sábado, 7 de novembro de 2009

CAPITULO 28 MITOLOGIA ROMANA

CAPITULO 28

MITOLOGIA ROMANA
Os romanos ultrapassaram todos os outros povos na sabedoria singular de compreender que tudo está subordinado ao governo e direção dos deuses. Sua religião, porém, não se baseou na graça divina e sim na confiança mútua entre Deuses e Homens; e seu objetivo era garantir a cooperação e a benevolência dos deuses para com os homens e manter a paz entre eles e a comunidade. Entende-se por religião romana o conjunto de crenças, práticas e instituições religiosas dos romanos no período situado entre o século VIII a.C. e o começo do século IV da era cristã. Caracterizou-se pela estrita observância de ritos e cultos aos deuses, de cujo favor dependiam a saúde e a prosperidade, colheitas fartas e sucesso na guerra.
A piedade, portanto, não era compreendida em termos de experiência religiosa individual e sim da fiel realização dos deveres rituais aos deuses, concebidos como poderes abstratos e não como Divindades Antropomórficas. Um traço característico dos romanos foi seu sentido prático e a falta de preocupações filosóficas acerca da natureza ou da divindade.
Seus preceitos religiosos não incorporaram elementos morais, mas consistiram apenas de diretrizes para a execução correta dos rituais. Também não desenvolveram uma mitologia imaginativa própria sobre a origem do universo e dos deuses; seu caráter legalista e conservador contentou-se em cumprir com toda exatidão os ritos tradicionalmente prescritos, organizados como atividades sociais e cívicas.
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O ceticismo religioso chegou a ser uma atitude predominante na sociedade romana em face das guerras e calamidades, que os deuses, apesar de todas as cerimônias e oferendas, não conseguiam afastar. O historiador Tacitus comentou amargamente que a tarefa dos deuses era castigar e não salvar o povo romano.
A índole prática dos romanos manifestou-se também na política de conquistas, ao incorporar ao próprio panteão os deuses dos povos vencidos. Sem teologia elaborada, a religião romana não entrava em contradição com essas deidades, nem os romanos tentaram impor aos conquistados uma doutrina própria. Durante a república, no entanto, foi proibido o ensino da Filosofia Grega, porque os filósofos eram considerados inimigos da ordem estabelecida.
Os valores dominantes da cultura romana não foram o pensamento ou a religião, mas a retórica e o direito. Com as crises econômicas e sociais que atingiram o mundo romano, a antiga religião não respondeu mais às inquietações espirituais de muitos e, a partir do século III a.C., começaram a se difundir religiões orientais de rico conteúdo mitológico e forte envolvimento pessoal, mediante ritos de iniciação, doutrinas secretas e sacrifícios cruentos.
Nesse ambiente verificou-se mais tarde a chegada dos primeiros cristãos, entre eles os apóstolos Pedro e Paulo, com uma mensagem ética de amor e salvação.
O cristianismo conquistou o povo, mas seu irrenunciável monoteísmo chocou-se com as cerimônias religiosas públicas, nas quais se baseava a coesão do estado, e em especial com o culto ao imperador. Depois de sofrer numerosas perseguições, o cristianismo foi reconhecido pelo imperador Constantinus I no ano 313 d.C. São escassas as fontes que permitem reconstruir a vida da primitiva Roma, pequena cidade-estado que se formou por volta do século VIII a.C.
A descrição mais antiga é do historiador romano Marcus Terencius Varrão, do século I a.C., mas seu testemunho já mostra a grande influência da Cultura Grega, que motivou a reinterpretação da tradição religiosa. No período de formação original, a religião dos romanos já apresentava características utilitárias, em que as preocupações se centravam na satisfação das necessidades materiais, como boas colheitas e a prosperidade da família e do estado em tempo de paz e de guerra. Entre os deuses mais importantes dessa época estão
Júpiter, deus do céu, o maior deles;
Marte, deus da guerra;
Quirino, protetor da paz, identificado depois com Romulus;
e Juno, cuja função principal era dirigir a vida das mulheres.
