus artigos, excluía as mulheres da sucessões das terras sálicas.
REIS PREGUIÇOSOS –
Foram sucessores do cabeludos. Débeis, abandonaram o governo aos "Prefeitos do Palácio"que, apoiados pelos nobres, usurparam o poder.
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Os Prefeitos do Palácio - Os mais notáveis foram: Pepino de Heristal, Carlos Martel e Pepino, o Breve. Carlos Martel deteve os árabes na batalha de Poitiers em 732.
DINASTIA CAROLÍNGIA
PEPINO, O BREVE –
Depôs o rei Chilferico III e tronou-se rei, com o consentimento do Papa Zacarias e ungido pelo Papa Estevão II. Combateu os Lombargos.
O PATRIMÔNIO DE SÃO PEDRO –
Teve origem quando o rei Pepino, o Breve, colocou as chaves das cidades conquistadas aos lombargos, sobre o túmulo de São Pedro, juntamente com um documento assegurando ao papa e aos sucessores o domínio das terras
DINASTIA MEROVÍNGIA –
Iniciada por Meroveu, em 482.
Na sua expansão inicial, elimina os restos do domínio romano ocidental com sua vitória sobre os gauleses. Em 496 triunfam sobre os alamanos e, em 497, convertem-se ao cristianismo, o que facilita a consolidação de suas conquistas e a posterior expansão sobre os borguinhões, visigodos e ostrogodos.
Clóvis forma um reino em que se fundem francos e gauleses.
Em 561 começam os conflitos internos entre a monarquia unitária e a nobreza, resultando na formação de três reinos distintos.
Em 613 Clotário II consegue a adesão da nobreza para reunificar o reino, mas a monarquia se enfraquece e acelera o declínio do poder merovíngio.
DINASTIA CAROLÍNGIA –
Em 751, Pepino, o Breve, destrona Childerico III, o último rei merovíngio, e consolida a dinastia carolíngia. Pepino, o Breve, atendendo apelo do papa, derrota os lombardos na península Itálica e coloca Roma sob sua proteção.
Após novas campanhas vitoriosas, obriga o rei lombardo a devolver os territórios romanos conquistados. Entrega-os então ao papa para que constituam, junto com o ducado de Roma, o Estado Pontifício.
Em 768 Pepino divide o reino entre seus dois filhos, mas a morte prematura de Carloman II deixa o reino em mãos de Carlos Magno.
CARLOS MAGNO (747-814),
primogênito de Pepino, o Breve, rei dos francos e imperador do ocidente. Famoso por sua altura (1,92 m) e habilidade política. Aprende a ler aos 32 anos.
Durante os 46 anos de seu reinado, promove grande desenvolvimento cultural e realiza mais de 50 guerras, para expandir o cristianismo e Constantino impor sua hegemonia no ocidente.
Recebe o título de maior soberano da Europa Medieval.
No natal de 800 é coroado imperador do ocidente pelo papa Leão III, que diz "A Carlos Magno, coroado por Deus, vida e vitória".
É canonizado em 1165.
Após sua morte, o império fragmenta-se.
O REINO MEROVINGIO(481/741)
Na Gália, as tribos francas foram unificadas no final do século V por Clóvis (481/511), convertido ao catolicismo, surgindo o primeiro reino bárbaro cristianizado. Neto de Meroveu, Clóvis deu início à dinastia merovíngia, que reinou entre os francos até 741. A base desse reino era a legalidade pessoal que ligava o rei a seus guerreiros. Sua autoridade vinha do fato de ser chefe da guerra e da conquista; o reino era considerado seu patrimônio pessoal, dele podendo dispor à vontade. A fidelidade pessoal ao rei era conseguida através de um juramento que os guerreiros lhe prestavam e do compromisso de a ele servir pelas armas, tornando-se assim seus vassalos.
Em troca, o soberano protegia e auxiliava os vassalos, garantindo-lhes os meios de seu sustento através da doação de um “benefício”, que podia ser a terra(o domínio) ou qualquer outro bem. As constantes doações de terra acabaram por enfraquecer o poder dos monarcas merovíngios, cujo patrimônio se fragmentava continuamente.
No século VIII, Carlos Mertel, um nobre da família de Heristal, conseguiu prestígio e poder ao deter o avanço dos muçulmanos sobre a Europa Ocidental, vencendo-os em Poitiers(França) em 732.
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Seu filho Pepino I (741/768) destronou o último rei merovíngio e proclamou-se rei dos francos, iniciando a dinastia carolíngia (741/987).Sua coroação pelo papa Estevão II reforçou a aliança entre a Igreja e o reino franco. O Império Carolíngio (741/987) Pepino I foi sucedido por Carlos Magno (768/814) que expandiu enormemente o reino franco, anexando a Itália lombarda, a Saxônia, a Frísia e a Catalunha, tornando-se o único rei da Europa cristã. Em seu governo, houve uma espécie de renascimento cultural e administrativo, o restabelecimento da moeda e da escrita
. No Natal do ano 800, Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente.