Outras deidades menores eram figuras vagas de funções limitadas e claramente definidas.
Como os deuses maiores, tinham poderes sobrenaturais e, pelo culto adequado, podiam ser induzidos a empregá-los em benefício dos adoradores.
A curiosidade dos romanos, porém, não passava desse ponto: os deuses não tinham mitos, não formavam casais e não tinham filhos. Os romanos não tinham também uma casta sacerdotal; seus ritos eram executados com meticulosa exatidão por chefes de família ou magistrados civis.
Essas atividades clericais, porém, eram reguladas por colégios sacerdotais. Na segunda metade do século VI a.C., os Etruscos conquistaram a cidade de Roma e introduziram nas práticas religiosas o culto às estátuas dos deuses, os templos, a adivinhação mediante o escrutínio das entranhas de animais sacrificados e do fogo e maior solenidade nos ritos funerários.
O primitivo calendário religioso lunar, de dez meses, foi substituído pelo calendário solar de 12 meses. Nesse período ocorreu a incorporação de deuses que não eram apenas etruscos. Júpiter ganhou como consortes Juno e Minerva, uma união que resultou da influência grega, já que as duas deusas foram identificadas como Hera e Atena, mulher e filha de Zeus. Vênus e Diana surgiram de fontes italianas. Entre os deuses incorporados ao panteão romano por influência etrusca estão Vulcano, deus do fogo, e Saturno, divindade de funções originais obscuras.
O Período Republicano, do século V ao século I a.C., caracterizou-se pela ampliação da influência da cultura grega, cujos mitos revitalizaram os deuses romanos ou introduziram novas divindades, como Apolo, que não tinha um equivalente romano geralmente reconhecido, e Esculápio. Outro costume importado da Grécia foi convidar os deuses para o banquete sagrado, o Lectisternium, no qual eram representados por suas estátuas e associados em casais, como Júpiter e Juno, Marte e Vênus etc. As figuras juntas nos banquetes formaram o grupo grego popular e típico de 12 deuses. Foram introduzidos ainda cultos orgiásticos do Oriente Médio, como o da deusa Cibele, a Grande Mãe, e o de Dioniso, que em Roma foi identificado como Baco. O imperador Augustus quis reavivar os cultos tradicionais - ele mesmo foi divinizado após a morte - e reconstruir os templos antigos.
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A crescente demanda por uma religião mais pessoal, porém, que nem as religiões tradicionais gregas nem as romanas eram capazes de satisfazer, foi atendida por vários cultos do Oriente Médio, que prometiam a seus seguidores o favor pessoal da divindade e mesmo a imortalidade se certas condições fossem atendidas, entre elas a iniciação secreta em ritos misteriosos. O primeiro deles foi o de Ísis que, embora de origem egípcia, sofreu modificações em sua passagem pela Grécia. Depois veio o culto de Atis, consorte da Grande Mãe, e por último o de Mitra, de origem Persa, que se tornou o predileto dos soldados romanos.No último período do Império Romano, desenvolveu-se de forma particular o culto ao Sol, e o imperador Aurelianus proclamou como suprema divindade de Roma o Sol Invicto. Mas essas tentativas de reavivar uma religião que sempre servira aos interesses do estado fracassaram, ante a expansão do Cristianismo que, em 391, foi declarado religião oficial do estado pelo imperador Theodosius I, que suprimiu o culto tradicional.
DEUSES ROMANOS
• CERES
A deusa cultuada pelos romanos sob o nome de Ceres é a mesma Deméter dos gregos, divindade identificada com a agricultura e a fecundidade da Terra.
Deusa do trigo, que dá o pão, e de todos os outros cereais, Ceres é também, por extensão, a deusa do casamento. Filha de Saturno (Cronos, para os gregos) e de Cibeles (Vesta), irmã de Júpiter (Zeus) e mãe de Prosérpina (Perséfone), Ceres tem seu nome, de provável origem itálica, relacionado ao verbo creare ou, talvez, ao substantivo cereal, principal riqueza das regiões agrícolas na antiguidade. Nos primeiros tempos da civilização romana, Ceres era cultuada juntamente com a deusa Gaia ou Gê (a Terra). Em janeiro, por ocasião da semeadura, era oferecido a ambas o sacrifício de uma porca, com a finalidade de expiar as transgressões e omissões cometidas quanto aos deveres piedosos em relação aos mortos.
A figura e o culto de Ceres se revigoraram nos primeiros anos da República Romana, quando houve uma grande carestia e os oráculos sugeriram aplacar a ira de três deuses gregos, entre os quais Deméter. Assim, a deusa grega se justapôs à romana Ceres.
O culto de Ceres preservou as características gregas originais do culto a Deméter: eram gregas as sacerdotisas do templo e grega a língua usada nos rituais.
As principais festas da deusa eram as Cereálias, com jogos celebrados primitivamente em ocasiões extraordinárias e depois, anualmente, de 12 a 19 de abril.
Destinava-se a comemorar o retorno de Prosérpina, filha de Ceres, à Terra.
As oferendas incluíam doces de mel, leite e o sacrifício de uma porca.
No mês de agosto havia outra festa, da qual só participavam mulheres.
CUPIDO
Identificado com Eros, o deus grego do amor, o deus romano Cupido encarnava a paixão e o amor em todas as suas manifestações. Segundo a mitologia romana, Cupido era filho de Vênus, a deusa do amor, e de Mercúrio, o mensageiro alado dos deuses. Logo que nasceu, Júpiter, sabedor das perturbações que iria provocar, tentou obrigar Vênus a se desfazer dele.
Para protegê-lo, a mãe o escondeu num bosque, onde ele se alimentou com leite de animais selvagens. Cupido era geralmente representado como um menino alado que carregava um arco e um carcás com setas. Os ferimentos provocados pelas setas que atirava despertavam amor ou paixão em suas vítimas.Outras vezes representavam-no vestido com uma armadura semelhante à que usava Marte, o deus da guerra, talvez para assim sugerir paralelos irônicos entre a guerra e o romance ou para simbolizar a invencibilidade do amor.
Embora fosse algumas vezes apresentado como insensível e descuidado, Cupido era, em geral, tido como benéfico em razão da felicidade que concedia aos casais, mortais ou imortais.
No pior dos casos, era considerado malicioso pelas combinações que fazia, situações em que agia orientado por Vênus.
• DIANA
Indiferente ao amor e caçadora infatigável, Diana era cultuada em templos rústicos nas florestas, onde os caçadores lhe ofereciam sacrifícios. Na mitologia romana, Diana é a deusa dos animais selvagens e da caça, bem como dos animais domésticos. Filha de Júpiter e Latona, irmã gêmea de Apolo, obteve do pai permissão para não se casar e se manter sempre casta. Júpiter forneceu-lhe um séquito de sessenta oceânidas e vinte ninfas que, como ela, renunciaram ao casamento.
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Diana foi cedo identificada com a deusa grega Ártemis e depois absorveu a identificação de Ártemis com Selene (Lua) e Hécate (ou Trívia), de que derivou a caracterização triformis dea ("deusa de três formas"), usada às vezes na literatura latina.
O mais famoso de seus santuários ficava no bosque junto ao lago Nemi, perto de Arícia.
Pela tradição, o sacerdote devia ser um escravo fugitivo que matasse o antecessor em combate.
Em Roma, seu templo mais importante localizava-se no monte Aventino e teria sido construído pelo rei Servius Tulius no século VI a.C. Festejavam-na nos idos (dia 13) de agosto.
Na arte romana, era em geral representada como caçadora, com arco e aljava, acompanhada de um cão ou cervo.
FAUNO
Protetor das lavouras e dos rebanhos, Fauno foi ocasionalmente adorado como divindade silvestre. Os ecos e sons do bosque eram atribuídos a sua voz.
Na Mitologia Romana, os faunos são a multiplicação tardia do deus Fauno, cujo nome deriva do latim favere, "ser favorável", "benéfico". Fauno era representado como um ancião de longa barba, vestido com pele de cabra, às vezes munido de uma cornucópia.