A COROAÇÃO DE CARLOS MAGNO COMO IMPERADOR
Ora, como no santíssimo dia de Natal, ele tinha entrado na basílica de São Pedro, apóstolo, na ocasião da celebração das missas solenes, e estava diante do altar, com a cabeça inclinada, em oração, o papa Leão pôs-lhe a coroa na cabeça, e todo o povo romano rompeu em aclamações: “A Carlos Augusto, coroado por Deus, grande e pacífico imperador dos Romanos, vida e vitória!” Terminados estes louvores, foi Carlos adorado pelo papa à maneira dos príncipes antigos, e sem tomar, contudo, o título de Patrício, foi chamado Imperador e Augusto.” (ANAIS REAIS, ano de 801). (Citado por Freitas, G., op. cit. p. 131).
O império de Carlos Magno era administrado a partir do Palácio, localizado, na capital, Aix-la-Chapelle. Abrigava funcionários eclesiásticos, aos quais cabia o serviço religioso, e leigos, como o senescal que tratava do abastecimento da corte, o condestável que cuidava das estrebarias, o camareiro encarregado da contabilidade e o conde do Palácio, presidente do Tribunal real. Todos eram vassalos do rei. O Palácio possuía oficinas, onde artesãos especializados trabalhavam o ouro, a prata e as pedras preciosas, constituindo-se no tesouro do rei, sempre exibido em ocasiões solenes. A cunhagem de moedas era atribuição do monarca, símbolo do poder, da ordem e da estabilidade do reino, sendo proibida a sua fabricação fora do Palácio.
O rei estava em constante movimento pelas diversas regiões do Império e de suas propriedades, não apenas para tirar o máximo de proveito delas, como também para manter sua autoridade. Em sua ausência, suas terras eram administradas pelos intendentes, que dirigiam as atividades agrícolas e controlavam os camponeses.
O comércio, que havia diminuído bastante nos séculos anteriores em função do processo de ruralização da sociedade, conheceu, no período carolíngio, uma certa renovação.
Houve o aparecimento dos “portus”, povoações localizadas junto aos rios mais importantes, formadas por um cais de desembarque e uma rua com entrepostos, e com clara função de mercado. Os camponeses trocavam seus produtos, tais como galinhas, ovos, peixes, cerâmica, nas feiras dos campos e aldeias, garantindo uma pequena renda em moeda(o dinar de prata corolíngio). Alguns metais como o ferro e o chumbo, além do sal, eram também comercializados.
Os nobres, proprietários dos domínios, vendiam sua produção excedente de vinhos e cereais, a fim de obter as moedas necessárias à ostentação e à aquisição de artigos de luxo(especiarias, perfumes, tecidos) provenientes do Oriente e que penetravam no Império Carolíngio via cidades do litoral mediterrâneo, como Veneza(Itália) e Marselha(França). O comércio de mercadorias de luxo era realizado dos negociantes especializados, que faziam parte do corpo de servidores da nobreza e dos reis.
Autores: Fábio Costa Pedro e Olga M. A.
CARLOS MAGNO , ROLANDO E SANTIAGO DE COMPOSTELA
A incursão armada de Carlos Magno na Espanha, no ano de 778, ainda que fracassada, deu frutos inesperados ao longo dos tempos. Um deles foi que o episódio serviu para ambientar os feitos do lendário conde Rolando, sobrinho do rei dos Francos, que, cavaleiro fiel, lutou até o fim contra uma turba de sarracenos na batalha de Roncesvalles, motivo para a Canção de Rolando, texto fundador da literatura cavalheiresca medieval, aparecido no ano de 1.100.
O outro, foi a devoção que os cristãos espanhóis depositaram em Santiago, um apostolo de Cristo que teria sido enterrado em terras da Ibéria, e cuja veneração, desde 813, estimulo-os a que eles, encorajados, resistissem aos mouros obedientes ao Islã.
• CARLOS MAGNO EM ESPANHA
Convenceram Carlos, o rei dos francos (o futuro Carlos Magno, coroado imperador do Ocidente, em 800), de que era viável aventurar-se numa operação militar de surpresa sobre a Espanha, então ocupada pelos mouros. Foram uns agentes do partido pró-Abássida, isto é, os próprios árabes muçulmanos, quem o incitaram a lançar-se na campanha, pois uma guerra civil cindira-os em duas facções inimigas:
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a dos que eram a favor da obediência ao Califado de Bagdá, como era o caso dos pró-Abássidas, e a dos que se inclinavam pelos Ominadas e pregavam a autonomia da marca espanhola, liderada por Abderraman I, (Abd-er Rahman, 756-788) o emir de Córdoba.
Bem pesada as coisas, deixando a capital saxã de Paderbon, em 778, Carlos pôs-se em marcha acelerada para os Pirineus.
Quarenta e seis anos antes, em 732, o avô dele, Carlos Martel, fundador da dinastia dos carolingeos, havia vencido os árabes na batalha de Poitiers, em território francês. Soara agora, entendeu ele, a hora do contra-ataque, de levar a guerra ao campo muçulmano.