Nisto ele se assemelhava ao deus grego Pã.Na evolução do mito, Fauno apareceu como neto de Saturno e era representado com patas de bode, como os sátiros gregos. Nessa fase o deus se multiplicou em numerosos faunos, semideuses representados com chifres, cauda e cascos de bode, mortais porém longevos. Assim como Pã, Fauno era um deus alegre.
As lupercais, festas anuais que se realizavam na Roma antiga no mês de fevereiro e que se prolongaram pela era cristã, eram dedicadas a Fauno e destacavam seu caráter de protetor dos pastores e dos rebanhos contra todos os perigos, especialmente o dos lobos.
Durante as lupercais, os jovens, vestidos com peles de cabra, corriam pelas ruas de Roma, celebrando assim os antigos ritos, segundo os quais os sacerdotes do deus partiam de seu santuário, situado numa gruta do monte Palatino, e dançavam ao redor dos antigos muros da cidade para pedir ao deus a fecundidade dos campos, dos animais e dos homens.
Ao lado de Fauno, na mitologia aparece Fauna, sua esposa, irmã ou filha. Segundo certas versões, ela teria atributos semelhantes aos do deus.
JUNO
Protetora do casamento, do parto e sobretudo da mulher em todos os aspectos da sua vida, Juno assemelha-se à deusa grega Hera, com quem foi universalmente identificada.
Juno, na mitologia romana, era a principal deusa e a contrapartida feminina de Júpiter, seu irmão e marido. Com Júpiter e Minerva, formava a tríade capitolina de divindades difundidas pelos reis Etruscos, cujo templo se erguia no Capitólio, em Roma.
Recebeu vários epítetos, segundo os papéis que desempenhava, como, por exemplo:
Juno Iterduca, que conduzia a noiva à nova casa;
Juno Lucina, a deusa do parto, que auxiliava o nascimento das crianças;
Juno Natalis, que presidia o nascimento de cada mulher;
e Juno Matronalis, que protegia a mulher casada.
Tornou-se um anjo da guarda feminino - assim como todo homem possuía seu "gênio", toda mulher tinha sua "juno". Sua festa principal era a Matronália, celebrada em 1º de março, data em que mulheres casadas se reuniam e levavam oferendas ao templo de Juno Lucina.
As representações de Juno variavam de acordo com o epíteto escolhido.
Com maior freqüência, era representada de modo semelhante à grega Hera, de pé e como matrona de austera beleza, às vezes com características militares.
• JÚPITER
Deus supremo da mitologia romana, apesar de todo-poderoso, onipresente e onisciente, Júpiter estava submetido aos desígnios do Destino (Moira). Júpiter personificava o céu luminoso e tinha o poder de lançar raios, dissipar nuvens e fazer cair a chuva fecundante.
Marido de Juno, sua irmã, tinha por atributos o raio, o cetro e a águia.
Em toda a Itália, era cultuado no alto dos montes. Na mitologia romana, além de incorporar as características do Zeus grego, se confunde com Tínia, deus etrusco.
O culto a Júpiter encarnava uma concepção moral distinta. Além de grande divindade protetora, estava relacionado com juramentos, tratados e ligas, e era na presença de seu sacerdote que ocorria a mais antiga e sagrada forma de casamento. Essa ligação com a consciência, com o senso do dever e da conduta correta nunca se perdeu ao longo da história romana



Essa característica de Júpiter adquiriu nova força e significado com a construção do famoso templo no Capitólio, cercado por sua árvore sagrada, o carvalho.
Era consagrado a Iuppiter Optimus Maximus (o melhor e maior de todos os Júpiteres) e a ele estavam associadas Juno e Minerva, no que configura a tríade capitolina.
Os festejos da consagração ocorriam no dia 13 de setembro, data que posteriormente foi associada aos grandes jogos romanos (ludi romani).
O culto a Júpiter difundiu-se por todo o império.
• MARTE
Povo conquistador, que construiu um vasto império do Ocidente ao Oriente, os romanos encontraram em Marte, o deus da guerra, a personificação do ideal de soldado que tanto perseguiam. Marte, antiga divindade romana, cedia a primazia em importância apenas a Júpiter, e com o correr do tempo, tornou-se deus da guerra e assimilou todas as lendas relativas ao grego Ares. Seus atributos eram a lança e a tocha ardente.
Suas festas ocorriam na primavera e no outono, início e fim dos períodos agrícola e militar.
Em 15 de outubro, realizava-se uma competição de carros puxados por dois cavalos e, em 19 de outubro, o Armilustrium assinalava a purificação das armas de guerra, que eram guardadas durante o inverno. Até a época de Augustus, Marte contava com apenas dois templos em Roma: um no Campus Martius, onde se realizavam as manobras militares; e outro fora de Porta Capena.
Dentro da cidade havia um santuário onde se guardavam as lanças sagradas do deus.
Sob o governo de Augustus, o culto de Marte ganhou novo ímpeto: além de tradicional guardião dos assuntos militares do estado, ele se tornou, com o nome de Mars Ultor (Marte o Vingador), guardião pessoal do imperador. Seu culto às vezes rivalizou com o de Júpiter Capitolino e, por volta do ano 250 d.C., Marte era o mais importante dos deuses militares venerados pelas legiões romanas.
• MERCÚRIO
As palavras comércio, mercado e mercenário derivam do latim merx (mercadoria), da mesma forma que Mercúrio, deus alado que protegia os negócios e os lucros.
Mercúrio, na religião romana, era o deus das mercadorias e dos mercadores. Correspondia a Hermes, o veloz mensageiro dos deuses na Mitologia Grega e de quem assimilou as façanhas heróicas. Embora não fosse primitivamente italiano, seu culto logo se difundiu.
Em 495 a.C., foi consagrado o templo no monte Aventino, em Roma, em que Mercúrio era venerado juntamente com a deusa Maia, identificada como sua mãe por associação à grega Maia, mãe de Hermes. Ambos eram festejados no dia 15 de maio, dia da consagração do templo e importante especialmente para os mercadores.
Na arte romana Mercúrio era representado de pé, em geral nu e carregando uma bolsa cheia, símbolo dos lucros mercantis. Os artistas, porém, tinham liberdade de tomar os atributos do grego Hermes independentemente de sua adequação à divindade romana e com freqüência apresentavam Mercúrio com sandálias aladas, capacete alado e nas mãos um caduceu, bastão mágico usado pelo deus para propiciar fortuna.
• MINERVA
Em Roma como na Grécia, Minerva era a deusa protetora dos flautistas e de todos os que trabalhavam em atividades que exigiam certa habilidade manual e algum pendor artístico.
Minerva era a deusa romana dos trabalhos manuais, das profissões, das artes e, posteriormente, da guerra. Identificava-se com a grega Atena e alguns estudiosos acreditam que seu culto, que se difundiu em Roma, seja proveniente da Etrúria. Com Júpiter e Juno, constituía a tríade capitolina, venerada no templo do Capitólio. Minerva era cultuada em vários templos em Roma.
Em seu santuário no monte Aventino reuniam-se corporações de artistas, entre eles poetas dramáticos e atores. O culto de Minerva como deusa da guerra superou o de Marte.
A festa conhecida como Quinquatrus, celebrada no quinto dia após os idos (dia 15) de março, era originalmente dedicada a Marte, mas foi completamente tomada por Minerva, provavelmente por ser a data da fundação de seu templo no Aventino. Posteriormente, prolongou-se o feriado por cinco dias para incluir o dia 23 de março, o Tubilustrium, ou purificação dos clarins.
O primeiro dia era dedicado à lustração das armas para anunciar a nova temporada militar, e os quatro seguintes destinavam-se a espetáculos de gladiadores.


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Havia também o Quinquatrus menor, celebrado em 13 de junho, dia dos flautistas, cuja divindade protetora era Minerva. O templo que Pompeu construiu em sua honra com os espólios dos vencidos no Oriente mostra que Minerva era identificada com Atena Nice, que concedia a vitória.