O seu objetivo primeiro, ultrapassando a cordilheira que fazia a fronteira do seu reino com o dos árabes, era tomar Saragoça, antiga capital romana-aragonesa que estava nas mãos dos sarracenos desde 714, e que era estrategicamente entendida como uma espécie de portal de entrada para quem, vindo do Ocidente, quisesse conquistar o al-Andaluz, isto é, a Espanha dos mouros. Cavalgavam com ele, além das tropas, encontravam-se os Doze Pares da França e mais o seu sobrinho, o bravo Rolando, conde da Bretanha, que compunha a guarda real. Enquanto tentava demover Marsilio, o caudilho árabe da Saragoça sitiada, de fazer-lhe resistência, tentando-o com a proposta de compartilhar o restante da Espanha com ele, Carlos Magno foi surpreendido com uma notícia vinda de casa.
Os saxões, que habitavam o norte do reino dos Francos a quem estavam submetidos, aproveitando-se da ausência dele, ousaram revoltar-se, entrando em pé de guerra. Não restou ao monarca carolíngeo senão que desfazer o sítio e dar a ordem de retirada de volta para a França.
De bem pouco lhe serviria ter a Espanha na mão e perder o torrão natal.
Abderraban I, o emir de Córdoba, entrementes, não ficara de braços cruzados.
Quando soube da aproximação dos francos, arrebanhou tropas bérberes na África e as enviou em marcha forçada à Saragoça para enfrentar os invasores cristãos.
Ao lá chegarem viram que Carlos Magno já havia se posto a recuar pela estrada serpenteada dos Pirineus. Seguiram-no. As tropas de socorro de Abderraban I ligaram-se com as de Marsilio para darem um exemplo em regra ao rei dos Francos.
A BATALHA DE RONCESVALLES
Carlos Magno destacara o valente Rolando, seu sobrinho, como o encarregado de proteger a retaguarda do exército em retirada. Com ele deixou também a sua guarda pessoal.
Não demorou muito para que lá no alto da cordilheira terminassem por serem emboscados pela gente da região. Milhares de bascos de toda a Navarra atenderam ao chamado dos chefes de aldeia e apresentaram-se armados para expulsar os francos invasores.
O local escolhido para a liça foi Roncesvalles, um vale situado há 1.066 metros de altitude.
No seu estranho idioma, chamaram-na de Orreaga´ko Gatazka, a batalha de Roncesvalles. Pegos de surpresa no dia 5 de agosto de 778, os homens de Rolando lutaram bravamente até que , um a um, sucumbiram com a aparição dos mouros. Foram literalmente soterrados pela avalanche de pedras, de espadas e lanças que desabou sobre eles de todos os lados. Um canto basco, celebrando o feito dizia: “Baixarão as águias da noite/ para mergulhar nas carnes/ famintas, sugarão para sempre seus ossos/ E o vale branqueará”.
O episódio de Roncesvalles foi um exemplo singular na história da Espanha:
bascos cristãos juntaram-se à gente do Islã para expulsar os francos, no que pode-se considerar como um exemplo precoce da identidade hispânica.
O rei Carlos, que estava acampado a meio caminho da França, num lugarejo por isso mesmo dito Valcarlos, o Vale de Carlos, teve que retornar para tentar salvar os seus homens.
Esforço perdido, pois quando chegou a Roncesvalles, o rei dos francos deparou-se com um canteiro de mortos, pilhas deles.
Nada mais lhe restou senão fazer uma prece frente ao corpo dilacerado de Rolando.
A invasão dos francos, a retirada de Carlos, a batalha de Roncesvalles, tiveram duradouros efeitos imorredouros na literatura européia e na história do culto aos santos da Espanha.
A morte heróica de Rolando inspirou o grande poema épico medieval: a Chanson de Roland, a Canção de Rolando; enquanto a derrota dele, por sua vez, com o fracasso dos cristãos em retomarem a Espanha para a sua fé, estimulou como compensação o surgimento da devoção a Santiago de Compostela: o Santiago Matamoros.
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• DESMEMBRAMENTO DO IMPÉRIO –
Luís I, o Piedoso, sucessor e filho de Carlos Magno, se faz coroar pelo papa Estêvão IV.
Disputas e guerras sucessórias envolvem os filhos de Luís I e resultam na divisão do Império Franco. Em 840 os irmãos Luís, o Germânico, e Carlos, o Calvo, unem-se contra Lotário, o primogênito herdeiro. A aliança é reforçada em 842 pelo Juramento de Estrasburgo, o mais antigo documento redigido em alto alemão e francês antigo.A guerra fratricida termina em 843, com o Tratado de Verdun, pelo qual o Império Franco permanece dividido em três reinos.
A divisão prolonga-se até 987, quando Hugo Capeto é eleito e coroado rei da França.
sábado, 7 de novembro de 2009
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