Durante o período de Domitianus, que reivindicava sua especial proteção, o culto a Minerva atingiu sua maior popularidade em Roma. O imperador instituiu jogos, acompanhados de representações teatrais e concursos de oratória e poesia. Inspirado nesses festejos, o imperador Hadrianus fundou em Roma o Ateneu (Athenaeum), dedicado a promover atividades intelectuais.
• NEPTUNO
Enquanto seu equivalente grego Posêidon tinha caráter violento e multifacetário, o deus romano Netuno conservou-se simplesmente como o senhor dos mares e das águas correntes.
Na mitologia romana, Netuno era originalmente o deus da água doce.
No começo do século IV a.C., identificado com o grego Posêidon, tornou-se a divindade do mar. Salácia, sua contrapartida feminina, originalmente talvez a deusa das fontes, foi então identificada com a grega Anfitrite, esposa de Posêidon, e passou a personificar as águas do mar.
As Netunálias, festas celebradas em honra de Netuno, estão registradas nos calendários mais antigos. Realizavam-se no auge do verão, em 23 de julho, época em que a água escasseava, a fim de propiciar a divindade da água doce. Havia um templo de Netuno no Circo Flamínio, em Roma, construído ou amplamente restaurado por Cneu Domitius Enobarbus, cônsul em 32 a.C.
Uma de suas características era um grupo escultórico de divindades marinhas conduzidas por Posêidon e Tétis, realizado pelo arquiteto e escultor grego Escopas.
Nas artes plásticas, Netuno foi em geral representado como o grego Posêidon: um velho forte e barbado, com o tridente, acompanhado por golfinhos ou cavalos-marinhos.
• VÊNUS
Objeto de admiração tanto pela beleza como pelas aventuras amorosas em que se envolveu com deuses e mortais, Vênus é associada a todos os aspectos da condição feminina.
Vênus é uma antiga deusa pré-romana da península itálica, ligada aos campos cultivados e jardins. Não há registro de que tenha sido venerada na Roma primitiva, governada pelos etruscos, mas entre os grupos latinos da península, no entanto, seu culto parece provir de tempos remotos.
Em Roma, logo foi identificada com Afrodite, deusa grega do amor.
Não se entende bem essa associação, talvez devida, em parte, à fundação de um templo romano em louvor de Vênus durante o festival de Júpiter (o Zeus grego, pai de Afrodite).
Razão mais forte teria sido o acolhimento em Roma do culto a Afrodite, proveniente da cidade siciliana de Erice, resultado da identificação de uma deusa-mãe oriental com a divindade grega.
Em 215 a.C., um templo foi consagrado no Capitólio a essa divindade híbrida, que se tornou conhecida como Vênus Ericina. Mais tarde o culto de Vênus difundiu-se por todo o Mediterrâneo.
Como divindade romana, Vênus não tinha mitologia própria. Incorporou a de Afrodite e assim foi identificada com diversas deusas estrangeiras. Resultado notável dessa transformação foi o fato de seu nome ter sido dado a um dos planetas do sistema solar, inicialmente batizado com o nome da deusa babilônica Ishtar e, depois, de Afrodite. Associada ao amor e à beleza feminina, Vênus foi um dos temas preferidos na arte de todos os tempos.
VESTA
Fazer fogo nem sempre era fácil na antiguidade, e por isso a manutenção da chama - principal elemento do culto a Vesta - revestia-se de grande importância.
O fogo perpétuo em honra da deusa era mantido em todas as casas romanas, juntamente com imagens dos lares e penates, deuses domésticos. Vesta, a deusa romana do lar, identificada com a grega Héstia, era representada inteiramente vestida, às vezes acompanhada de um asno.
Seu culto era o mais antigo da religião romana e o que mais resistiu à influência cristã.
As vestais (sacerdotisas) presidiam a Vestália, festival anual, realizado entre 7 e 15 de junho, período considerado aziago. No último dia, fazia-se a limpeza ritual do santuário e os maus augúrios só terminavam quando todo o lixo era depositado em um local especial ou lançado ao Tibre. As candidatas a sacerdotisas de Vesta deviam ser filhas de pais livres e respeitáveis e não ter defeito físico ou mental. As seis vestais eram iniciadas entre os seis e dez anos e permaneciam por trinta anos a serviço da deusa, durante os quais deviam conservar-se virgens.
Além de zelar pelo fogo, deviam preparar os alimentos sagrados e cuidar da limpeza e dos objetos do santuário. Se faltassem às obrigações eram castigadas fisicamente e, caso violassem o voto de castidade, enterradas vivas.
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Usufruíam de grande prestígio e inúmeros privilégios, o que incluía a emancipação da casa paterna. Podiam se casar ao fim dos trinta anos de serviço, o que raramente ocorria, pois o casamento com uma vestal era considerado de má sorte.
O santuário de Vesta situava-se no Forum, perto da Regia, antigo palácio dos reis romanos.
Construído segundo planta circular, lembrava as primitivas cabanas italianas.
Somente as vestais tinham livre acesso a seu núcleo, mas uma vez por ano, na Vestália, as mulheres casadas podiam visitá-lo. Na época de Augustus construiu-se diante do templo o Atrium Vestae, espécie de vestíbulo de recepção.
O culto a Vesta era um dos mais antigos e respeitados em Roma e, como "Pontifex Maximus", o imperador exercia poder sobre as Virgens Vestais e sobre o próprio culto.
Além disso, as três irmãs de Caligula foram Vestais, favorecendo sua associação com o culto.
Dessa forma, a representação Vestal enfatizava a unidade do império e divulgava uma figura paternal de Caligula.

PRINCIPAIS DEUSES DA MITOLOGIA GREGA E ROMANA
,,,,,,,GREGO… ,,,ROMANO.. PAPEL….NA…MITOLOGIA……….:…………………,,,,,,,,,,,,,,,,,,
• •
AFRODITE VÉNUS Deusa da beleza e do desejo sexual (na mitologia romana, deusa dos campos e jardins)
APOLO FEBO Deus da profecia, da medicina e da arte do arco e flecha (mitologia greco-romana posterior: deus do Sol)
ARES MARTE Deus da guerra
ARTEMIS DIANA Deusa da caça (mitologia greco-romana posterior: deusa da Lua)
ASCLÉPIO ESCULÁPIO Deus da medicina
ATENA MINERVA Deusa das artes e ofícios, e da guerra; auxiliadora dos heróis (mitologia greco-romana posterior: deusa da razão e da sabedoria)
CRONO SATURNO Deus do céu; soberano dos titãs (mitologia romana: deus da agricultura
DEMETÉR CERES Deusa dos cereais
DIONÍSIO BACO Deus do vinho e da vegetação
EROS CUPIDO Deus do amor
GÉIA TERRA Mãe Terra
HEFESTO VUKCANO Deus do fogo; ferreiro dos deuses
HERA JUNO Deusa do matrimônio e da fertilidade; protetora das mulheres casadas; rainha dos deuses
HERMES MERCÚRIO Mensageiro dos deuses; protetor dos viajantes, ladrões e mercadores
HÉSTIA VESTA Guardiã do lar
HIPNOS SONHO Deus do sonho
HADES PLUTÃO Deus dos mundos subterrâneos; senhor dos mortos
POSEIDON NEPTUNO Deus dos mares e dos terremotos
RÉIA CIBELE Esposa de Crono/Saturno; deusa-mãe
URANO URANO Deus dos céus; pai dos titãs
•
VULCANO
Da mesma forma que Hefesto para os gregos, o deus Vulcano era reverenciado pelos romanos com o objetivo de aplacá-lo em sua ira, de modo a torná-lo protetor dos mortais quanto aos efeitos nocivos do fogo.
Vulcano, segundo a mitologia romana, era filho de Júpiter e Juno, o rei e a rainha dos deuses.
Único deus romano fisicamente imperfeito, casou-se no entanto com Vênus.

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